Cineclube: “Eu, Mamãe e os Meninos”

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Giovana Viveiros

Sábado, 23 de Maio, o Departamento de Formação em Psicanálise realizou o seu primeiro evento aberto deste ano. O filme “Eu, mamãe e os meninos” inaugurou a retomada do cineclube em um novo formato: fora das dependências do Sedes, e além de um psicanalista para discutir o filme, um convidado das ciências humanas.

Esperava-se um debate rico da psicanálise com pensadores de estudos afins e assim ampliar as possibilidades de interlocução, num momento onde acreditamos necessária a abertura e convívio com as diversidades, em todos os níveis. E foi exatamente o que aconteceu neste encontro.

O local escolhido foi o Centro Cultural B¬_arco e optou-se pela exibição do filme antes da discussão. As convidadas para o debate foram a psicanalista Vera Warchavchik e a antropóloga Carla Cristina Garcia que, a partir do filme, expuseram suas ideias sobre o eixo central do evento: diferença, gênero e sexualidade.

O clima e o ambiente propiciaram uma atmosfera agradável para o desenvolvimento do tema. Vera, a partir de um pensamento clínico, apresentou a complexidade do personagem dentro de um romance familiar, assim como os desdobramentos da sua angústia de castração. Contudo, questiona sobre o por quê do enredo oferecer, de forma quase caricatural, a possibilidade de ilustrar tão facilmente a teoria freudiana. Nesse sentido, nos desafia repensar o que facilmente somos levados a “formatar” a partir de um pressuposto teórico. Já Carla, aponta para o performático na construção dual da identidade de gênero e sobre o quanto estamos submetidos à heteronormatividade, que empobrece o terreno para construção da subjetividade. Também em tom desafiador, propõe a necessidade de uma desobediência epistêmica, expressando a importância de questionarmos o já estabelecido. Assim, os dois desafios lançados se complementam.

Realmente curioso é pensar num filme que, facilitando o debate sobre a construção de identidade de gênero, dá pistas tão claras para uma “formatação” teórica. O contraponto proposto nessa discussão coloca em destaque uma cena do filme citada por ambas as convidadas em que Gallienne, personagem central, monta no cavalo, objeto fóbico de antes e, cavalgando, solta as rédeas e abre seus braços. Separação, liberdade e desamparo podem ser experiências que se atualizam quando soltamos as rédeas de nossas certezas, mas que abrem caminho para diferentes formas de pensarmos e habitarmos o mundo.

Por fim, pego emprestadas as interfaces mencionadas pela Vera: realidade e máscara, paródia e drama, romance e farsa. Perspectivas estas, lançadas a partir do encontro propiciado pelo Cineclube. Não percam os próximos!

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