Ato, Atalho e Vento de Marcelo Masagão – por Alessandra Ruivo

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Saber que o filme Ato, Atalho e Vento de Marcelo Masagão foi feito de fragmentos de 143 filmes e 1 livro: O Mal-Estar na Civilização de Freud, não diz ao que o filme se propõe!

Aliás, esse é um filme que não se propõe a definir ou representar.
Ele é uma experiência! E como tal, cada um terá a sua.
O que parece unânime é que o filme emociona, sensibiliza e não se sabe bem o porquê.
Somos tomados por uma espécie de viagem no tempo (entenda-se tempo no sentido de tempo interno), nos vemos fixados nas sequencias de cenas, cenas estas que não mostram o enrendo central, mas os detalhes, que falam mais que as palavras…  Um chapéu sendo levado solitariamente pelo vento em uma floresta, uma maçã que rola solta e sem destino…
As cenas seguem e nos percebemos angustiados, revelando nossa complexa condição humana: seres marcados pela pulsão e consequentemente pelo desejo; o denunciante de nossa falta. Assistimos sequencias de olhares profundos,como se fossem a janela de nossa alma; de beijos que não acontecem, marcando nossos desencontros; de pessoas dormindo e acordando alarmadas devido aos seus pesadelos, nos confirmando que mesmo dormindo a demanda pulsional continua.
Enfim, cenas que tentamos representar, mas que nos revelam que há algo de irrepresentável em nós! Que também somos o “entre as coisas” como ele assim também se referiu ao filme.
Quando parece que o filme acabou, temos uma surpresa, que obviamente não se revelará aqui. A explicação singela e porque não dizer inocente (no sentido puro da palavra) de Marcelo Masagão é que a utilização desse recurso final, foi para que o filme atingisse o tempo necessário para ser caracterizado como longa-metragem. Racionalizações à parte, podemos pensar nos inúmeros sentidos que isso pode nos causar.
Vale a pena conferir!!
Alessandra Ruivo

 

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3 Replies to “Ato, Atalho e Vento de Marcelo Masagão – por Alessandra Ruivo”

  1. Quero ver o filme. Vou procurar. Obrigada!

  2. Neste momento de minha vida preciso “daquilo” que vivo, ou seja, preciso de minhas experiências para acreditar ou pensar, ou para refletir em qualquer “coisa”. Coisa no sentido de Clarice Lispector. Ou no sentido do mineiro. Coisa para o mineiro é lingua materna, é chão acalanto arroz e feijão maria-mole café com leite. Coisa é coisa, uai! Para contar que quero ver o filme, a chamada me conclamou. Um abraço forte

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