Entrelaces Psíquicos entre Mães e Filhas

Código: 
5622

Expansão Cultural

Objetivos:


Este é um curso de investigação - arqueológica psicanalítica - do que Freud denominou um recalque inexorável da relação inicial entre mãe e filha. Explicito as nuances dessa civilização desaparecida, da qual temos notícias apenas pelos seus efeitos a posteriori. A mãe é o primeiro e mais forte objeto amoroso, protótipo de todas as relações amorosas posteriores, como Freud expressou em 1938. A especificidade da dupla - mãe e filha - pode ser expressa sucintamente da seguinte maneira: é o mesmo que engendra o mesmo (ANDRÉ, J. 2003). Entre mãe e filha reina o império do mesmo, campo da cilada nascísica (BIDAUD, 1998) e da ilusão simbiótica (HALBERSTADT-FREUD, 2001), e seus desvios patológicos: a infertilidade, a frigidez feminina, a anorexia e a bulimia, entre outros. Há, entre mãe e filha, um contínuo processo de identificações e desidentificações - trama identificatória - que solicita certo talento, de compor em si suas heranças, de apropriar-se dessa inescapável partilha. A feminilidade de mãe e filha talvez seja como uma joia de família que pode ser transformada e/ou manter-se intacta - as faces possíveis do cristal -, dentro de um vasto gradiente de possibilidades e limites, de geração a geração.

Corpo docente:


Marina Ferreira da Rosa Ribeiro (Psicanalista, mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP, membro efetivo do Depto. Formação em Psicanálise do Sedes Sapientiae, autora do livro  De mãe em filha: a transmissão da feminilidade e Infertilidade e reprodução assistida: desejando filhos na família contemporânea e profa. convidada do curso de expansão Para além da contratransferência: o analista implicado).

Conteúdo Programático:


  • Mães, filhas e muitas confusões. As origens psíquicas dos conflitos femininos;
  • A paixão mãe e filha no mito de Deméter e Perséfone e na tragédia de Electra;
  • O apego à mãe: amor e ódio nos textos freudianos e kleinianos;
  • A insustentável nostalgia da mãe no filme Sonata de Outono de Bergman: um olhar masculino;
  • O pai no olhar da mãe: o estatuto psíquico diverso da mãe e do pai como objeto;
  • As identificações femininas e masculinas com o casal parental: bissexualidade psíquica;
  • A transmissão entre gerações: de mãe em filha, a inescapável partilha;
  • Discussão de duas construções clínicas e suas respectivas tramas conceituais: o pacto negro (GODFRIND) e a mãe morta (GREEN).

Destinado a:


Profissionais e estudantes de psicologia, psicanalistas, psiquiatras, médicos e interessados no tema.

 

Horário


sextas-feiras das  11h30 às 13h00.