{"id":1476,"date":"2022-04-11T23:38:24","date_gmt":"2022-04-12T02:38:24","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=1476"},"modified":"2025-04-08T07:20:07","modified_gmt":"2025-04-08T10:20:07","slug":"movimento-articulacao-fala-ao-grupo-de-pesquisas-sandor-ferenczi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2022\/04\/11\/movimento-articulacao-fala-ao-grupo-de-pesquisas-sandor-ferenczi\/","title":{"rendered":"Movimento Articula\u00e7\u00e3o: Fala ao grupo de pesquisas S\u00e1ndor Ferenczi"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Movimento Articula\u00e7\u00e3o das Entidades Psicanal\u00edticas Brasileiras: Fala ao grupo de pesquisas Ferenczi <a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a><\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\">por <strong>Ana Maria Sigal <a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que nos reunimos neste momento para acirrar a luta contra a tentativa de banalizar nosso trabalho e nosso saber. N\u00e3o podemos deixar de mencionar a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desastrosa que atravessamos e que propicia que esta discuss\u00e3o se produza num momento de devasta\u00e7\u00e3o da cultura e da ci\u00eancia, as quais sofrem um golpe de destrui\u00e7\u00e3o que as levar\u00e1 a precisar de muitos anos para serem reconstru\u00eddas. <em>Mas a luta s\u00f3 se perde quando se a abandona,<\/em> diz Pepe Mujica e, nesse sentido, os diferentes grupos e os pr\u00f3prios psicanalistas temos reagido com maior for\u00e7a para defender nossa sociedade e nosso of\u00edcio de tamanha tentativa de desestrutura\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 um dos momentos mais perigosos que temos vivido na hist\u00f3ria do Movimento Articula\u00e7\u00e3o. As decis\u00f5es transitam na calada da noite e, apesar de nossa intensa dedica\u00e7\u00e3o, persiste o iminente perigo de que se aprove a regulamenta\u00e7\u00e3o, qui\u00e7\u00e1 proveniente de um espa\u00e7o do qual n\u00e3o pens\u00e1vamos que viria o ataque. Hoje em dia, as vozes s\u00e3o menos escutadas e as bancadas t\u00eam uma representa\u00e7\u00e3o de parlamentares que buscam aprovar projetos que lhes proporcionem mais votos para a reelei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, determinados projetos neoliberais e de ataque ao conhecimento aparecem de forma sub-rept\u00edcia e encontram apoio de estruturas governamentais para abrir as brechas para sua realiza\u00e7\u00e3o. O desmonte do MEC abriu perspectivas que antes n\u00e3o teriam como acontecer. Em todas as \u00e1reas, sa\u00fade p\u00fablica, pol\u00edtica ambiental, cultura, economia, universidades, seguran\u00e7a, se est\u00e1 \u201cabrindo a porteira para passar a boiada\u201d. Hoje p\u00f5e-se de manifesto o racismo estrutural que nos constitui, porque, como mostram as estat\u00edsticas, \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, negra e pobre a mais atingida. A pandemia \u00e9 ainda mais insidiosa pela forma em que o Governo Federal tem conduzido a pol\u00edtica de sa\u00fade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O movimento Articula\u00e7\u00e3o, assim como os Psicanalistas Unidos pela Democracia, tem trabalhado com for\u00e7a, mostrando que a psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 um saber alheio \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rias as quest\u00f5es que podemos situar e sobre as quais podemos conversar, tais como especificar por que h\u00e1 um grupo que luta h\u00e1 22 anos para que a psican\u00e1lise n\u00e3o seja regulamentada, explicitando o que implica a regulamenta\u00e7\u00e3o e os percal\u00e7os que aconteceram nestes anos; esclarecer o que \u00e9 o Movimento Articula\u00e7\u00e3o, como se constituiu e como funciona; encarar esta nova situa\u00e7\u00e3o com que nos confrontamos ao tentarem emplacar um bacharelado em psican\u00e1lise. Destas quest\u00f5es derivam muitas outras que surgiram na nossa conversa: a psican\u00e1lise como mercadoria e o aproveitamento do projeto neoliberal aplicado ao ensino. Tamb\u00e9m outras poder\u00e3o se colocar.<\/p>\n<p>Qui\u00e7\u00e1 seja interessante come\u00e7ar por entender e discutir a raz\u00e3o por que defendemos a ideia de que a psican\u00e1lise n\u00e3o pode ser regulamentada, j\u00e1 que dela derivam as outras quest\u00f5es.<\/p>\n<p>A pergunta mais comum quando expomos nossa situa\u00e7\u00e3o \u00e9: por que os psicanalistas n\u00e3o querem regulamentar a psican\u00e1lise nem criar um conselho que garanta a seriedade dos que assim se intitulam? Por que n\u00e3o criar um conselho que possa regular a pr\u00e1tica? Por que n\u00e3o criar uma fiscaliza\u00e7\u00e3o que garanta o exerc\u00edcio desta profiss\u00e3o? Estas perguntas partem dos pol\u00edticos, do p\u00fablico leigo e tamb\u00e9m de membros da comunidade psicanal\u00edtica que manifestam \u2013\u00e0s vezes de forma velada, outras vezes explicitamente\u2013 o desejo de que existam \u00f3rg\u00e3os de controle que garantam a seriedade do trabalho psicanal\u00edtico.<\/p>\n<p>Aqui come\u00e7a nossa dificuldade para que se entenda esta negativa. A quem est\u00e1 no campo da psican\u00e1lise e tem uma forma\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, que passa pela \u00e9tica de nosso saber, a resposta n\u00e3o parece t\u00e3o dif\u00edcil de entender.<\/p>\n<p>Partimos da ideia de que a forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 uma profiss\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o que se possa cursar numa Universidade, nem ter um programa de estudos fixo e estruturado que d\u00ea conta de uma titula\u00e7\u00e3o. Simplesmente n\u00e3o existe um t\u00edtulo de psicanalista, j\u00e1 que a forma\u00e7\u00e3o tem como eixo principal a an\u00e1lise do analista: um trabalho \u00e1rduo, pessoal, \u00fanico e singular, sustentado na transfer\u00eancia. Deste modo, qualquer tentativa de regulamentar a psican\u00e1lise entraria em contradi\u00e7\u00e3o com sua pr\u00f3pria \u00e9tica, implicaria aceitar que um tratamento psicanal\u00edtico pode ser regulamentado. Pensamos que cumprir leis enunciadas externamente \u2013tanto no que se refere \u00e0 pr\u00e1tica cl\u00ednica quanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o\u2013 torna estes enunciados vazios, pois eles requerem ser entendidos a partir de um pensamento \u00e9tico-pol\u00edtico interno ao pr\u00f3prio saber. Esta \u00e9tica nos diz que a psican\u00e1lise \u00e9 um saber subversivo que confronta o sujeito com sua verdade e que o caminho que se percorre, tanto no tratamento quanto na forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 <em>singular e \u00fanico.<\/em> \u00c9 precisamente sobre a burocratiza\u00e7\u00e3o destes elementos que se apoiam os grupos que desejam lucrar ou se apropriar do prest\u00edgio que a psican\u00e1lise tem alcan\u00e7ado em mais de 100 anos de pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 lei jur\u00eddica de Estado ou uma deontologia profissionalizante elaborada por um conselho profissional que possa dizer sobre como transcorre uma an\u00e1lise ou definir quais as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para exercer a pr\u00e1tica desde um campo externo ao pr\u00f3prio saber. Partimos da ideia de que a psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 um saber te\u00f3rico desengajado da pr\u00e1tica e que sua transmiss\u00e3o se baseia fundamentalmente na an\u00e1lise pessoal cuja \u00e9tica torna regulamentar imposs\u00edvel. Se temos regras a enunciar s\u00e3o as que respondem ao m\u00e9todo, as que Freud chama fundamentais \u2013a aten\u00e7\u00e3o flutuante e a associa\u00e7\u00e3o livre\u2013, para que o inconsciente possa emergir e ser escutado; s\u00e3o regras que seguem uma l\u00f3gica \u00fanica e singular, que desestruturam mais do que estruturam, que abrem mais do que fecham, que des-regulamentam mais do que regulamentam a l\u00f3gica do pensamento consciente. S\u00e3o regras que libertam e n\u00e3o constringem, s\u00e3o regras que t\u00eam mais a ver com a l\u00f3gica do pensamento prim\u00e1rio do que com a l\u00f3gica cartesiana. \u00c9 no flutuar livre da palavra que o sentido aparece. Tamb\u00e9m a regra de abstin\u00eancia imprime ao tratamento a possibilidade da libera\u00e7\u00e3o do desejo, escutar para que o sujeito possa escutar o pr\u00f3prio desejo. O psicanalista n\u00e3o amorda\u00e7a o desejo, n\u00e3o deseja pelo outro, oferece sua escuta para que o desejo surja. E bom deixar claro que a abstin\u00eancia \u00e9 uma recomenda\u00e7\u00e3o para o tratamento, nunca se refere a que o analista se abstenha como sujeito da hist\u00f3ria, nem dos acontecimentos que lhe exigem sua condi\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>Como seria uma psican\u00e1lise regulamentada? Seria justamente o que vai em sentido contr\u00e1rio da proposta \u00e9tico-pol\u00edtica que acabamos de enunciar, seria impor-lhe normas, caminhos, deveres, fins, metas e, ao faz\u00ea-lo, anularia a experi\u00eancia \u00fanica que surgiria no encontro em transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>Na psican\u00e1lise se trata do encontro com uma verdade, a verdade do sujeito que n\u00e3o segue as leis da l\u00f3gica cartesiana e sim as leis que regem o inconsciente. A forma\u00e7\u00e3o de um psicanalista n\u00e3o \u00e9 um saber te\u00f3rico que pode ser transmitido apenas por meio de textos, leituras ou discuss\u00f5es te\u00f3ricas. Este conhecimento \u00e9 importante, mas responde a um \u00fanico aspecto do que se necessita para percorrer uma forma\u00e7\u00e3o. Por isso insistimos que n\u00e3o se trata de uma profiss\u00e3o nem se constitui num saber universit\u00e1rio que transmite uma teoria, que d\u00e1 uma titula\u00e7\u00e3o ou que autoriza algu\u00e9m como psicanalista. Isto nos confronta com a situa\u00e7\u00e3o do ensino da psican\u00e1lise na Universidade. Pensamos que a psican\u00e1lise muito se enriquece enquanto teoria ao ser confrontada com outros saberes e que, em diversas forma\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias, o ensino da psican\u00e1lise como teoria se transforma em um elemento valioso, assim como nas p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es em psican\u00e1lise se encontram elementos altamente interessantes que se desenvolvem a partir da pesquisa. A psican\u00e1lise se enriquece e enriquece outras ci\u00eancias ou saberes nas suas trocas. Mas devemos diferenciar isto do que seria a forma\u00e7\u00e3o de um analista. A Universidade n\u00e3o tem forma de possibilitar que um psicanalista fa\u00e7a sua forma\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a an\u00e1lise pessoal que lhe imp\u00f5e o encontro com seu inconsciente, espinha dorsal dessa forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode ser regulamentada nem acompanhada dentro da Universidade. O estudo te\u00f3rico nos p\u00f5e em contato com outro tipo de saber. Laplanche discute a quest\u00e3o do ensino da psican\u00e1lise na Universidade e o promove em Paris 7, mas nunca prop\u00f5e que isto seja equivalente a uma forma\u00e7\u00e3o; em um texto de 1977<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>, afirma que, para ouvir falar de psican\u00e1lise na Universidade, n\u00e3o \u00e9 preciso ser analisado. <em>Existe a psican\u00e1lise fora da pr\u00e1tica, diferente da forma estrita da pr\u00e1tica<\/em> <em>anal\u00edtica<\/em>. Assim, apresenta uma boa argumenta\u00e7\u00e3o para os cursos na Universidade e o diploma de estudos aprofundados que oferece a academia. \u00c9 atrav\u00e9s desta brecha, que promove o estudo da psican\u00e1lise na Universidade, que se pretende a falcatrua de oferecer um bacharelado como espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o de um analista.<\/p>\n<p>Entendemos que ser psicanalista equivale a um of\u00edcio. Ningu\u00e9m seria um artista por ter feito uma faculdade de arte, assim como ningu\u00e9m poderia se autorizar como psicanalista por ter estudado teoria psicanal\u00edtica. \u00c9 no pr\u00f3prio contato com o inconsciente que vamos aprendendo o of\u00edcio. H\u00e1 numerosas institui\u00e7\u00f5es que tomam a seu cargo acompanhar estas forma\u00e7\u00f5es, inclu\u00eddas enormes diferen\u00e7as que se encontram entre elas: algumas promovem o passe, outras falam da an\u00e1lise did\u00e1tica, outras trabalham com o reconhecimento entre pares; existe ainda uma discuss\u00e3o segundo a qual n\u00e3o necessariamente se faria a forma\u00e7\u00e3o dentro de uma institui\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica, que poderia acontecer de forma independente. Mas todas estas propostas valorizam a an\u00e1lise pessoal como o eixo da forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em algum momento da hist\u00f3ria, a pr\u00f3pria IPA se institu\u00eda como \u00f3rg\u00e3o regulador, n\u00e3o reconhecendo a forma\u00e7\u00e3o de um psicanalista quem a fizesse fora de sua \u00e9gide. Esta posi\u00e7\u00e3o foi contestada por v\u00e1rios psicanalistas que pertenciam \u00e0 IPA e pensavam que, nesta forma de transmiss\u00e3o, se institu\u00eda uma situa\u00e7\u00e3o de poder e de controle estranha \u00e0 pr\u00f3pria \u00e9tica, configurando-se um mercado interno que regulava o fazer psicanal\u00edtico. Lacan provoca uma revolu\u00e7\u00e3o dentro da psican\u00e1lise ao contestar este poder, rompendo com a IPA na proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967, que marca este rompimento \u2013n\u00e3o s\u00f3 com a\u00a0IPA, mas tamb\u00e9m com grande parte do acervo hist\u00f3rico e te\u00f3rico acumulado por v\u00e1rios pioneiros do movimento psicanal\u00edtico. Outros psicanalistas, acompanhando Lacan, fazem uma ruptura que, por sua vez, tem outros desdobramentos, e se separam tamb\u00e9m dele, provocando-se m\u00faltiplos rompimentos e uma verdadeira libera\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise que tinha sua origem em uma Sociedade Secreta que, nos in\u00edcios, foi promovida pelo pr\u00f3prio Freud.\u00a0 Muitos grupos, em muitas cidades, produziram movimentos semelhantes e, assim, come\u00e7aram a democratizar a forma\u00e7\u00e3o, sem abandonar o <em>rigor e a \u00e9tica<\/em> pr\u00f3prios \u00e0 psican\u00e1lise. O movimento Plataforma \u00e9 outo eixo fundamental. Surgido em 1969, acompanhando o fervor de maio do 68, organizou um congresso paralelo ao que estava se desenvolvendo pela IPA na cidade de Roma. Criticou a forma\u00e7\u00e3o de analistas, o papel da an\u00e1lise did\u00e1tica, a elitiza\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise e sua fun\u00e7\u00e3o social. Criou um outro cisma que teve amplas repercuss\u00f5es na Am\u00e9rica Latina. Hoje em dia, com as modifica\u00e7\u00f5es que a hist\u00f3ria foi produzindo, muito tem mudado nas institui\u00e7\u00f5es ligada \u00e0 IPA.<\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel de que a forma\u00e7\u00e3o se baseia num trip\u00e9 (an\u00e1lise pessoal, conhecimento te\u00f3rico e pr\u00e1tica cl\u00ednica) hoje quer dizer muito pouco, n\u00e3o \u00e9 suficiente para garantir a seriedade de uma forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 um uso perverso do trip\u00e9 proposto por Freud, muitos grupos que alegam basear-se nele para legalizar sua forma\u00e7\u00e3o o deturpam; j\u00e1 que o modelo adotado \u00e9 vazio, podendo ser preenchido de qualquer maneira, como podemos supor ao constatar o impressionante n\u00famero de supostos 2.000 analistas que formava a SPOB (Sociedade Psicanal\u00edtica Ortodoxa Brasileira), grupo dirigido por evang\u00e9licos que se organizaram para dar um car\u00e1ter cient\u00edfico \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de seus fi\u00e9is e segundo eles ofereciam a forma\u00e7\u00e3o conforme o trip\u00e9 da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Tomados como esquemas externos, nossos pressupostos podem ser preenchidos de formas totalmente contr\u00e1rias ao que procuram enunciar. Todos os grupos religiosos e com interesses comerciais que querem se aproveitar do significante \u201cpsican\u00e1lise\u201d aludem ao seu trip\u00e9. Isto se encontra claramente expresso no tal bacharelado de psican\u00e1lise que, de forma perversa, incorpora o trip\u00e9 e garante que, cursando sua grade, o candidato receba o t\u00edtulo de psicanalista. Voltaremos depois \u00e0 quest\u00e3o do bacharelado. Pelo momento, sublinharemos que foi contra essas apropria\u00e7\u00f5es que se constituiu o Movimento Articula\u00e7\u00e3o das Entidades Psicanal\u00edticas Brasileiras, ao reunir um grupo de psicanalistas para lutar contra a regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que \u00e9 a Articula\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Articula\u00e7\u00e3o \u00e9 um movimento inusitado, sem equivalentes no mundo; encontramos uma nova forma de trabalhar e, ao longo dos 22 anos em que estamos juntos, conseguimos nos manter sem fraturas nem cis\u00f5es \u2013o que, como voc\u00eas sabem, n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil dentro da psican\u00e1lise e da pol\u00edtica. Em primeiro lugar, optamos por constituirmo-nos como um movimento, escolha que exige um trabalho exaustivo, n\u00e3o temos site, n\u00e3o temos conta banc\u00e1ria, cada reuni\u00e3o \u00e9 instituinte e n\u00e3o configura um institu\u00eddo que obedece a um regulamento que patrulha o campo psicanal\u00edtico; est\u00e1 formado por institui\u00e7\u00f5es que se somam a nosso trabalho e reconhecem nosso objetivo como uma bandeira de luta. Temos uma hist\u00f3ria e documentos p\u00fablicos que v\u00e3o balizando a condu\u00e7\u00e3o do Movimento. Nossa op\u00e7\u00e3o foi n\u00e3o criar uma institui\u00e7\u00e3o; caso o fiz\u00e9ssemos, nos constituir\u00edamos num pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o regulamentador. Permanentemente aparecem tenta\u00e7\u00f5es de dizer \u201ceste grupo faz forma\u00e7\u00e3o, este outro n\u00e3o\u201d, mas isto nos constituiria nos \u00fanicos que possuem o saber sobre como se faz una forma\u00e7\u00e3o. Partimos, sim, da ideia de que toda forma\u00e7\u00e3o deve ser laica e leiga, apoiados no trabalho de Freud de 1926, <em>A psican\u00e1lise leiga \u2013<\/em>que, com certeza, voc\u00eas conhecem muito bem.<\/p>\n<p>Movimento \u00e9 um conjunto de a\u00e7\u00f5es de um grupo de pessoas mobilizadas por um mesmo fim. Entendemos nosso fim como a n\u00e3o regulamenta\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise. Dentro do mesmo movimento, as diversas institui\u00e7\u00f5es que o comp\u00f5em t\u00eam ideias bastante diferentes sobre algumas quest\u00f5es metapsicol\u00f3gicas e cl\u00ednicas, assim como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o e autoriza\u00e7\u00e3o, <em>mas para podermos trabalhar\u00a0juntos em um espa\u00e7o constitu\u00eddo por escolas t\u00e3o diferentes, tivemos que assumir a necessidade de postergar as satisfa\u00e7\u00f5es narc\u00edsicas e entender que, no mesmo espa\u00e7o, podem funcionar diversas institui\u00e7\u00f5es, renunciando \u00e0 necessidade de deten\u00e7\u00e3o do poder, de ser \u00fanico, mais ou melhor, ou aquele que monopoliza a verdade sobre o conhecimento de Freud. Tivemos que trabalhar arduamente na aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as e entender que poder\u00edamos nos\u00a0unir em torno de pontos m\u00ednimos que nos incluam a todos, fortificando o coletivo e aumentando o alcance de nossa luta.<\/em> Publicamos dois livros nos quais aparecem as diferentes vozes, representadas por diversos autores, das diferentes escolas, das quais voc\u00eas poder\u00e3o ter not\u00edcias atrav\u00e9s da leitura deles<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>. Mas, \u00e0 guisa de exemplo, poderia descrever alguns princ\u00edpios que compartilhamos e que nos diferenciam das v\u00e1rias psicoterapias, criando um campo de saber espec\u00edfico. Entendemos que na cl\u00ednica psicanal\u00edtica o saber est\u00e1 do lado do inconsciente. O que nos diferencia de outros saberes \u00e9 considerar o deslocamento que faz a psican\u00e1lise, da concep\u00e7\u00e3o ptolomaica de um Eu possuidor da verdade ao recentramento do <em>inconsciente<\/em> como espa\u00e7o estrangeiro que deixa o sujeito \u00e0 merc\u00ea de um desconhecido de si. Mesmo pensando em diversas concep\u00e7\u00f5es metapsicol\u00f3gicas segundo as diferentes escolas, imp\u00f5e-se a radicalidade do inconsciente no campo do desejo e o modo em que se transita pelo caminho da sexua\u00e7\u00e3o na inscri\u00e7\u00e3o da alteridade.<\/p>\n<p>Outro elemento comum \u00e9 considerar o deslocamento que Freud produz nos <em>Tr\u00eas Ensaios<\/em><a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a> (1905) ao demolir o preconceito de uma sexualidade pr\u00e9-orientada instintualmente no homem, em benef\u00edcio de uma <em>puls\u00e3o<\/em> que s\u00f3 encontraria seu objeto de maneira totalmente aleat\u00f3ria na sua hist\u00f3ria individual, objeto esse essencialmente vicariante e contingente. Essa substitui\u00e7\u00e3o tira o sujeito do campo da pura biologia e o constitui na sua pr\u00f3pria diferen\u00e7a, fora do determinismo biol\u00f3gico, a partir da valoriza\u00e7\u00e3o da fantasia e da linguagem.<\/p>\n<p>Compartilhamos a ideia de trabalhar com o conceito de <em>abstin\u00eancia,<\/em> tal como o encontramos na obra freudiana, no artigo de 1915, Observa\u00e7\u00f5es sobre o amor de transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>A <em>abstin\u00eancia<\/em> como uma regra da pr\u00e1tica anal\u00edtica segundo a qual o tratamento anal\u00edtico deve ser conduzido de modo tal que o paciente encontre o menos poss\u00edvel de satisfa\u00e7\u00f5es substitutivas para seus sintomas, especialmente as satisfa\u00e7\u00f5es que pudessem encontrar resposta no amor de transfer\u00eancia. Isto significa que o analista tem de se abster de seu desejo e procurar, atrav\u00e9s da escuta, aquilo que \u00e9 pr\u00f3prio do paciente. Abstin\u00eancia e neutralidade n\u00e3o significam que o analista tem de se eximir de sua posi\u00e7\u00e3o como cidad\u00e3o, abstin\u00eancia de desejar pelo outro sim, nunca abstin\u00eancia de assumir as responsabilidades como sujeitos da hist\u00f3ria. Nos valemos da transfer\u00eancia como uma ferramenta fundamental para o estabelecimento da rela\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, novo la\u00e7o fundamental que se instaura e reatualiza os significantes que suportaram demandas de amor na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Simplesmente gostaria de dizer que, frente a cada quest\u00e3o e decis\u00e3o que temos que enfrentar, entram em jogo diferen\u00e7as te\u00f3ricas que tentamos superar. O que nos une \u00e9 poder trabalhar com as <em>diferen\u00e7as, entendidas como diversidade.<\/em><\/p>\n<p>Somos todos analistas unidos, defendendo a psican\u00e1lise das tentativas de regulamentar seu campo e de\u00a0impor o Estado como regulador de uma profiss\u00e3o que n\u00e3o existe como tal; pensamos que a psican\u00e1lise \u00e9 um of\u00edcio, que s\u00f3 est\u00e1 regido e reconhecido entre n\u00f3s pela \u00e9tica que o constitui.<\/p>\n<p>O movimento surge no ano 2.000 a partir de uma convocat\u00f3ria feita por numerosos psicanalistas de diversas escolas, aliados ao CRP, CRM, que realizaram uma reuni\u00e3o no hotel Gl\u00f3ria do Rio de Janeiro. A convocat\u00f3ria se faz a partir de uma tentativa de regulamenta\u00e7\u00e3o que se apresenta \u00e0 Comiss\u00e3o de Assuntos Sociais da C\u00e2mara dos Deputados, que \u00e9 a inst\u00e2ncia que acolhe estes projetos de lei \u2013lei esta que surge pouco depois da cria\u00e7\u00e3o da SPOB (Sociedade Psicanal\u00edtica Ortodoxa Brasileira).<\/p>\n<p>Nesta reuni\u00e3o se constitui o Movimento e come\u00e7am as reuni\u00f5es. Elabora-se neste grupo o Manifesto da Articula\u00e7\u00e3o e iniciam-se os contatos com deputados e senadores, que criam uma resist\u00eancia importante. Os deputados Eber Silva, evang\u00e9lico, e Simon Sessim acabam retirando seu Projeto de Lei (PL) depois de um trabalho feito pela Articula\u00e7\u00e3o, esclarecendo a quest\u00e3o da raz\u00e3o pela qual n\u00e3o aceitamos a regulamenta\u00e7\u00e3o. Cria-se a escola e depois vem a lei!!! Nestes anos de trabalho temos conseguido desmontar e parar numerosas tentativas de regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada grupo ou institui\u00e7\u00e3o tem seus princ\u00edpios e prioriza suas formas de transmiss\u00e3o e de controle, de reconhecimento ou de autoriza\u00e7\u00e3o, a partir da experi\u00eancia singular que significa uma an\u00e1lise e que se depreende das teorias sobre as quais se apoia.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise trabalha com um conceito pr\u00f3prio de verdade que \u00e9 singular e \u00fanico a cada tratamento, n\u00e3o h\u00e1 verdades universais, dogmatizantes, nem objetivos de conduta a serem alcan\u00e7ados. Na psican\u00e1lise se parte do conflito, resultado da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o cindida do sujeito e o que est\u00e1 em jogo \u00e9 se confrontar com essa condi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se prop\u00f5e a apagar sintomas, mas a faz\u00ea-los falar por meio da disponibilidade da escuta.<\/p>\n<p>O Movimento Articula\u00e7\u00e3o das Entidades Psicanal\u00edticas Brasileiras, portanto, sempre teve como proposta intervir nos \u00f3rg\u00e3os oficiais para evitar a regulamenta\u00e7\u00e3o; n\u00e3o \u00e9 nova essa prolifera\u00e7\u00e3o de centros de forma\u00e7\u00e3o que se dizem psicanal\u00edticos e, entrando em suas publicidades, encontramos discursos totalmente deformantes. Nunca nos ocupamos de desacredit\u00e1-los, muitos afundavam por si mesmos, mas agora temos sido surpreendidos por uma nova tentativa que pode desembocar numa regulamenta\u00e7\u00e3o a partir da cria\u00e7\u00e3o de uma faculdade de psican\u00e1lise. Este modelo n\u00e3o existe no mundo inteiro. Este curso \u00e9 um est\u00edmulo \u00e0 impostura, oferece aos participantes uma ilus\u00e3o de poder se inserir no mercado de trabalho, mas n\u00e3o \u00e9 mais do que uma forma\u00e7\u00e3o oferecida com uma clara motiva\u00e7\u00e3o empresarial que contradiz todos os postulados do que seria uma forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que \u00e9 a Uninter, Centro Universit\u00e1rio Internacional que promove este Bacharelado? \u00c9 um conglomerado institucional de ensino que tem 12 polos ativos no exterior, sendo 9 nos Estados Unidos, 2 na Europa e 1 na \u00c1sia. No Brasil est\u00e1 presente em todos os estados da Federa\u00e7\u00e3o, com aproximadamente 400 cursos de gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e mestrado, j\u00e1 formou cerca de 500.000 alunos. Faz anos que os fundos de aplica\u00e7\u00e3o financeira v\u00eam propagandeando que o investimento em educa\u00e7\u00e3o \u00e9 dos mais rent\u00e1veis; assim tais aplica\u00e7\u00f5es v\u00eam se expandindo e o <em>mercado<\/em> da educa\u00e7\u00e3o se multiplica, o que aparentaria algo interessante, mas ao ser confundido com a democratiza\u00e7\u00e3o do saber se cria uma fal\u00e1cia que precisa ser denunciada. Cada vez mais estas institui\u00e7\u00f5es v\u00e3o explorando o desconhecimento que a popula\u00e7\u00e3o tem, oferecem cursos com garantia de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, fantasia que fica s\u00f3 no papel de uma titula\u00e7\u00e3o. O an\u00fancio de tal bacharelado diz:<em> \u201cAo final do curso o egresso ter\u00e1 um diploma de Bacharel em Psican\u00e1lise e poder\u00e1 atuar como empregado em empresas para servi\u00e7os de preven\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental, ou por conta pr\u00f3pria<\/em>\u201d e real\u00e7a os lucros interessantes que este exerc\u00edcio profissional reportaria aos que fizessem esta forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atendendo ao desenvolvimento das ideias expostas anteriormente vemos<em> a pervers\u00e3o desta oferta: <\/em>oferecem forma\u00e7\u00e3o enganosa, copiando ideias, falas, considera\u00e7\u00f5es reproduzidas de publica\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es s\u00e9rias, e muitas vezes, argumentos que foram elaborados pelo pr\u00f3prio Movimento Articula\u00e7\u00e3o, tentando valer-se do fato de a psican\u00e1lise n\u00e3o estar regulamentada para sugerir que, por esta raz\u00e3o, qualquer um poderia exerc\u00ea-la e ensin\u00e1-la. O curso preenche o quesito de an\u00e1lise pessoal com um tratamento oferecido em grupo no \u00faltimo quadrimestre da grade do curso universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 pergunta feita por um candidato que deseja se inscrever no bacharelado proposto e quer saber qual a portaria que regulamentou\/autorizou o curso de Bacharel em Psican\u00e1lise, respondem: \u201cN\u00e3o demorar\u00e1 muito e as Associa\u00e7\u00f5es Psicanal\u00edticas que promovem cursos livres v\u00e3o entrar na justi\u00e7a pedindo o cancelamento do curso com alega\u00e7\u00e3o que o ensino da psican\u00e1lise deve ser livre e laico, bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1.\u201d (isso figura no seu <em>site<\/em>!).<\/p>\n<p>Est\u00e3o bem aparelhados e assessorados, o movimento Articula\u00e7\u00e3o nunca questionou nenhum dos numerosos cursos que se oferecem, inclusive com as propostas mais estapaf\u00fardias como \u201ccurso de psican\u00e1lise evang\u00e9lico\u201d, \u201ccurso promovido pelo sindicato de psicanalistas\u201d e outras aberra\u00e7\u00f5es, por n\u00e3o ser um \u00f3rg\u00e3o regulador, mas desta vez a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente, se lan\u00e7a um curso que garante que ser\u00e1 aprovado pelo MEC, \u00f3rg\u00e3o oficial do Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura e, ao dar um t\u00edtulo universit\u00e1rio, institui de fato a Psican\u00e1lise como profiss\u00e3o; daqui \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um passo s\u00f3.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o o Movimento Articula\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou um manifesto assinado com o apoio de mais de 100 institui\u00e7\u00f5es e grupos de forma\u00e7\u00e3o que questionam ao MEC a aprova\u00e7\u00e3o desta forma\u00e7\u00e3o, sem nada de bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1, com argumentos s\u00e9rios e bem fundamentados muitos dos quais est\u00e3o enunciados neste trabalho.<\/p>\n<p>Acho que temos elementos suficientes para escutar os outros palestrantes e depois abrir a discuss\u00e3o. Muito obrigada pela escuta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Evento produzido no espa\u00e7o das Inquieta\u00e7\u00f5es \u00e9tico-pol\u00edticas, intitulado <em>Bacharelado e outras imposturas: a forma\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica hoje<\/em>. Os demais expositores foram Alexandre Abranches Jord\u00e3o, da Sociedade de Psican\u00e1lise da Cidade do Rio de Janeiro e Daniel Kupermann, presidente do grupo brasileiro de pesquisas Sandor Ferenczi, professor livre docente da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, onde \u00e9 professora do Curso de Psican\u00e1lise e co-coordenadora do curso Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica: Conflito e Sintoma.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Laplanche, J. <em>O inconsciente e o id. Problem\u00e1ticas 4<\/em>. Buenos Aires: Amorrortu, 1987, p.23.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Alberti, Sonia e outros. <em>Of\u00edcio do psicanalista: forma\u00e7\u00e3o vs regulamenta\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Casa do Psic\u00f3logo, 2009; Sigal, Ana Maria e outros. <em>Of\u00edcio do psicanalista II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Escuta, 2019.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre princ\u00edpios e a\u00e7\u00f5es que norteiam a luta contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise. 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