{"id":1512,"date":"2022-04-12T00:59:23","date_gmt":"2022-04-12T03:59:23","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=1512"},"modified":"2022-09-21T11:01:05","modified_gmt":"2022-09-21T14:01:05","slug":"um-bonde-chamado-privilegio-do-desejo-ou-a-meritocracia-do-desejar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2022\/04\/12\/um-bonde-chamado-privilegio-do-desejo-ou-a-meritocracia-do-desejar\/","title":{"rendered":"Um bonde chamado privil\u00e9gio do desejo ou a meritocracia do desejar"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Um bonde chamado privil\u00e9gio do desejo ou a meritocracia do desejar: se h\u00e1 desejo, ele opera?<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\">por<strong> Roberta Veloso de Matos<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>quando eu comecei com essa ideia, meio louca, diga-se de passagem, de fazer da psican\u00e1lise um trabalho porque me fazia muito sentido e eu conseguia ver isso na minha pr\u00f3pria vida, j\u00e1 que fazia an\u00e1lise havia alguns anos, desconfiava que n\u00e3o seria f\u00e1cil. eu que mal conseguia pagar minha pr\u00f3pria an\u00e1lise, mas sortudamente encontrei uma analista sens\u00edvel tamb\u00e9m \u00e0s barreiras reais (um beijo pra minha amiga Talita que dividiu a analista dela comigo, eu n\u00e3o tenho esse desprendimento), estava me metendo (o sintoma e seus sentidos sexuais) em uma arena j\u00e1 conhecida da maioria dos brasileiros: a dist\u00e2ncia abissal s\u00f3cio racial que marca esse pa\u00eds.<\/p>\n<p>ningu\u00e9m me contou explicitamente e por vezes ensaiei escrever sobre o caminho \u00e1rduo, solit\u00e1rio e angustiante em que se pode embarcar \u2013 nesse barco predominantemente s\u00f3 ocupado por pessoas brancas e ricas. eu n\u00e3o queria, quando ensaiava escrever esse desabafo\/servi\u00e7o de utilidade p\u00fablica, &#8211; e continuo n\u00e3o querendo &#8211; desencorajar ningu\u00e9m que como eu deseja fazer da psican\u00e1lise um trabalho, mas venho me perguntando: quem pode fazer da psican\u00e1lise um trabalho?<\/p>\n<p>a meu ver teria sido de bom tom e me pouparia de alguns constrangimentos se algu\u00e9m no in\u00edcio do meu percurso revelasse (sim, essa parte \u00e9 omitida dos c\u00edrculos psicanal\u00edticos de forma direta) que, veja bem, vou repetir o que falei acima, se voc\u00ea n\u00e3o pertence a um grupo s\u00f3cio racial privilegiado, o bagulho vai ser <em>loko<\/em>. vou al\u00e9m, pra mim seria um gesto de honestidade e dever c\u00edvico dos que comp\u00f5em esse grupo de indiv\u00edduos que gozam de algumas facilidades para tornar a psican\u00e1lise seu fazer, nos contar que, para tal objetivo, ser psicanalista, al\u00e9m do desejo e, que coisa, se h\u00e1 ele, o desejo e s\u00f3 ele, n\u00e3o necessariamente voc\u00ea vai viv\u00ea-lo, \u00e9 preciso ter uma coisa sobre a qual Freud dizia que \u00e9 preciso se falar: dinheiro. mas n\u00e3o \u00e9 isso que escuto, ou melhor n\u00e3o escuto, nos c\u00edrculos psicanal\u00edticos. digo isso porque ao lhe relatar minhas ang\u00fastias derivadas da dificuldade financeira para sustentar o investimento que \u00e9 preciso ser feito em uma forma\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica, um psicanalista me disse: \u201cse h\u00e1 desejo, ele opera\u201d. ou seja, se eu desejasse muito, iria conseguir pagar an\u00e1lise, forma\u00e7\u00e3o, supervis\u00e3o, aluguel de sala e, quem sabe, comer. em g\u00eanio da l\u00e2mpada ser\u00e1 que ele acredita? tenho minhas raz\u00f5es pra acreditar que sim. qualquer semelhan\u00e7a com o discurso falacioso da meritocracia n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia. ent\u00e3o, seguindo essa l\u00f3gica, se eu n\u00e3o conseguisse o feito de ser psicanalista seria por que eu n\u00e3o desejava? a meritocracia do desejo que habita os c\u00edrculos psicanal\u00edticos sa\u00fada a meritocracia que habita o neoliberalismo.<\/p>\n<p>pois bem, retomando minha convoca\u00e7\u00e3o aos meus amigos &#8211; at\u00e9 tenho v\u00e1rios e n\u00e3o \u00e9 nada pessoal\u00a0 (minha vingan\u00e7a quando denuncio alguma fala\/a\u00e7\u00e3o racista ou classista e a pessoa devolve com o \u201cn\u00e3o \u00e9 pessoal\u201d) -, psicanalistas conhecidos e reconhecidos pela comunidade psicanal\u00edtica, institui\u00e7\u00f5es de transmiss\u00e3o, psicanalistas n\u00e3o famosos que ocupam lugares nas forma\u00e7\u00f5es diversas, psicanalistas supervisores, do dever deles de, ao transmitir e compartilhar seus saberes, contar que o percurso de forma\u00e7\u00e3o e deforma\u00e7\u00e3o do psicanalista n\u00e3o ser\u00e1 leve se voc\u00ea n\u00e3o desfruta de uma boa quantia de dinheiro para o investimento que a cl\u00ednica exige. o dinheiro n\u00e3o garante que o sujeito n\u00e3o v\u00e1 encontrar percal\u00e7os e que bom que eles, os percal\u00e7os, s\u00e3o inerentes \u00e0 vida, seja de um rico ou de um pobre &#8211; mas, convenhamos, ter dinheiro \u00e9 mais do que meio caminho andado.<\/p>\n<p>uma vez perguntaram para um psicanalista famoso &#8211; eu particularmente gosto muito dele e respeito sua trajet\u00f3ria &#8211; se ele j\u00e1 tinha pensado em desistir da psican\u00e1lise. ele respondeu elencando uma s\u00e9rie de impasses que se colocaram em seu percurso psicanal\u00edtico. mas, em nenhum momento ele levantou a quest\u00e3o financeira como um dos impasses da cl\u00ednica. claro, esse recorte social n\u00e3o lhe pertence, falando disso diretamente: ele n\u00e3o teve dificuldades financeiras para fazer da psican\u00e1lise um trabalho no que tange \u00e0 sustenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica necess\u00e1ria para isso. bom, na resposta, pelo menos, ele n\u00e3o conta isso e a\u00ed que eu vejo que h\u00e1 um problema. se algu\u00e9m a\u00ed estiver lendo, mas escrevo acima de tudo para mim mesma, e deparar-se com essas dificuldades talvez se sinta, eu me senti, a prima pobre da fam\u00edlia que n\u00e3o vai nos passeios, nas viagens e sempre est\u00e1 com fome, mas n\u00e3o pode falar porque ningu\u00e9m mais parece estar com a barriga roncando, essa jornada ser\u00e1 um tanto solit\u00e1ria. sorte que gosto de mim, um pouco.<\/p>\n<p>descortinar ou levantar o tapete e mostrar o que est\u00e1 escondido, principalmente as pessoas que gozam de uma heran\u00e7a s\u00f3cio racial &#8211; em um mundo\u00a0 montado pelo sistema escravagista &#8211; ao meu ver representaria uma posi\u00e7\u00e3o honesta e cidad\u00e3, j\u00e1 que a grande maioria dos brasileiros n\u00e3o desfruta de tais privil\u00e9gios, eu n\u00e3o me sentiria t\u00e3o desconfort\u00e1vel por reivindicar, em um formato de trabalho grupal nos moldes de uma cooperativa, a minha parte porque, incrivelmente, para estar nas reuni\u00f5es do grupo ou at\u00e9 mesmo para atender as pessoas, eu preciso de dinheiro para me deslocar de transporte p\u00fablico ou eu saberia que uma parte da minha energia ps\u00edquica n\u00e3o seria para me dedicar ao estudo te\u00f3rico que fortalecesse minha cl\u00ednica, mas se destinaria a quebrar a cabe\u00e7a e n\u00e3o dormir, pensando em como pagar a an\u00e1lise e\/ou o aluguel da sala ao mesmo tempo em que fa\u00e7o um esfor\u00e7o imenso para que meu desejo de ter mais pacientes\u00a0 e, consequentemente,\u00a0 aliviar essa tens\u00e3o financeira, n\u00e3o atravesse minha cl\u00ednica prejudicando a grande responsabilidade de escutar sujeitos.<\/p>\n<p>venho de outra \u00e1rea e, quando num rompante vi que aquilo n\u00e3o estava fazendo mais sentido, fui s\u00f3 com a cara e a coragem, sem heran\u00e7a ou pais ricos nem seguro-desemprego, atr\u00e1s do que parecia ter mais a ver comigo. veja, n\u00e3o comecei a fazer an\u00e1lise para me conhecer, pensar minha exist\u00eancia, eu sofria e precisava fazer algo para que aquilo pelo menos diminu\u00edsse, eu nunca fui muito esperan\u00e7osa mesmo, n\u00e3o tinha pretens\u00f5es de ser curada, acho dif\u00edcil ser curado de humanidade. e foi assim, sem nenhuma inten\u00e7\u00e3o, no percurso da minha an\u00e1lise, que meu sintoma foi fazendo sentido e a sublima\u00e7\u00e3o dos conflitos atrav\u00e9s do trabalho n\u00e3o ornava mais.<\/p>\n<p>Freud diz que os sintomas privam os sujeitos de amar e trabalhar, ele s\u00f3 &#8220;esqueceu&#8221; que trabalhar, e aqui fa\u00e7o um recorte para o meu of\u00edcio, pressup\u00f5e condi\u00e7\u00f5es materiais para isso, e sendo eu uma pessoa n\u00e3o branca em um pa\u00eds estruturado pelo racismo, isso ganha propor\u00e7\u00f5es ainda maiores. como nem tudo s\u00e3o flores e para que a ditadura da meritocracia do desejo deixe de operar, penso que meu relato\/desabafo pode de alguma forma contemplar os que est\u00e3o \u00e0s voltas com esse malabarismo que \u00e9 o assobiar e chupar cana do fazer psicanal\u00edtico, entre pagar contas b\u00e1sicas e fazer uma forma\u00e7\u00e3o. \u201cse at\u00e9 pra sonhar tem entrave, a felicidade do branco \u00e9 plena, a felicidade do preto \u00e9 quase\u201d, canta Emicida. quase eu sou uma psicanalista. Mas, diriam os defensores da meritocracia do desejo: por que n\u00e3o desejas o suficiente, Roberta?<\/p>\n<p>viver de desejo pode ser um privil\u00e9gio no Brasil, em outros pa\u00edses tamb\u00e9m, mas neste trabalho me refiro ao Brasil. os paladinos do desejo podem tamb\u00e9m argumentar que nenhum sujeito consegue viver plenamente de seus desejos, j\u00e1 que o desejo \u00e9 desejar e, quando se chega perto, ele se afasta e assim caminha-se em busca de algo sempre inalcan\u00e7\u00e1vel porque nunca satisfeito. Na teoria est\u00e1 tudo certo, Lacan os aben\u00e7oe caros irm\u00e3os do real, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio. Mas, na vida dos mortais comuns, na vida que n\u00e3o \u00e9 vista por quem est\u00e1 no andar de cima, do \u201cvou a p\u00e9 pra ter o de amanh\u00e3\u201d, no cotidiano do quilo contado, o bagulho \u00e9 <em>loko<\/em>.<\/p>\n<p>desisti do jornalismo &#8211; mais precisamente da assessoria de imprensa, que de jornalismo n\u00e3o tem nada &#8211; porque trabalhar para uma empresa, que j\u00e1 acumula riqueza, ter mais espa\u00e7o na m\u00eddia e com isso ter ainda mais capital n\u00e3o tem a ver com minha concep\u00e7\u00e3o de jornalismo. pois bem, eu queria ser a Eliane Brum dos anos 2000. n\u00e3o fui (no tamanho do texto eu acho que consigo alcan\u00e7\u00e1-la) ent\u00e3o engoli a seco minha idealiza\u00e7\u00e3o. at\u00e9 parece, minha analista que diga o tanto de trabalho que fazemos para reconstruir os castelos de areia das idealiza\u00e7\u00f5es &#8211; e ressignifiquei a palavra: da palavra escrita passei para palavra falada pelo sujeito e escutada pelo analista, eu me coloquei em uma s\u00e9rie de trabalhos, os famosos <em>bicos<\/em>, para poder sustentar o meu desejo. olha s\u00f3, o desejo n\u00e3o se sustenta sozinho, e para isso fiz faxina, recrea\u00e7\u00e3o infantil em condom\u00ednio de luxo, fui caixa de bebidas e comidas em casas de shows, vendi brigadeiro, auxiliei a dona de uma floricultura, cuidei de uma idosa, trabalhei em um cart\u00f3rio eleitoral, fiz transcri\u00e7\u00e3o de rodas de conversa justamente para um grupo de psicanalistas da institui\u00e7\u00e3o na qual hoje eu estudo &#8211; uma das\u00a0 mais importantes na transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise h\u00e1 mais de 30 anos, mas que s\u00f3 agora come\u00e7a a instituir uma pol\u00edticas de cotas. tudo isso somado \u00e0 aposta da analista de que valia a pena sustentar comigo meu desejo.<\/p>\n<p>adivinhe quem s\u00e3o os psicanalistas formados por essa institui\u00e7\u00e3o? pois \u00e9, o \u00f3bvio precisa ser dito: gente branca com consult\u00f3rio em Perdizes e Pinheiros e em um mercado de transfer\u00eancias comum \u00e0s concentra\u00e7\u00f5es de renda e ra\u00e7a, gente que acaba, infelizmente, escutando sujeitos com os mesmos pertencimentos, claro que n\u00e3o com as mesmas quest\u00f5es, afinal a subjetividade \u00e9 uma das belezas mais infinitas que h\u00e1. por\u00e9m, considerando que as subjetividades s\u00e3o formadas e atravessadas pelo campo da cultura, como bem vimos com Freud no in\u00edcio da sua descoberta do inconsciente ao se inclinar e ouvir mulheres em um contexto social em que suas falas n\u00e3o eram ouvidas, pois n\u00e3o eram escutadas devido \u00e0 viol\u00eancia do patriarcado vigente (n\u00e3o que hoje isso n\u00e3o opere) &#8211; cada \u00e9poca com seus sintomas.<\/p>\n<p>minha inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 hierarquizar os psicanalistas, n\u00e3o considero que os psicanalistas que escutam sujeitos com pertencimentos s\u00f3cio raciais semelhantes aos seus sejam ruins por conta disso, at\u00e9 porque, como frisei acima, o inconsciente tem uma capacidade muito criativa de produzir conflitos e sintomas, mas me pego incomodada pensando o que \u00e9 escutar sujeitos \u201c\u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a\u201d, mais do que isso: como podemos escutar, para al\u00e9m das nossas condi\u00e7\u00f5es estabelecidas, os n\u00e3o estabelecidos, os que est\u00e3o \u00e0 margem? que analistas s\u00e3o formados em institui\u00e7\u00f5es com profissionais da sa\u00fade que desconhecem a realidade da grande maioria dos brasileiros, pois em suas forma\u00e7\u00f5es te\u00f3rico-cl\u00ednicas poucos tiveram contato com as pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade mental?<\/p>\n<p>meu percurso na psican\u00e1lise, como j\u00e1 foi dito, tem in\u00edcio em meu sofrimento e em um desejo de que ele cessasse. ali conseguia enxergar que algo na minha hist\u00f3ria primordial culminou na forma como eu me relacionava com os outros e comigo mesmo, mas o que havia escondido de mim mesma? que desencontros nos encontros parentais nos deixam carregadas de marcas indel\u00e9veis? at\u00e9 onde podem ir as figuras de cuidado para a forma\u00e7\u00e3o de um sujeito? como uma crian\u00e7a responde, com um psiquismo em forma\u00e7\u00e3o, \u00e0s intera\u00e7\u00f5es de uma outra subjetividade marcada tamb\u00e9m pelas marcas de outrem? o que pode o sujeito diante dos atravessamentos s\u00f3cio-culturais? como \u00e9 poss\u00edvel repensar, a partir da constru\u00e7\u00e3o \u00fanica e encantadora do humano por Freud, uma psican\u00e1lise aplicada \u00e0 nossa realidade, a um pa\u00eds constitu\u00eddo sobre o aniquilamento de formas de vida que n\u00e3o eram tidas como civilizadas &#8211; os povos origin\u00e1rios &#8211; e que, em nome de tal civiliza\u00e7\u00e3o, sequestra e violenta africanas e africanos negando-lhes a humanidade e\u00a0 roubando-lhes algo muito caro \u00e0 psican\u00e1lise: a palavra? nomes foram mudados, idiomas foram abolidos, cantos foram proibidos, rezas foram demonizadas. o que \u00e9 o sujeito sem a fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que a linguagem opera e que o vincula ao la\u00e7o social?<\/p>\n<p>tais perguntas me motivam ao estudo da psican\u00e1lise e neste segundo ano do curso Conflito e Sintoma, cansada como muitos dos quadradinhos do Zoom, reafirmei o car\u00e1ter pol\u00edtico da psican\u00e1lise e como esse saber pode, ao caminhar junto com o sujeito, revisitar rotas de seu passado como sujeito marcado por sua hist\u00f3ria individual tamb\u00e9m situado em seu tempo hist\u00f3rico. esse relato\/manifesto \u00e9 para que os que seguirem pela psican\u00e1lise enveredem pela \u00e9tica de um sujeito enla\u00e7ado na trama social.<\/p>\n<p>\u201cNosso sonho era o sonho da psican\u00e1lise &#8211; tudo o que ela tinha para oferecer\u201d, disse Anna Freud, \u201cn\u00e3o apenas indiv\u00edduos, mas escolas e universidades e hospitais e tribunais e \u2018escolas de reforma\u2019 que trabalhavam com \u2018delinquentes\u2019 e ag\u00eancias de servi\u00e7o social\u201d. A cl\u00ednica gratuita desenvolvida em nome da Sociedade Psicanal\u00edtica de Viena, o ambulat\u00f3rio, floresceu de forma inesperada. Foi inaugurada em 1922 para pessoas de todas as classes e ocupa\u00e7\u00f5es sociais; escolas e clubes, professores, m\u00e9dicos de escolas e pediatras particulares encaminhavam crian\u00e7as, enquanto grupo de trabalhadores de fora da cidade, imigrantes, membros de gangues, bo\u00eamios e criados preenchiam a lista de pacientes. Os analistas haviam seguido o apelo de Freud de 1918 em Budapeste e colocaram a psican\u00e1lise em sua nova vereda.\u201d (<em>As cl\u00ednicas p\u00fablicas de Freud<\/em>, Elizabeth Ann Danto, 2005).<\/p>\n<p>Que se abram veredas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Este texto foi apresentado como monografia de conclus\u00e3o do 2\u00ba ano do curso Conflito e Sintoma.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Jornalista, psicanalista, ex-aluna do curso Conflito e Sintoma e membro do grupo de trabalho A Cor do Mal-Estar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em g\u00eanio da l\u00e2mpada ser\u00e1 que ele acredita? Um escrito cortante de Roberta Veloso.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[107],"tags":[53,54],"edicao":[74],"autor":[63],"class_list":["post-1512","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-decolonial","tag-conflito-e-sintoma","tag-decolonial","edicao-boletim-62","autor-roberta-veloso-de-matos","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1512"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1512\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1681,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1512\/revisions\/1681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1512"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=1512"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=1512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}