{"id":1714,"date":"2022-06-01T15:50:15","date_gmt":"2022-06-01T18:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=1714"},"modified":"2023-03-23T20:26:01","modified_gmt":"2023-03-23T23:26:01","slug":"por-uma-historia-do-curso-de-psicanalise-1988-um-caminho-percorrido-uma-historia-para-contar-2005","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2022\/06\/01\/por-uma-historia-do-curso-de-psicanalise-1988-um-caminho-percorrido-uma-historia-para-contar-2005\/","title":{"rendered":"Por uma hist\u00f3ria do Curso de Psican\u00e1lise (1988). Um caminho percorrido, uma hist\u00f3ria para contar (2005)"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Por uma hist\u00f3ria do curso de psican\u00e1lise<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a> (1988)<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\">por <strong>Mario Pablo Fuks<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>O registro dos primeiros tempos da tentativa de abrir um espa\u00e7o alternativo de forma\u00e7\u00e3o, num momento de despedida.<\/em><\/p>\n<p>Alguns colegas me sugeriram neste momento de rein\u00edcio das atividades do Curso de Psican\u00e1lise \u2013 simultaneamente para mim um momento de despedida, pela minha volta \u00e0 Argentina \u2013 que eu fale da hist\u00f3ria, j\u00e1 que eu tenho participado dela quase desde o seu in\u00edcio.<\/p>\n<p>Duvido que eu esteja em condi\u00e7\u00f5es, hoje, de abordar essas quest\u00f5es no detalhe e na profundidade que elas demandam. Hoje s\u00f3 posso pensar e falar das coisas desta hist\u00f3ria que me atingem pessoalmente agora \u2013 na significa\u00e7\u00e3o que para mim o Sedes e o curso t\u00eam tido \u00e0 luz da decis\u00e3o de voltar a meu pa\u00eds. Para situar esta significa\u00e7\u00e3o na minha vida em sua verdadeira dimens\u00e3o, preciso enfatizar o quanto uma vida pode ser afetada por um ex\u00edlio. Eu posso garantir a voc\u00eas que \u00e9 <em>muito<\/em>.<\/p>\n<p>Surgem-me recorda\u00e7\u00f5es pontuais e precisas.<\/p>\n<p>Em meados de junho de 1977 fui apresentado, junto com um grupo de colegas argentinos, \u00e0 Madre Cristina Sodr\u00e9 D\u00f3ria, diretora do Instituto Sedes Sapientiae. Rec\u00e9m-chegados a S\u00e3o Paulo, t\u00ednhamos entrado em contato com um grupo de psicanalistas brasileiros que havia iniciado um projeto de forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise no \u00e2mbito do Sedes. Porque conheciam a nossa trajet\u00f3ria no campo psicanal\u00edtico, estavam interessados em que nos incorpor\u00e1ssemos ao grupo de professores que estava levando adiante o curso. O objetivo do encontro desse dia com a Madre Cristina era o de que ela, al\u00e9m de nos conhecer pessoalmente, nos ajudasse a situar-nos com respeito \u00e0s caracter\u00edsticas da Institui\u00e7\u00e3o e do projeto que a animava.<\/p>\n<p>Com a riqueza e a clareza de ideias que a caracteriza, exp\u00f4s o processo de elabora\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que tinha percorrido o Sedes (e que pouco tempo depois ficaria plasmado na Carta de Princ\u00edpios), concluindo com as seguintes palavras: \u201cSejam bem-vindos; sabemos do momento que voc\u00eas est\u00e3o passando porque em 68 e 74 passamos por circunst\u00e2ncias muito parecidas. Hoje abrem-se aqui algumas brechas que podemos aproveitar e pelas quais podemos avan\u00e7ar. Fiquem conosco \u2013 \u00e9 muito o que nos podem ajudar. Esta \u00e9 a sua casa\u201d.<\/p>\n<p>Tratava-se de uma calidez, de uma for\u00e7a de solidariedade e de acolhimento dif\u00edceis de imaginar em qualquer lugar do mundo. Obviamente ficamos. Ficamos porque encontramos aqui um espa\u00e7o de reconhecimento, de palavra, de trabalho, de ensino, de continuidade e de reelabora\u00e7\u00e3o de nossas experi\u00eancias pr\u00e9vias e das diretrizes que vinham orientando nossa pr\u00e1tica espec\u00edfica.<\/p>\n<p>A ajuda que pod\u00edamos dar consistia, no imediato, em refor\u00e7ar o corpo de professores do curso, que, iniciado havia apenas um ano (com um esquema que na \u00e9poca era de tr\u00eas anos de dura\u00e7\u00e3o), estava passando por uma grave crise. Crise que comprometia sua continuidade e sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Esse grupo inicial de professores era constitu\u00eddo por alguns psicanalistas independentes, entre os quais a figura de maior destaque era a de Regina Schnaiderman, e por outros psicanalistas filiados \u00e0 Sociedade de Psican\u00e1lise de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Apoiado por um entusi\u00e1stico conjunto de colegas e disc\u00edpulos, o grupo tentava abrir um espa\u00e7o alternativo de forma\u00e7\u00e3o que pudesse evitar e, quem sabe, ultrapassar os r\u00edgidos limites de diversas ordens \u2013 burocr\u00e1ticos, ideol\u00f3gicos, econ\u00f4micos \u2013 que impunha a institui\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica dita oficial. Temerosa de ver amea\u00e7ada a sua hegemonia e seu monop\u00f3lio, em um momento em que era visualiz\u00e1vel uma demanda crescente de forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise, a Sociedade de Psican\u00e1lise tinha come\u00e7ado a exercer press\u00e3o, com medidas estatut\u00e1rias e oficiais, assim como com outras, menos nobres, sobre os analistas, membros da mesma e integrantes do curso do Sedes. Houve amea\u00e7as de expuls\u00e3o, insinua\u00e7\u00f5es pessoais, envios de telegramas etc. Finalmente esses meios lograram que, dos sete psicanalistas ligados \u00e0 Sociedade que faziam parte do corpo de professores, cinco se demitissem do curso; outros dois questionaram a legitimidade dessas medidas, at\u00e9 em nome do direito constitucional e da liberdade de ensino, e permaneceram.<\/p>\n<p><strong>\u201cConjun\u00e7\u00e3o astral\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A sa\u00edda desses professores deixou o curso numa situa\u00e7\u00e3o de grande fragilidade; e foi justamente pouco tempo depois que os \u201crec\u00e9m-chegados\u201d, entre os quais eu, pudemos nos incorporar trazendo dessa maneira imediata e concreta a contribui\u00e7\u00e3o para a sobreviv\u00eancia e desenvolvimento deste primeiro projeto consistente de forma\u00e7\u00e3o alternativa em psican\u00e1lise em S\u00e3o Paulo. Algu\u00e9m falou na \u00e9poca, jocosamente, em uma \u201cconjun\u00e7\u00e3o astral\u201d. Prefiro entender essa ocasi\u00e3o como um momento, sem d\u00favida fascinante, em que conflu\u00edram pessoas que acabavam de sofrer e perceber os efeitos destrutivos que uma ditadura militar estava operando sobre o conjunto da sociedade, incluindo os avan\u00e7os que se tinham realizado no campo <em>psi<\/em>, na sa\u00fade mental etc., com outro grupo que aqui, no Brasil, estava come\u00e7ando a construir algo novo, no mesmo movimento, no mesmo processo de luta por se desvencilhar dos efeitos sobre a sociedade civil, de uma ditadura que j\u00e1 durava 13 anos. Esses mecanismos de press\u00e3o e de repress\u00e3o, mesmo que num campo restrito como o de uma institui\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica, ao se manifestarem de uma forma t\u00e3o patentemente autorit\u00e1ria, revelam-se poss\u00edveis como efeito de uma situa\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria mais geral, que tinha penetrado fundo nas trevas institucionais, nas rela\u00e7\u00f5es de poder, na pr\u00f3pria subjetividade das pessoas<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Juntamo-nos com entusiasmo, gratos pelo privil\u00e9gio de poder participar do trabalho de consolidar e aprofundar esse projeto que estava sofrendo golpes duros no pr\u00f3prio momento do nascer.<\/p>\n<p>O questionamento cient\u00edfico, ideol\u00f3gico e pol\u00edtico da institui\u00e7\u00e3o oficial e do perfil do analista que ela promovia, n\u00e3o como cr\u00edtica das pessoas individuais que faziam parte dela, mas como efeito de domina\u00e7\u00e3o de um sistema, caracterizou, por muito tempo, uma boa parte de nosso trabalho. Era tamb\u00e9m sobre essas quest\u00f5es de base que se recortavam os problemas da constru\u00e7\u00e3o do \u201calternativo\u201d, principalmente na hora em que a consolida\u00e7\u00e3o de um projeto desse tipo encarava a possibilidade e os riscos de uma \u201cinstitucionaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancias pr\u00e9vias<\/strong><\/p>\n<p>O \u201creencontro do mesmo\u201d pode dar lugar a essa compuls\u00e3o repetitiva que a psican\u00e1lise conhece t\u00e3o bem e que \u00e9 o oposto da elabora\u00e7\u00e3o. Acho que ao longo do tempo foi poss\u00edvel uma reelabora\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias pr\u00e9vias, em parte pelo pr\u00f3prio reconhecimento das diferen\u00e7as, pela necessidade de pensar t\u00e1ticas e estrat\u00e9gias novas diante de situa\u00e7\u00f5es novas numa experi\u00eancia de ensino que \u00e9 tamb\u00e9m de aprendizagem criativa, tanto coletiva, como individual. Um exemplo: o projeto nasceu e se desenvolveu por um bom tempo com o nome de <em>Curso de Psicoterapia de Orienta\u00e7\u00e3o Psicanal\u00edtica<\/em>. Para alguns de n\u00f3s isso foi visualizado inicialmente como um avan\u00e7o, como a possibilidade de n\u00e3o ficar preso numa \u201cidentidade psicanal\u00edtica\u201d estereotipada que t\u00ednhamos reconhecido como um obst\u00e1culo para o pr\u00f3prio desenvolvimento da psican\u00e1lise, para a possibilidade de sua inscri\u00e7\u00e3o transformadora no campo da sa\u00fade mental etc. A realidade, por\u00e9m, era outra. O nome tinha sido uma solu\u00e7\u00e3o de compromisso, uma concess\u00e3o \u00e0s press\u00f5es a que nos referimos anteriormente. Mas mud\u00e1-lo para <em>Curso de Psican\u00e1lise<\/em>, fato que aconteceu em um determinado dia, sem maiores cerimoniais, foi tanto <em>fruto<\/em>, como momento de um processo de elabora\u00e7\u00e3o que continua \u2013 sendo este inacabamento um tra\u00e7o positivo que caracteriza o devir desta experi\u00eancia institucional.<\/p>\n<p>Muitos outros momentos de fundamental import\u00e2ncia se sucederam; as diverg\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma e ao conte\u00fado de um projeto alternativo em psican\u00e1lise acabaram distanciando alguns colegas.<\/p>\n<p>O conv\u00eanio com a Coordenadoria de Sa\u00fade Mental, a constitui\u00e7\u00e3o da Cl\u00ednica, a forma\u00e7\u00e3o do Departamento s\u00e3o coisas das quais gostaria de falar, mas n\u00e3o hoje.<\/p>\n<p>O momento atual deve possibilitar-nos reconstruir e escrever uma hist\u00f3ria do Curso, e a apari\u00e7\u00e3o da revista do Departamento pode se constituir no est\u00edmulo para este trabalho.<\/p>\n<p>Os mitos de origem parecem cumprir uma fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica importante em todos os momentos que adquirem uma dimens\u00e3o subjetiva \u201cfundante\u201d. Assim como este que conto aqui, houve outros momentos em que a hist\u00f3ria veio \u00e0 tona. Para que ela n\u00e3o venha \u201c\u00e0 toa\u201d, para que a hist\u00f3ria sirva como instrumento para entender os \u201csintomas\u201d do presente e pensar o futuro, faz-se necess\u00e1rio um trabalho de contextualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao contextualizar politicamente os momentos iniciais deste projeto, posso ter querido heroific\u00e1-los; talvez fossem momentos bem mais \u201chumildes\u201d, na verdade.<\/p>\n<p>Penso, no entanto, que as determina\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e pol\u00edticas operantes em cada situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o refer\u00eancias fundamentais para pensar e avaliar o percurso de qualquer projeto desse \u201cf\u00f4lego\u201d.<\/p>\n<p><em>Aqui <\/em>foi, para mim, mais que um lugar fundamental de trabalho. Fiz <em>aqui<\/em> amigos \u201centranh\u00e1veis\u201d, desses que n\u00e3o se perdem. \u00c9 isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Um caminho percorrido, uma hist\u00f3ria para contar<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a><\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\">por<strong> Mario Pablo Fuks<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s quase 20 anos da publica\u00e7\u00e3o de \u201cPor uma hist\u00f3ria do curso de psican\u00e1lise\u201d, o autor retoma o relato da a\u00e7\u00e3o desenvolvida pelo grupo de psicanalistas que constru\u00edram, desde o final dos anos 70, o Curso de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A releitura do texto publicado no primeiro n\u00famero desta revista me remete a dois momentos. O primeiro consiste em uma lembran\u00e7a fortemente pessoal: a cena real em que estou me despedindo e voltando para a Argentina \u2013 junto com Luc\u00eda B. Fuks, membro tamb\u00e9m do curso e do departamento \u2013 e sou convidado a falar da hist\u00f3ria do curso, na aula inaugural de 1988. O segundo antecede em muito ao outro, datando de 1977, ano em que, como situo no texto anterior, uma s\u00e9rie de circunst\u00e2ncias levaram \u00e0 conforma\u00e7\u00e3o do conjunto complexo e heterog\u00eaneo de psicanalistas que, atrav\u00e9s de diversas crises, constru\u00edram o curso de psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae. Tendo como eixo o curso e o projeto que o inspirava, estabeleceu-se a partir desse momento um espa\u00e7o ativo que, por sua consist\u00eancia te\u00f3rica e cl\u00ednica, por suas posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas alternativas e por sua proje\u00e7\u00e3o no campo institucional, atraiu e possibilitou a forma\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica de um n\u00famero importante de profissionais, conduzindo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, em 1985, do Departamento de Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 nossa conjuntura pessoal, a volta para a Argentina em 1988 serviu para fechar uma etapa de vida, reelaborar com outros as experi\u00eancias da descontinuidade e do retorno, religar os fios cortados por essa d\u00e9cada de ex\u00edlio for\u00e7ado e saldar, at\u00e9 certo ponto, uma d\u00edvida interna com nosso lugar de origem, nossa l\u00edngua e nossa hist\u00f3ria. Mas n\u00e3o ficaram cortados com isso nossos v\u00ednculos com o Brasil. De fato, durante dois anos, realizamos viagens mensais regulares, mantivemos atendimentos cl\u00ednicos, grupos de estudo e semin\u00e1rios em S\u00e3o Paulo. Dois anos depois, em mar\u00e7o de 1990, est\u00e1vamos de volta, de mala e cuia. E, semanas depois, j\u00e1 discut\u00edamos no Sedes, em evento organizado pelo departamento, a como\u00e7\u00e3o e os transtornos causados pelo plano Collor<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>. A passagem recente pela Argentina permitia, de novo, comparar experi\u00eancias e ter uma vis\u00e3o de conjunto do momento que est\u00e1vamos atravessando, mas tamb\u00e9m aquilatar o valor do espa\u00e7o coletivo de elabora\u00e7\u00e3o que hav\u00edamos contribu\u00eddo para construir, e que nos acolhia novamente com muito afeto.<\/p>\n<p>Diz-se que sentido hist\u00f3rico \u00e9 o de pertencimento ao conjunto das rela\u00e7\u00f5es humanas em que ganham significa\u00e7\u00e3o as singularidades dos indiv\u00edduos. Se o entendemos como uma constru\u00e7\u00e3o que s\u00f3 pode emergir e intensificar-se a partir de rela\u00e7\u00f5es ativas e simbolizantes com os outros \u2013 o que a psican\u00e1lise n\u00e3o s\u00f3 ratificou, mas aprofundou, enriquecendo-a com o conceito de significa\u00e7\u00e3o <em>a posteriori<\/em> \u2013, tendo a pensar que tornar poss\u00edvel essa constru\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das qualidades do projeto que nos anima ao longo do tempo. Refiro-me a rela\u00e7\u00f5es ativas pensando principalmente nas que envolvem uma a\u00e7\u00e3o conjunta sobre uma realidade que nos concerne e penso que s\u00e3o simbolizantes porque cada um faz uma elabora\u00e7\u00e3o singular de sua experi\u00eancia atrav\u00e9s de uma cria\u00e7\u00e3o comunic\u00e1vel aos outros, produzindo efeitos de reconhecimento rec\u00edprocos. A produ\u00e7\u00e3o de um livro sobre a hist\u00f3ria do departamento para celebrar seus 20 anos de exist\u00eancia \u00e9 uma bela iniciativa nesse sentido. Esse trabalho nos permitir\u00e1 reconstituir atrav\u00e9s de m\u00faltiplas vozes e olhares a hist\u00f3ria do curso e do departamento.<\/p>\n<p>Retomo o fio do relato ampliando o cen\u00e1rio. Os acontecimentos de 1976 podem ser situados dentro de um contexto hist\u00f3rico mais amplo, de alcance mundial, de intensas mudan\u00e7as hist\u00f3rico-sociais e in\u00edcio de processos de contesta\u00e7\u00e3o e politiza\u00e7\u00e3o crescentes. Muitos analistas no mundo todo come\u00e7aram a questionar o apolitismo e a recusa reativa das quest\u00f5es sociais que dominavam a mentalidade das sociedades psicanal\u00edticas dependentes da IPA. Tamb\u00e9m questionaram sua estrutura hier\u00e1rquica configurada piramidalmente em base ao sistema formativo no topo da qual estavam os didatas, sua rigidez normativa, a fronteira igualmente r\u00edgida estabelecida entre o dentro e o fora da institui\u00e7\u00e3o, a dogmatiza\u00e7\u00e3o das teorias, a ritualiza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas e a reivindica\u00e7\u00e3o monop\u00f3lica da heran\u00e7a freudiana. Muitos deles repensaram sua pertin\u00eancia e abandonaram tais institui\u00e7\u00f5es, ou iniciaram e percorreram caminhos independentes que, como se v\u00ea no relato, n\u00e3o estiveram imunes a press\u00f5es retaliativas<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>. Contribu\u00edram, tamb\u00e9m, para a cria\u00e7\u00e3o e o fortalecimento de projetos psicanal\u00edticos formativos de f\u00f4lego, promovendo uma colegialidade sem hierarquias em contextos institucionais novos. O Sedes, como vimos, nos abriu suas portas, e iniciamos todos um caminho novo de crescimento conjunto, compassado com o processo geral de democratiza\u00e7\u00e3o, de cria\u00e7\u00e3o da cidadania e de constru\u00e7\u00e3o de projetos de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Em um documento conjunto elaborado por ocasi\u00e3o dos vinte anos de exist\u00eancia do Sedes em seu pr\u00e9dio atual (1997), o grupo de professores fez um relato detalhado da hist\u00f3ria do Sedes e do Curso de Psican\u00e1lise, da forma como se estruturou e dos conte\u00fados e princ\u00edpios que foi adotando e que pautaram suas a\u00e7\u00f5es: \u201cO Curso de Psican\u00e1lise, em sintonia com sua \u00e9poca, elaborou um projeto de forma\u00e7\u00e3o que considerava as quest\u00f5es sociais e pol\u00edticas vigentes e as transforma\u00e7\u00f5es relativas ao seu pr\u00f3prio campo. Uma das quest\u00f5es, n\u00e3o menos importante, era a da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica em contraposi\u00e7\u00e3o a uma pol\u00edtica elitista de transmiss\u00e3o. O afluxo ao curso de profissionais da Rede P\u00fablica de Sa\u00fade e de outros servi\u00e7os alternativos, em busca de forma\u00e7\u00e3o, foi uma das marcas importantes desse projeto cuja implanta\u00e7\u00e3o mudou significativamente o destino da psican\u00e1lise em S\u00e3o Paulo\u201d<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das atividades programadas, come\u00e7ou um per\u00edodo de reuni\u00f5es e debates destinados a elaborar acordos e estabelecer crit\u00e9rios quanto \u00e0 concep\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o, ao papel da supervis\u00e3o e ao conte\u00fado das aulas e semin\u00e1rios. A participa\u00e7\u00e3o dos alunos foi intensa n\u00e3o somente nessas atividades, mas tamb\u00e9m nas jornadas e por meio de reuni\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o e planejamento. Foi elaborado um estatuto que estabelecia a gest\u00e3o coletiva do curso atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o dos professores e de representantes dos alunos. O Sedes estava, nesse tempo, elaborando sua carta de princ\u00edpios para uma nova etapa e era um espa\u00e7o fervilhante de atividades promovidas pelos diversos cursos de forma\u00e7\u00e3o de psicoterapeutas, pelo Centro de Educa\u00e7\u00e3o Popular (CEPIS), por entidades sindicais, movimentos populares, visitas dos l\u00edderes da antipsiquiatria europeia e encontros dos movimentos de trabalhadores de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse marco que come\u00e7aram a se tornar evidentes as diverg\u00eancias que conduziram \u00e0 crise de 1979. Puseram-se em jogo diferen\u00e7as sobre a concep\u00e7\u00e3o de transmiss\u00e3o, sobre o papel da reflex\u00e3o te\u00f3rica e da cr\u00edtica epistemol\u00f3gica, sobre a import\u00e2ncia dos movimentos alternativos em sa\u00fade mental, em \u00faltima inst\u00e2ncia, sobre os lugares de poder e os destinos do projeto. A possibilidade da exist\u00eancia de um prop\u00f3sito de ganhar posi\u00e7\u00f5es dentro da institui\u00e7\u00e3o oficial ou de constituir eventualmente um <em>group<\/em>, diferenciado dela, por\u00e9m validado pela IPA, nunca foi explicitada, mas fez parte das conjecturas que foram tecidas tentando interpretar o aumento de tens\u00e3o do conflito. A perspectiva de inclus\u00e3o de novos professores para responder \u00e0s necessidades resultantes da chegada de mais alunos acirrou a polariza\u00e7\u00e3o e o confronto. Suspender por decis\u00e3o unilateral a presen\u00e7a dos representantes de alunos motivou o chamado para assembleia geral, oportunidade em que um dos grupos manifestou sua inten\u00e7\u00e3o de separar-se e constituir outro curso. No documento de resposta do grupo que permaneceu no curso j\u00e1 existente, se afirma: \u201cN\u00e3o foi o acaso que nos p\u00f4s dentro desta institui\u00e7\u00e3o, mas os princ\u00edpios que a regem e com os quais concordamos. \u00c9 isso o que nos faz propor a representa\u00e7\u00e3o de alunos no Conselho e \u00e9 isso o que nos leva \u00e0 luta quando ela se torna necess\u00e1ria. Luta para manter um funcionamento democr\u00e1tico. Tantas vezes, nas regi\u00f5es que habitamos, instalou-se o arb\u00edtrio&#8230;\u201d. O documento \u00e9 assinado pelo grupo de professores<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a> que assumiu dar continuidade ao curso e levar adiante, junto com os alunos, como tarefa priorit\u00e1ria, o melhoramento do ensino, o desenvolvimento da cl\u00ednica e uma maior integra\u00e7\u00e3o com o instituto.<\/p>\n<p>A crise e a cis\u00e3o resultaram em uma consolida\u00e7\u00e3o da proposta formativa, afirmando-se o sentido e o alcance da ideia de forma\u00e7\u00e3o alternativa. \u201cAlternativa porque se op\u00f4s explicitamente ao sistema da an\u00e1lise did\u00e1tica e organizou e sustentou uma forma\u00e7\u00e3o que prescindiu de qualquer regula\u00e7\u00e3o normativa da an\u00e1lise do analista que fosse al\u00e9m da exig\u00eancia de realiz\u00e1-la\u201d<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a>. Alternativa era, tamb\u00e9m, o termo com que se autodenominavam muitos movimentos que recusavam inserir-se no estabelecido e lutavam por sua transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ensino da psican\u00e1lise podia ser concebido, assim, como um projeto de desaliena\u00e7\u00e3o, \u201cdessa aliena\u00e7\u00e3o que se tem sobre o discurso psicanal\u00edtico. O que se ensina, de fato, \u00e9 o modelo metodol\u00f3gico que subordina todo saber a uma interroga\u00e7\u00e3o, a uma coloca\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o\u201d (Schnaiderman, 1988)<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a>. Questionava-se tanto a transmiss\u00e3o dogm\u00e1tica, que reconhece a possibilidade de leituras diferentes, como o recurso f\u00e1cil ao ecletismo. A reflex\u00e3o epistemol\u00f3gica e a cr\u00edtica da ideologia e a possibilidade de refletir sobre a teoria que nos orienta e a pr\u00e1tica que exercemos come\u00e7aram a fazer parte do que se estudava e debatia cotidianamente.<\/p>\n<p>Uma leitura ao mesmo tempo rigorosa e criativa da obra de Freud, situando as rupturas epistemol\u00f3gicas que ele foi operando, recuperando suas descobertas e inven\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e vivificando-as pela significa\u00e7\u00e3o que ganham retroativamente a partir dos permanentes desafios de elabora\u00e7\u00e3o provenientes da cl\u00ednica, foi um dos aspectos centrais do projeto inicial. Isso n\u00e3o somente se manteve, como se firmou e aprofundou ao longo do desenvolvimento do curso.<\/p>\n<p>Um efeito importante da aliena\u00e7\u00e3o denunciada operava no esvaziamento de sentido do dispositivo anal\u00edtico derivado de uma ritualiza\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica e sua dissocia\u00e7\u00e3o da teoria. \u201cA cl\u00ednica psicanal\u00edtica n\u00e3o se define pela exterioridade do <em>setting<\/em>, mas antes por aquilo que essencialmente a constitui: o trabalho com o inconsciente na sua rela\u00e7\u00e3o com a sexualidade infantil, articulado no \u00c9dipo e atualizado na transfer\u00eancia. A psican\u00e1lise se torna poss\u00edvel ali onde certa fala e certa escuta podem ser institu\u00eddas<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cAbriu-se a possibilidade de pesquisar variantes de enquadre e conceitualiza\u00e7\u00f5es que permitem intervir em diversas problem\u00e1ticas cl\u00ednicas e em diferentes \u00e2mbitos institucionais. Isso preparou condi\u00e7\u00f5es para ampliar o campo de interven\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise e possibilitar o di\u00e1logo com outras pr\u00e1ticas e outros agentes no campo da cultura.<\/p>\n<p>O desenvolvimento e a consolida\u00e7\u00e3o desse projeto formativo precisaram atravessar dificuldades de ordem diversa, demandando grandes esfor\u00e7os por parte de todos os seus participantes. Se por um lado se havia fortalecido nossa coes\u00e3o em torno de ideais, objetivos e princ\u00edpios que apontavam a realiza\u00e7\u00f5es de longo prazo, a cis\u00e3o nos tinha enfraquecido numericamente para sustentar os compromissos do momento e tamb\u00e9m os que estavam por vir com a entrada de novos alunos. Nos vimos obrigados a praticamente duplicar o tempo de trabalho nas atividades programadas, manter a gest\u00e3o compartilhada que se definiu como um conselho parit\u00e1rio e preparar a entrada de novos professores. A tarefa era imensa e dif\u00edcil. Por um lado, requeria superar o sentimento de fragilidade e medo pela sobreviv\u00eancia do curso. Por outro, vivenciava-se o risco de que sua estabiliza\u00e7\u00e3o por meio de normas, lugares e percursos predeterminados resultasse numa institucionaliza\u00e7\u00e3o regressiva que desvirtuasse o projeto inicial. Sem d\u00favida, a recomposi\u00e7\u00e3o do grupo de professores por sa\u00eddas e entradas de novos membros n\u00e3o era o menor dos fatores que nos provocavam ansiedade. O curso crescia em tamanho e complexidade e o sentimento de preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade da forma\u00e7\u00e3o nos levava a aumentar as exig\u00eancias quanto a crit\u00e9rios e normas est\u00e1veis e respeitadas de admiss\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o. Havia momentos de euforia e outros de des\u00e2nimo e esgotamento. Estabelecer uma pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise havia sido, afinal, condensar em um objetivo s\u00f3 as tr\u00eas \u201cprofiss\u00f5es imposs\u00edveis\u201d apontadas por Freud em <em>An\u00e1lise termin\u00e1vel e intermin\u00e1vel<\/em>: a psican\u00e1lise, a educa\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica&#8230; nas quais de antem\u00e3o se pode estar seguro de chegar a resultados insuficientes. Mas, como apontei no texto do primeiro n\u00famero, essa incompletude pode ser vista como um tra\u00e7o positivo que caracterizou o devir desta experi\u00eancia institucional.<\/p>\n<p>Ao longo de todo esse per\u00edodo de estabiliza\u00e7\u00e3o do projeto formativo, de crescimento do n\u00famero de professores e alunos e modifica\u00e7\u00f5es nos programas, de diversifica\u00e7\u00e3o de atividades \u2013 motivada pelo desenvolvimento da Cl\u00ednica do Sedes e pela presen\u00e7a crescente de ex-alunos que aspiravam a uma inser\u00e7\u00e3o institucional e uma continuidade \u2013 foi se tornando percept\u00edvel a contradi\u00e7\u00e3o entre a complexidade e a potencialidade do espa\u00e7o constitu\u00eddo em torno do curso e os limites dados por sua estrutura formal e funcional, insuficiente para albergar e viabilizar novos objetivos e projetos, acenando com o risco de uma concentra\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>Em um informe que apresentei \u00e0 Diretoria do Sedes (1983), dizia:<\/p>\n<p>\u201cPercebemos a\u00ed as dificuldades resultantes da estrutura escolar onde uma avalia\u00e7\u00e3o insatisfat\u00f3ria pode se manifestar, por exemplo, na n\u00e3o promo\u00e7\u00e3o para o ano seguinte com consequ\u00eancias persecut\u00f3rias para alunos e professores, e que repercutem no final do curso num esquema de gradua\u00e7\u00e3o-n\u00e3o gradua\u00e7\u00e3o, habilita\u00e7\u00e3o-inabilita\u00e7\u00e3o (quem \u00e9 analista, quem n\u00e3o \u00e9), contr\u00e1rio ao projeto do curso. Favorece a burocratiza\u00e7\u00e3o, a deforma\u00e7\u00e3o profissionalista etc. Perde-se de vista o trabalho como fazendo parte de um projeto de uma institui\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m do curso. Entendemos que os processos de identifica\u00e7\u00e3o e reconhecimento s\u00e3o componentes estruturais de toda pr\u00e1tica social, que tem suas particularidades em cada campo espec\u00edfico, mas tamb\u00e9m, e talvez por isso, constituem um ponto de incid\u00eancia maior dos determinantes ideol\u00f3gicos e pol\u00edticos do conjunto social em cada campo. \u00c9 neste sentido que achamos priorit\u00e1rio esse ano a constitui\u00e7\u00e3o do departamento como lugar de pertin\u00eancia e continuidade e como espa\u00e7o de trabalho ativo na constru\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o de um projeto que supere as identidades de professor, aluno e ex-aluno. Isto implica numa discuss\u00e3o renovada de objetivos e meios: associa\u00e7\u00e3o de profissionais? Cria\u00e7\u00e3o de n\u00facleos de trabalho? Extens\u00e3o aprofundada da forma\u00e7\u00e3o? Abertura de novas \u00e1reas \u201ct\u00e9cnicas\u201d?&#8230; Essa discuss\u00e3o est\u00e1 se realizando ativamente atrav\u00e9s de trabalhos elaborados por professores, alunos e ex-alunos\u201d<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao poder, nossa posi\u00e7\u00e3o nunca foi a de recusar sua exist\u00eancia, mas a de, reconhecendo-o, promover a cria\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o de dispositivos que possibilitem e enrique\u00e7am sua gest\u00e3o coletiva e democr\u00e1tica. Esse modelo requeria a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o coletivo novo para se desenvolver. Assim surgiu o departamento.<\/p>\n<p><strong>O conv\u00eanio<\/strong><\/p>\n<p>O conv\u00eanio foi um passo \u00e0 frente important\u00edssimo que nos permitiu realizar um dos objetivos mais investidos do projeto formativo, no momento em que se iniciava uma nova gest\u00e3o de governo no estado de S\u00e3o Paulo. Assinado em 1984 com a Secretaria de Sa\u00fade, atrav\u00e9s da Coordenadoria de Sa\u00fade Mental, sua implanta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento foram tamb\u00e9m um fator que preparou o terreno para a cria\u00e7\u00e3o do departamento.<\/p>\n<p>Abriu-se naquele momento, dessa forma, uma oportunidade \u00fanica de intervir diretamente na forma\u00e7\u00e3o dos profissionais da rede p\u00fablica atrav\u00e9s de atividades que, em seu desenho e fundamenta\u00e7\u00e3o, traziam as ideias que vinham sendo debatidas e decantadas ao longo da experi\u00eancia no curso do Sedes. Constituiu-se, para esse fim, uma equipe de quinze colegas, integrada por professores e ex-alunos do curso, alguns com participa\u00e7\u00e3o anterior ou atual na pr\u00e1tica institucional \u2013 seja assistencial, formativa, diretiva ou de interven\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u2013, outros com interesse de conhecer um campo novo em que estavam acontecendo mudan\u00e7as promissoras. Atrav\u00e9s da Coordenadoria de Sa\u00fade Mental<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a> e da Divis\u00e3o de Ambulat\u00f3rios<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a>, conduzidas por um grupo de psiquiatras e sanitaristas progressistas \u2013 alguns deles com forma\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica psicanal\u00edtica \u2013 questionadores do modelo hospitaloc\u00eantrico e favor\u00e1veis \u00e0 sua transforma\u00e7\u00e3o, estava-se tentando promover uma mudan\u00e7a no esquema de atendimento atrav\u00e9s do fortalecimento quantitativo e qualitativo da rede ambulatorial.<\/p>\n<p>Percebiam uma burocratiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, uma aus\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o dentro das equipes e com os pacientes, a mecaniza\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico, a super-medica\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica, a aus\u00eancia de conhecimentos e disposi\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento de pr\u00e1ticas psicoter\u00e1picas. Em nosso diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o, conclu\u00edmos que estavam em jogo os efeitos de anos de autoritarismo, de atraso te\u00f3rico e cl\u00ednico, assim como a pregn\u00e2ncia do modelo manicomial. O <em>administrativo<\/em> \u2013 administrar diagn\u00f3stico, administrar rem\u00e9dio \u2013 funcionava no contexto ambulatorial, como equivalente do dispositivo mais claramente repressor presente no hosp\u00edcio. No documento de fundamenta\u00e7\u00e3o do conv\u00eanio diz\u00edamos: \u201cQuase tudo nesse modelo \u00e9 dirigido a reduzir ao m\u00e1ximo o contato subjetivo com o sujeito que sofre, a cristalizar tal sofrimento na forma de doen\u00e7a mental classific\u00e1vel, de loucura institu\u00edda\u201d. A discuss\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas permitiria a reintrodu\u00e7\u00e3o da subjetividade na compreens\u00e3o dos sintomas do paciente e na an\u00e1lise da implica\u00e7\u00e3o subjetiva do pr\u00f3prio terapeuta. Aumentava-se a consci\u00eancia dos conflitos e o peso da ideologia, que atravessavam sua pr\u00e1tica. Abria-se, com isso, um caminho em que podiam ser introduzidas as concep\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se tratava de introduzir a psican\u00e1lise como um substitutivo ou um recurso a acrescentar, mas de contribuir para mudar uma concep\u00e7\u00e3o do trabalho em sa\u00fade mental. Tratava-se de promover uma mudan\u00e7a que era ao mesmo tempo te\u00f3rica, ideol\u00f3gica, pol\u00edtica, organizacional, de questionamento e de redefini\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es e pap\u00e9is, e de posicionamento subjetivo. Batalh\u00e1vamos, tamb\u00e9m, para que a atividade formativa fosse considerada \u201cparte viva e integrante da pr\u00e1tica institucional, concomitante a todo atendimento poss\u00edvel\u201d<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o do projeto, v\u00e1rias quest\u00f5es foram colocadas em pauta: a) a diferen\u00e7a entre o espec\u00edfico da interven\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica e as caracter\u00edsticas de sua inscri\u00e7\u00e3o em um espa\u00e7o de demanda que sempre \u00e9 social, atravessado, em consequ\u00eancia, por determina\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, ideol\u00f3gicas, pol\u00edticas etc.; b) a rela\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica entre psicoterapia e psican\u00e1lise; c) o conceito de cura em psican\u00e1lise e a originalidade e a complexidade resultantes de sua posi\u00e7\u00e3o de ruptura com o modelo m\u00e9dico dominante; d) a investiga\u00e7\u00e3o em \u00e1reas problem\u00e1ticas novas que t\u00eam requerido e possibilitado inova\u00e7\u00f5es no dispositivo t\u00e9cnico, um enriquecimento da teoria e uma extens\u00e3o efetiva da a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, cujo reconhecimento e aplica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, conduziam com frequ\u00eancia a um superinvestimento dos aspectos t\u00e9cnicos fetichizados por uma aura de novidade, praticidade e efic\u00e1cia, e acabavam produzindo uma esp\u00e9cie de farmacop\u00e9ia psicoter\u00e1pica e a prolifera\u00e7\u00e3o de \u201cespecialidades\u201d te\u00f3rico-t\u00e9cnicas desconectadas entre si; e) o conhecimento da hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es psiquiatria-psican\u00e1lise, no terreno das institui\u00e7\u00f5es, e as caracter\u00edsticas de seu desenvolvimento nos diferentes momentos, que ajudavam a nos situar diante das possibilidades e dos limites das novas experi\u00eancias<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n<p>O conv\u00eanio foi produto do caminho andado e ao mesmo tempo uma experi\u00eancia antecipat\u00f3ria e geratriz do Departamento de Psican\u00e1lise. Na primeira vers\u00e3o apresentada \u00e0 C.S.M. inclu\u00edmos como respons\u00e1veis pelo Sedes \u201co Corpo de Professores do Curso e o Departamento de Psican\u00e1lise\u201d, diferentemente da vers\u00e3o final. Em um trabalho apresentado no encontro sobre \u201cPsican\u00e1lise e Institui\u00e7\u00e3o\u201d em 1986 expliquei os motivos: \u201ca) as a\u00e7\u00f5es destinadas a constituir o Departamento estavam em pleno andamento e consider\u00e1vamos iminente sua funda\u00e7\u00e3o; b) ach\u00e1vamos que uma atividade como o Conv\u00eanio se ajustava perfeitamente aos fins do Departamento, tanto por seu conte\u00fado como pelo fato de vir a ser sustentado conjuntamente pelos professores do curso e por ex-alunos do mesmo sem discrimina\u00e7\u00e3o de <em>status <\/em>ou fun\u00e7\u00e3o. Todavia, tanto a demora em formalizar o Departamento como o pedido dos pr\u00f3prios companheiros que estavam trabalhando nesta quest\u00e3o nos levaram a suprimir o termo nas formula\u00e7\u00f5es sucessivas ficando como respons\u00e1veis: \u201cos professores do curso e os profissionais por eles designados\u201d<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[18]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>O curso e o departamento<\/strong><\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do departamento abrindo a possibilidade de um caminho posterior \u00e0 finaliza\u00e7\u00e3o do curso, somada ao impacto das atividades formativas na institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica, consolidaram a posi\u00e7\u00e3o do Curso de Psican\u00e1lise como p\u00f3lo de forma\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o profissional e cultural de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Muitos profissionais que trabalhavam em outras \u00e1reas procuraram o curso interessados em um conhecimento da psican\u00e1lise que lhes permitisse um alargamento de seu olhar sobre os problemas pertinentes a seu campo. Outros, formados recentemente, procuravam aprofundar seu conhecimento apontando para uma forma\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica ulterior. Concebido como um espa\u00e7o para um processamento produtivo dessas demandas, criou-se por iniciativa e sob a coordena\u00e7\u00e3o de duas professoras<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[19]<\/a> o curso <em>Cl\u00ednica psicanal\u00edtica: conflito e sintoma<\/em>.<\/p>\n<p>O grupo de professores inclui nos \u00faltimos anos uma propor\u00e7\u00e3o significativa de colegas que nele iniciaram sua forma\u00e7\u00e3o e fizeram posteriormente percursos variados dentro e fora do departamento. A produ\u00e7\u00e3o de trabalhos e publica\u00e7\u00f5es individuais ou coletivas \u00e9 significativa. Pode reconhecer-se nela um modo e um estilo original de trabalhar a rela\u00e7\u00e3o teoria-cl\u00ednica e um modo de leitura da obra freudiana que j\u00e1 fazia parte do projeto inicial. Em 1995, essa modalidade da pr\u00e1tica te\u00f3rica ganhou express\u00e3o em um importante ciclo de debates organizado pela equipe do curso no marco do Departamento. Motivados pelo sucesso e pela riqueza da experi\u00eancia realizada, foram promovidos novos ciclos de debates, assim como col\u00f3quios de monografias elaboradas por alunos do curso. A retomada de caminhos te\u00f3ricos freudianos que tinham ficado pouco explorados ou interrompidos, a atualiza\u00e7\u00e3o dos desenvolvimentos p\u00f3s-freudianos e seus diversos aportes \u2013 principalmente a psican\u00e1lise francesa, os desenvolvimentos winnicottianos e a intensa produ\u00e7\u00e3o atual brasileira \u2013 est\u00e3o presentes nesses trabalhos. A psicopatologia das novas formas de sofrimento, o estudo da subjetividade contempor\u00e2nea e a cr\u00edtica das resist\u00eancias atuais \u00e0 psican\u00e1lise fizeram-se presentes nos que ali se apresentaram e nas realiza\u00e7\u00f5es editoriais que deles resultaram. Existe hoje uma significativa coincid\u00eancia nesse modo de abordagem e um interc\u00e2mbio crescente entre os v\u00e1rios grupos de colegas que desenvolvem grupos de trabalho e projetos de pesquisa no contexto do departamento ou sustentam outros cursos regulares como o de <em>Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica<\/em>, j\u00e1 mencionado, e o de <em>Psicopatologia Psicanal\u00edtica e Cl\u00ednica Contempor\u00e2nea.<\/em><\/p>\n<p>O Departamento, inst\u00e2ncia surgida do Curso de Psican\u00e1lise como um resultado de seu projeto formativo, passou a inclu\u00ed-lo como uma de suas partes. Com seus 20 anos de exist\u00eancia, tem se constitu\u00eddo como o espa\u00e7o de pertin\u00eancia, produ\u00e7\u00e3o e reconhecimento, para muitos analistas que iniciaram sua forma\u00e7\u00e3o no Curso de Psican\u00e1lise e outros que se aproximaram ou se aproximam atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o junto a alguns dos diversos grupos de trabalho que nele se desenvolvem. Tem dado mostras de importante criatividade na organiza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o dos diversos espa\u00e7os e fun\u00e7\u00f5es que se requerem para o cumprimento de seus objetivos. Um dispositivo original de admiss\u00e3o de novos membros foi resultado de um movimento conjunto que envolveu muitos esfor\u00e7os e uma grande implica\u00e7\u00e3o n\u00e3o ausente de tens\u00e3o, pr\u00f3pria de todo coletivo que precisa dar forma expl\u00edcita a processos de reconhecimento rec\u00edproco e que traz consigo as marcas de uma longa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O Departamento est\u00e1 constitu\u00eddo por um conjunto de grupos diferenciados que assumiram cada um o desenvolvimento de um projeto em uma \u00e1rea espec\u00edfica da produ\u00e7\u00e3o de psican\u00e1lise. A maior parte deles tem j\u00e1 um significativo caminho percorrido, um produto para mostrar e uma hist\u00f3ria para contar. Isso faz do departamento um espa\u00e7o privilegiado de interlocu\u00e7\u00e3o. Acho que um dos indicadores do crescimento desses grupos tem sido sua capacidade para promover espa\u00e7os de interlocu\u00e7\u00e3o, estudo e debate a partir de sua produ\u00e7\u00e3o. Um exemplo s\u00e3o os debates p\u00fablicos da Percurso com p\u00fablico e autores, as apresenta\u00e7\u00f5es e debates promovidos pelo grupo sobre Inquieta\u00e7\u00f5es da Cl\u00ednica, os ciclos de debates e col\u00f3quios de monografias no Curso de Psican\u00e1lise, j\u00e1 mencionados, as jornadas reunindo o Curso de Psican\u00e1lise, de Conflito e Sintoma e de Psicopatologia e Cl\u00ednica Contempor\u00e2nea, as jornadas e publica\u00e7\u00f5es do grupo de pesquisa sobre o Feminino no Imagin\u00e1rio Cultural Contempor\u00e2neo, o encontro de Goi\u00e2nia do GTEP, o grupo sobre Psican\u00e1lise e Contemporaneidade promovido inicialmente pelo grupo de professores do Curso de Psicopatologia Psicanal\u00edtica e Cl\u00ednica Contempor\u00e2nea, o grupo sobre Patologias Alimentares e sua inscri\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Concomitantemente, o Conselho de Dire\u00e7\u00e3o do departamento tem assumido uma forma de organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento que prioriza as fun\u00e7\u00f5es de articula\u00e7\u00e3o. Facilita-se assim, a partir da inst\u00e2ncia central, a cria\u00e7\u00e3o desses dispositivos e espa\u00e7os coletivos que produzem psican\u00e1lise, forma\u00e7\u00e3o permanente, modos espec\u00edficos de a\u00e7\u00e3o sobre a realidade social, reconhecimento rec\u00edproco e a constru\u00e7\u00e3o de sentido hist\u00f3rico a que me referi no come\u00e7o.<\/p>\n<p>Um dos desafios que enfrenta a psican\u00e1lise no momento atual consiste no predom\u00ednio de modos de produ\u00e7\u00e3o de subjetividade em que tal cria\u00e7\u00e3o de sentido hist\u00f3rico \u00e9 dif\u00edcil de sustentar. A implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas neoliberais tem um efeito de desagrega\u00e7\u00e3o social. A ruptura dos la\u00e7os de sociabilidade, o esvaziamento dos projetos coletivos, a promo\u00e7\u00e3o de um modelo hiperindividualista conduz \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o ou aus\u00eancia franca de v\u00ednculos. Soma-se a isso a passividade induzida pela compuls\u00e3o ao consumo e a fascina\u00e7\u00e3o operada pela m\u00eddia e pelo marketing.<\/p>\n<p>Nessas condi\u00e7\u00f5es a intersubjetividade e a temporalidade, imprescind\u00edveis para a produ\u00e7\u00e3o do sentido hist\u00f3rico, tendem a eclipsar-se afetando as possibilidades de simboliza\u00e7\u00e3o. O surgimento de modos peculiares de sofrimento, antigos ou novos, \u00e9 uma de suas consequ\u00eancias. O discurso psiqui\u00e1trico atual, revitalizado pelos avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos da gen\u00e9tica e das neuroci\u00eancias, firmando-se sobre um neo-objetivismo biol\u00f3gico, recusa a significa\u00e7\u00e3o subjetiva dos sintomas. O isolamento no contato com o sujeito que sofre e a abordagem coisificante do paciente, o papel cristalizante do diagn\u00f3stico, que encontr\u00e1vamos em 1984 nos servi\u00e7os, faz parte hoje de um processo de medicaliza\u00e7\u00e3o crescente que impregna a vida social. Os psicof\u00e1rmacos passaram a ser um objeto de consumo paradigm\u00e1tico que sustenta a utopia tecnol\u00f3gica de erradicar o sofrimento para sempre. A psican\u00e1lise, tanto por suas concep\u00e7\u00f5es como por seu <em>modus operandi<\/em>, se encontra em posi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia e questionamento cient\u00edfico, ideol\u00f3gico e pol\u00edtico desta gest\u00e3o dessubjetivante dos problemas ps\u00edquicos. O Sedes em seu conjunto tem um papel pol\u00edtico a cumprir denunciando o impacto social das pol\u00edticas causais ou agravantes do mal-estar contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para saber mais:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Acervo <em>on line<\/em> de escritos e v\u00eddeos de um psicanalista em nosso departamento e em seus grupos<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mario Pablo Fuks<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/revistapercurso.com.br\/pdfs\/p01_texto01.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Por uma hist\u00f3ria do Curso de Psican\u00e1lise<\/a> \u2013 Percurso 1, 2\u00ba semestre 1988 \/ Percurso 35, 2\u00ba semestre de 2005 \/ boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/revistapercurso.com.br\/pdfs\/p21_texto09.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Central do Brasil<\/em>: vicissitudes da subjetiva\u00e7\u00e3o<\/a> \u2013 Percurso 21, 2\u00ba semestre 1998<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/revistapercurso.com.br\/index.php?apg=artigo_view&amp;ida=289&amp;ori=edicao&amp;id_edicao=35\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um caminho percorrido, uma hist\u00f3ria para contar<\/a> \u2013 Percurso 35, 2\u00ba semestre 2005 \/ boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p>Algo que estava oculto veio \u00e0 luz \u2013 Livro <em>Freud: um ciclo de leituras<\/em>, Escuta, 1997 \/ boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=12&amp;ordem=3&amp;origem=ppag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Homenagem a Helena Besserman Vianna<\/a> \u2013 boletim online 12, abril 2010<\/p>\n<div><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=13&amp;ordem=9&amp;origem=ppag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Trauma e dessubjetiva\u00e7\u00e3o<\/a> \u2013 boletim online 13, junho de 2010 \/ Percurso 52, junho 2014<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=17&amp;ordem=4&amp;origem=ppag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cAcidente\u201d no t\u00fanel do tempo<\/a> \u2013 boletim online 17, junho 2011<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=23&amp;ordem=3&amp;origem=ppag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Psican\u00e1lise, Sa\u00fade Mental e Institui\u00e7\u00f5es: hist\u00f3ria de um projeto<\/a> \u2013 boletim online 23, novembro 2012<\/p>\n<p>Em defesa da psican\u00e1lise: v\u00eddeo de entrevista: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dRXskq1wV0E\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mario Fuks, parte 1<\/a> \u2013 boletim online 24, abril 2013<\/p>\n<p>Em defesa da psican\u00e1lise: v\u00eddeo de entrevista: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-WGW9YKBgis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mario Fuks, parte 2\u00a0<\/a>\u2013 boletim online 24, abril 2013<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=39&amp;ordem=6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Apresenta\u00e7\u00e3o do livro <em>Ditadura civil-militar no Brasil: o que a psican\u00e1lise tem a dizer<\/em><\/a> \u2013 boletim online 39, setembro 2016 \/ Percurso 56\/57, junho\/dezembro 2016<\/p>\n<p>Psicopatologia psicanal\u00edtica, constru\u00e7\u00e3o de subjetividade e neoliberalismo \u2013 boletim online 41, abril 2017 \/ boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=46&amp;ordem=1&amp;origem=ppag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Evocando Gilou Garc\u00eda Reinoso<\/a> \u2013 boletim online 46, junho 2018<\/p>\n<p>A sociedade do desempenho e as patologias do neoliberalismo \u2013 boletim online 49, abril 2019 \/ boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.flappsip.com\/revistas\/revista_flappsip.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reich e a rela\u00e7\u00e3o entre psican\u00e1lise e pol\u00edtica<\/a> \u2013\u00a0Entretantos 2 \/ site do departamento de psican\u00e1lise \/ Percurso 63, dezembro 2019 \/ Intercambio psicoanalitico v. 7, n. 1, ano 2019 \/ boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p>Psicopatologia psicanal\u00edtica e cl\u00ednica contempor\u00e2nea: aula inaugural 2020 \u2013 boletim online 54, junho 2020 \/ boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.bivipsi.org\/wp-content\/uploads\/percurso-2020-v32-n64-6.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tempos sombrios novos: desafios para a psican\u00e1lise<\/a> \u2013 Percurso 64, junho 2020<\/p>\n<p>Programa do semin\u00e1rio sobre Mois\u00e9s e o monote\u00edsmo \u2013 boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Departamento de Psican\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/revistapercurso.com.br\/pdfs\/p02_cronica01_ano01.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sobre um projeto de forma\u00e7\u00e3o na rede p\u00fablica<\/a> \u2013 Percurso 2, 1\u00ba semestre 1989<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/revistapercurso.com.br\/index.php?apg=artigo_view&amp;ida=541&amp;ori=edicao&amp;id_edicao=34\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Psican\u00e1lise e cultura: uma heran\u00e7a freudiana?<\/a> \u2013 Percurso 34, 1\u00ba semestre 2005<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=09&amp;ordem=3&amp;origem=ppag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lan\u00e7amento do <em>Guia do Departamento de Psican\u00e1lise<\/em><\/a>: fala de apresenta\u00e7\u00e3o \u2013\u00a0\u00a0 boletim online 09, junho 2009<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/revistapercurso.com.br\/index.php?apg=artigo_view&amp;ida=1103&amp;ori=edicao&amp;id_edicao=52\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chaim Samuel Katz: <em>N\u00e3o nos curaremos somente com palavras<\/em><\/a> \u2013 Percurso 52, junho 2014<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Curso de Psican\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/arquivos_comunicacao\/Entretantos2014_CursoPsican\u00e1lise.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise e forma\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica: apontamentos a partir da experi\u00eancia do Curso de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae<\/a> \u2013 Entretantos 1 \/ site do departamento de psican\u00e1lise<\/p>\n<p>Psican\u00e1lise, cultura e imagin\u00e1rios: mesa 6 do ciclo de debates <em>Psican\u00e1lise em trabalho<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=19&amp;ordem=4&amp;origem=ppag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O estranho, a elabora\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e a cria\u00e7\u00e3o cultural<\/a> \u2013 boletim online 19, novembro 2011<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Curso de Psicopatologia Psicanal\u00edtica e Cl\u00ednica Contempor\u00e2nea<\/strong><\/p>\n<p>Que interrogantes as chamadas <em>psicopatologias contempor\u00e2neas<\/em> trazem ao campo da psican\u00e1lise? \u2013 Entretantos 1 \/ site do departamento de psican\u00e1lise \/ boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p>Reflex\u00f5es psicanal\u00edticas sobre pol\u00edticas de toler\u00e2ncia \u2013 Entretantos 2 \/ site do departamento de psican\u00e1lise \/ boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p>Uma experi\u00eancia constru\u00edda com os alunos de Psicopatologia psicanal\u00edtica e cl\u00ednica contempor\u00e2nea \u2013 boletim online 56, outubro de 2020 \/ boletim online 63, junho 2022<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Equipe editorial do boletim online<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_ppag&amp;pub=31\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Escrita e circula\u00e7\u00e3o<\/a> \u2013 Entretantos 1 \/ boletim online 31, outubro 2014<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/arquivos_comunicacao\/Trabalhos%20apresentados\/Boletim%20Online.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vozes em ato<\/a> \u2013 Entretantos 2 \/ site do departamento de psican\u00e1lise<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Equipe do Projeto A\/B<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=03&amp;ordem=2&amp;origem=ppag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tramas e dramas na problem\u00e1tica alimentar<\/a> \u2013 boletim online 3, dezembro 2007<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=20&amp;ordem=8&amp;origem=ppag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Muitos babados e poucos la\u00e7os<\/a> \u2013 boletim online 20, abril 2012<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/imagens_comunicacao\/Entretantos2014_Anorexias%20e%20Bulimias.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Entre frestas, pontes e o vazio<\/a> \u2013 Entretantos 2014 \/ site do departamento de psican\u00e1lise<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Grupo Psican\u00e1lise e Contemporaneidade<\/strong><\/p>\n<p>Heran\u00e7a e transmiss\u00e3o: Trauma e narrativas nos espelhos da cultura \u2013 boletim online 12, abril 2010<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/index.php?apg=b_visor&amp;pub=13&amp;ordem=3&amp;origem=ppag\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mesa-redonda reuniu grupo Psican\u00e1lise e Contemporaneidade e seus convidados<\/a> \u2013 boletim online 13, junho 2010<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/arquivos_comunicacao\/Entretantos2014_Psicanalise_Contemporaneidade%20.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Psican\u00e1lise e contemporaneidade: relato de uma experi\u00eancia grupal<\/a> \u2013 Entretantos 2014 \/ <em>site<\/em> do departamento de psican\u00e1lise<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Campo psicanal\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/egp.dreamhosters.com\/EGP\/132-psicanalise.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Psican\u00e1lise, o futuro de uma des-ilus\u00e3o<\/a> \u2013 Estados Gerais da Psican\u00e1lise<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/b63_mariofuks.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mal-estar na contemporaneidade e patologias decorrentes<\/a> \u2013 <a href=\"https:\/\/pesquisa.bvsalud.org\/portal\/resource\/pt\/lil-365390\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revista Psican\u00e1lise e Universidade<\/a><\/p>\n<p>Narciso no espelho do s\u00e9culo XXI: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=hzmEd3r-fms\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mario Fuks: entrevista completa\u00a0<\/a>\u2013 UFF, Brasil; UBA, Argentina; APA, Argentina; FAPERJ, Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Artigo elaborado a partir da aula inaugural do Curso de Psican\u00e1lise do ano de 1988. Originalmente publicado em Percurso 1, 2\u00ba semestre de 1988 e em Percurso 35: Revisitando o n\u00famero 1. Ano XVIII, 2\u00ba semestre de 2005.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> M\u00e9dico psiquiatra e psicanalista argentino formado na Universidade Nacional de Buenos Aires, radicado em S\u00e3o Paulo, Brasil, desde 1977. Membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae. Professor do curso de psican\u00e1lise, coordenador do curso de psicopatologia psicanal\u00edtica e cl\u00ednica contempor\u00e2nea, membro da equipe editorial do\u00a0<em>Boletim Online<\/em>, membro do Grupo de Psican\u00e1lise e Contemporaneidade do Departamento de Psican\u00e1lise e supervisor do Projeto de Pesquisa e Interven\u00e7\u00e3o em Anorexia e Bulimia. Delegado do Departamento da Flappsip, no Congresso de Porto Alegre. Na Argentina, foi m\u00e9dico-chefe do Departamento de Adultos do Servi\u00e7o de Psicopatologia do Policl\u00ednico de Lan\u00fas, professor adjunto da C\u00e1tedra de Psicologia M\u00e9dica da Faculdade de Medicina da UNBA. Coordenador do plano piloto de forma\u00e7\u00e3o do Centro de Doc\u00eancia e Investiga\u00e7\u00e3o (cdi) da Coordenadora de Trabalhadores de Sa\u00fade Mental (ctsm) de Buenos Aires e professor adstrito ao Departamento de Investiga\u00e7\u00e3o da Faculdade de Psicologia da UNBA.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Neste sentido os dispositivos atuais de controle e dom\u00ednio s\u00e3o diferentes, apesar de que alguns \u201csurtos\u201d de autoritarismo estejam come\u00e7ando a reaparecer em forma mais aberta no campo, por exemplo, das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de Sa\u00fade Mental.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Originalmente publicado em Percurso 35: Revisitando o n\u00famero 1. Ano XVIII, 2\u00ba semestre de 2005.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> M\u00e9dico psiquiatra e psicanalista argentino formado na Universidade Nacional de Buenos Aires, radicado em S\u00e3o Paulo, Brasil, desde 1977. Membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae. Professor do curso de psican\u00e1lise, coordenador do curso de psicopatologia psicanal\u00edtica e cl\u00ednica contempor\u00e2nea, membro da equipe editorial do\u00a0<em>Boletim Online<\/em>, membro do Grupo de Psican\u00e1lise e Contemporaneidade do Departamento de Psican\u00e1lise e supervisor do Projeto de Pesquisa e Interven\u00e7\u00e3o em Anorexia e Bulimia. Delegado do Departamento da Flappsip, no Congresso de Porto Alegre. Na Argentina, foi m\u00e9dico-chefe do Departamento de Adultos do Servi\u00e7o de Psicopatologia do Policl\u00ednico de Lan\u00fas, professor adjunto da C\u00e1tedra de Psicologia M\u00e9dica da Faculdade de Medicina da UNBA. Coordenador do plano piloto de forma\u00e7\u00e3o do Centro de Doc\u00eancia e Investiga\u00e7\u00e3o (cdi) da Coordenadora de Trabalhadores de Sa\u00fade Mental (ctsm) de Buenos Aires e professor adstrito ao Departamento de Investiga\u00e7\u00e3o da Faculdade de Psicologia da UNBA.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> \u201cPsican\u00e1lise e crise econ\u00f4mica\u201d (Sobre as medidas econ\u00f4micas do governo Collor). Mesa-redonda organizada pelo Departamento de Psican\u00e1lise do ISS, co-participa\u00e7\u00e3o com Jos\u00e9 An\u00edbal Pontes e S\u00e9rvulo Augusto Figueira, 1991.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> Na d\u00e9cada seguinte, a partir de alguns acontecimentos como o esc\u00e2ndalo Am\u00edlcar Lobo, revelou-se o grau extremo de distor\u00e7\u00e3o de poder e a mentalidade totalit\u00e1ria que prevaleceram na institui\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro em que esse m\u00e9dico, ligado ao aparelho militar repressivo e envolvido na pr\u00e1tica de tortura, fazia sua forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u2013 institui\u00e7\u00e3o que o tolerou e acobertou. Tamb\u00e9m soubemos as medidas de busca policial e as amea\u00e7as a que foi submetida, por parte das autoridades da institui\u00e7\u00e3o, a analista da mesma sociedade que anonimamente havia enviado a den\u00fancia para o exterior. O livro-testemunho de Helena Bessermann Viana (<em>N\u00e3o conte a ningu\u00e9m<\/em>&#8230;, Imago, 1994), protagonista deste epis\u00f3dio, assim como o de Cec\u00edlia Coimbra (<em>Guardi\u00e3es da ordem<\/em>, Oficina do Autor, 1995), referido a este per\u00edodo, foram uma contribui\u00e7\u00e3o de grande import\u00e2ncia no esclarecimento sobre a hist\u00f3ria das institui\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas durante essa \u00e9poca.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> \u201cPsican\u00e1lise: 20 anos de Sedes Sapientiae\u201d, in <em>Hist\u00f3rias e Mem\u00f3rias<\/em>. Publica\u00e7\u00e3o do Instituto Sedes Sapientiae. S\u00e3o Paulo, 1998, p. 44<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> Ana Maria Sigal, F\u00e1bio Hermann, Luc\u00eda Barbero Fuks, Marilene Carone, Marilsa Taffarel, Mario Fuks e Regina Schnaiderman. Ver em \u201cPsican\u00e1lise: 20 anos&#8230;.\u201d, p. 45.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> \u201cPsican\u00e1lise: 20 anos de Sedes Sapientiae\u201d. in <em>Hist\u00f3rias e Mem\u00f3rias<\/em>. Publica\u00e7\u00e3o do Instituto Sedes Sapientiae. 1998. p. 45<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> R. Schnaiderman, \u201cPol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise\u201d, Percurso, v.1 n\u00ba1, 1988.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> \u201cPsican\u00e1lise: 20 anos &#8230;\u201d, p. 45<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> Documento de arquivo. Curso de Psican\u00e1lise. Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, 1983.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a> \u00a0A cargo de Marcos Pacheco de Toledo Ferraz.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a> Sua diretora era Ana Pitta Hoissel.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a> \u201cPlano de aplica\u00e7\u00e3o de trabalhos e recursos do conv\u00eanio entre a Coordenadoria de Sa\u00fade Mental da Secretaria de Sa\u00fade do estado de S\u00e3o Paulo e o Instituto Sedes Sapientiae \u2013 Curso de Psican\u00e1lise\u201d, Instituto Sedes Sapientiae, 1985.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[17]<\/a> \u00a0Este aspecto foi especialmente trabalhado, anos depois, no curso sobre <em>Psicoses: concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e estrat\u00e9gias institucionais<\/em>, que foi o primeiro curso regular, al\u00e9m do Curso de Psican\u00e1lise, institu\u00eddo pelo Departamento e realizado por membros do Setor de Sa\u00fade Mental e Institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[18]<\/a> M. P. Fuks, \u201cO conv\u00eanio CSM-Sedes\u201d, in <em>Psican\u00e1lise e institui\u00e7\u00e3o<\/em>, Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, 1986.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[19]<\/a> Ana Maria Sigal e Luc\u00eda Barbero Fuks.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a dois escritos inaugurais de um psicanalista em nosso departamento e em seus grupos. Por Mario Pablo Fuks.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[110],"tags":[116,92,128],"edicao":[114],"autor":[115],"class_list":["post-1714","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-da-psicanalise","tag-curso-de-psicanalise","tag-historia-da-psicanalise","tag-homenagem","edicao-boletim-63","autor-mario-pablo-fuks","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1714","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1714"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1714\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2343,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1714\/revisions\/2343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1714"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=1714"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=1714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}