{"id":1901,"date":"2022-09-15T18:49:24","date_gmt":"2022-09-15T21:49:24","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=1901"},"modified":"2023-03-23T20:06:29","modified_gmt":"2023-03-23T23:06:29","slug":"mundos-indigenas-e-urgente-sermos-semente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2022\/09\/15\/mundos-indigenas-e-urgente-sermos-semente\/","title":{"rendered":"Mundos ind\u00edgenas: \u00e9 urgente sermos semente"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Mundos ind\u00edgenas: \u00e9 urgente sermos semente<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\">por <strong>Camila Junqueira<\/strong><a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para Eduardo Viveiros de Castro o povo brasileiro \u00e9 muito mais ind\u00edgena do que sup\u00f5e. Mas o que afinal vive em n\u00f3s? Foi sobre essa pergunta que a equipe da se\u00e7\u00e3o Debates da revista Percurso, da qual fa\u00e7o parte, na companhia de Gisela Haddad, Vera Zimmermann, Cristiane Abud, Thiago Majolo e Ivy Semiguem, se debru\u00e7ou ao longo de mais de um ano, at\u00e9 que a pergunta se tornou uma afirma\u00e7\u00e3o: sim, vive em n\u00f3s! Mas como (re)conhecer esse estranho familiar que retorna apenas pelas brechas?<\/p>\n<p>Dar visibilidade a essa heran\u00e7a tem se tornado cada vez mais urgente.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos dizer que o trabalho funcionou na base do aldeamento, pois mobilizou um grupo consider\u00e1vel de pessoas, e colocou a psican\u00e1lise em di\u00e1logo com a sa\u00fade p\u00fablica, a biologia, a sociologia, a educa\u00e7\u00e3o, a antropologia, as artes visuais. O fruto mais recente de nosso mergulho foi um debate <em>on line<\/em> promovido em junho deste ano, do qual participaram a jornalista Renata Tupinamb\u00e1 (R\u00e1dio Yand\u00ea), o roteirista e cineasta Luiz Bolognesi e a antrop\u00f3loga Juliana Rosalen, com media\u00e7\u00e3o da psicanalista Lucila de Jesus Gon\u00e7alves. O evento teve transmiss\u00e3o ao vivo e est\u00e1 dispon\u00edvel no YouTube.<\/p>\n<p>Essa conversa d\u00e1 continuidade ao pensar sobre, desde a publica\u00e7\u00e3o de quatro artigos para a edi\u00e7\u00e3o 66 (junho\/2021) da revista Percurso, tamb\u00e9m organizado pela se\u00e7\u00e3o Debate, al\u00e9m de uma entrevista com Eduardo Viveiros de Castro na edi\u00e7\u00e3o seguinte, a de n\u00famero 67 (dezembro\/2021), organizado pela se\u00e7\u00e3o Entrevista. Todas estas a\u00e7\u00f5es derivam das perguntas que seguimos nos fazendo: como nos (re)apropriamos e usufru\u00edmos disso que vive em n\u00f3s?<\/p>\n<p>De diferentes lugares, com diferentes entona\u00e7\u00f5es, todas essas pessoas que se engajaram nesse pensar conosco puderam nos dizer: n\u00e3o conhecemos e negamos a nossa hist\u00f3ria. O ind\u00edgena n\u00e3o \u00e9 esse personagem que o colonizador criou para submeter os corpos, tomar as terras, afirma Renata Tupinamb\u00e1. Embora n\u00e3o exista, a ideia dele como um estranho homog\u00eaneo se perpetua em nosso imagin\u00e1rio. Isso nos impede de ver o que ele \u00e9, em sua familiaridade e multiplicidade.<\/p>\n<p>Entretanto, nosso olhar euroc\u00eantrico, etnoc\u00eantrico e genocida, conta Emerson Guarani, segue determinando a forma como nos relacionamos com os povos ind\u00edgenas. De acordo com o Censo 2010, a maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em contexto urbano do Brasil habita as franjas de S\u00e3o Paulo, a maior cidade do Brasil e do continente sul-americano, seguida de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Boa Vista (RR), Bras\u00edlia (DF), Campo Grande (MS), Pesqueira (PE), Manaus (AM) e Recife (PE). As pol\u00edticas p\u00fablicas seguem falhando em garantir direitos b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente interrompermos o genoc\u00eddio em curso. Iniciado com a chegada dos portugueses, mas agravado \u00e0 \u00e9poca da ditadura civil-militar (1964-1985), conforme nos contou Maria Rita Kehl, e seguido pelas mortes por descaso, por planos de tomadas das terras ou arma de fogo. Nossas rea\u00e7\u00f5es nas m\u00eddias sociais n\u00e3o s\u00e3o uma resposta \u00e0 altura do fato de que \u00e9 o Estado o principal inimigo do modo de vida ind\u00edgena, falhando em garantir o direito \u00e0 vida, \u00e0 terra, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, dentre tantos outros. Que n\u00e3o apenas desossou a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio, como faz vista grossa para a viol\u00eancia dos fazendeiros, dos garimpeiros, dos pescadores, dos grileiros, do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A cada vida ceifada, se aproximam um tanto mais da morte os seres n\u00e3o humanos, as matas, as \u00e1guas. E tamb\u00e9m n\u00f3s, os n\u00e3o-\u00edndios, estamos em extin\u00e7\u00e3o. O cineasta Luiz Bolognesi \u00e9 enf\u00e1tico quando diz: a resist\u00eancia ind\u00edgena empreendida por povos t\u00e3o diversos quanto os patax\u00f3s e os guaranis-kaiow\u00e1s \u00e9 hoje o epicentro da resist\u00eancia e da transforma\u00e7\u00e3o desse mundo em desencanto. \u00c9 junto deles que poderemos experimentar outras formas diferentes de estar em rela\u00e7\u00e3o com o outro, a natureza, o trabalho, a inf\u00e2ncia, os mais velhos, os sonhos, o adoecimento, a morte. Que poderemos criar outras pol\u00edticas de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim, esperamos ter deixado sementes no solo f\u00e9rtil do Departamento de Psican\u00e1lise e do Instituto Sedes! Convidamos todos a cultivarem essas sementes, a seu modo, nesse caminho de reencontro.<\/p>\n<p><strong>::. Edi\u00e7\u00e3o 66 da revista Percurso (junho de 2021):<br \/>\n<\/strong><a href=\"http:\/\/revistapercurso.com.br\/index.php?apg=artigo_view&amp;ida=1436&amp;ori=edicao&amp;id_edicao=66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/revistapercurso.com.br\/index.php?apg=artigo_view&amp;ida=1436&amp;ori=edicao&amp;id_edicao=66<\/a><br \/>\nDiga sim aos povos ind\u00edgenas: pelo direito \u00e0 terra, \u00e0 vida e ao bem viver, texto de Emerson Guarani<br \/>\nEntre m\u00faltiplos &#8220;modos de existir&#8221;, transforma\u00e7\u00f5es e devires, texto de Juliana Rosalen<br \/>\nTudo vive em n\u00f3s, texto em coautoria de Lucila de Jesus Mello Gon\u00e7alves, Priscila Ambr\u00f3sio Moreira e Thiago Barbalho<br \/>\n\u00cdndios, as maiores v\u00edtimas das ditaduras, texto de Maria Rita Kehl<\/p>\n<p><strong>::. Edi\u00e7\u00e3o 67 da revista Percurso (dezembro de 2021):<br \/>\n<\/strong><a href=\"http:\/\/revistapercurso.com.br\/index.php?apg=artigo_view&amp;ida=1454&amp;ori=edicao&amp;id_edicao=67\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/revistapercurso.com.br\/index.php?apg=artigo_view&amp;ida=1454&amp;ori=edicao&amp;id_edicao=67<\/a><br \/>\nPergunte aos ind\u00edgenas, entrevista de Eduardo Viveiros de Castro, por Ana Claudia Patitucci, Bela M. Sister, Cristina Parada Franch, Danielle Melanie Breyton e Silvio Hotimsky<\/p>\n<p><strong>::. Debate Mundos ind\u00edgenas: o que vive em n\u00f3s (junho de 2022), <\/strong>com Renata Tupinamb\u00e1, Luiz Bolognesi e Juliana Rosalen e media\u00e7\u00e3o de Lucila de Jesus Mello Gon\u00e7alves. Transmitido <em>on line<\/em> e dispon\u00edvel no <em>link<br \/>\n<\/em><a href=\"https:\/\/youtu.be\/Qtru-_YQEsk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/youtu.be\/Qtru-_YQEsk<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camila Junqueira narra publica\u00e7\u00e3o e evento do aldeamento em debate da revista Percurso.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[140],"tags":[132,159],"edicao":[143],"autor":[158],"class_list":["post-1901","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-do-departamento-1","tag-eventos","tag-povos-originarios","edicao-boletim-64","autor-camila-junqueira","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1901","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1901"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1901\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2325,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1901\/revisions\/2325"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1901"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1901"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1901"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=1901"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=1901"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}