{"id":2499,"date":"2023-06-14T18:57:50","date_gmt":"2023-06-14T21:57:50","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=2499"},"modified":"2023-06-16T21:03:01","modified_gmt":"2023-06-17T00:03:01","slug":"com-quantos-autores-se-tece-uma-teoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2023\/06\/14\/com-quantos-autores-se-tece-uma-teoria\/","title":{"rendered":"Com quantos autores se tece uma teoria?"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Com quantos autores se tece uma teoria?<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por<\/strong> <strong>Camila Junqueira<\/strong><a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Tecendo a manh\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>1.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Um galo sozinho n\u00e3o tece uma manh\u00e3:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>ele precisar<\/em><em>\u00e1 sempre de outros galos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>De um que apanhe esse grito que ele<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>e o lance a outro; de um outro galo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>que apanhe o grito que um galo antes<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>e o lance a outro; e de outros galos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>que com muitos outros galos se cruzem<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>os fios de sol de seus gritos de galo,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>para que a manh\u00e3, desde uma teia t\u00ea<\/em><em>nue,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>se v\u00e1 tecendo, entre todos os galos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>2.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>E se encorpando em tela, entre todos,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>se erguendo tenda, onde entrem todos,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>se entretendendo para todos, no toldo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(a manh\u00e3<\/em><em>) que plana livre de arma<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>A manh\u00e3, toldo de um tecido t\u00e3<\/em><em>o a<\/em><em>\u00e9reo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>que, tecido, se eleva por si: luz bal<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 18 de mar\u00e7o de 2023 um evento realizado na PUCSP marcou o lan\u00e7amento dos volumes 1 e 2 da Cole\u00e7\u00e3o <em>Vozes da Psican\u00e1lise: Cl\u00ed<\/em><em>nica, Teoria e Pluralismo<\/em>, organizada por David Florsheim. De acordo com a proposta do organizador, diversas vozes, dos mais diferentes rec\u00f4nditos da psican\u00e1lise, foram convidadas a escolher conceitos de psicanalistas diversos, alguns mais conhecidos, e muitos pouco conhecidos, para uma breve apresenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica necessariamente enla\u00e7ada como um exemplo cl\u00ednico. Um desafio e tanto, pois nos foi dado um n\u00famero bastante restrito de caracteres, resultando em textos concisos e objetivos, para que a cole\u00e7\u00e3o pudesse abarcar justamente a multiplicidade de vozes que v\u00eam construindo a psican\u00e1lise nesses \u00faltimos 120 anos. Como afirma Florsheim na Introdu\u00e7\u00e3o (vol.2), sustentar o pluralismo e combater o dogmatismo e o ecletismo consiste num projeto pol\u00edtico. O organizador tamb\u00e9m teve o cuidado de nos solicitar, para al\u00e9m das refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas, indica\u00e7\u00f5es de leitura \u00e0s quais os leitores da cole\u00e7\u00e3o pudessem contar, como um mapa de estudo do campo psicanal\u00edtico. Diversos colegas do Departamento de Psican\u00e1lise seguiram nessa empreitada.<\/p>\n<p>Mas o evento que marcou o lan\u00e7amento da cole\u00e7\u00e3o foi um momento \u00e0 parte! Neste, alguns autores, eu entre estes, tivemos a feliz oportunidade de apresentar o contexto em torno do conceito e o autor escolhido, o que tornou o evento um importante momento de discuss\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3rico-pol\u00edtico-transferenciais que atravessaram a constru\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise. Como sabemos, a hist\u00f3ria da psican\u00e1lise foi marcada n\u00e3o apenas por disc\u00edpulos, mas tamb\u00e9m por pensadores que foram denegados, desvalorizados e invisibilizados\u2026 desse modo \u00e9 importante ouvir as diversas vozes, mas tamb\u00e9m observar como ouvir essas vozes: \u201ctrata-se de reconhecer o outro como tendo uma voz com a qual \u00e9 poss\u00edvel repensar as pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es de mundo e de ser humano\u201d (Florsheim, p.15, vol.1), trata-se de dialogar! E o evento foi um belo momento de di\u00e1logo!\u00a0 Quem n\u00e3o esteve presente, fique atento, pois em breve poderemos dialogar novamente no lan\u00e7amento dos volumes 3 e 4. Infelizmente o evento n\u00e3o foi gravado, por essa raz\u00e3o decidi tornar p\u00fablico aqui o texto que apresentei na ocasi\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Winnicott e a import<\/strong><strong>\u00e2ncia do manejo na cl\u00ednica-limite <\/strong><\/span><\/p>\n<p>Agrade\u00e7o o convite de David Florsheim. \u00c9 uma emo\u00e7\u00e3o estar de volta \u00e0 sala 333, 25 anos depois da conclus\u00e3o do curso de Psicologia, sala onde vi tantas figuras importantes realizarem palestras importantes, mestres realmente! \u00c9 um prazer tamb\u00e9m conhecer pessoalmente Davi Flores e Wilson Franco, com quem j\u00e1 troquei uma figurinha ou outra nas redes sociais.<\/p>\n<p>Quero tamb\u00e9m parabenizar David Florsheim pela multiplicidade de vozes que encontramos nesse painel, e na cole\u00e7\u00e3o Vozes na Psican\u00e1lise, publicada pela editora Blucher. N\u00e3o apenas pelas vozes daqueles que inspiram nosso fazer e pensar psicanal\u00edtico, mas tamb\u00e9m pelas vozes dos autores que apresentam os textos. Encontramos vozes jovens de autores que come\u00e7aram a despontar mais recentemente como comentadores e divulgadores e, por que n\u00e3o, qui\u00e7\u00e1, um dia tamb\u00e9m ser\u00e3o construtores da Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>No meu percurso na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou l\u00e1 pelos idos do ano 2000, fui aprendendo a citar apenas as fontes prim\u00e1rias, e n\u00e3o necessariamente citar os meus colegas que por vezes eram um caminho &#8211; mais que necess\u00e1rio &#8211; para eu chegar a uma compreens\u00e3o das fontes prim\u00e1rias. \u00c9 claro que faz todo o sentido, ler e dar cr\u00e9dito \u00e0queles que pensaram ideias originais, mas por que deixar os comentadores de fora? O meu orientador, Nelson Coelho Junior, por quem tenho profunda admira\u00e7\u00e3o pela forma como d\u00e1 vida aos grupos de orienta\u00e7\u00e3o, nos lembrava que n\u00e3o precis\u00e1vamos mostrar TODOS os andaimes de nosso trabalho, pois o mais importante seria a constru\u00e7\u00e3o final. Mas eu sempre me sentia um pouco em d\u00edvida com a polifonia de vozes que me acompanhavam no meu percurso de pesquisa. Nelson, de outro lado, nos dava muita liberdade de criar nossas pr\u00f3prias constru\u00e7\u00f5es entre as diferentes teorias para sustentar a tese que est\u00e1vamos propondo, o que tamb\u00e9m era admir\u00e1vel e permitiu liga\u00e7\u00f5es bastante originais, como pude acompanhar atrav\u00e9s do trabalho dos meus colegas de grupo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante dizer que a proposta desta cole\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 trazer uma vis\u00e3o pessoal, e sim ser bastante fiel na apresenta\u00e7\u00e3o das ideias do autor escolhido, e, portanto, no meu cap\u00edtulo, e dos meus colegas o que encontraremos \u00e9 a originalidade dos pensamentos dos autores estudados. Ainda sim, acho importante a ideia do organizador desta cole\u00e7\u00e3o, de trabalhar com essa multiplicidade de vozes, e agrade\u00e7o ainda mais a oportunidade de estar presente neste debate, e ent\u00e3o algumas articula\u00e7\u00f5es que podemos fazer a partir de Winnicott, indo um pouco al\u00e9m do conceito de manejo. Um edif\u00edcio n\u00e3o \u00e9 feito somente de tijolos, mas tamb\u00e9m da argamassa que os une.<\/p>\n<p>Afinal, com quantos pensadores se tece uma teoria?<\/p>\n<p>\u00c9 com essa pergunta que eu abro a quarta capa do meu livro, <em>Metapsicologia dos Limites <\/em>(Junqueira, 2019), tamb\u00e9m publicado pela Blucher, e que condensa reflex\u00f5es realizadas durante o meu doutorado e p\u00f3s-doc. Retomar esse meu percurso \u00e9 importante, pois foi atrav\u00e9s dele que eu me aprofundei no estudo de Winnicott, justamente porque o conceito de MANEJO, objeto da minha apresenta\u00e7\u00e3o hoje, me chamou aten\u00e7\u00e3o para resolver impasses cl\u00ednicos impostos por pacientes em que a interpreta\u00e7\u00e3o \u2018rodava em falso\u2019, e para os quais a tentativa de enquadramento do paciente num modelo cl\u00e1ssico, com alta frequ\u00eancia, n\u00e3o reposi\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios, pagamentos das faltas, div\u00e3, eram sentidos ora como viol\u00eancia, ora como desamparo.<\/p>\n<p>Lendo Winnicott, e tamb\u00e9m Andr\u00e9 Green, que \u00e9 um autor repleto de ideias originais, embora tenha produzido muita argamassa entre Freud e Winnicott, pude compreender que Freud fez um excelente trabalho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 neurose, mas foi Winnicott que ampliou a t\u00e9cnica para o tratamento dos pacientes borderline, que hoje, inspirados por Ren\u00e9 Roussillon, chamaremos de narc\u00edsico-identit\u00e1rios. Roussillon, ali\u00e1s, \u00e9 outro autor com ideias muito originais, e outro grande produtor de argamassa entre ideias j\u00e1 existentes!<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que Winnicott n\u00e3o foi o primeiro a ampliar a t\u00e9cnica. Entretanto as contribui\u00e7\u00f5es de Ferenczi, fundamentais, foram denegadas pela psican\u00e1lise durante muitas d\u00e9cadas, e podemos dizer que Ferenczi ainda \u00e9 o que h\u00e1 de novo na psican\u00e1lise, mesmo seus textos tendo j\u00e1 90 anos. Eu tive a sorte de fazer aqui na minha gradua\u00e7\u00e3o da PUC uma eletiva de Ferenczi com a querida Fel\u00edcia Knobloch, a quem tenho um profundo agradecimento por ter aberto para mim, j\u00e1 na faculdade, os caminhos para uma psican\u00e1lise \u201cmais al\u00e9m\u201d da ortodoxia.<\/p>\n<p>No entanto, diferente de Ferenczi, Winnicott empenhou-se em colocar suas ideias sem entrar em grandes controv\u00e9rsias. Embora tenha feito supervis\u00e3o com Klein e analisado um de seus filhos, foi capaz de n\u00e3o se indispor com Anna Freud, situando-se entre alguns analistas que fizeram parte do Middle Group ou Grupo Independente.<\/p>\n<p>Num artigo que narra essa hist\u00f3ria, Moraes (2008) caracteriza Winnicott como um disc\u00edpulo dissidente, uma descri\u00e7\u00e3o que poderia parecer um contrassenso, mas em realidade me parece muito precisa para descrever um trabalho te\u00f3rico em que o \u2018fiel da balan\u00e7a\u2019 para a ades\u00e3o, a rejei\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de ideias \u00e9 sempre a experi\u00eancia cl\u00ednica. Experi\u00eancia que, no caso de Winnicott, \u00e9 muito particular, dado sua forma\u00e7\u00e3o como pediatra, e ao tempo de sua forma\u00e7\u00e3o, que atravessa a Primeira e a Segunda Grandes Guerras, o que faz com que Winnicott possa estar t\u00e3o perto e t\u00e3o longe de Freud ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Ainda segundo Moraes (2008), \u201cPelo entendimento de ser a psican\u00e1lise uma ci\u00eancia, a possibilidade de desacordos te\u00f3ricos era, para ele (Winnicott), uma realidade que deveria ser enfrentada com maturidade. Isso significava tratar das diferen\u00e7as te\u00f3ricas sem nenhuma forma de partidarismo pol\u00edtico, e muito menos com um fervor religioso. Era evidente para Winnicott que \u201ca principal identifica\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s \u00e9 com a Sociedade\u201d, e n\u00e3o com qualquer grupo que pudesse ser criado, pois entendia que \u201cfora da sociedade, os grupos n\u00e3o teriam nenhum significado e nenhum poder\u201d (1987b\/1990, p. 74)\u201d. Caminho muito diferente do que foi seguido por Lacan, algum tempo depois, ao fundamentar seu \u201cretorno a Freud\u201d numa ruptura com a Associa\u00e7\u00e3o Psicanal\u00edtica de Paris, quando essa se filia \u00e0 IPA, que questionava suas inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, como o tempo l\u00f3gico e o lugar da an\u00e1lise did\u00e1tica.<\/p>\n<p>A controv\u00e9rsia central que Winnicott parecia desejar evitar foi a de construir uma obra que privilegia as rela\u00e7\u00f5es de objeto, em ruptura portanto com a teoria pulsional freudiana. Fairbairn, que cunha o termo rela\u00e7\u00f5es de objeto, tinha uma posi\u00e7\u00e3o de ruptura mais clara com alguns pontos fundamentais do edif\u00edcio te\u00f3rico freudiano, sendo deixado de lado e se tornando um autor pouco conhecido. Felizmente a cole\u00e7\u00e3o Vozes da Psican\u00e1lise d\u00e1 voz a Fairbairn atrav\u00e9s de um texto de T\u00e9o Araujo, que integra o volume 2.<\/p>\n<p>H\u00e1 pol\u00eamica sobre as possibilidades de alinhavo entre as teorias de Freud e Winnicott, mas de fato eu vejo suplementariedade entre a metapsicologia freudiana e as constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas de Winnicott, e essa \u00e9 uma das teses que sustento no meu livro <em>Metapsicologia dos limites<\/em>. A primeira parte \u00e9 dedicada ao exame do papel do objeto para Freud, e da puls\u00e3o para Winnicott, concluindo que esses autores apresentam dois n\u00edveis de apreens\u00e3o do <em>Self<\/em> que n\u00e3o se articulam ponto a ponto, mas se entrela\u00e7am.<\/p>\n<p>Freud privilegiou hip\u00f3teses acerca da constitui\u00e7\u00e3o do psiquismo como um aparelho de mem\u00f3ria e de representa\u00e7\u00e3o com fun\u00e7\u00e3o primordial de adiar a descarga das puls\u00f5es, e de permitir a passagem do princ\u00edpio de prazer para o princ\u00edpio da realidade. Winnicott privilegiou as hip\u00f3teses acerca do desenvolvimento emocional e as condi\u00e7\u00f5es ambientais que possibilitam a passagem de um estado inicial de indiferencia\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia absoluta para um estado de diferencia\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto e de depend\u00eancia relativa.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a de vi\u00e9s se explica pela experi\u00eancia cl\u00ednica de cada um, e cria uma metodologia cl\u00ednica, e uma t\u00e9cnica, bastante diferentes entre eles. Enquanto Freud partiu das quest\u00f5es ed\u00edpicas que sustentam as neuroses, sobretudo as hist\u00e9ricas, e prop\u00f4s uma cl\u00ednica baseada na transfer\u00eancia e em sua interpreta\u00e7\u00e3o, Winnicott partiu de sua experi\u00eancia cl\u00ednica com crian\u00e7as, e sobretudo com crian\u00e7as separadas de seus pais e retiradas de seus lares pela guerra, e prop\u00f4s uma cl\u00ednica baseada na restaura\u00e7\u00e3o do ambiente, para promover a retomada do desenvolvimento paralisado por rupturas precoces do ambiente, no qual o conceito de manejo \u00e9 fundamental!<\/p>\n<p>Cabe lembrar que Winnicott foi analisado por Strachey, que muito al\u00e9m de traduzir as obras de Freud do alem\u00e3o para o ingl\u00eas, escreveu em 1934 um texto intitulado \u201cA natureza da a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica em psican\u00e1lise\u201d, no qual sustenta, de modo muito resumido, que a interpreta\u00e7\u00e3o mutativa, ou seja, a interpreta\u00e7\u00e3o que leva a uma mudan\u00e7a ps\u00edquica, \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 Winnicott, mais para o final de sua vida, numa escrita madura, em 1963, nos apresenta a ideia de que a interpreta\u00e7\u00e3o pode ser inadequada, e o manejo, muito mais importante:<\/p>\n<p>Quando um psicanalista est\u00e1 trabalhando com pessoas esquiz\u00f3ides (chame isso de an\u00e1lise ou n\u00e3o), as interpreta\u00e7\u00f5es visando o <em>insight<\/em> se tornam menos importantes, e a manuten\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o adaptativa ao ego \u00e9 essencial.\u00a0 A consist\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia prim\u00e1ria, n\u00e3o algo a ser recordado e revivido na t\u00e9cnica do analista&#8230; Ver-se-\u00e1 que o analista est\u00e1 sustentando o paciente e isso muitas vezes toma a forma de transmitir em palavras, no momento apropriado, algo que revele que o analista se d\u00e1 conta e compreende a profunda ansiedade que o paciente est\u00e1 experimentando. Ocasionalmente o <em>holding<\/em> pode tomar uma forma f\u00edsica, mas acho que o \u00e9 somente porque houve uma demora na compreens\u00e3o do analista do que ele deve usar para verbalizar o que est\u00e1 ocorrendo&#8230; No tratamento das pessoas esquiz\u00f3ides o analista precisa saber tudo que se refere \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es que possam ser feitas, relativas ao material apresentado, mas deve ser capaz de se conter para n\u00e3o ser desviado a fazer esse tipo de trabalho, que seria inapropriado, porque a necessidade principal \u00e9 a de apoio simples ao ego, ou de <em>holding<\/em>. (p.215-7 \u2013 grifos meus)<\/p>\n<p>E isso pode ser obtido pelo manejo.<\/p>\n<p>Enquanto Freud construiu o que Andr\u00e9 Green denomina de metapsicologia da aus\u00eancia, baseada na import\u00e2ncia da falta do objeto para o nascimento do psiquismo enquanto um aparelho de representa\u00e7\u00e3o, Winnicott desenvolveu uma metapsicologia da presen\u00e7a, baseada na import\u00e2ncia da qualidade da presen\u00e7a do objeto, antes de sua aus\u00eancia. Enquanto Freud dava a presen\u00e7a do objeto por certa, Winnicott, que se dedicou \u00e0 experi\u00eancias com crian\u00e7as com priva\u00e7\u00f5es ambientais importantes, se deteve na quest\u00e3o da qualidade da presen\u00e7a. Enquanto para Freud o trauma era um acontecimento, ou a presen\u00e7a de uma fantasia, que proporciona um excesso de libido, para Winnicott o traum\u00e1tico era, TAMB\u00c9M, aquilo que n\u00e3o aconteceu, \u00e9 a falha do ambiente em sustentar a experi\u00eancia de ilus\u00e3o de onipot\u00eancia, ou seja, a ilus\u00e3o de que o beb\u00ea n\u00e3o \u00e9 separado do ambiente, pelo tempo necess\u00e1rio para que o seu amadurecimento sustente a experi\u00eancia de ser separado e relativamente independente.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o da m\u00e3e ao seu beb\u00ea propicia o que Winnicott denomina de experi\u00eancia de ilus\u00e3o de onipot\u00eancia. Nesta o beb\u00ea descobre o ambiente sem a perda da sensa\u00e7\u00e3o de Ser, pois acredita estar criando o mundo que encontra, uma vez que a m\u00e3e sustenta o paradoxo achado\/criado &#8211; ou seja, o beb\u00ea n\u00e3o \u00e9 obrigado a responder se encontrou ou se criou o seio. A indiferencia\u00e7\u00e3o entre dentro e fora \u00e9 sustentada pelo ambiente. Por\u00e9m, quando o ambiente falha ou realiza uma intrus\u00e3o, a sensa\u00e7\u00e3o de Ser \u00e9 perdida e o indiv\u00edduo \u00e9 levado a reagir (Winnicott, 1949\/2000). A volta ao estado de isolamento tende a restaurar a sensa\u00e7\u00e3o de Ser, mas a realidade n\u00e3o \u00e9 inclu\u00edda e causa, como consequ\u00eancia, uma cis\u00e3o entre verdadeiro e falso <em>Self: <\/em>um retraimento do verdadeiro <em>Self<\/em> e uma predomin\u00e2ncia do falso <em>Self<\/em> (Winnicott,1960\/1983).<\/p>\n<p>Winnicott constr\u00f3i ent\u00e3o uma psicopatologia baseada na qualidade da presen\u00e7a, e o manejo \u00e9 resposta t\u00e9cnica necess\u00e1ria a um certo tipo de presen\u00e7a.<\/p>\n<p>No texto \u2018Aspectos cl\u00ednicos e metapsicol\u00f3gicos da regress\u00e3o no contexto anal\u00edtico\u2019 (1954), Winnicott divide os pacientes em tr\u00eas tipos, a partir do momento em que o desenvolvimento emocional foi interrompido, e relaciona cada tipo de paciente a uma deriva\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica psicanal\u00edtica. O conceito de manejo \u00e9 proposto ent\u00e3o como uma necessidade de amplia\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>Para Winnicott h\u00e1 pacientes (1) que funcionam em termos de pessoas inteiras, cujas dificuldades t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com problemas interpessoais, e para os quais a psican\u00e1lise cl\u00e1ssica, baseada na interpreta\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia, se aplica. Esses s\u00e3o os neur\u00f3ticos. As pessoas inteiras s\u00e3o ent\u00e3o aquelas que completaram o processo de separa\u00e7\u00e3o e alcan\u00e7aram a depend\u00eancia relativa, mas que sofrem de conflitos entre seus desejos e suas inst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Um outro tipo de pacientes (2) s\u00e3o aqueles com personalidades que rec\u00e9m come\u00e7aram a se integrar, mas perderam a ilus\u00e3o de onipot\u00eancia cedo demais, e ainda apresentam dificuldades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o depressiva e conviv\u00eancia com a ambival\u00eancia. A an\u00e1lise cl\u00e1ssica tamb\u00e9m se aplica a esses pacientes, no entanto surgem problemas de manejo, e o elemento mais importante \u00e9 a sobreviv\u00eancia do analista. Pois, segundo Winnicott, o desfecho do processo de separa\u00e7\u00e3o depende de o beb\u00ea fazer um uso impiedoso do objeto e n\u00e3o ser retaliado por isso. Saber que o objeto sobrevive \u00e0 sua agressividade \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para amar e odiar um objeto concebido como total e separado de si. O objeto atacado na fantasia precisa sobreviver e n\u00e3o retaliar na realidade, para que justamente a diferen\u00e7a entre fantasia e realidade se estabele\u00e7a, e para que a diferen\u00e7a entre objeto interno e objeto externo ganhe consist\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim, transpondo a rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-beb\u00ea para a rela\u00e7\u00e3o analista-paciente, podemos dizer que, mais do que interpretar a necessidade de submeter o objeto a sua agressividade para realizar a separa\u00e7\u00e3o, basta ao analista sobreviver sem retaliar. Isso demonstra que o analista est\u00e1 separado, que ele n\u00e3o \u00e9 misturado ao objeto da fantasia, e, portanto, \u00e9 um objeto externo ao paciente.\u00a0 A interpreta\u00e7\u00e3o, para Winnicott, pode por vezes soar como uma retalia\u00e7\u00e3o, e uma intrus\u00e3o (Winnicott, 1963).<\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia esses pacientes que sentiram uma retalia\u00e7\u00e3o do ambiente, ou uma separa\u00e7\u00e3o precoce, apresentam sintomas relacionados \u00e0 tend\u00eancia antissocial como forma de reclamar a aten\u00e7\u00e3o do ambiente \u00e0s suas necessidades. E \u00e9 para esses casos que Winnicott diz certa vez que o assistente social pode ser mais importante que o analista, pois ele pode atuar de maneira objetiva e concreta na restaura\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de cuidado do ambiente.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 um terceiro tipo de pacientes (3) cuja personalidade n\u00e3o est\u00e1 integrada, pois a provis\u00e3o ambiental foi demasiadamente falha para lhes fornecer uma experi\u00eancia de ilus\u00e3o de onipot\u00eancia por tempo suficiente. Para esses pacientes, que podem ser denominados de psic\u00f3ticos e de pacientes borderline, o trabalho do analista deve recair essencialmente sobre o manejo, sendo \u00e0s vezes a an\u00e1lise dos conflitos inconscientes deixada de lado para que o manejo ocupe a totalidade do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O conceito de manejo proporciona, portanto, a inclus\u00e3o de pacientes que haviam sido considerados inanalis\u00e1veis at\u00e9 ent\u00e3o, como pacientes borderline, narc\u00edsicos e psic\u00f3ticos, um trabalho em que a psican\u00e1lise cl\u00e1ssica n\u00e3o se aplica, ou ao menos, n\u00e3o se aplica na totalidade do tempo, pois um trabalho pr\u00e9vio se faz necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por vezes o manejo tem rela\u00e7\u00e3o com estabelecer um enquadre sob medida, adaptado \u00e0s necessidades do paciente em quest\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00f3, como veremos nos exemplos a seguir. O objetivo do manejo \u00e9 a instaura\u00e7\u00e3o de um momento de regress\u00e3o anal\u00edtica, no qual a ilus\u00e3o de onipot\u00eancia possa ser retomada, e que, portanto, viabilize a retomada do desenvolvimento emocional a partir do ponto em que foi interrompido por falhas precoces do ambiente.<\/p>\n<p>Assim, o manejo realizado pelo analista tem como inspira\u00e7\u00e3o o manejo realizado pela m\u00e3e suficientemente boa, que se adapta ao ritmo do desenvolvimento emocional de seu beb\u00ea. Winnicott (1955-6\/2000) ressalta que a qualidade do manejo da m\u00e3e depende da identifica\u00e7\u00e3o dela com o seu beb\u00ea. Depende, portanto, da &#8216;preocupa\u00e7\u00e3o materna prim\u00e1ria\u2019, que implica em a m\u00e3e estar amplamente dispon\u00edvel para o cuidado desse beb\u00ea nos momentos iniciais. Do mesmo modo, o analista tamb\u00e9m deve se identificar com seu paciente para criar um ambiente prop\u00edcio \u00e0 regress\u00e3o. Winnicott (1954\/2000) entende a regress\u00e3o no contexto anal\u00edtico como uma oportunidade de retomada do desenvolvimento emocional. Cabe lembrar que a regress\u00e3o no contexto anal\u00edtico n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com a regress\u00e3o libidinal proposta por Freud para pensar a busca por satisfa\u00e7\u00f5es mais primitivas diante das frustra\u00e7\u00f5es impostas pela realidade, mas certamente seria bastante interessante um trabalho que se propusesse a pensar o que ocorre com a libido quando se passa uma regress\u00e3o \u2018winnicottiana\u2019.<\/p>\n<p>Winnicott deixa clara a inefic\u00e1cia da interpreta\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica nos casos de falha ambiental intensa e precoce, e procura descrever como a regress\u00e3o promovida pelo manejo adequado dos casos pode realizar uma modifica\u00e7\u00e3o no quadro do paciente. Nas suas palavras:<\/p>\n<p><em>No decurso desse tipo de experi\u00eancia, h\u00e1 uma quantidade suficiente de fus\u00e3o com o analista (m\u00e3e) para permitir ao paciente viver e relacionar-se sem necessidade de mecanismos identificat\u00f3rios projetivos e introjetivos. Depois vem o penoso processo pelo qual o objeto \u00e9 separado do sujeito e o analista se separa, sendo colocado fora do controle onipotente do paciente. A sobreviv\u00eancia do analista \u00e0 destrutividade que \u00e9 pr\u00f3pria dessa mudan\u00e7a, e a ela se segue, permite que aconte\u00e7a algo de novo, que \u00e9 o uso pelo paciente, do analista, e o in\u00edcio de um novo relacionamento baseado em identifica\u00e7\u00f5es cruzadas<\/em>. (Winnicott, 1971\/1975, p.185-6)<\/p>\n<p>Um exemplo de manejo do <em>setting<\/em> pode ser encontrado no relato do tratamento de Piggle, a menina que foi atendida por Winnicott (1977\/1987) dos tr\u00eas aos cinco anos. Depois de bagun\u00e7ar a sala, expressando a sua bagun\u00e7a interior, Winnicott permite que Piggle v\u00e1 embora deixando as coisas para que ele as arrume. Winnicott n\u00e3o interpreta as ang\u00fastias de Piggle que dizem respeito \u00e0 raiva e a \u2018bagun\u00e7a interior\u2019 que a chegada da irm\u00e3 mais nova provocou em sua vida. Winnicott maneja o <em>setting<\/em> ficando com a bagun\u00e7a, de forma a comunicar, em ato, que pode suportar a confus\u00e3o em que Piggle se encontra, independentemente de sua origem. Garante a ela, assim, que haver\u00e1 um adulto que a ajudar\u00e1 a dar significado (colocar ordem) a suas afli\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outros exemplos de manejo podem ser encontrados no relato de Margaret Little (1992), paciente atendida por Winnicott, seja no in\u00edcio do tratamento, quando ele segura sua cabe\u00e7a por sess\u00f5es a fio, at\u00e9 que ela sinta que pode come\u00e7ar a falar, seja quando sobrevive a seus ataques. Numa sess\u00e3o, depois de um longo momento de paralisia, Margaret se levanta e anda pela sala, pensa em se atirar pela janela, pensa em atirar os livros no ch\u00e3o e, por fim, quebra um vaso de lilases brancos. Na sess\u00e3o seguinte, Winnicott diz a Margaret que ela quebrou algo que era muito importante para ele, mas rep\u00f5e um vaso id\u00eantico. Winnicott n\u00e3o se esquiva de dizer o que sente, mas n\u00e3o elabora uma interpreta\u00e7\u00e3o. E ao repor o vaso mostra que pode sobreviver aos ataques, ainda que n\u00e3o goste deles nem um pouco. Demonstra que ele, como objeto externo, est\u00e1 separado do objeto da fantasia ao qual a paciente havia atacado.<\/p>\n<p>O manejo \u00e9, portanto, o conjunto do comportamento do analista produzido a partir de uma elabora\u00e7\u00e3o, por vezes inconsciente, das quest\u00f5es do paciente, que permite sustentar a ilus\u00e3o de onipot\u00eancia do paciente pelo tempo necess\u00e1rio para que a regress\u00e3o se instale e o desenvolvimento emocional possa ser retomado de onde foi interrompido, permitindo o aparecimento do verdadeiro <em>Self,<\/em> outrora retra\u00eddo.<\/p>\n<p>Em minha cl\u00ednica, cito o caso de uma paciente que havia deslocado o sintoma anor\u00e9xico para a agressividade, e o manejo se traduziu em seguir interpretando, n\u00e3o tanto pelo conte\u00fado das interpreta\u00e7\u00f5es, mas como forma de me mostrar viva diante dos ataques necess\u00e1rios ao seu processo de separa\u00e7\u00e3o e de elabora\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a eu\/n\u00e3o-eu (Junqueira, 2015).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/p>\n<p>Junqueira, C. (2015) Os limites da interpreta\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia do manejo na anorexia. In: <em>O atendimento psicanal\u00ed<\/em><em>tico da anorexia e bulimia.<\/em> Ramos, M &amp; Fuks, M (org.). S\u00e3o Paulo: Zagodoni.<\/p>\n<p>_________ (2019) <em>Metapsicologia dos Limites<\/em>, S\u00e3o Paulo: Blucher.<\/p>\n<p>Little, M. (1992) <em>Ansiedades Psic\u00f3ticas e Preven\u00e7\u00e3o: registro pessoal de uma an\u00e1lise com Winnicott.<\/em> Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Moraes, Ariadne Alvarenga de Rezende Engelberg de. (2008). <em>Winnicott e o Middle Group: a diferen\u00e7a que faz diferen\u00e7a<\/em>. Natureza humana, 10(1), 73-104.<\/p>\n<p>Winnicott, D. W. (1949\/2000) A Mente e sua Rela\u00e7\u00e3o com o Psicossoma, <em>Da Pediatria \u00e0 <\/em><em>Psican<\/em><em>\u00e1lise: obras escolhidas.<\/em> Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>______ (1954\/2000) Aspectos Cl\u00ednicos e Metapsicol\u00f3gicos da Regress\u00e3o no Contexto Anal\u00edtico, <em>Da Pediatria \u00e0 <\/em><em>Psican<\/em><em>\u00e1lise: obras escolhidas<\/em>. Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>______ (1955-6\/2000) Formas cl\u00ednicas da transfer\u00eancia, In <em>Da Pediatria \u00e0 <\/em><em>Psican<\/em><em>\u00e1lise: obras escolhidas.<\/em> Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>______ (1960\/1983) Distor\u00e7\u00e3o do Ego em termos de falso e verdadeiro Self. In: <em>O Ambiente e os Processos de Matura\u00e7\u00e3o: Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional<\/em>. Porto Alegre: ArtMed Editora.<\/p>\n<p>_______ (1963\/1983) Dist\u00farbios Psiqui\u00e1tricos e processos de matura\u00e7\u00e3o infantil. <em>O Ambiente e os Processos de Matura\u00e7\u00e3o: Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional.<\/em> Porto Alegre: ArtMed Editora,<\/p>\n<p>______ (1971\/1975) <em>O Brincar e a Realidade<\/em>. Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>______ (1977\/1987) <em>The Piggle: relato de tratamento psicanal<\/em><em>\u00edtico de uma menina.<\/em> Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Psicanalista, doutora e p\u00f3s-doutora pelo IPUSP, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, onde \u00e9 coordenadora e professora do Curso de Extens\u00e3o <em>A abordagem psicanal\u00edtica das Problem\u00e1ticas Alimentares<\/em>. Autora de diversos artigos e livros, entre eles <em>Metapsicologia dos Limites<\/em> (Blucher, 2019).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enlaces na psican\u00e1lise, um evento sobre o lan\u00e7amento da cole\u00e7\u00e3o Vozes da psican\u00e1lise: cl\u00ednica, teoria e pluralismo, por Camila Junqueira.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[90],"tags":[83],"edicao":[202],"autor":[158],"class_list":["post-2499","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-do-campo-psicanalitico","tag-leituras","edicao-boletim-67","autor-camila-junqueira","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2499"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2499\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2617,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2499\/revisions\/2617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2499"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=2499"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=2499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}