{"id":2671,"date":"2023-09-18T23:32:43","date_gmt":"2023-09-19T02:32:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=2671"},"modified":"2023-09-18T23:33:11","modified_gmt":"2023-09-19T02:33:11","slug":"os-bastidores-do-podcast-as-clinicas-publicas-de-psicanalise-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2023\/09\/18\/os-bastidores-do-podcast-as-clinicas-publicas-de-psicanalise-no-brasil\/","title":{"rendered":"Os bastidores do <em>podcast As cl\u00ednicas p\u00fablicas de psican\u00e1lise no Brasil<\/em>"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>O<\/strong><strong>s bastidores do podcast <\/strong><strong><em>As cl\u00ednicas p\u00fablicas de psican\u00e1lise no Brasil<\/em><\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Tide Setubal<\/strong><a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma pandemia, um confinamento, dias que se sucediam com muita cl\u00ednica, afinal as pessoas estavam tendo que lidar com um v\u00edrus assustador e desconhecido; os pacientes e os analistas, todos n\u00f3s em um intenso trabalho ps\u00edquico. Como consequ\u00eancia do isolamento necess\u00e1rio, t\u00ednhamos pouco espa\u00e7o para um final de semana agitado com amigos, cinema, festa; nem pensar.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a descoberta de dispositivos digitais, como o tal chamado Zoom, que nos tirou de uma solid\u00e3o do isolamento for\u00e7ado. Um zoom que nos permitiu dar aulas, constituir grupalidades impensadas e, no nosso caso, tornar um fim de tarde de domingo pand\u00eamico, o melhor momento da semana.<\/p>\n<p>Interessante constatar que muitas vezes uma viv\u00eancia dif\u00edcil, n\u00e3o precisa ser exclusivamente ruim, podendo deixar uns tantos aprendizados e at\u00e9, surpreendentemente, experi\u00eancias positivas. Dentro desse enorme contexto, nasceu o <em>podcast<\/em> <em>As c<\/em><em>l<\/em><em>\u00ednicas p\u00fablicas de p<\/em><em>sican<\/em><em>\u00e1lise no Brasil<\/em>, que ali\u00e1s inicialmente era para ser um livro e n\u00e3o um <em>podcast<\/em>. Vamos a essa hist\u00f3ria!<\/p>\n<p>Noni Kon<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>, Chris Freire, Jorge Broide, Rafael Alves Lima, S\u00e9rgio Kon, Emiliano David, Anna Turriani, Olivia Janequine, Tide Setubal. Essa era a turma que, de maio de 2020 ao in\u00edcio de 2023, se encontrou aos domingos no fim de tarde. No primeiro ano, eram todos os domingos, no segundo ano, quinzenalmente.<\/p>\n<p>A primeira ideia era escrever um livro sobre a hist\u00f3ria das cl\u00ednicas p\u00fablicas no Brasil. Motivados pelo lan\u00e7amento do livro da Elizabeth Danto, pela editora perspectiva, <em>As cl\u00ednicas p\u00fablicas de Freud<\/em> e pela vinda dela ao Brasil &#8211; para o <em>Ciclo Danto no Brasil: p<\/em><em>sican<\/em><em>\u00e1<\/em><em>lise e <\/em><em>j<\/em><em>usti<\/em><em>\u00e7<\/em><em>a <\/em><em>social no Instituto Sedes<\/em> em parceria com um grupo grande de pessoas e institui\u00e7\u00f5es, &#8211; quando diante da cena pulsante das cl\u00ednicas p\u00fablicas brasileiras ela nos disse: voc\u00eas deveriam escrever sobre o que acontece aqui!\u00a0Tem um acontecimento importante em curso no Brasil.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, embalados por esse impulso, o grupo que organizou a vinda de Danto para o Brasil, junto com algumas outras pessoas convidadas posteriormente pela afinidade com o tema, come\u00e7ou a se reunir.<\/p>\n<p>A tarefa inicial era pensar a dire\u00e7\u00e3o, concep\u00e7\u00e3o do projeto e os nomes de pessoas ou grupos que entrevistar\u00edamos. Lista longa! Iniciamos por S\u00e3o Paulo, mas depois buscamos viajar pelo Brasil para ampliar os sotaques desse vasto pa\u00eds. Conversamos com mulheres, homens, pretos, pardos e brancos, diferentes gera\u00e7\u00f5es, origens, lugares, olhares. A cena brasileira \u00e9 m\u00faltipla, plural, polif\u00f4nica.<\/p>\n<p>Marc\u00e1vamos a entrevista e estud\u00e1vamos o percurso da pessoa para construir o roteiro de perguntas que era enviado previamente ao entrevistado.\u00a0\u00c0s 17h dominicais abr\u00edamos a nossa telinha, saud\u00e1vamos nosso entrevistado. Nos apresent\u00e1vamos, o grupo, cada um. Ent\u00e3o ficavam o entrevistado e o Rafael sozinhos, enquanto n\u00f3s fech\u00e1vamos as c\u00e2meras e os microfones; numa conhecida posi\u00e7\u00e3o de escuta.<\/p>\n<p>Em seguida, a entrevista transcorria, a grande maioria pela condu\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel do Rafael. Ao final do roteiro, volt\u00e1vamos a abrir as c\u00e2meras e os microfones para tecermos coment\u00e1rios e fazermos outras perguntas para o entrevistado. Essa \u00faltima parte, optamos por deixar de fora do <em>podcast<\/em>, por um lado, porque as entrevistas j\u00e1 estavam muito longas, por outro, porque \u00e0s vezes aconteciam momentos informais e \u00edntimos que n\u00e3o cabiam num formato mais p\u00fablico.<\/p>\n<p>No domingo posterior ao da entrevista, nos reun\u00edamos para coment\u00e1-la, construir pensamentos, elaborar hip\u00f3teses. Tamb\u00e9m decid\u00edamos qual seria o pr\u00f3ximo entrevistado e os rumos da nossa pesquisa.\u00a0Os \u201centre-entrevistas\u201d eram potentes, momento de decantar a conversa da semana anterior, refletir sobre os temas que nos pareciam mais delicados enquanto constitu\u00edamos um grupo. O que s\u00e3o afinal as cl\u00ednicas p\u00fablicas? O que entendemos pela palavra p\u00fablica? Como pensar a rela\u00e7\u00e3o entre a transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise e as cl\u00ednicas publicas? Como pensar a centralidade das quest\u00f5es de ra\u00e7a, g\u00eanero e classe nesse campo?<\/p>\n<p>Quando o projeto se tornou o <em>podcast<\/em>, ficamos na d\u00favida se incluir\u00edamos ou n\u00e3o essas conversas \u201centre-entrevistas\u201d. Decidimos por n\u00e3o colocar, pois era dif\u00edcil de acompanhar, sem imagem, uma conversa coletiva, espont\u00e2nea e, por vezes, um tanto ca\u00f3tica. No entanto, tivemos momentos de trocas preciosos, que \u00e9 pena deixar de fora, enfim. \u00c9 sempre preciso deixar algo de fora para colocar um projeto no mundo.<\/p>\n<p>O tempo foi passando, o n\u00famero de entrevistas realizadas crescendo. O material era de uma riqueza incr\u00edvel. Aprendemos muito! E, ainda bem! a pandemia melhorava, as vacinas, a saudade da vida, os reencontros. Marcamos um encontro nosso presencial, no mesmo domingo de sempre, dessa vez, de manh\u00e3. Fomos todos para a Editora Perspectiva, dia ensolarado. V\u00e1rios de n\u00f3s, \u00edntimos de domingo, nunca t\u00ednhamos nos encontrado presencialmente. O corpo, as risadas, os abra\u00e7os. Foi muito especial. Seguimos o trabalho.<\/p>\n<p>Por onde? Como? O livro ainda n\u00e3o tinha sido escrito, discut\u00edamos formatos, quem escreveria, autores poss\u00edveis. A vida voltava, o tempo encolhia. Parecia dif\u00edcil colocar aquele material imenso e f\u00e9rtil em um \u00fanico livro. Mas tent\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Entre um encontro e outro, informalmente falamos muito sobre o advento dos <em>podcasts<\/em>. Como eram interessantes! Troc\u00e1vamos sugest\u00f5es. \u00d3timos para escutar lavando lou\u00e7a, dirigindo carro, tomando banho. Alguns de n\u00f3s, acabamos com o apelido de \u201cloucos dos podcasts\u201d. Ent\u00e3o, resolvemos nos escutar e pensar que n\u00f3s est\u00e1vamos, desde o in\u00edcio, produzindo um caldo de <em>podcast<\/em>. Faltava dar forma, cara, sequ\u00eancia. O material j\u00e1 estava l\u00e1 e precisava ser partilhado. N\u00e3o pod\u00edamos deixar toda a riqueza do material criado dispon\u00edvel s\u00f3 para n\u00f3s mesmos, seria um ego\u00edsmo ou talvez uma irresponsabilidade. Tanto faz.<\/p>\n<p>No entanto, alguns de n\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos cansados. As fam\u00edlias reclamavam dos encontros nos domingos, era preciso parar, rumar, desencantar. Montamos um subgrupo com S\u00e9rgio, Tide e Rafael que daria continuidade ao projeto transformando-o no <em>p<\/em><em>odcast<\/em>. De domingos fim de tarde, passamos \u00e0s ter\u00e7as de manh\u00e3. Demos uma cara, sequ\u00eancia, edi\u00e7\u00e3o \u00e0s entrevistas.<\/p>\n<p>Lan\u00e7amos na busca de contribuir para a cena das cl\u00ednicas p\u00fablicas no Brasil. Fertilizar ideias, trabalhos e discuss\u00f5es. Que desfrutem!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Tide Setubal \u00e9 psicanalista, mestre pela Paris V. Membro do Departamento de Psican\u00e1lise do instituto Sedes Sapientiae, onde \u00e9 professora do curso Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica: Conflito e Sintoma, integra o Conselho de Dire\u00e7\u00e3o (2021-2023) e o Grupo do Feminino e o Imagin\u00e1rio Cultural Contempor\u00e2neo. \u00c9 coordenadora do projeto Territ\u00f3rios Cl\u00ednicos e Conselheira da Funda\u00e7\u00e3o Tide Setubal. Colaboradora deste <em>boletim online<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Noni Kon (Departamento de psican\u00e1lise, Sedes), Chris Freire (Departamento de psican\u00e1lise, Sedes), Jorge Broide (SUR Psican\u00e1lise), Rafael Alves Lima (Margens Cl\u00ednicas), S\u00e9rgio Kon (Editora Perspectiva), Emiliano David (Amma Psique e Negritude), Anna Tourriane (Margens Cl\u00ednicas), Olivia Janequine (Antrop\u00f3loga), Tide Setubal (Departamento de psican\u00e1lise e Territ\u00f3rios Cl\u00ednicos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tide Set\u00fabal &#8220;abre o microfone\u201d e narra a hist\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o do grupo de pesquisa de cl\u00ednicas p\u00fablicas.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[215],"tags":[218],"edicao":[216],"autor":[135],"class_list":["post-2671","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-podcast","tag-podcast","edicao-boletim-68","autor-tide-setubal","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2671"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2671\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2673,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2671\/revisions\/2673"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2671"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=2671"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=2671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}