{"id":3045,"date":"2024-04-16T15:18:30","date_gmt":"2024-04-16T18:18:30","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3045"},"modified":"2024-04-19T10:07:49","modified_gmt":"2024-04-19T13:07:49","slug":"solidariedade-e-o-eu-que-buscamos-em-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2024\/04\/16\/solidariedade-e-o-eu-que-buscamos-em-nos\/","title":{"rendered":"Solidariedade e o Eu que buscamos em N\u00f3s"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Identifica\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<\/strong><strong>Solidariedade e o Eu que buscamos em N\u00f3s<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><strong>J\u00falia Louzada de Souza<\/strong><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o ponto de partida para, antes de escrever, pensar essa monografia, foi dada por S\u00edlvia Nogueira logo nos primeiros encontros: o texto <em>Desejo de <\/em><em>ensaio<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, de Tania Rivera<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Um ensaio sobre ensaios, no qual a autora afirma que esse g\u00eanero carrega n\u00e3o necessariamente uma prosa espont\u00e2nea, subjetiva, mas uma tomada de si mesmo como experi\u00eancia. Em suas palavras: <em>\u2018experi\u00eancia problem\u00e1tica: busca de si<\/em>\u2019.<\/p>\n<p>Compartilhei com minhas colegas de turma, ao longo dos dois anos do curso <em>Cl\u00ed<\/em><em>nica Psicanal<\/em><em>\u00edtica: Conflito e Sintoma<\/em>, uma experi\u00eancia provocativa dessa &#8216;busca de si\u2019. Ao passo que olhamos curiosamente para a teoria psicanal\u00edtica, olhamos para n\u00f3s mesmos, para as nossas an\u00e1lises individuais e tamb\u00e9m para nossa apropria\u00e7\u00e3o sobre a teoria, que nos coloca a possibilidade de nos aproximarmos de <em>psicanalistas em forma\u00e7\u00e3o<\/em>. Olhamos, ainda, para as outras, para as nossas pares, para a professora, e para a biografia mais ou menos distante daqueles que escreveram as teorias sobre as quais nos debru\u00e7amos. Todos esses olhares que nos aproximaram dessa busca guardam afetos e identifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em Psicologia das massas e an\u00e1lise do eu (1921), Freud afirma que<em> \u201c<\/em><em>a psican<\/em><em>\u00e1lise conhece a identifica\u00e7\u00e3o como a mais antiga manifesta\u00e7\u00e3o de uma liga\u00e7\u00e3o afetiva a uma outra pessoa\u201d. <\/em>E ao longo desse percurso fui tomada, \u00e0s vezes mais e \u00e0s vezes menos consciente, por diversas experi\u00eancias de identifica\u00e7\u00e3o. Entre elas, cito uma significativa, que aconteceu durante a aula 25, no dia 27 de setembro de 2023. Na referida aula, o texto b\u00e1sico, era esse, Psicologia das massas e an\u00e1lise do Eu, texto que marcou minha trajet\u00f3ria em minha primeira aproxima\u00e7\u00e3o durante a gradua\u00e7\u00e3o e que Freud abre com a seguinte afirma\u00e7\u00e3o <em>\u201ca oposi\u00e7\u00e3o entre psicologia individual e psicologia social ou de massas, que pode nos parecer muito importante \u00e0 primeira vista, perde muito de sua nitidez, se examinada a fundo<\/em>\u201d. Posteriormente, dedica o cap\u00edtulo VII a aprofundar sua defini\u00e7\u00e3o de Identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A bibliografia b\u00e1sica foi seguida por tr\u00eas outras bibliografias complementares; destaco entre elas o texto escrito por Mario Pablo Fuks<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, <em>\u2018<\/em><em>Wilhelm Reich e a rela<\/em><em>\u00e7\u00e3o entre psican\u00e1<\/em><em>lise e pol<\/em><em>\u00ed<\/em><em>tica<\/em><em>\u2019<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. No texto, Fuks apresenta a relev\u00e2ncia da contribui\u00e7\u00e3o de Reich que: <em>&#8216;defendeu a psican\u00e1lise como instrumento de compreens\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o dos conflitos pol\u00edticos, bem como seu impacto na hist\u00f3ria institucional do movimento psicanal\u00ed<\/em><em>tico<\/em><em>\u2019, <\/em>e transita por aproxima\u00e7\u00f5es entre Freud e Marx, afirmando que ambos <em>\u2018haviam criado duas ci\u00eancias que traziam consci\u00eancia ao homem\u2019, <\/em>e ilustra essas aproxima\u00e7\u00f5es em diversos movimentos hist\u00f3ricos que provocaram resson\u00e2ncias hist\u00f3ricas e psicanal\u00edticas na Europa e na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Ao falar de movimentos sociais e psicanal\u00edticos, Fuks fala de si, na primeira pessoa, algumas vezes no singular, e outras no plural, e se enreda ao sublinhar um trecho de Maquiavel, citado por Althusser (1978) \u2018<em>para um intelectual n\u00e3o existe nenhuma outra maneira de ser povo que converter-se em povo por meio da experi\u00eancia pr\u00e1tica da luta de classes desse povo\u2019. <\/em>E segue com palavras suas dizendo que<em> Esta palavra &#8211; povo &#8211; mexia muitos de <strong>n\u00f3s<\/strong>, pois nos v\u00edamos integrando o campo popular. <strong>N\u00f3s <\/strong>\u00e9ramos parte do povo, e de povos em luta.\u2019. <\/em>Cita a relev\u00e2ncia de Freud deslocar-se subjetivamente da posi\u00e7\u00e3o de superioridade m\u00e9dica e de g\u00eanero para poder escutar suas pacientes hist\u00e9ricas, que foi necess\u00e1rio que Reich sa\u00edsse do consult\u00f3rio cl\u00ednico para as manifesta\u00e7\u00f5es de rua em 1927, e tamb\u00e9m elementos do pr\u00f3prio percurso pol\u00edtico, como militante, professor, analista e trabalhador em sa\u00fade mental, para dizer que esses movimentos ressoam individual e coletivamente na pol\u00edtica e na psican\u00e1lise. No fim do texto, Fuks contextualiza o momento pol\u00edtico delicado que o Brasil viveu ap\u00f3s o golpe sobre a presidenta Dilma em 2016, e convoca:<\/p>\n<p><em>\u2026depois dos \u00faltimos acontecimentos no Brasil, imp\u00f5e-se a necessidade de instaurar-se este debate na Am\u00e9rica Latina, por tudo o que atravessamos, por tudo o que nos irmana, por tudo o que nos une, aprofundando e ressignificando juntos, a partir de conjunturas novas, a rela\u00e7\u00e3o entre psican\u00e1lise e pol\u00edtica (p. 238).<\/em><\/p>\n<p>Ao ser tocada pela convocat\u00f3ria, reconhe\u00e7o em mim o processo de Identifica\u00e7\u00e3o, e aceito o convite para <em>p<\/em><em>erlaborar<\/em> sobre a Identifica\u00e7\u00e3o. Laplanche e Pontalis apontam, no <em>Vocabul\u00e1rio de Psican\u00e1lise<\/em> (1982-2022), que o equivalente satisfat\u00f3rio, ou mais aproximado para a palavra \u2018<em>durcharbeiten<\/em><em>\u2019<\/em> em alem\u00e3o, \u00e9 em ingl\u00eas \u2018<em>working-through<\/em><em>\u2019,<\/em> em portugu\u00eas &#8216;<em>elabora<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o interpretativa<\/em><em>\u2019. <\/em>E apresentam a seguinte descri\u00e7\u00e3o no verbete:<\/p>\n<p><em>Processo pelo qual a an\u00e1lise integra uma interpreta\u00e7\u00e3o e supera as resist\u00eancias que ela suscita. Seria uma esp\u00e9cie de trabalho ps\u00edquico que permitiria ao sujeito aceitar certos elementos recalcados e libertar-se da influ\u00eancia de mecanismos repetitivos. A perlabora\u00e7\u00e3o \u00e9 constante no tratamento, mas atua mais particularmente em certas fases em que o tratamento parece estagnar e em que persiste uma resist\u00eancia, ainda que interpretada. Correlativamente, do ponto de vista t\u00e9cnico, a perlabora\u00e7\u00e3o \u00e9 favorecida por interpreta\u00e7\u00f5es do analista que consistem principalmente em mostrar como as significa\u00e7\u00f5es em causa se encontram em contextos diferentes. (p. 339)<\/em><\/p>\n<p>Freud considerou, em \u2018Repetir, Recordar e Elaborar\u2019 (1914-2010), a perlabora\u00e7\u00e3o como <em>um fator propulsor do tratamento, compat\u00edvel com a rememora\u00e7\u00e3o das recorda\u00e7\u00f5es recalcadas e a repeti\u00e7\u00e3o na transfer\u00eancia. Conceito que, considerado em suas dimens\u00f5<\/em><em>es cl<\/em><em>\u00ed<\/em><em>nica e te<\/em><em>\u00f3rica, perpassa toda a psican\u00e1lise e ocupa um lugar de destaque no manejo da t\u00e9<\/em><em>cnica psicanal<\/em><em>\u00ed<\/em><em>tica<\/em>. Desse mesmo texto, Laplanche e Pontalis deduzem, ainda, que a perlabora\u00e7\u00e3o permite passar da recusa ou da aceita\u00e7\u00e3o puramente intelectual para uma convic\u00e7\u00e3o fundada na experi\u00eancia vivida &#8211; <em>erleben<\/em>.<\/p>\n<p>Como objeto de perlabora\u00e7\u00e3o me debru\u00e7o sobre a Identifica\u00e7\u00e3o, articulada com a experi\u00eancia de uma Pol\u00edtica de Solidariedade, constru\u00edda sob a identidade \u2018Periferia Viva\u2019 desenvolvida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em parceiras com outros movimentos populares do campo e da cidade, durante a pandemia do novo coronav\u00edrus no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Identifica<\/strong><strong>\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A palavra identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 amplamente usada na nossa linguagem comum e na linguagem filos\u00f3fica, portanto, Laplanche e Pontalis sugerem iniciar sua conceitua\u00e7\u00e3o anal\u00edtica diferenciando duas empregabilidades sem\u00e2nticas. Os autores apontam a diferen\u00e7a contida no mesmo substantivo, que pode ser tomado num sentido transitivo, correspondente ao verbo <strong>identificar<\/strong> &#8211; a\u00e7\u00e3o de identificar, reconhecer o outro, ou no outro determinada caracter\u00edstica; ou em um sentido reflexivo, correspondendo ao verbo <strong>identificar-se<\/strong> &#8211; ato pelo qual um indiv\u00edduo se percebe em rela\u00e7\u00e3o ao outro, em pensamento ou em a\u00e7\u00e3o. Ambas utiliza\u00e7\u00f5es est\u00e3o presentes na obra de Freud, no entanto \u00e9 <em>\u2018antes de mais nada para o sentido de \u2018identificar-se\u2019 que o termo remete em psican\u00e1lise\u2019. <\/em>E a definem por:<\/p>\n<p><em>O processo psicol\u00f3gico pelo qual um sujeito assimila um aspecto, uma propriedade, um atributo do outro se transforma, total ou parcialmente, segundo o modelo desse outro. A personalidade constitui-se e diferencia-se por uma s\u00e9rie de identifica\u00e7\u00f5es. (p. 226)<\/em><\/p>\n<p>Seguimos, ent\u00e3o, por um percurso sobre a utiliza\u00e7\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o na obra de Freud. As primeiras cita\u00e7\u00f5es sobre a identifica\u00e7\u00e3o est\u00e3o logo nos primeiros escritos de Freud, para descrever o prop\u00f3sito dos sintomas hist\u00e9ricos. Em escritos posteriores, o conceito de Identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 aprofundado por diversas contribui\u00e7\u00f5es, entre elas: 1. O papel da identifica\u00e7\u00e3o principalmente na melancolia, a partir de uma identifica\u00e7\u00e3o do sujeito com o objeto perdido, nos textos Totem e Tabu (1913) e Luto e Melancolia (1915); 2. A circunscri\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de Narcisismo, com uma elabora\u00e7\u00e3o sobre a quest\u00e3o da escolha de objeto \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o, em Introdu\u00e7\u00e3o ao Narcisismo (1914); 3. Os efeitos do complexo de \u00c9dipo, discorrendo sobre a estrutura\u00e7\u00e3o ed\u00edpica e 4. Sua relev\u00e2ncia para a elabora\u00e7\u00e3o da segunda teoria do aparelho ps\u00edquico. Para Laplanche e Pontalis, na obra de Freud, \u201c<em>o conceito de identifica\u00e7\u00e3o assumiu progressivamente o valor central que faz dela, mais do que um mecanismo psicol\u00f3gico entre outros, a opera\u00e7\u00e3o pela qual o sujeito humano se constitui\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Essa evolu\u00e7\u00e3o ganha destaque no texto Psicologia das massas e an\u00e1lise do Eu (1921), onde Freud dedica um cap\u00edtulo espec\u00edfico para descrever a Identifica\u00e7\u00e3o, e coloca a Identifica\u00e7\u00e3o em um plano pr\u00e9-edipiano e estrutural para o complexo de \u00c9dipo. No cap\u00edtulo VII, Freud descreve os processos que d\u00e3o origem \u00e0s identifica\u00e7\u00f5es do menino com o pai, o qual ele toma como seu ideal. Concomitante \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o com o pai, coexiste um investimento libidinal de objeto na m\u00e3e. Resultando em \u2018<em>duas liga\u00e7\u00f5es psicologicamente distintas: com a m\u00e3e um investimento de objeto claramente sexual; com o pai, uma identifica\u00e7\u00e3<\/em><em>o como modelo<\/em><em>\u2019. <\/em>Com o in\u00edcio da unifica\u00e7\u00e3o das puls\u00f5es parciais, as duas liga\u00e7\u00f5es, que antes coexistiam, entram em conflito, dando origem ao Complexo de \u00c9dipo normal: a identifica\u00e7\u00e3o com o pai se torna ambivalente com a presen\u00e7a de sentimentos hostis e o desejo de substitu\u00ed-lo junto \u00e0 m\u00e3e. Logo, <em>\u2018a identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente ambivalente desde o in\u00edcio; ela pode tornar-se express\u00e3o tanto da ternura,\u00a0 quanto do desejo de elimina\u00e7\u00e3<\/em><em>o.<\/em><em>\u2019 <\/em>Pode ocorrer ainda uma invers\u00e3o, na qual o pai \u00e9 tomado como objeto das puls\u00f5es sexuais infantis, e nesse caso a \u2018<em>identifica<\/em><em>\u00e7\u00e3o com o pai se torna precursor da liga\u00e7\u00e3o de objeto ao pai<\/em>\u2019.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o outro \u00e9 tomado como modelo, e a identifica\u00e7\u00e3o com o pai, no exemplo do menino, pode ser descrita como aquele que ele gostaria de<strong> ter &#8211; como objeto,<\/strong> ou aquele que ele gostaria de <strong>ser &#8211; como sujeito<\/strong>; \u2018<em>\u00e9 por isso que o primeiro tipo de liga\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 <\/em><em>poss<\/em><em>\u00edvel antes de qualquer escolha de objeto\u2019.<\/em><\/p>\n<p>No desenvolvimento do texto, Freud diferencia tr\u00eas modelos de identifica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o eles: 1. Como forma origin\u00e1ria do <strong>la\u00e7o afetivo, identifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1<\/strong><strong>ria <\/strong>com o objeto. Trata-se de uma identifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9-edipiana, com caracter\u00edsticas ambivalentes. Freud o exemplifica com a menina que contrai a tosse de sua m\u00e3e, e toma para si as caracter\u00edsticas do objeto. \u2018<em>Seria a forma mais origin\u00e1<\/em><em>ria de la<\/em><em>\u00e7o afetivo com um objeto, em que investimento de objeto e identifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o muito distingu\u00edveis\u2019<\/em>; 2. Como <strong>substituto regressivo<\/strong> de uma escolha de objeto abandonada, ilustrado no caso Dora, em que ela reproduz a tosse do pai, aqui o sintoma \u00e9 o mesmo da pessoa amada, ent\u00e3o <em>\u2018s\u00f3 podemos descrever a situa\u00e7\u00e3o dizendo que a identifica\u00e7\u00e3o tomou o lugar da escolha de objeto, e a escolha de objeto regrediu \u00e0 <\/em><em>identifica<\/em><em>\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d; 3. <strong>Identifica<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o hist<\/strong><strong>\u00e9<\/strong><strong>rica<\/strong>, por deslocamento, onde a identifica\u00e7\u00e3o desconsidera totalmente a rela\u00e7\u00e3o objetal com a pessoa copiada, n\u00e3o havendo qualquer investimento sexual do outro, ilustrado pelo exemplo de ataque hist\u00e9rico no pensionato.<\/p>\n<p>Posteriormente, no texto O Eu e o Isso (1923\/1925 &#8211; 2011), Freud afirma que a <em>\u2018<\/em><em>identifica<\/em><em>\u00e7\u00e3o por supostamente substituir um investimento objetal de um objeto que foi perdido, restabelecendo-o no Eu\u2019 <\/em>e<em> \u2018tal substitui\u00e7\u00e3o participa enormemente na configura\u00e7\u00e3o do Eu e contribui de modo essencial para formar o que se denomina seu car\u00e1ter\u2019.<\/em>\u00a0 Contribuindo com a elabora\u00e7\u00e3o da segunda teoria sobre o funcionamento do aparelho ps\u00edquico, constitu\u00edda pelo Eu, o Supereu e o Id em que <em>\u201cos sentimentos sociais repousam em identifica\u00e7\u00f5es com outras pessoas, com base no mesmo ideal do Eu\u201d.<\/em> Finalmente, na Confer\u00eancia 31 (1933) Freud apresenta uma sistematiza\u00e7\u00e3o das elabora\u00e7\u00f5es anteriores sobre a quest\u00e3o da Identifica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><em>A base deste processo \u00e9 o que se chama de &#8220;identifica\u00e7\u00e3o&#8221;, isto \u00e9, o assemelhamento de um Eu a outro, em que o primeiro Eu se comporta como o outro em determinados aspectos, imita-o, de certo modo o assimila. A identifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi comparada, n\u00e3o sem raz\u00e3o, \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o oral, canibalesca, da outra pessoa. \u00c9 uma forma muito importante de liga\u00e7\u00e3o com outro algu\u00e9m, provavelmente a mais primordial; n\u00e3o \u00e9 a mesma que a escolha de objeto. Pode-se exprimir assim a diferen\u00e7a: quando o menino se identifica com o pai, ele quer ser como o pai; quando o faz objeto de sua escolha, ele quer t\u00ea-lo, possu\u00ed-lo; no primeiro caso seu Eu \u00e9 modificado segundo o modelo do pai, no segundo isto n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio. Identifica\u00e7\u00e3o e escolha de objeto s\u00e3o, em larga medida independentes uma da outra; mas \u00e9 poss\u00edvel algu\u00e9m identificar-se com a mesma pessoa que tomou por objeto sexual, mudar seu Eu, segundo ela. (p. 200)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica de Solidariedade<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo do percurso de reflex\u00e3o te\u00f3rica sobre a Identifica\u00e7\u00e3o, surgem muitas associa\u00e7\u00f5es; uma, muito presente, me remete \u00e0s A\u00e7\u00f5es de Solidariedade desenvolvidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Associa\u00e7\u00f5es que me interrogam sobre o papel da Identifica\u00e7\u00e3o nesse processo. Encontrei ent\u00e3o o seguinte trecho, no texto \u2018Resgatar o esp\u00edrito de milit\u00e2ncia\u2019 escrito por Ranulfo Peloso<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, para o Caderno de Forma\u00e7\u00e3o n. 38, Setor de Forma\u00e7\u00e3o do MST, M\u00e9todo do Trabalho de base e organiza\u00e7\u00e3o popular<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, outubro 2009 (p. 78), onde ele afirma que \u2018<em>A solidariedade se manifesta na compaix\u00e3o (colocar-se no lugar da outra), na afetividade, no acerto de parceria e no amor incondicional para que a classe oprimida se realize. Ela se expressa melhor na entrega gratuita daquilo que se tem de melhor, para que pessoas e povos realizem o eterno sonho da fraternidade universal. <\/em>Essa cartilha foi organizada ap\u00f3s o V Congresso Nacional do Movimento, que aconteceu em 2007, e aprovou em documentos internos, a seguinte resolu\u00e7\u00e3o de linha pol\u00edtica:<\/p>\n<p><em>Planejar e executar a\u00e7\u00f5es de generosidade e solidariedade com a sociedade desenvolvendo novos valores e elevando a consci\u00eancia pol\u00edtica dos trabalhadores Sem Terra: 1. Organizar calend\u00e1rios para as atividades solid\u00e1rias; 2. Implementar a\u00e7\u00f5es de solidariedade com trabalhadores de outros pa\u00edses(de todo mundo); 3. Desenvolver a\u00e7\u00f5es de solidariedade com crian\u00e7as abandonadas; 4. Organizar viveiros de mudas para distribuir nas cidades; 5. Transformar a pr\u00e1tica da solidariedade como uma forma permanente de nossas atividades. 6. Desenvolver na nossa base e na sociedade a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas contra a repress\u00e3o pol\u00edtica, que atinge militantes e organiza\u00e7\u00f5es sociais.<\/em><\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o solidariedade \u00e9 um compromisso cultivado pelo movimento e pela milit\u00e2ncia Sem Terra, que mant\u00e9m brigadas permanentes de solidariedade\u00a0 internacional, s\u00e3o elas: a Brigada Internacionalista Apol\u00f4nio de Carvalho, na Venezuela, desde 2007;\u00a0 a Brigada do MST em Cuba, desde 2009; Brigada Jean-Jacques Dessalines, no Haiti, desde 2010; Brigada Ghassan Kanafani, na Palestina, desde 2011; e Brigada Internacionalista Samora Machel, atualmente na Z\u00e2mbia desde 2017, que tem atua\u00e7\u00e3o continental na \u00c1frica desde 2015.<\/p>\n<p>Essas brigadas s\u00e3o iniciativas de solidariedade inspiradas em experi\u00eancias da esquerda internacional, em especial experi\u00eancias de Cuba, que formulou o modelo de brigadas nacionais de alfabetiza\u00e7\u00e3o a partir da campanha \u2018<em>Sim, eu posso\u2019<\/em> e brigadas internacionais de apoio humanit\u00e1rio, como o <em>Contingente internacional de m\u00e9dicos especializados em situa\u00e7\u00f5es<\/em><em> de <\/em><em>desastres e graves epidemias &#8216;Brigada M\u00e9<\/em><em>dica Henry Reeve<\/em><em>&#8216;<\/em>, formada em 2005, que j\u00e1 atuou em China, M\u00e9xico, Peru, Indon\u00e9sia, Bol\u00edvia, Paquist\u00e3o e Guatemala; no Chile, ap\u00f3s um terremoto, e no Haiti, onde outro terremoto causou uma grande epidemia de c\u00f3lera. E tamb\u00e9m em Guin\u00e9, Lib\u00e9ria e Serra Leoa, na \u00c1frica, no combate ao v\u00edrus Ebola, em 2014.<\/p>\n<p>Nacionalmente o MST sempre realizou atividades de solidariedade, em a\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e soberania alimentar e em sa\u00fade, como doa\u00e7\u00f5es de alimentos e de sementes crioulas cultivadas em seus territ\u00f3rios. E durante a pandemia a Solidariedade \u00e9 assumida como a principal tarefa do Movimento Sem Terra. A experi\u00eancia nacional da pandemia foi agravada pelo governo Bolsonaro, que foi negligente com pol\u00edticas de Sa\u00fade, e recomenda\u00e7\u00f5es da OMS para enfrentar a crise sanit\u00e1ria e com uma s\u00e9rie de pol\u00edticas para enfrentar a crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>No campo da seguran\u00e7a alimentar, os efeitos da extin\u00e7\u00e3o em 2019 do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Consea) e do desmonte de pol\u00edticas p\u00fablicas, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar\u00a0 (Pronaf) e o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA), resultaram nos seguintes dados: 33,1 milh\u00f5es de pessoas passavam fome no Brasil, al\u00e9m das 125 milh\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar, segundo o Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar e a Rede Brasileira de Pesquisas em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional. Nesse per\u00edodo o MST convoca a constru\u00e7\u00e3o da campanha Periferia Viva, uma iniciativa com movimentos populares do campo e da cidade, com objetivos de defender a vida, combater a fome, fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o popular nos territ\u00f3rios, combater a viol\u00eancia, defender o SUS, a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no campo da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>No ano de 2020, a Campanha Periferia Viva realizou uma parceria com a Coopera\u00e7\u00e3o Social, \u00f3rg\u00e3o da presid\u00eancia da Fiocruz, para gestar uma metodologia de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e pol\u00edtica para subsidiar a atua\u00e7\u00e3o dos militantes que estavam \u00e0 frente das iniciativas de solidariedade; atingiram 17 estados do Brasil, abrangendo mais de 48 mil fam\u00edlias. A parceria deu origem aos Agentes Populares de Sa\u00fade, resultado de 115 turmas de processos de forma\u00e7\u00e3o, que formaram mais de duas mil pessoas. Foram 260 territ\u00f3rios alcan\u00e7ados, por meio de doa\u00e7\u00f5es da sociedade, de articula\u00e7\u00f5es com sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de alimentos pelos movimentos populares. Ainda em 2020, foram distribu\u00eddas 34.780 cestas b\u00e1sicas, 6.300 litros de leite, 2.190 cestas verdes com alimentos da reforma agr\u00e1ria e 40 toneladas de alimentos, al\u00e9m de aproximadamente 6.740 kits de higiene e 21.385 m\u00e1scaras.<\/p>\n<p>Com o objetivo de construir experi\u00eancias de soberania alimentar nos territ\u00f3rios em que a Campanha Periferia Viva aconteceu, foram constru\u00eddos cinco bancos de alimentos, quatro cozinhas populares, seis hortas comunit\u00e1rias e tr\u00eas farm\u00e1cias vivas, para o plantio de ervas medicinais. As comunidades tamb\u00e9m avan\u00e7aram no desenvolvimento da comunica\u00e7\u00e3o, que pudesse fazer chegar not\u00edcias, dicas de cuidado em sa\u00fade e discuss\u00f5es tem\u00e1ticas.<\/p>\n<p>No ano de 2021, a Fiocruz Bras\u00edlia, por meio do Programa de Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, Ambiente e Trabalho (PSAT), institucionalizou a Forma\u00e7\u00e3o de Agentes Populares de Sa\u00fade no Enfrentamento \u00e0 Covid-19 em parceria com a Campanha Periferia Viva. O curso tinha como metodologia tr\u00eas oficinas nos territ\u00f3rios de origem dos alunos e atividades de vigil\u00e2ncia popular nas comunidades, al\u00e9m de mais 30 horas \u00e0 dist\u00e2ncia, por meio da Plataforma de Intelig\u00eancia Cooperativa com a Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (PICAPS), incluindo encontros pedag\u00f3gicos com os tutores e rodas de conversa sobre temas importantes para a pr\u00e1tica do agente popular de sa\u00fade, como a mobiliza\u00e7\u00e3o, articula\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o para implementa\u00e7\u00e3o da Vigil\u00e2ncia Popular em Sa\u00fade no enfrentamento \u00e0 Covid 19.<\/p>\n<p>Em paralelo a campanha construiu cursos de aprofundamento tem\u00e1ticos para os Agentes formados no ano anterior, e realizou 4 turmas de Agentes Populares de Alimentos, 3 turmas de Agentes Populares de Educa\u00e7\u00e3o, 2 turmas de Agentes Populares de Direitos, e uma turma de Forma\u00e7\u00e3o de Formadores. As doa\u00e7\u00f5es computaram 450 toneladas de alimentos da reforma agr\u00e1ria, 103.300 marmitas e 95.670 cestas b\u00e1sicas distribu\u00eddas ao longo do ano.<\/p>\n<p>Em 2023, o m\u00e9todo de forma\u00e7\u00e3o desenvolvido, dos Agentes Populares de Sa\u00fade, foi assumido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade como Programa de Forma\u00e7\u00e3o de Educadoras e Educadores Populares de Sa\u00fade, criado pela Portaria GM\/MS n.\u00b0 1.133<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, de 16 de agosto de 2023, por meio da Secretaria de Gest\u00e3o do Trabalho e da Educa\u00e7\u00e3o na Sa\u00fade (SGTES), em parceria com movimentos sociais populares.<\/p>\n<p>Finalizo citando a recente iniciativa de solidariedade internacional de doa\u00e7\u00e3o de alimentos para palestinos v\u00edtimas da crise humanit\u00e1ria na Faixa de Gaza, em parceria com o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Governo Federal. Por meio de avi\u00f5es da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira, foi realizado no dia 30 de outubro o primeiro envio, que levou arroz, derivados de milho, leite e a\u00e7\u00facar entre as duas toneladas de alimentos que integram o primeiro carregamento de doa\u00e7\u00f5es, produzidas pelas fam\u00edlias Sem Terra nas \u00e1reas de assentamento e acampamento da Reforma Agr\u00e1ria de todo o Brasil, que ainda est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Trauma &#8211; Autopreserva\u00e7\u00e3o e Autoconserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Penso no exemplo das iniciativas concretas de solidariedade do MST no campo das Brigadas Internacionalistas, que muitas vezes acontecem em contextos de vulnerabilidade social e em territ\u00f3rios de graves conflitos. Penso tamb\u00e9m na exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus a que os militantes se submeteram, ao romperem seu isolamento social recomendado em decorr\u00eancia da pandemia, para coletar, higienizar e distribuir alimentos e itens de higiene pessoal, e tamb\u00e9m para realizar encontros de educa\u00e7\u00e3o popular, com o objetivo de contribuir na difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es a respeito de direitos sociais, como a vacina, o aux\u00edlio emerg\u00eancia, e tamb\u00e9m forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e risco social nas periferias.<\/p>\n<p>Sigo me interrogando sobre o que busca um militante que se soma a uma a\u00e7\u00e3o de solidariedade nesses contextos. Para tal reflex\u00e3o, seria necess\u00e1rio mobilizar uma s\u00e9rie de conhecimentos do campo da sociologia: categorias como Identidade, Classe Social, Identidade de Classe, Fetichismo e Reifica\u00e7\u00e3o. Mas, tamb\u00e9m, mobilizar reflex\u00f5es sobre o Pacto Social, no qual o Complexo de \u00c9dipo \u00e9, afirma H\u00e9lio Pellegrino<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, <em>\u2018a pedra angular, segundo Freud, da estrutura intraps\u00edquica e do processo civilizat\u00f3rio<\/em>\u2019. E se a Identifica\u00e7\u00e3o, enquanto mecanismo ps\u00edquico \u00e9 um pressuposto para o atravessamento do \u00c9dipo, logo a identifica\u00e7\u00e3o tem centralidade na constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do pacto social.<\/p>\n<p>Freud, em O mal-estar na cultura (1929-1930) apresenta quest\u00f5es importantes para refletirmos sobre como se estabelecem essas rela\u00e7\u00f5es sociais, e as quest\u00f5es decorrentes delas. Ele afirma que o sofrimento nos amea\u00e7a a partir de tr\u00eas fontes: i. de nosso pr\u00f3prio corpo, condenado \u00e0 decad\u00eancia e \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o&#8230;; ii. do mundo externo, que pode voltar-se contra n\u00f3s com for\u00e7as de destrui\u00e7\u00e3o esmagadoras e impiedosas; e, finalmente, iii. das rela\u00e7\u00f5es humanas, de nossos relacionamentos com os outros homens, com toda a sua insufici\u00eancia de regular as normas, sendo essa a maior fonte de sofrimento. Me interrogo ainda sobre o papel da Identifica\u00e7\u00e3o, em construir, atrav\u00e9s do la\u00e7o social, certo al\u00edvio no mal-estar, em especial em momentos de cat\u00e1strofes hist\u00f3ricas, como guerras ou pandemias.<\/p>\n<p>Joel Birman<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> em <em>O trauma na pandemia do Coranav\u00edrus: as dimens\u00f5<\/em><em>es pol<\/em><em>\u00edticas, sociais, econ\u00f4micas, ecol\u00f3gicas, culturais, \u00e9ticas e cient\u00edficas <\/em>(2021), livro escrito, segundo ele mesmo, no calor da hora da experi\u00eancia social e sanit\u00e1ria da pandemia, evidencia seu\u00a0 sabor amargo e psiquicamente elaborativo: em contexto de isolamento social, o que\u00a0 foi necess\u00e1rio para preservar a vida, provocou, em grande escala, <em>\u2018<\/em><strong><em>ruptura<\/em><\/strong><em> e a<strong> descontinuidade <\/strong>radical das pr\u00e1ticas de <strong>sociabilidade<\/strong><\/em><em> e <\/em><strong><em>la\u00e7os intersubjetivos<\/em><\/strong><em> em todo o mundo\u2019<\/em>. Birman discorre sobre a escolha do subt\u00edtulo \u2018<em>dimens<\/em><em>\u00f5<\/em><em>es pol<\/em><em>\u00edticas, sociais, econ\u00f4micas, ecol\u00f3gicas, culturais, \u00e9ticas e cient\u00edficas\u2019 <\/em>e afirma que a dimens\u00e3o ps\u00edquica da pandemia se conjuga necessariamente com todas essas quest\u00f5es. E que<em> \u2018al\u00e9m disso, o t\u00edtulo em si chama aten\u00e7\u00e3o \u00e0 problem\u00e1tica do <\/em><strong><em>trauma,<\/em><\/strong><em> que por sua vez est\u00e1 <\/em><em>intimamente relacionado <\/em><em>\u00e0 no\u00e7\u00e3o de <\/em><strong><em>cat<\/em><\/strong><strong><em>\u00e1<\/em><\/strong><strong><em>strofe<\/em><\/strong><em>. [grifos do autor<\/em>]. E segue relacionando os conceitos de cat\u00e1strofe e trauma:<\/p>\n<p><em>O conceito de cat\u00e1strofe remete diretamente para as linhas de for\u00e7a e de fuga que delineiam a constitui\u00e7\u00e3o real do mundo na promo\u00e7\u00e3o da pandemia, em causa, na sua efetiva multidimensionalidade. E o conceito de trauma, em contrapartida, reenvia para as coordenadas constitutivas do sujeito, que se inscreve no espa\u00e7o real do mundo que foi colocado literalmente pelo avesso, isto \u00e9, pela dor e pelo sofrimento, que, como dobras ruidosas, modulam efetivamente os interst\u00edcios da experi\u00eancia traum\u00e1tica, que se incide de maneira singular sobre os indiv\u00edduos concretos.\u00a0 (p.13) [grifos do autor].<\/em><\/p>\n<p>Birman articula a pandemia de Covid-19 ao desamparo origin\u00e1rio do sujeito, evocando o conceito enunciado por Freud em O mal-estar na cultura, de forma que a ang\u00fastia real tem um incisivo impacto traum\u00e1tico. E ainda que <em>\u2018no desamparo o sujeito acredita ainda no apelo do Outro &#8211; como dimens\u00f5es de cuidado e seguran\u00e7a, que pode ser representada de mais variadas formas\u2019. <\/em><\/p>\n<p>As inst\u00e2ncias de prote\u00e7\u00e3o subjetiva v\u00e3o desde a figura parental aos governantes, e<em>\u00a0 <\/em>a <em>\u2018<\/em><em>aus<\/em><em>\u00eancia dessa inst\u00e2ncia de prote\u00e7\u00e3o pode conduzir o indiv\u00ed<\/em><em>duo inequivocamente <\/em><em>\u00e0 <\/em><em>condi<\/em><em>\u00e7\u00e3o subjetiva do desalento, que tem efeito ps\u00edquico de fragmenta\u00e7\u00e3o e de desconstru\u00e7\u00e3o de maneira mais acentuada do que o desamparo.\u2019 <\/em>O livro passa ainda pela especificidade pol\u00edtica das experi\u00eancias brasileira e norte-americana, <em>\u2018nas quais a prote\u00e7\u00e3o estava ausente, e o que se imp\u00f4s foi o desalento, de maneira tr\u00e1gica, ampla, geral e irrestrita\u2019<\/em><\/p>\n<p>Silvia Bleichmar<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>, ao analisar viv\u00eancias traum\u00e1ticas, em \u2018Contextualiza\u00e7\u00e3o de cat\u00e1strofe social. Limites e encruzilhadas\u2019, descreve a <strong>autoconserva<\/strong><strong>\u00e7\u00e3o <\/strong>como <em>\u2018forma com que o Eu concretamente produz representa\u00e7\u00f5<\/em><em>es de conserva<\/em><em>\u00e7\u00e3o da vida, tendo em conta as necessidades b\u00e1sicas de sobreviv\u00eancia e os riscos reais a que se v\u00ea exposto frente \u00e0s amea\u00e7as advindas do real\u2019<\/em>.\u00a0 Enquanto a <strong>autopreserva<\/strong><strong>\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2018<em>responde \u00e0<\/em><em>s configura<\/em><em>\u00e7\u00f5es nas quais o Eu, frente aos efeitos dos excessos advindos do real, encontra-se em risco de desmantelamento no que diz respeito aos enunciados identificat\u00f3rios que o constituem em sua dimens\u00e3o subjetiva<\/em>\u2019. <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>E ainda que <em>\u2018em tempos de paz, autopreserva\u00e7\u00e3o e autoconserva\u00e7\u00e3o andam juntas, sutil e harmonicamente, de modo que o sujeito pode manter sua identidade ao mesmo tempo em que conserva sua vida.<\/em>\u2019. Diferente de momentos de graves cat\u00e1strofes sociais, que sustentam a distin\u00e7\u00e3o entre os conceitos de autoconserva\u00e7\u00e3o e de autopreserva\u00e7\u00e3o do Eu:<\/p>\n<p><em>O Eu tem dois elementos que o constituem como grandes linhas tensionantes [&#8230;] a autoconserva\u00e7\u00e3o e a autopreserva\u00e7\u00e3o. A autopreserva\u00e7\u00e3o da imagem e da identidade; a autoconserva\u00e7\u00e3o da vida biol\u00f3gica. O desejo de viver do ser humano toma a seu cargo a autoconserva\u00e7\u00e3o, e a identidade toma a seu cargo a autopreserva\u00e7\u00e3o. (BLEICHMAR, 2014, p. 45).<\/em><\/p>\n<p>Bleichmar (2005) elabora que as grandes cat\u00e1strofes hist\u00f3ricas n\u00e3o somente representam riscos \u00e0 autoconserva\u00e7\u00e3o, mas, principalmente, podem transformar enunciados identificat\u00f3rios constitutivos do Eu, que sustentam a experi\u00eancia ps\u00edquica. A autora fala da necessidade da produ\u00e7\u00e3o de sentido, de integra\u00e7\u00e3o, a partir do real que ingressa, que deve ser organizado e simbolizado. Como a possibilidade de construir representa\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas que deem sentido \u00e0s experi\u00eancias vividas. A partir dessa perspectiva, seria a solidariedade uma forma de simboliza\u00e7\u00e3o do traum\u00e1tico?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p>Retomo chegando, perto do fim, ao ponto de partida, o desejo de ensaiar, onde as palavras de Tania Rivera recomendam \u2018<em>fazer de si o palco do pensamento como experi\u00ea<\/em><em>ncia<\/em>\u2019 e deslocar-se da posi\u00e7\u00e3o de quem tem todas as respostas. Foi desafiador encontrar um eixo de articula\u00e7\u00e3o ao conceito de Identifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para olhar para movimentos de massas fascistas, mas para pensar em formas coletivas de subvers\u00e3o. Refletir sobre a Pol\u00edtica de Solidariedade de um movimento social \u00e0 luz da teoria psicanal\u00edtica me instiga em mais perguntas do que respostas. Ao longo do texto, anuncio possibilidades de aprofundamento, fa\u00e7o hip\u00f3teses e me interrogo, com a ang\u00fastia de n\u00e3o ter mesmo ainda condi\u00e7\u00f5es de respond\u00ea-las.<\/p>\n<p>E me fa\u00e7o ainda mais quest\u00f5es: Quais as possibilidades e limites de me distanciar desse objeto de an\u00e1lise, como \u00e9 recomendado em outras formas de escrita cient\u00edfica? \u00c9 poss\u00edvel me distanciar das minhas identifica\u00e7\u00f5es? Da minha identidade de classe e da minha trajet\u00f3ria pol\u00edtica? Me parece que n\u00e3o, a escrita \u00e9 encarnada. Seria esse o movimento de perlaborar? Ser atravessada pela teoria, nos interrogar sobre uma pr\u00e1tica coletiva em que tamb\u00e9m estou inserida, pois tamb\u00e9m era uma dessas militantes que buscava algo ao sair de casa, na pandemia, em a\u00e7\u00f5es de solidariedade.<\/p>\n<p>Em sala de aula, no estudo individual e no lan\u00e7amento do livro <em>Psicopatologia psicanal<\/em><em>\u00edtica e subjetividade contempor\u00e2nea<\/em>, de Mario Fuks na Livraria da Vila, onde aconteceu a leitura do texto &#8216;<em>Cem vezes Mario: convite \u00e0 leitura de um legado lationamericano&#8217;<\/em><a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> de S\u00edlvia, que est\u00e1 na edi\u00e7\u00e3o anterior do <em>Boletim online,<\/em> agrade\u00e7o pelo encontro, assim como pelas companhias de Tania Rivera, Mario Fuks, H\u00e9lio Pellegrino, Silvia Bleichmar, Joel Birman Ad\u00e9lia Prado, Manoel de Barros, Doces B\u00e1rbaros, e tantos outros que povoaram identifica\u00e7\u00f5es ao longo do percurso deste ano. E pelo convite compartilhado da busca de si, que nos faz olhar para n\u00f3s e encontrar o Eu.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>ALTHUSSER, L. Marx e Freud. In L. Althusser, Nuevos Escritos: la crisis del movimiento comunista internacional frente a la teor\u00eda marxista. Barcelona. p. 135-197. 1978.<\/p>\n<p>BLEICHMAR, S. Conceptualizaci\u00f3n de cat\u00e1strofe social. L\u00edmites y encrucijadas. In: WAISBROT D. et al (orgs.). Cl\u00ednica psicoanal\u00edtica ante las cat\u00e1strofes sociales: la experiencia argentina. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2005, p. 35-51.<\/p>\n<p>_______________Las teor\u00edas sexuales en psicoan\u00e1lisis: qu\u00e9 permanece de ellas en la pr\u00e1ctica actual. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2014.<\/p>\n<p>FREUD, S. (2010). Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo: ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916). (P. C. de Souza, trad.). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/p>\n<p>__________ (2011). O eu e o id. In S. Freud. Obras completas, volume 16: O eu e o id, \u201cautobiografia\u201d e outros textos (1923-1925) (pp. 13-74).<\/p>\n<p>__________ (2010). O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o, novas confer\u00eancias introdut\u00f3rias \u00e0 psican\u00e1lise e outros textos. (P. C. de Souza, trad.). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras . (Obra original publicada em 1930-1936).<\/p>\n<p>__________ (2011) Psicologia das massas e an\u00e1lise do eu. In S. Freud. (P. C. de Souza, trad.). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras . (Obra original publicada em 1921).<\/p>\n<p>__________ (1996). Recordar, repetir e elaborar. O caso Schreber, Artigos sobre t\u00e9cnica e outros trabalhos. In Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud: Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira, v. XII. Rio de Janeiro: Imago. (Obra original publicado em 1914).<\/p>\n<p>FUKS, Mario Pablo. Psicopatologia psicanal\u00edtica e subjetividade contempor\u00e2nea. S\u00e3o Paulo: Blucher, 2023.<\/p>\n<p>LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J. B. Vocabul\u00e1rio da Psican\u00e1lise. Editora Martins Fontes, 2022.<\/p>\n<p>PELLEGRINO, H\u00e9lio (1987) Pacto ed\u00edpico e pacto social. In: Py, Luiz Alberto et alli Grupo sobre grupo. Rio de Janeiro: Rocco, 1987, 206 p, p.195-205.<\/p>\n<p>REDE BRASILEIRA DE PESQUISA EM SOBERANIA E SEGURAN\u00c7A ALIMENTAR E NUTRICIONAL (REDE PENSSAN). VIGISAN \u2013 Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. Olhar para a Fome. Dispon\u00edvel em: http:\/\/ olheparaafome.com.br\/VIGISAN_AF_National_Survey_of_Food_ Insecurity.pdf. Acesso em: 01 novembro 2022.<\/p>\n<p>RIVERA, Tania; CELES, Luiz Augusto M.; SOUZA, Edson Luiz Andr\u00e9 de (Org). Cole\u00e7\u00e3o Ensaios Brasileiros Contempor\u00e2neos &#8211; Psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Funarte, 2017.<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ensaio apresentado como requisito para aprova\u00e7\u00e3o no 2\u00ba ano do Curso Conflito e Sintoma do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes, sob a orienta\u00e7\u00e3o da profa. S\u00edlvia Nogueira de Carvalho, em novembro de 2023.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> J\u00falia Louzada de Souza \u00e9 mineira, militante, psic\u00f3loga, psicanalista em forma\u00e7\u00e3o, mestranda em Psicologia Cl\u00ednica pela Universidade de S\u00e3o Paulo e pesquisadora no Laborat\u00f3rio de Psican\u00e1lise, Sociedade e Pol\u00edtica (PSOLPOL).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Texto publicado no t\u00edtulo Psican\u00e1lise, Cole\u00e7\u00e3o Ensaios Brasileiros Contempor\u00e2neos. Org. Tania Rivera, Luiz Augusto M. Celes, Edson Luiz Andr\u00e9 de Souza; Funarte, 2017, 11-23.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Tania Cristina Rivera \u00e9 uma psicanalista, escritora e professora brasileira. Foi ganhadora do Pr\u00eamio Jabuti em 2014.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> M\u00e9dico psiquiatra e psicanalista argentino radicado em S\u00e3o Paulo desde 1977 at\u00e9 seu falecimento, foi membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, professor do Curso de Psican\u00e1lise e fundador do Curso de Psicopatologia Psicanal\u00edtica e Cl\u00ednica Contempor\u00e2nea deste instituto.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Texto apresentado no Congresso da Federaci\u00f3n Latinoamericana de Asociaciones de Psicoterapia Psicoanal\u00edtica Y Psicoan\u00e1lisis (FLAPPSIP), cujo tema era \u201c<em>Configura\u00e7\u00f5es atuais da viol\u00eancia: desafios \u00e0 <\/em><em>psican<\/em><em>\u00e1lise latino-americana<\/em>\u2019, realizado em Montevideo em maio de 2019, por meio de grava\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo. Publicado no <em>Boletim online<\/em>, (63), jun. 2022; uma vers\u00e3o anterior foi publicada na revista <em>Percurso<\/em>, XXXII, 35-42, 2019. Est\u00e1 contido no livro\u00a0 <em>Psicopatologia psicanal<\/em><em>\u00edtica e subjetividade contempor\u00e2nea,<\/em> 219-238, 2023.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Ranulfo Peloso militante e educador popular vinculado ao CEPIS \u2013 Centro de Educa\u00e7\u00e3o Popular do Instituto Sedes Sapienti\u00e6, centro de forma\u00e7\u00e3o e assessoria pol\u00edtico-pedag\u00f3gica;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/download\/caderno-de-formacao-no-38-metodo-de-trabalho-de-base-e-organizacao-popular\/\">https:\/\/mst.org.br\/download\/caderno-de-formacao-no-38-metodo-de-trabalho-de-base-e-organizacao-popular\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/portaria-gm\/ms-n-1.133-de-16-de-agosto-de-2023-504246746\">https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/portaria-gm\/ms-n-1.133-de-16-de-agosto-de-2023-504246746<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> H\u00e9lio Pellegrino foi mineiro, militante, psicanalista, escritor e poeta brasileiro.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Joel Birman \u00e9 um psiquiatra e psicanalista brasileiro. Birman escreveu v\u00e1rios livros no Brasil e na Fran\u00e7a sobre psican\u00e1lise.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Silvia Bleichmar foi soci\u00f3loga e psicanalista argentina. Em 1976 com o golpe de Estado, exilou-se no M\u00e9xico. Doutora em Psican\u00e1lise na Universidade de Paris VII, foi orientada por Jean Laplanche.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Texto escrito por S\u00edlvia Nogueira de Carvalho em ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento do livro <em>Psicopatologia psicanal\u00edtica e subjetividade contempor\u00e2nea <\/em>em S\u00e3o Paulo, compartilhado na Livraria da Vila e dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2023\/11\/17\/cem-vezes-mario-convite-a-leitura-de-um-legado-latinoamericano\/\">https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2023\/11\/17\/cem-vezes-mario-convite-a-leitura-de-um-legado-latinoamericano\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como pr\u00e1tica coletiva, seria a solidariedade uma forma de simboliza\u00e7\u00e3o do traum\u00e1tico? Por Julia Louzada.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[6],"tags":[53,126],"edicao":[249],"autor":[259],"class_list":["post-3045","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-psicanalise-e-politica","tag-conflito-e-sintoma","tag-psicanalise-e-politica","edicao-boletim-70","autor-julia-louzada-de-souza","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3045"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3045\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3109,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3045\/revisions\/3109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3045"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3045"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}