{"id":3162,"date":"2024-06-15T14:56:08","date_gmt":"2024-06-15T17:56:08","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3162"},"modified":"2024-06-15T14:56:30","modified_gmt":"2024-06-15T17:56:30","slug":"eis-aqui-percurso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2024\/06\/15\/eis-aqui-percurso\/","title":{"rendered":"Eis aqui Percurso!"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Eis aqui Percurso!<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Rodrigo Blum<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3163 size-full\" src=\"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/b71_12a.jpg\" alt=\"\" width=\"281\" height=\"251\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em seu primeiro par\u00e1grafo do editorial do n\u00famero 70 encontramos: <em>\u201cEm comemora\u00e7\u00e3o ao n\u00famero 70, Percurso segue na trilha das dimens\u00f5es \u00e9tico-pol\u00edticas da pr\u00e1tica psicanal\u00edtica contempor\u00e2nea, com destaque para a cl\u00ednica decorrente da luta antirracista, atenta \u00e0s quest\u00f5es da negritude e da branquitude. Esse \u00e9 o caminho aberto, a continuar, sintonizado com as diferentes experi\u00eancias e desafios da cl\u00ednica ancorada na psican\u00e1lise, que se inventa e reinventa e por isso segue viva.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O primeiro artigo do n\u00famero 1 da revista <em>Percurso<\/em> de 1988 tinha autoria de nosso saudoso Mario Fuks. Em 11 de maio de 2024 a primeira men\u00e7\u00e3o no debate promovido pela revista foi a ele. N\u00e3o por acaso, muito ao contr\u00e1rio, a import\u00e2ncia da historicidade se mostrou presente desde seu in\u00edcio. Mario, em seu artigo de 1988 intitulado: Por uma hist\u00f3ria do curso de psican\u00e1lise, logo no primeiro par\u00e1grafo d\u00e1 o tom e o tamanho de sua import\u00e2ncia: <em>\u201cHoje s\u00f3 posso pensar e falar das coisas desta hist\u00f3ria que me atingem pessoalmente agora \u2013 na significa\u00e7\u00e3o que para mim o Sedes e o Curso t\u00eam tido \u00e0 luz da decis\u00e3o de voltar ao meu pa\u00eds. Para situar essa significa\u00e7\u00e3o na minha vida em sua verdadeira dimens\u00e3o, preciso enfatizar o quanto uma vida pode ser afetada por um ex\u00edlio. Eu posso garantir a voc\u00eas que \u00e9 <strong>muito<\/strong>.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O n\u00famero 70 da revista Percurso, provando mais uma vez sua marca de abertura, traz pela primeira vez um <em>Depoimento<\/em>. Luc\u00eda Fuks, em um testemunho vivo e comovente a um grupo de alunos durante a pandemia, conta sobre sua vida na Argentina desde os prim\u00f3rdios, os tempos da Ditadura, sua chegada a S\u00e3o Paulo, sua trajet\u00f3ria familiar e profissional. Nesta conversa franca e fluida, onde a hist\u00f3ria pessoal se entrela\u00e7a aos jovens e n\u00e3o t\u00e3o jovens analistas, reconduzida ao debate, nos questiona mais uma vez: Como sustentar o espa\u00e7o da psican\u00e1lise em tempos de crise? Como ent\u00e3o pensar a psican\u00e1lise e o lugar dos analistas em uma contemporaneidade atravessada por quest\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a, crises, viol\u00eancias, virtualidades e brutalismos?<\/p>\n<p>O entrela\u00e7amento dos fios desafiadores de uma cl\u00ednica marcada pelo cruzamento de determina\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, sociais e temporais, aos poucos vai criando um tecido denso e prof\u00edcuo para um debate apoiado na profundidade dos artigos e na abertura para uma escuta de autores e colaboradores. Numa teia te\u00f3rico-cl\u00ednica o percurso do encontro virtual ganha o tempo da realidade de um verdadeiro f\u00f3rum de conhecimento e de trocas de experi\u00eancias. \u00c0 medida que os temas desenvolvidos pelos artigos da revista ganham sua publicidade neste grande f\u00f3rum debatedor, o di\u00e1logo com a profundidade e import\u00e2ncia dos artigos, e sobretudo da revista, toma maior dimens\u00e3o.\u00a0 Se em um primeiro momento o campo do Depoimento testemunhal \u00e9 marca inaugural, com o andar das discuss\u00f5es \u00e9 o testemunho de uma realidade brutal traduzida na experi\u00eancia com o racismo e as trans-identidades, que contagiar\u00e1 todos os presentes.<\/p>\n<p>Conduzidos pela <em>Cor do mal-estar<\/em>, a experi\u00eancia cl\u00ednica em tom imperativo nortear\u00e1 sem tr\u00e9gua um debate de f\u00f4lego ao centro das discuss\u00f5es mais que necess\u00e1rias: urgentes! Negritude e branquitude em relevo sintomatizam a latente quest\u00e3o do racismo estrutural e seu real lugar de express\u00e3o na cl\u00ednica, no Departamento de psican\u00e1lise e na revista. Trazer para dentro da revista Percurso artigos dessa express\u00e3o e import\u00e2ncia \u00e9, acima de tudo, lan\u00e7ar luz \u00e0s marcas do racismo h\u00e1 tempos recalcado e\/ou recusado. Marcas de uma recusa social, temporal e subjetiva, que n\u00e3o marcam somente territ\u00f3rios ou identidades. Desafiados a desatar o enorme novelo das ang\u00fastias identit\u00e1rias novamente somos conduzidos \u00e0s profundezas oce\u00e2nicas da adolesc\u00eancia e trans-identidades. Mais uma vez ser\u00e1 pela b\u00fassola de uma escuta cl\u00ednica aberta \u00e0 poesia dos corpos, do desejo e das experi\u00eancias diversas que o campo psicanal\u00edtico pode tra\u00e7ar seu Norte. Escuta essa que n\u00e3o respeita gera\u00e7\u00f5es nem tampouco geografia. Atravessa o Atl\u00e2ntico e desembarca em terras portuguesas. Entre experi\u00eancias e transfer\u00eancias a gram\u00e1tica do cuidado, dos enquadres e da escuta ser\u00e1 a l\u00edngua comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O deslocamento, parte substancial do processo ps\u00edquico, \u00e9 marca fundamental de um verdadeiro f\u00f3rum de debate. Se viver n\u00e3o \u00e9 preciso, navegar \u00e9. Navegando pelos sonhos da pandemia nos deparamos ent\u00e3o com elabora\u00e7\u00f5es on\u00edricas em que a palavra manifesta mais proferida seria o N\u00c3O. Negacionismo e recusa, termos pr\u00f3ximos que, somados \u00e0s diversas fases de um quarto golpe narc\u00edsico, estabelecem as bases estruturais do sinistro descomunal. Mas o <em>n\u00e3o<\/em> aqui n\u00e3o ser\u00e1 ponto final e sim v\u00edrgula. O percurso, l\u00f3gica de um destino, novamente se mostra imperativo e o deslocamento da cl\u00ednica \u00e0 teoria se torna not\u00f3rio no sonho de uma revista que se mostra viva e pulsante.<\/p>\n<p><em>\u201cVamos ver onde tudo isso vai dar. Pontalis levou a\u00a0<\/em>Nouvelle Revue<em>\u00a0at\u00e9 n\u00famero 50. J\u00e1 temos uma vez e meia a\u00a0<\/em>Nouvelle Revue<em>\u201d. E qual o seu palpite para\u00a0<\/em>Percurso<em>, Renato? \u00c0 prop\u00f3sito dos anivers\u00e1rios, h\u00e1 os que, ao parabenizar, dizem at\u00e9 os 120. Quem sabe chegamos at\u00e9 l\u00e1. Outros chegam, levam adiante e a\u00ed come\u00e7a tudo de novo; Percurso 1, 2 e assim por diante! <\/em><\/p>\n<p>Eis aqui Percurso!<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, professor e supervisor no curso Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica: Conflito e Sintoma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodrigo Blum resgata hist\u00f3ria e marcas fundantes da revista do Departamento na vivacidade de se colocar certo campo psicanal\u00edtico em debate.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[176,134],"edicao":[263],"autor":[269],"class_list":["post-3162","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-do-departamento","tag-percurso","tag-publicacoes","edicao-boletim-71","autor-rodrigo-blum","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3162"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3162\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3164,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3162\/revisions\/3164"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3162"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3162"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}