{"id":3290,"date":"2024-09-19T23:04:55","date_gmt":"2024-09-20T02:04:55","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3290"},"modified":"2024-09-19T23:04:55","modified_gmt":"2024-09-20T02:04:55","slug":"o-eu-na-contemporaneidade-identidade-e-alteridade-nas-tramas-identificatorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2024\/09\/19\/o-eu-na-contemporaneidade-identidade-e-alteridade-nas-tramas-identificatorias\/","title":{"rendered":"O Eu na contemporaneidade: identidade e alteridade nas tramas identificat\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>O eu na contemporaneidade: identidade e<br \/>\nalteridade nas tramas identificat\u00f3rias<\/strong><a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a><strong>\u00a0<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>p<\/strong><strong>or Maria Carolina Accioly<\/strong><a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi num clima de coletividade e interesse que aconteceu a aula O eu na contemporaneidade: identidade e alteridade nas tramas identificat\u00f3rias. A proposta da aula foi pensarmos esse eixo do narcisismo no contempor\u00e2neo que \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de identidade, e do que se tem nomeado como identit\u00e1rio. <em>Identidade<\/em> atualmente se transformou numa palavra em disputa<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> no campo polarizado da pol\u00edtica e nos discursos sociais e cient\u00edficos.<\/p>\n<p>A <em>identidade<\/em> n\u00e3o \u00e9, em si, um conceito psicanal\u00edtico. A psican\u00e1lise desconstr\u00f3i a no\u00e7\u00e3o de identidade como uma ideia de unidade, que remete a um \u201ceu sou\u201d, algo da ordem do ser que indicaria uma constru\u00e7\u00e3o fixa, est\u00e1vel e fechada. Falamos em <em>identifica\u00e7\u00e3o <\/em>enquanto conceito. Ent\u00e3o, para a psican\u00e1lise, a identidade pode ser compreendida como uma representa\u00e7\u00e3o de si, mas n\u00e3o fechada, conclu\u00edda.<\/p>\n<p>Falar em identidade \u00e9 falar em identifica\u00e7\u00f5es, em marcas e tra\u00e7os identificat\u00f3rios, numa trama, num mosaico singular de cada sujeito. H\u00e1 movimento, abertura e certa instabilidade. N\u00e3o concebemos uma identidade como uma unidade, uma totalidade do ser.<\/p>\n<p>Algo que quero sublinhar \u00e9 que numa identidade, um tra\u00e7o, uma marca pode ser tomado\/a como a totalidade do ser: eu sou mulher, por exemplo. Reconhecer-se numa identidade tamb\u00e9m \u00e9 reconhecer-se pertencente a um grupo que compartilha desse mesmo marcador \u2013 somos mulheres. Entretanto, pensando no movimento feminista, por exemplo, o que define uma mulher como identidade? Quais efeitos ps\u00edquicos e pol\u00edticos podem ser provocados ao se transformar um marca identificat\u00f3ria numa categoria identit\u00e1ria?<\/p>\n<p>Enquanto psicanalistas, como temos escutado os<em> movimentos ditos identit\u00e1rios<\/em> no que eles t\u00eam de coletivo e de singular? Como essa problem\u00e1tica afeta nossa escuta? De que forma os pensamentos n\u00e3o hegem\u00f4nicos e contracoloniais t\u00eam atravessado, provocado e transformado a psican\u00e1lise? Essas s\u00e3o algumas quest\u00f5es que podemos conversar e pensar juntos.<\/p>\n<p>Retomo aqui a fala da Ana Lucia Panach\u00e3o na aula inaugural deste mesmo curso, que abordou como a luta antirracista tem convocado a psican\u00e1lise e as institui\u00e7\u00f5es psicanal\u00edticas a repensar quest\u00f5es te\u00f3ricas, cl\u00ednicas e institucionais, e como o Departamento de Psican\u00e1lise vem trabalhando por uma psican\u00e1lise antirracista, mais democr\u00e1tica, construindo pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es afirmativas.<\/p>\n<p>Uma boa defini\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o afirmativa est\u00e1 em Derrida num di\u00e1logo com \u00a0Roudinesco: \u201cA\u00e7\u00f5es afirmativas s\u00e3o pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o instituindo tratamento preferencial em favor daqueles mesmos grupos de humanos v\u00edtimas de injusti\u00e7a. Essa pol\u00edtica repousa na ideia de que, <em>para reparar uma desigualdade, conv\u00e9m valorizar uma diferen\u00e7a contra outra diferen\u00e7a<\/em>\u201d. <a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Parto de uma posi\u00e7\u00e3o que reconhece e apoia as <em>rei<\/em><em>vindica\u00e7\u00f5es representativas<\/em> dos movimentos e lutas identit\u00e1rias, que reconhe\u00e7o como movimentos por emancipa\u00e7\u00e3o: s\u00e3o, de fato, <em>rei<\/em><em>vindica\u00e7\u00f5<\/em><em>es leg<\/em><em>\u00edtimas, necess\u00e1rias, urgentes<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os movimentos por emancipa\u00e7\u00e3o, como o feminismo, o movimento negro e outros, que podemos chamar de contracoloniais<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>, produzem, muitas vezes, um efeito que \u00e9 a <em>ressignifica<\/em><em>\u00e7\u00e3o<\/em> de narrativas &#8211; coletivas e singulares &#8211; dos grupos ditos minorit\u00e1rios (que, somados, s\u00e3o a maioria) e dos grupos hegem\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Reconhecer e apoiar estes movimentos n\u00e3o impede e sim nos convida a estarmos atentas\/os aos riscos das <em>bolhas identit\u00e1rias<\/em> quando se cristalizam ou fanatizam &#8211; como as \u201cc\u00e2maras de eco\u201d<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> das redes sociais, nas quais as pessoas s\u00f3 se relacionam com quem pensa igual a elas.<\/p>\n<p>\u00c9 preocupante e tem sido alarmante os discursos de \u00f3dio, polarizados, nos quais o outro se transforma rapidamente num inimigo a ser destru\u00eddo. Percebemos, de fato, a rapidez com que qualquer debate ou discuss\u00e3o podem cair numa disputa polarizada e ofensiva, em que se perde a possibilidade de um pensamento mais complexo com espa\u00e7o para d\u00favidas, uma conversa mais reflexiva, porque para isso \u00e9 preciso tempo e \u00e9 preciso alguma abertura, alguma permeabilidade ao outro, \u00e0 alteridade, ao diverso.<\/p>\n<p>Tempo e abertura para pensar a complexidade \u201cdas patologias da altera\u00e7\u00e3o do eu\u201d tamb\u00e9m no que elas denunciam do mal-estar atual produzindo modos de subjetiva\u00e7\u00e3o e dessubjetiva\u00e7\u00e3o (dentro desse sistema neoliberal-colonial-patriarcal) marcados por fragilidade narc\u00edsica e precariedade nos la\u00e7os sociais e nos ideais coletivos.<\/p>\n<p>Na cl\u00ednica, percebemos tanto o risco de colapso e fragmenta\u00e7\u00e3o do Eu como o risco de enrijecimento e cristaliza\u00e7\u00e3o defensiva do Eu como situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas que exigem um manejo cuidadoso por parte do analista. Isso aparece tamb\u00e9m nas manifesta\u00e7\u00f5es sociais, as posi\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias mais enrijecidas, identidades que definem o sujeito sem muita flexibiliza\u00e7\u00e3o e, por outro lado, os sujeitos superfluidos, as transidentidades, as escolhas transit\u00f3rias: \u201co que eu penso hoje pode mudar amanh\u00e3, o que eu gosto tamb\u00e9m\u201d, ou seja, por vezes, o Eu parece n\u00e3o se ancorar. Aqui proponho n\u00e3o olhar precipitadamente como psicopatologia, mas como modos de subjetiva\u00e7\u00e3o, que podem ou n\u00e3o se manifestar como sofrimento ps\u00edquico e patologias.<\/p>\n<p>Para adentrar nessa quest\u00e3o (e, nesse recorte, a identidade) minha proposta \u00e9 trabalhar os conceitos de Eu ideal e ideal do Eu.<\/p>\n<p><strong>Constitui\u00e7\u00e3o do eu, Eu ideal e Ideal do eu<\/strong><\/p>\n<p>Freud diz que o Eu n\u00e3o est\u00e1 organizado desde o in\u00edcio da vida, que o eu se constitui. No <em>Projeto<\/em> (de 1895) o Eu aparece como uma <em>primeira organiza\u00e7\u00e3o<\/em> \/integra\u00e7\u00e3o das excita\u00e7\u00f5es dispersas que atuam no aparelho ps\u00edquico; uma <em>fun\u00e7\u00e3o defensiva<\/em> contra o ac\u00famulo de excita\u00e7\u00e3o no aparelho ps\u00edquico para evitar o desprazer.<\/p>\n<p>No texto Sobre o narcisismo, o Eu \u00e9 tomado como <em>objeto de amor<\/em>, h\u00e1 um investimento libidinal sobre si mesmo, uma captura amorosa do sujeito pela <em>imagem unificada de si.<\/em> Freud diz que \u201c\u00e9 necess\u00e1rio um novo ato ps\u00edquico\u201d para que se passe do autoerotismo (as puls\u00f5es autoer\u00f3ticas dispersas e an\u00e1rquicas) para o narcisismo (imagem de si unificada investida libidinalmente), e que esse movimento \u00e9 atravessado pelo <em>fora<\/em>: o olhar do outro antecipa uma imagem unificada de si \u2013 \u201cesse sou eu\u201d. Essa primeira representa\u00e7\u00e3o de si \u00e9 a imagem corporal, o eu corporal.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Em 1923, no texto \u201cO Eu e o Isso\u201d, quando o Eu j\u00e1 est\u00e1 formulado como inst\u00e2ncia ps\u00edquica na segunda t\u00f3pica, Freud diz duas frases conhecidas sobre o mecanismo da identifica\u00e7\u00e3o: que o Eu se constitui \u201ca partir de identifica\u00e7\u00f5es que tomam o lugar de investimentos abandonados pelo isso\u201d (1923, p. 64) e que \u201co car\u00e1ter do Eu \u00e9 um precipitado de investimentos objetais abandonados e que ele cont\u00e9m a hist\u00f3ria dessas escolhas de objeto\u201d (p. 44).<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o, esse mecanismo ps\u00edquico inconsciente, n\u00e3o tem um car\u00e1ter totalizante, de conclus\u00e3o, falamos em identifica\u00e7\u00f5es com tra\u00e7os dos objetos. Mas \u00e9 interessante pensar que existem identifica\u00e7\u00f5es que t\u00eam um aspecto mais global, mais totalizante talvez, como a identifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e a narc\u00edsica, assim como existem outras que s\u00e3o parciais.<\/p>\n<p>A <em>identifica<\/em><em>\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria<\/em> deve ser compreendida como uma alegoria, uma precondi\u00e7\u00e3o m\u00edtica que se refere ao mito do pai da horda primeva, que \u00e9 morto e devorado pelos filhos. Freud fala em identifica\u00e7\u00e3o com <em>os pais <\/em>da pr\u00e9-hist\u00f3ria pessoal. Identifica\u00e7\u00e3o aqui pensada como incorpora\u00e7\u00e3o oral.<\/p>\n<p>As <em>identifica<\/em><em>\u00e7\u00f5<\/em><em>es secund<\/em><em>\u00e1rias ed\u00edpicas<\/em> refor\u00e7am a prim\u00e1ria, mas s\u00e3o tra\u00e7os dos objetos, e constituem essa trama identificat\u00f3ria do sujeito que forma e transforma as inst\u00e2ncias ps\u00edquicas.<\/p>\n<p>As <em>identifica<\/em><em>\u00e7\u00f5es narc\u00edsicas<\/em> seriam secund\u00e1rias pois se diferenciam da prim\u00e1ria- m\u00edtica, ao mesmo tempo que tamb\u00e9m se fala em incorpora\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o resultantes do processo de perda de um objeto investido narcisicamente e incorporado (melancolia). Garcia-Roza<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a> fala em identifica\u00e7\u00e3o narc\u00edsica prim\u00e1ria e secund\u00e1ria,\u00a0 articulando-as com narcisismo prim\u00e1rio e secund\u00e1rio<\/p>\n<p>A identidade, essa unidade do \u2018Eu sou\u2019, corporal, imagin\u00e1ria, sensorial e representacional seria, portanto, uma trama das marcas identificat\u00f3rias, e, desde as primeiras marcas desse registro, est\u00e1 o Outro e os enunciados formulados pelos outros significativos (aqueles de quem a crian\u00e7a depende), que dar\u00e3o alguma consist\u00eancia aos \u201cenunciados identificat\u00f3rios\u201d (Bleichmar)<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a> ao definirem a identidade atribu\u00edda \u2013 as afirma\u00e7\u00f5es que dizem quem algu\u00e9m \u00e9. Identidade ent\u00e3o pensada como <em>constru\u00e7\u00e3<\/em><em>o vari<\/em><em>\u00e1<\/em><em>vel <\/em>(Butler) e permeada pela alteridade.<\/p>\n<p>O que queria abordar \u00e9 que esse Eu do narcisismo, Eu\u2013representa\u00e7\u00e3o, \u00e9 um <em>conjunto de representa\u00e7\u00f5es<\/em> (enunciados, imagens, afetos) no qual o sujeito \u00e9 visto como uma unidade (Bleichmar). \u201c<em>Algumas (representa\u00e7\u00f5es) podem ser globais. Ou seja, abarcam a totalidade da identidade, <\/em>como a imagem corporal ou algum enunciado identificat\u00f3rio, que \u00e9 uma identidade atribu\u00edda pelo outro \u201cvoc\u00ea \u00e9 lindo\/voc\u00ea \u00e9 corajoso\/ voc\u00ea \u00e9 bravo&#8230;\u201d e <em>outras representa\u00e7\u00f5<\/em><em>es s<\/em><em>\u00e3o parciais, <\/em>como a representa\u00e7\u00e3o de um tra\u00e7o f\u00edsico, uma habilidade, por exemplo. (Hornstein, p. 12). As <em>representa<\/em><em>\u00e7\u00f5<\/em><em>es narcisistas <\/em>s\u00e3o aquelas que t\u00eam a perspectiva de valora\u00e7\u00e3o dos julgamentos acerca de si (Bleichmar). Em algumas situa\u00e7\u00f5es, quando uma representa\u00e7\u00e3o falha, fracassa, pode ocorrer um salto no qual uma representa\u00e7\u00e3o vira uma premissa universal \u2013 \u201cfracassei nisso, portanto n\u00e3o tenho <em>nenhum <\/em>valor\u201d. Esse efeito generalizante e totalizante me faz pensar no segundo tempo do \u00c9dipo segundo Lacan.<\/p>\n<p>No primeiro tempo, de simbiose m\u00e3e-beb\u00ea, a figura \u00e9 da m\u00e3e f\u00e1lica e o beb\u00ea <em>\u00e9 o falo,<\/em> aquele que preenche o desejo materno; da\u00ed o segundo tempo, no qual o beb\u00ea sente que n\u00e3o \u00e9 o falo e, portanto, algu\u00e9m o \u00e9 (pressentimento), e nesse momento: se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9, e o outro \u00e9, isso configura um <em>colapso narcisista<\/em> (Bleichmar), o \u201ctudo ou nada\u201d, ou sou amado e valorizado ou odiado, inexistente&#8230; \u201cn\u00e3o h\u00e1 categorias intermedi\u00e1rias\u201d (Hornstein)&#8230; \u00e9 somente no terceiro tempo que o falo \u00e9 simb\u00f3lico, ou seja, ele circula, se tem, se perde, se troca, numa l\u00f3gica de interc\u00e2mbio, e n\u00e3o mais de tudo ou nada. Mas esses tempos n\u00e3o s\u00e3o fixos, o sujeito pode transitar por esses tempos l\u00f3gicos, como em momentos mais regressivos.<\/p>\n<p>A fase do espelho &#8211; esse momento do primeiro tempo ed\u00edpico no qual a crian\u00e7a se identifica com a imagem idealizada, o Eu ideal \u2013 j\u00e1 <em>costura o eu e o outro na constitui\u00e7\u00e3o do sujeito, <\/em>marca a inscri\u00e7\u00e3o da alteridade no aparelho ps\u00edquico. A alteridade, esse fora ao qual Freud se refere, \u00e9 desde o olhar e desejo do outro que antecipa um sujeito idealizado no beb\u00ea, como o desejo do outro que escapa, que olha para fora, que \u00e9 atravessado por outros objetos e outros desejos. Podemos pensar aqui na passagem do registro do Eu ideal para o ideal do Eu, que lan\u00e7a o sujeito para um projeto de futuro: o ideal est\u00e1 fora, adiante.<\/p>\n<p>No texto Sobre o narcisismo, Freud discrimina o Eu ideal e o ideal no Eu, ainda que nas tradu\u00e7\u00f5es apare\u00e7am um tanto indiscriminados; Garcia-Roza escolhe a seguinte cita\u00e7\u00e3o de Freud (p. 51):<\/p>\n<p>\u201csobre esse Eu ideal recai agora o amor de si mesmo desfrutado na inf\u00e2ncia pelo Eu real. O narcisismo surge deslocado para este novo Eu ideal que, como o infantil, encontra-se de posse de todas as perfei\u00e7\u00f5es valiosas.\u201d(&#8230;) O ser humano, que n\u00e3o quer renunciar a essa satisfa\u00e7\u00e3o narc\u00edsica, busca recuper\u00e1-la na forma de um ideal de Eu: &#8216;o que projeta diante de si como seu ideal \u00e9 o substituto do narcisismo perdido da inf\u00e2ncia, na qual ele foi seu pr\u00f3prio ideal&#8217;\u201d\u00a0 (Freud, 1914).<\/p>\n<p>Bleichmar vai salientar esse aspecto, que o Eu ideal \u00e9 um estado de <em>apaixonamento<\/em> no qual o beb\u00ea \u00e9 tudo para seus pais assim como seus pais para o beb\u00ea. Nesse registro, a cr\u00edtica deixa de funcionar e o ser amado se apresenta como total, completo, ideal, perfeito. Ent\u00e3o, o Eu ideal \u00e9 um <em>efeito de um discurso apaixonado<\/em>. O que Freud chama de <em>idealiza\u00e7\u00e3o<\/em>. \u00c9 essa <em>incondicionalidade da admira\u00e7\u00e3o<\/em> que constr\u00f3i o Eu ideal, h\u00e1 um \u201cdeslocamento da valora\u00e7\u00e3o desde o atributo idealizado at\u00e9 a totalidade da representa\u00e7\u00e3o do sujeito\u201d. \u2013 uma \u201cplenitude imagin\u00e1ria, a soma de todas as perfei\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>O ideal do Eu \u00e9 algo externo, (o \u201cde fora\u201d), uma exig\u00eancia do mundo, do Outro, da cultura&#8230; E sempre um aspecto parcial. O exemplo que Bleichmar d\u00e1 \u00e9 do campe\u00e3o ol\u00edmpico que \u00e9 o melhor daquela categoria x, ou seja, ele encarna o ideal mas n\u00e3o constitui um Eu ideal, pois o ideal se conservou fora mesmo que, nesse momento, nele. Um instante de triunfo.<\/p>\n<p>Esse movimento do Eu ideal ao ideal do Eu aponta a inscri\u00e7\u00e3o da alteridade (a travessia do \u00c9dipo): algo, fora do Eu, desperta, captura, movimenta o desejo da m\u00e3e\/outro. Diante da perda de uma onipot\u00eancia prim\u00e1ria, o Eu em constitui\u00e7\u00e3o almeja reconquistar esse amor e esse olhar do outro atrav\u00e9s das exig\u00eancias de um ideal do Eu, o qual abarca \u201cas representa\u00e7\u00f5es culturais e os imperativos \u00e9ticos transmitidos pelos pais\u201d.<\/p>\n<p>Pensando nesse fora, nessa alteridade, alguns tra\u00e7os identificat\u00f3rios podem carregar ambival\u00eancias, valora\u00e7\u00e3o ou\/e desvalora\u00e7\u00e3o. Pensando nos marcadores identificat\u00f3rios dos movimentos feminista e negro, por exemplo: O que representa nascer mulher em determinada cultura? Em determinada fam\u00edlia? O que representa nascer negro em determinada cultura e determinada fam\u00edlia? Como essa fam\u00edlia, na qual esse beb\u00ea nasce, \u00e9 representada em sua cultura? \u00c9 um lugar valorizado, positivado ou desqualificado? Como isso afeta a constitui\u00e7\u00e3o do Eu, dos ideais?<\/p>\n<p>Vou retomar o pensamento do Bleichmar: ele prop\u00f5e pensar na l\u00f3gica dos discursos para diferenciar o Eu ideal do ideal do Eu: \u201cO <em>discurso totalizante<\/em> busca restituir o Eu ideal, registro no qual n\u00e3o opera a castra\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica: ora o Eu \u00e9 idealizado como tudo, ora o outro \u00e9 idealizado como completo. H\u00e1 uma equipara\u00e7\u00e3o da parte com o todo, o discurso passa a ser equivalente \u00e0 realidade e n\u00e3o um ponto de vista sobre ela. H\u00e1 uma homogeneiza\u00e7\u00e3o e um congelamento das significa\u00e7\u00f5es, no qual encontramos a primazia absoluta de um \u00fanico sentido sobre o significante.<\/p>\n<p>Diferente do discurso totalizante, o <em>discurso discriminante<\/em> se constitui a partir do ideal de Eu e n\u00e3o se pretende como total e completo. Carregando a possibilidade de um n\u00e3o-saber, do saber incompleto, tornando-se perme\u00e1vel, aberto para trocas, ele se testa na realidade e, portanto, \u00e9 suscet\u00edvel a se afetar e a se transformar a partir do encontro com o outro, numa l\u00f3gica de interc\u00e2mbios.<\/p>\n<p>Essas duas modalidades distintas de organiza\u00e7\u00e3o discursivas n\u00e3o s\u00e3o estanques, ou seja, um sujeito muitas vezes oscila entre essas duas posi\u00e7\u00f5es subjetivas\u201d<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Associando com esse movimento, com essa oscila\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es, me remeto ao\u00a0 termo proposto por Thamy Ayouch<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a>, <em>transidentidades <\/em>\u2013 ou seja, as identidades em tr\u00e2nsito, que Mara Caff\u00e9 usa para pensar o momento atual, no qual as identidades parecem mais perme\u00e1veis e mut\u00e1veis no decorrer da vida \u2013 tanto no campo das rela\u00e7\u00f5es amorosas, de g\u00eanero, das profiss\u00f5es&#8230; e ressalta que esse efeito <em>trans<\/em> muitas vezes provoca uma rea\u00e7\u00e3o de radicaliza\u00e7\u00e3o dos discursos de \u00f3dio, o racismo, os sexismos, os preconceitos de g\u00eanero, de classe social.<\/p>\n<p>A ideia de transidentidades parece ir quase na contram\u00e3o da ideia de identit\u00e1rio ,que evoca uma categoria ou um marcador de uma identidade. Podemos supor ent\u00e3o que quando ocorre um enrijecimento do Eu numa representa\u00e7\u00e3o global e narcisista de si estamos num registro do Eu ideal, do discurso totalizante?<\/p>\n<p>Nesse registro totalizante, passional e previs\u00edvel, o discurso de \u00f3dio pode se manifestar tomando a alteridade como uma amea\u00e7a narc\u00edsica. Bleichmar fala no texto de um tipo de demanda de reconhecimento que seria <em>o desejo de ser reconhecido como um Eu ideal <\/em>(p. 87) onde n\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia de exclusividade, mas a perten\u00e7a a um grupo que se constitui como Eu ideal (\u201cn\u00f3s somos\u201d, compartilhamos essa identidade). O Eu se satisfaz enquanto houver fus\u00e3o com o grupo idealizado, remetendo ao que Freud elabora em <em>Psicologia das massas<\/em> e Bleichmar identifica nos exemplos da megalomania familiar, da cren\u00e7a em ra\u00e7a superior ou povo escolhido. Aqui ele levanta algo interessante para pensar nos grupos identit\u00e1rios quando se tornam fan\u00e1ticos e fechados aos interc\u00e2mbios com a diversidade. Mas tamb\u00e9m me pergunto sobre outros efeitos subjetivantes e reparadores que pertencer a um grupo que tem uma identidade valorizada pode produzir, principalmente nos grupos chamados de minorit\u00e1rios. Pensando no movimento feminista (que se aproxima do LGBTQIA+ no que se refere \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero) e no movimento negro, como isso tem sido debatido, abordado e experimentado?<\/p>\n<p>Diversas autoras\/es escreveram sobre as marcas do racismo na subjetividade (Neusa Souza, Fanon, Lelia Gonzales, Isildinha Nogueira, Grada Kilomba, entre outros) e levantaram quest\u00f5es impactantes para pensarmos, por exemplo:\u00a0 como se forma o ideal do Eu de uma crian\u00e7a negra numa cultura racista na qual o ideal hegem\u00f4nico \u00e9 branco? Que efeitos ps\u00edquicos isso tem? E na crian\u00e7a branca, identificada com esse ideal, que efeitos isso produz?<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a> Emiliano David fala sobre isso e aponta a import\u00e2ncia do coletivo nos processos de repara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e subjetiva. Ele diz que participar da milit\u00e2ncia no movimento negro, por exemplo, assumir uma identidade negra coletivamente, pode produzir um efeito restaurador nos ideais, um efeito de ressignifica\u00e7\u00e3o e talvez alguma reordena\u00e7\u00e3o nas tramas identificat\u00f3rias.<\/p>\n<p><strong>Concluindo a aula e abrindo quest\u00f5es para debatermos: <\/strong><\/p>\n<p>Lembrei de duas situa\u00e7\u00f5es que escutei recentemente, uma menina de quase 20 anos que participa de uma reuni\u00e3o da frente antirracista da escola em que ela estudou e diz que se reconheceu negra s\u00f3 no fim do Ensino M\u00e9dio, quando ent\u00e3o &#8220;descobriu sua identidade&#8221;. &#8220;Sou negra&#8221;. Ela me remeteu aos <em>slams <\/em>(batalhas de poesia) pela for\u00e7a da <em>autorrepresentatividade perform\u00e1tica da poesia falada, <\/em>ou seja, um efeito subjetivante ao ocupar esse lugar de fala e <em>recuperar<\/em> a pr\u00f3pria identidade num lugar de valora\u00e7\u00e3o. Essa declara\u00e7\u00e3o de identidade, segundo Mbembe<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a>, subverte os sentidos aplicados pelo colonizador ao racializado.<\/p>\n<p>A outra fala escutei numa mesa FLAPPSIP que contava de uma cientista que estava num evento e algu\u00e9m disse para ela, \u201cvoc\u00ea, como mulher negra\u201d&#8230; reconhecendo o lugar de fala dela; mas ela disse, \u201colha, aqui eu estou como uma cientista\u201d. Ou seja, a marca identificat\u00f3ria, a identidade que a estava representando naquele contexto, e pela qual ela queria ser reconhecida, era outra.<\/p>\n<p>Mas sabemos que os marcadores de ra\u00e7a e g\u00eanero est\u00e3o sempre vis\u00edveis e produzindo efeitos. Efeitos que podem ser muito graves, como indicam os n\u00fameros obscenos do feminic\u00eddio e do assassinato de meninos e homens negros. Ou no que aconteceu recentemente no Rio Grande do Sul, essa trag\u00e9dia anunciada, quando come\u00e7aram a ocorrer abusos de meninas e mulheres nos abrigos! Debora Diniz disse exatamente isso: \u201c\u00e9 sabido que qualquer emerg\u00eancia em sa\u00fade p\u00fablica, desastre ambiental ou conflito armado demanda respostas com <em>lentes de g\u00ea<\/em><em>nero<\/em>\u201d. Afinal os corpos n\u00e3o s\u00e3o tratados da mesma forma.<\/p>\n<p>Concluo trazendo essa hip\u00f3tese para refletirmos: que assumir uma identidade racial ou de g\u00eanero pode ser necess\u00e1rio para os processos de repara\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o, e \u201cpara nomear devidamente as viol\u00eancias cometidas\u201d<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a>. E que questionar as categorias identit\u00e1rias n\u00e3o significa dispens\u00e1-las, mas manter o campo de tens\u00f5es aberto e em movimento. Afinal, como afirma Butler<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a>, toda identidade \u00e9 um \u201cconjunto provis\u00f3rio de exclus\u00f5es\u201d portanto abarca uma disputa pol\u00edtica permanente.<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Aula conjunta para o 1\u00ba e 2\u00ba anos do curso Psicopatologia Psicanal\u00edtica e Cl\u00ednica Contempor\u00e2nea do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, realizada dia 21\/05\/2024.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante da equipe do curso Psicopatologia Psicanal\u00edtica e Cl\u00ednica Contempor\u00e2nea e do grupo O feminino e o imagin\u00e1rio cultural contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a>\u00a0 Ao falar em conceitos em disputa, \u00e9 potente pensar nos conceitos como vivos, em movimento, tal como diz Mara Caff\u00e9 ao sublinhar que os conceitos n\u00e3o s\u00e3o \u201centidades ontol\u00f3gicas imut\u00e1veis\u201d, mas que s\u00e3o \u201crealidades vol\u00e1teis\u201d e mais do que isso, \u201ca\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas sobre o mundo\u201d. Ou seja, conceitos n\u00e3o s\u00e3o neutros. M. Caff\u00e9, \u201cNorma e subvers\u00e3o na psican\u00e1lise: reflex\u00f5es sobre o \u00c9dipo\u201d, <em>Percurso <\/em>n. 60.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> J. Derrida; E. Roudinesco, <em>De que amanh\u00e3<\/em><em>: di<\/em><em>\u00e1logo<\/em>, p. 39, grifo meu.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Como propunha o fil\u00f3sofo, ativista e l\u00edder quilombola Antonio Bispo dos Santos, o Nego Bispo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> <em>O povo contra a democracia<\/em>, Yasha Mounk. S\u00e3o Paulo: Cia das Letras.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> Garcia-Roza, L. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 metapsicologia freudiana 3<\/em> (Cap\u00edtulo 1 &#8211; Narcisismo). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> Bleichmar, H. O discurso totalizante. In <em>O Narcisismo &#8211; estudo sobre a enuncia\u00e7\u00e3o e a gram\u00e1tica inconsciente. <\/em>Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1981.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> Albuquerque, H. Silva,M. Setubal, T. e Melo, V. Subjetividades em tr\u00e2nsito, In <em>Feminismos em tr\u00e2nsito. <\/em>S\u00e3o Paulo: Zagodoni: 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> Caff\u00e9, M. Identifica\u00e7\u00e3o e transidentidades: no\u00e7\u00f5es para uma psican\u00e1lise interg\u00eanero e inter-racial.\u00a0 Revista Percurso n. 66.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> David, E. Por uma psican\u00e1lise antirracista: a psican\u00e1lise na encruzilhada, Emiliano de Camargo David, Patricia Villas-B\u00f4as &amp; L\u00edvia Santiago Moreira. In: <em>A psican\u00e1lise na encruzilhada: desafios e paradoxos perante o racismo no Brasil.<\/em> S\u00e3o Paulo: Hucitec, 2021.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> Pois h\u00e1 uma imposi\u00e7\u00e3o da identidade pelo colonizador. <a href=\"https:\/\/jacobin.com.br\/2022\/02\/identitarios-sao-os-outros\/\">https:\/\/jacobin.com.br\/2022\/02\/identitarios-sao-os-outros\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> Ant\u00f4nio Alvez, <a href=\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/pardo-lugar-e-nao-lugar\/\">https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/pardo-lugar-e-nao-lugar\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a> Butler, J. Corpos que importam \u2013 os limites discursivos do sexo. S\u00e3o Paulo: Edusp, 2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Carolina Accioly apresenta suas reflex\u00f5es acerca da constitui\u00e7\u00e3o do Eu na complexa  atualidade.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[9],"tags":[52],"edicao":[281],"autor":[86],"class_list":["post-3290","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-dos-cursos","tag-psicopatologia-psicanalitica","edicao-boletim-72","autor-maria-carolina-accioly","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3290"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3290\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3291,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3290\/revisions\/3291"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3290"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3290"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}