{"id":3363,"date":"2024-11-20T18:05:46","date_gmt":"2024-11-20T21:05:46","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3363"},"modified":"2024-11-22T19:19:42","modified_gmt":"2024-11-22T22:19:42","slug":"territorios-clinicos-lancamento-do-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2024\/11\/20\/territorios-clinicos-lancamento-do-livro\/","title":{"rendered":"Territ\u00f3rios cl\u00ednicos \u2014 Lan\u00e7amento do livro"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>T<\/strong><strong>errit\u00f3rios cl\u00ednicos<\/strong><strong> \u2013 L<\/strong><strong>an\u00e7amento do livro<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h1>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><br \/>\nAbertura<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Fernanda Almeida<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Boa tarde!<\/p>\n<p>\u00c9 com imensa alegria que recebemos todas, todes e todos nessa tarde chuvosa. Foi num outro dia chuvoso, h\u00e1 um pouco mais de um ano, no dia 23\/04\/23, que nos reunimos para escutar, debater e trocar experi\u00eancias. O 1\u00ba Semin\u00e1rio\u00a0Territ\u00f3rios cl\u00ednicos, que aconteceu na USP-Leste. Daquele encontro, os palestrantes sa\u00edram com o compromisso de rever suas falas, revisitar suas reflex\u00f5es e sistematizar os seus textos. N\u00f3s: Tide, La\u00eds, Vivi e eu, com o apoio editorial do querido S\u00e9rgio Kon, e de toda a equipe da editora Perspectiva, organizamos a publica\u00e7\u00e3o que hoje voc\u00eas t\u00eam em m\u00e3os.\u00a0O livro <em>Territ<\/em><em>\u00f3<\/em><em>rios c<\/em><em>l\u00ed<\/em><em>nicos<\/em>.<\/p>\n<p>Quero destacar a import\u00e2ncia dessa publica\u00e7\u00e3o em dois aspectos.\u00a0O primeiro\u00a0tem rela\u00e7\u00e3o com o hist\u00f3rico momento editorial que estamos vivendo. A prolifera\u00e7\u00e3o e o protagonismo da publica\u00e7\u00e3o de autores negras e negros em diversas \u00e1reas \u00e9 hoje uma realidade. S\u00e3o obras que comp\u00f5em a esteira do avan\u00e7o das lutas antirracistas no Brasil (n\u00e3o sem resist\u00eancia por parte da branquitude). Tal movimenta\u00e7\u00e3o faz lembrar que:\u00a0<em>As vidas negras, n\u00e3<\/em><em>o s\u00f3 <\/em><em>importam,<\/em>\u00a0como tamb\u00e9m produzem, escrevem e comp\u00f5em o que temos de mais criativo, potente e inovador. Alicer\u00e7ados na produ\u00e7\u00e3o do pioneirismo da intelectualidade negra, que tanto produziu, e que hoje segue sendo uma refer\u00eancia. Penso que o livro <em>Territ<\/em><em>\u00f3<\/em><em>rios c<\/em><em>l\u00ed<\/em><em>nicos<\/em>, por seu coletivo de autores e por sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9tico-pol\u00edtica, se apresenta neste lugar. O lan\u00e7amento nesta livraria Megafauna nos conecta com esse momento editorial. Obrigada Nina\u00a0Knutson por nos acolher e pela curadoria socialmente posicionada da livraria.<\/p>\n<p>O segundo\u00a0aspecto que ser\u00e1 melhor detalhado pela Tide, tem rela\u00e7\u00e3o com o campo psicanal\u00edtico e da sa\u00fade mental. Recentemente escrevi que o lan\u00e7amento do livro <em>Territ<\/em><em>\u00f3<\/em><em>rios c<\/em><em>l\u00ed<\/em><em>nicos<\/em> \u00e9 mais que uma publica\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma \u201c\u00e1gora pol\u00edtica\u201d, um \u201ccircuito de afetos\u201d, ou como escrevem alguns dos autores, \u00e9 \u201cencruzilhada\u201d. Resultado de um trabalho coletivo, os artigos reunidos neste livro exprimem um tempo novo no campo psicanal\u00edtico e da sa\u00fade mental. O livro busca somar com aquelas e aqueles que seguem na constru\u00e7\u00e3o de uma psican\u00e1lise decolonial, antirracista e socialmente comprometida.<\/p>\n<p>O meu texto neste livro \u00e9 sobre a import\u00e2ncia do ato de nomear. Para ser coerente com a minha escrita eu vou rapidamente nomear as autoras e os autores:<\/p>\n<p>ANA CAROLINA BARROS SILVA, BIANCA SPINOLA, CAMILA GENEROSO, CL\u00c9LIA PRESTES, DEISY PESSOA, EMILIANO DE CAMARGO DAVID, FERNANDA ALMEIDA, GABRIEL INTICHER BINKOWSKI, HELENA B. GUILHON, KWAME YONATAN, LA\u00cdS DE ABREU GUIZELINI, MARCOS AMARAL, MARIA L\u00daCIA DA SILVA, MIRIAM DEBIEUX ROSA, NOEMI MORITZ KON, PAULA JAMELI, PEDRO SEINCMAN, PRISCILLA SANTOS DE SOUZA, RAFAEL ALVES LIMA, ROSIMEIRE BUSSOLA SANTANA SILVA, SANDRA ALENCAR, TIDE SETUBAL, VERONICA ROSA DA SILVA, VIVIANE SORANSO.<\/p>\n<p>Nosso muito obrigada aos coletivos parceiros! Casa de Marias, Rede Sur Psican\u00e1lise, Perifan\u00e1lise, Margens Cl\u00ednicas, Instituto Amma Psique e Negritude, Roda Terap\u00eautica das Pretas e Veredas Psican\u00e1lise e Imigra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Territ\u00f3rios cl\u00ednicos segue em sua 2\u00ba edi\u00e7\u00e3o, e ao que tudo indica, tem como orix\u00e1 Nan\u00e3.\u00a0 No candombl\u00e9, o orix\u00e1 da chuva que tamb\u00e9m \u00e9 a senhora da morte e rege os mangues, p\u00e2ntanos e lama.\u00a0Nan\u00e3 \u00e9 uma das orix\u00e1s mais antigas do pante\u00e3o africano e \u00e9 associada a \u00e1guas calmas e profundas, que simbolizam a origem da vida e a conex\u00e3o com a morte.\u00a0Temos ainda os outros orix\u00e1s que trazem o simbolismo das \u00e1guas. <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Ians\u00e3:\u00a0Orix\u00e1 dos ventos e tempestades, que tamb\u00e9m domina fen\u00f4menos naturais como chuvas, raios e furac\u00f5es.<\/p>\n<p>Oxum:\u00a0Orix\u00e1 das cachoeiras, rios, amor, beleza e metais preciosos.<\/p>\n<p>Oy\u00e1:\u00a0Divindade dos ventos e tempestades, que tamb\u00e9m est\u00e1 ligada \u00e0s \u00e1guas.<\/p>\n<p>Em psican\u00e1lise, Eros se imp\u00f5e sobre a destrutividade de Thanatos. Que estejamos nesta tarde com a ancestralidade de Nan\u00e3 e dos orix\u00e1s das \u00e1guas e com a for\u00e7a do amor de Eros.<\/p>\n<p>Vou passar a palavra para a Tide apresentar o Projeto. E depois para nossa convidada especial\u00edssima, Maria L\u00facia da Silva.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o <\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><strong>Tide Setubal<\/strong><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong><sup>[2]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>O presente texto foi lido no lan<\/em><em>\u00e7<\/em><em>amento do livro <\/em>Territ\u00f3rios cl\u00ednicos<em>, dia 19 de outubro de 2024, na livraria Megafauna. Inicialmente, fiz os agradecimentos aos sete coletivos participantes do projeto Territ<\/em><em>\u00f3<\/em><em>rios c<\/em><em>l\u00ed<\/em><em>nicos, \u00e0 equipe da Funda\u00e7\u00e3o Tide Setubal, \u00e0<\/em><em> Editora Perspectiva, <\/em><em>\u00e0 Megafauna e a todos os presentes.<\/em><em>\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Esse livro \u00e9 uma homenagem ao trabalho coletivo. \u00c9 uma caixa de resson\u00e2ncia da for\u00e7a de tecermos juntos uma luta pela democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 sa\u00fade mental. Nele moram 25 autores, dos quais 19 s\u00e3o mulheres e mais da metade s\u00e3o pessoas negras. Al\u00e9m desses nomes que est\u00e3o expl\u00edcitos nas p\u00e1ginas, tamb\u00e9m temos muitos outros analistas, terapeutas, supervisores, muitos pacientes, professores que constru\u00edram esse trabalho junto conosco.<\/p>\n<p>Sobre a for\u00e7a de estarmos juntos, pe\u00e7o licen\u00e7a para ler uma cita\u00e7\u00e3o do Ant\u00f4nio Bispo:<\/p>\n<p><strong>\u201c<\/strong><strong>A conflu<\/strong><strong>\u00ea<\/strong><strong>ncia <\/strong><strong>\u00e9 <\/strong><strong>a energia que est<\/strong><strong>\u00e1 <\/strong><strong>nos movendo para o compartilhamento, para o reconhecimento, para o respeito. Um rio n\u00e3o deixa de ser um rio porque conflui com outro rio, ao contr<\/strong><strong>\u00e1<\/strong><strong>rio, ele passa a ser ele mesmo e outros rios, ele se fortalece. Quando a gente confluencia, a gente n\u00e3o deixa de ser a gente, a gente passa a ser a gente e outra gente <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>a gente rende. A conflu<\/strong><strong>\u00ea<\/strong><strong>ncia <\/strong><strong>\u00e9 <\/strong><strong>uma for<\/strong><strong>\u00e7<\/strong><strong>a que rende, que aumenta, que amplia.<\/strong><strong>\u201d <\/strong><strong>(Bispo<\/strong><strong> 2023<\/strong><strong>, p.15)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>As Cl\u00ednicas p\u00fablicas tamb\u00e9m s\u00e3o um trabalho feito a muitas m\u00e3os com um direcionamento \u00e9tico-pol\u00edtico, embasado teoricamente e inserido num tempo hist\u00f3rico. Um trabalho coletivo que age a contrapelo de um mundo acelerado que consome subjetividades. N\u00f3s escutamos essas subjetividades contempor\u00e2neas. N\u00f3s as escutamos nas suas singularidades imersas nos marcadores de ra\u00e7a, classe, g\u00eanero e territ\u00f3rio. Constitu\u00eddas a partir desse lugar social, pol\u00edtico e cultural e capazes de se transformar e transformar a realidade ao seu redor. Neste trabalho n\u00e3o h\u00e1 escuta neutra. O analista tamb\u00e9m \u00e9 atravessado por uma hist\u00f3ria sociocultural e \u00e9 preciso saber de seu lugar para poder escutar o lugar do outro.<\/p>\n<p>\u201cA constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico-pol\u00edtico possibilita passagens, na medida em que incluem o analista, instigado em seu desejo na escuta do caso e na possibilidade de se situar e ressituar no tecido social.\u201d (Texto do Veredas no livro <em>Territ<\/em><em>\u00f3<\/em><em>rios c<\/em><em>l\u00ed<\/em><em>nicos<\/em>, p. 180)<\/p>\n<p>Pensamos a cl\u00ednica sempre articulada com a pol\u00edtica. Os discursos sociais capturam o sujeito em suas tramas racistas, sexistas muitas vezes responsabilizando-os individualmente por falhas e faltas que s\u00e3o estruturais. Um trabalho anal\u00edtico que possa produzir uma elabora\u00e7\u00e3o subjetiva na dire\u00e7\u00e3o de historicizar sua posi\u00e7\u00e3o no mundo \u00e9 um trabalho de resist\u00eancia e de luta por uma sociedade que enxerga e potencializa seus sujeitos.<\/p>\n<p>No livro, os coletivos relatam que, para escutar sujeitos, eles inventaram diferentes dispositivos cl\u00ednicos com uma enorme capacidade criativa. Os lugares onde a escuta acontece s\u00e3o os mais diversos: pra\u00e7as, Casa do povo, Universidade, corredores, salas de escolas, cl\u00ednicas, equipamentos p\u00fablicos, porta da creche, fila do p\u00e3o. A escuta de cada corpo subjetivo afirma e valoriza aquela exist\u00eancia singular, ressignificando a rela\u00e7\u00e3o do sujeito consigo mesmo e com o mundo \u00e0 sua volta, num processo tamb\u00e9m de desaliena\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Em muitas das escutas n\u00e3o tem div\u00e3, mas tem inconsciente, transfer\u00eancia, associa\u00e7\u00e3o livre, corpos pulsionais. Por vezes, os casos demandam articula\u00e7\u00f5es com o sistema p\u00fablico de sa\u00fade. S\u00e3o criadas redes, atendimentos, multidisciplinares. Aconteceram tamb\u00e9m forma\u00e7\u00f5es, supervis\u00f5es, aquilombamentos com profissionais do SUS que cuidaram de quem cuida. T\u00e3o importante cuidar de quem cuida! Os sofrimentos ps\u00edquicos plurais e multifatoriais exigem criatividade e abertura para pensar a partir de qual modelo de dispositivo cl\u00ednico iremos escutar. A escuta pode ser individual ou de grupo. Num modelo pontual ou recorrente. Num grupo aberto ou fechado. As possibilidades s\u00e3o muitas, porque na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao tratamento psicanal\u00edtico \u00e9 preciso escutar a demanda desses sujeitos na sua singularidade e nos seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio \u00e9 esse mapa do espa\u00e7o geogr\u00e1fico e ps\u00edquico entre o sujeito e o mundo. \u00c9 onde nos constitu\u00edmos como sujeitos. \u00c9 um lugar do pertencimento, do ref\u00fagio, da cidade, do bairro, da casa. \u00c9 um lugar da linguagem, da est\u00e9tica e do v\u00ednculo. \u00c9 onde a vida pulsa e acontece com as suas contradi\u00e7\u00f5es, pluralidades, afetos, rela\u00e7\u00f5es, viol\u00eancias e, tamb\u00e9m, belezas.<\/p>\n<p>Territ\u00f3rio \u00e9 um lugar da FRONTEIRA, do ENTRE. Entre a crian\u00e7a e sua fam\u00edlia. Entre o sujeito e a vida social. Entre o eu e o outro. Entre um corpo e um outro corpo. Entre um bairro e outro bairro.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio que contorna o sujeito singular e lhe traz exig\u00eancias ps\u00edquicas, c\u00f3digos, cultura, saberes. Entre o sujeito singular e o sujeito pol\u00edtico. Lugares j\u00e1 indissoci\u00e1veis. Para o nosso trabalho de escuta, o territ\u00f3rio \u00e9 o entre o saber te\u00f3rico e a pr\u00e1tica cl\u00ednica ou tamb\u00e9m entre o analista e o paciente.<\/p>\n<p>E dentro desse vasto campo de saberes, \u00e9 fundamental fazer a metapsicologia psicanal\u00edtica se interrogar, se retorcer, se reposicionar. Construir uma psican\u00e1lise antirracista e decolonial. Os coletivos escreveram a partir da experi\u00eancia di\u00e1ria e, nesse sentido, cada um dos textos desse livro tem muito a contribuir com as nossas reflex\u00f5es te\u00f3rico-cl\u00ednicas. Estamos fazendo a teoria trabalhar a partir do fazer cl\u00ednico nos diversos territ\u00f3rios de S\u00e3o Paulo. Fazemos a psican\u00e1lise conversar com as quest\u00f5es que nos atravessam cotidianamente, afinal, somos corpos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Foi a partir de habitar a minha branquitude, entender os tantos privil\u00e9gios que me constituem, atravessar um sofrimento tamb\u00e9m sociopol\u00edtico, cheio de culpa est\u00e9ril, que pude transformar a paralisia em a\u00e7\u00e3o, produzindo junto com tantas outras pessoas esse projeto Territ\u00f3rios cl\u00ednicos. Penso que a nossa sa\u00edda enquanto humanidade \u00e9 sempre pelo coletivo. Coletivos grandes, m\u00e9dios, pequenos, em que um sujeito se enla\u00e7a com outro sujeito para produzir uma mudan\u00e7a no mundo. O encontro com o outro, com o diferente, faz fric\u00e7\u00e3o nas nossas certezas, expande saberes e imagina\u00e7\u00f5es. \u00c9 capaz de tecer um <em>comum na diferen<\/em><em>\u00e7a<\/em> como nos ensinou o nosso amigo Emiliano de Camargo David. Campo de trabalho que reconhece e nomeia as diferen\u00e7as, mas n\u00e3o fica paralisada por elas e sim encontra tamb\u00e9m o comum, o partilhado, a possibilidade de transformar juntos.<\/p>\n<p>Cria afetos, pertencimento e sentido.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Bispo, \u00a0Ant\u00f4nio. <em>A terra d<\/em><em>\u00e1<\/em><em>, a t<\/em><em>erra <\/em><em>q<\/em><em>uer,<\/em> S\u00e3o Paulo, Ubu, 2023.<\/p>\n<p>Setubal, Soranso, Guizelini, Ameida. <em>Territ<\/em><em>\u00f3<\/em><em>rios c<\/em><em>l\u00ed<\/em><em>nicos<\/em>, S\u00e3o Paulo, Perspectiva, 2024.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Coment\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Maria Lucia da Silva<\/strong><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong><sup>[3]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Boa tarde a todas as pessoas presentes.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o o convite para participar deste momento e parabenizo a Funda\u00e7\u00e3o Tide Set\u00fabal pela iniciativa<strong> Territ<\/strong><strong>\u00f3rios c<\/strong><strong>l<\/strong><strong>\u00ednicos<\/strong>, um importante fomento para fortalecer a\u00e7\u00f5es no campo da sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>\u00c9 uma satisfa\u00e7\u00e3o ver o resultado da 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o deste projeto culminando no lan\u00e7amento desta publica\u00e7\u00e3o, que tra\u00e7a um panorama das a\u00e7\u00f5es dos primeiros grupos apoiados, com trajet\u00f3rias que se entrela\u00e7aram, tecendo uma rede de cuidado e transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembro-me, com imensa alegria, daquele 15 de abril de 2023, na USP Leste \u2013 um dia chuvoso e frio, mas, aquecido pelo calor humano de cada pessoa presente. Reencontros, abra\u00e7os curativos para a alma, trazendo alento e for\u00e7a renovada.<\/p>\n<p>Aproveito para saudar a nova turma: sejam bem-vindes!<\/p>\n<p>Sabemos, com base em nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria e pela nossa experi\u00eancia profissional, que a sa\u00fade mental e ps\u00edquica \u00e9 essencial para o nosso desenvolvimento, influenciando pensamentos, emo\u00e7\u00f5es, comportamentos e escolhas.<\/p>\n<p>O estado emocional e ps\u00edquico dos nossos pais, familiares e das pessoas que nos rodeiam, assim como os marcadores sociais como ra\u00e7a, g\u00eanero, classe, territ\u00f3rio entre outros, impactam positiva e\/ou negativamente durante todas as fases de nossa vida.<\/p>\n<p>\u00c9 a nossa hist\u00f3ria que dar\u00e1 suporte para nossas escolhas e escolher cuidar da sa\u00fade mental e ps\u00edquica das pessoas \u00e9 tamb\u00e9m escolher, rever e reviver nossa hist\u00f3ria pessoal e coletiva, cotidiariamente.<\/p>\n<p>Neste contexto, quero chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre a nossa responsabilidade pol\u00edtica e profissional diante do Estado Brasileiro, ou seja, o nosso papel de reivindicar e pressionar este Estado para o cumprimento de seu dever fundamental: assegurar pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam o acesso aos cuidados em sa\u00fade mental para toda popula\u00e7\u00e3o brasileira, atrav\u00e9s do SUS, por meio de programas de assist\u00eancia e acompanhamento psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Sabemos que, mesmo que sejamos muitos grupos e institui\u00e7\u00f5es, ainda seremos poucos para dar conta das demandas em sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que possamos nos reconhecer tamb\u00e9m como agentes pol\u00edticos, comprometidas com a defesa do direito \u00e0 sa\u00fade mental de qualidade, reivindicando e monitorando a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para o bem-viver coletivo.<\/p>\n<p>Assim, espero que possamos consolidar, cada vez mais, os nossos la\u00e7os, para criarmos estrat\u00e9gias coletivamente, que nos fortale\u00e7am na luta por um SUS verdadeiramente UNIVERSAL, EQU\u00c2NIME E INTEGRAL.<\/p>\n<p>Obrigada.<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psicanalista, aspirante a membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante da equipe editorial deste Boletim online.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante do grupo de trabalho e pesquisa O feminino e o imagin\u00e1rio cultural contempor\u00e2neo, professora e supervisora no curso Cl\u00ednica psicanal\u00edtica: conflito e sintoma, colaboradora deste Boletim online.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ativista, forjada na luta contra o racismo e o sexismo escolheu Psicologia e Psican\u00e1lise como suas ferramentas de luta, para a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade. Cofundadora e integrante do AMMA Psique e Negritude: Pesquisa, Forma\u00e7\u00e3o e Refer\u00eancia em Rela\u00e7\u00f5es Raciais e da Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Psic\u00f3logas(os) Negras(os) e Pesquisadoras(es). Fellow da Ashoka \u2013 Empreendimento Social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abertura, Apresenta\u00e7\u00e3o e Coment\u00e1rio. 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