{"id":3370,"date":"2024-11-20T18:12:54","date_gmt":"2024-11-20T21:12:54","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3370"},"modified":"2024-11-20T18:45:07","modified_gmt":"2024-11-20T21:45:07","slug":"encontros-e-desencontros-na-psicanalise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2024\/11\/20\/encontros-e-desencontros-na-psicanalise\/","title":{"rendered":"Encontros e desencontros na psican\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Encontros e desencontros na psican<\/strong><strong>\u00e1<\/strong><strong>lise <\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Maria de F<\/strong><strong>\u00e1<\/strong><strong>tima Vicente<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>O texto a seguir foi lido como disparador de um debate na <\/em><\/strong><strong><em>\u201c<\/em><\/strong><strong><em>Sec<\/em><\/strong><strong><em>\u00e7\u00e3<\/em><\/strong><strong><em>o Cl<\/em><\/strong><strong><em>\u00ed<\/em><\/strong><strong><em>nica<\/em><\/strong><strong><em>\u201d <\/em><\/strong><strong><em>de 12 de setembro de 2024, atividade regular promovida pelo <\/em><\/strong><strong>Corpo Freudiano<\/strong><strong><em>, cuja proposta <\/em><\/strong><strong><em>\u00e9 <\/em><\/strong><strong><em>a de discutir um caso cl<\/em><\/strong><strong><em>\u00ed<\/em><\/strong><strong><em>nico cl<\/em><\/strong><strong><em>\u00e1<\/em><\/strong><strong><em>ssico da <\/em><\/strong><strong><em>p<\/em><\/strong><strong><em>sican<\/em><\/strong><strong><em>\u00e1<\/em><\/strong><strong><em>lise. Fui uma das pessoas convidadas para essa ocasi<\/em><\/strong><strong><em>\u00e3<\/em><\/strong><strong><em>o, cujo caso cl<\/em><\/strong><strong><em>\u00ed<\/em><\/strong><strong><em>nico proposto pela organiza<\/em><\/strong><strong><em>\u00e7\u00e3<\/em><\/strong><strong><em>o do evento foi a an<\/em><\/strong><strong><em>\u00e1<\/em><\/strong><strong><em>lise de Ferenczi com Freud. As caracter<\/em><\/strong><strong><em>\u00ed<\/em><\/strong><strong><em>sticas do texto buscaram corresponder tanto ao tema quanto aos par<\/em><\/strong><strong><em>\u00e2<\/em><\/strong><strong><em>metros sugeridos &#8211; os de uma leitura de at<\/em><\/strong><strong><em>\u00e9 <\/em><\/strong><strong><em>15 minutos que pudesse promover interlocu<\/em><\/strong><strong><em>\u00e7\u00e3<\/em><\/strong><strong><em>o.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Um encontro auspicioso <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 frequente que v\u00e1rios autores, ao mencionar Ferenczi, se refiram a ele como \u201cgenial\u201d \u2013 nomea\u00e7\u00e3o que \u00e9 regularmente acompanhada por elogiosa e profusa adjetiva\u00e7\u00e3o de sua cl\u00ednica e de suas postula\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas \u2013 por\u00e9m, \u201cgenial\u201d parece ser um <em>substantivo <\/em>que o define. Alguns lhe ressaltam tamb\u00e9m um tra\u00e7o de bom humor, o humor de um homem sorridente. Curiosamente, essa caracter\u00edstica ser\u00e1 a \u00fanica que Ferenczi atribuir\u00e1 como um bom resultado de sua an\u00e1lise com Freud.<\/p>\n<p>Essa figura genial e sorridente contrasta com a imagem austera dos demais psicanalistas da primeira gera\u00e7\u00e3o e com a do pr\u00f3prio Freud, mas n\u00e3o com aquela imagem que Freud apresentar\u00e1 a Ferenczi, suas caracter\u00edsticas mais gentis e l\u00fadicas. Reservar\u00e1 para ele, na intimidade da correspond\u00eancia, as designa\u00e7\u00f5es de <em>Paladino<\/em> e <em>Gr<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o-vizir<\/em>, chamando-o \u00e0s vezes de <em>Meu Gr<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o-vizir<\/em> ou at\u00e9 mesmo de <em>Meu Secreto Gr<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o-vizir.<\/em> A essas palavras, que recebia gostosamente de Freud, Ferenczi responder\u00e1 \u201cEu sou o astr\u00f3logo da Corte\u201d.<\/p>\n<p>A autodesigna\u00e7\u00e3o de Ferenczi \u201cEu sou o astr\u00f3logo da Corte\u201d evoca, para mim, a hist\u00f3ria b\u00edblica de Jos\u00e9 do Egito que, antes de ser do Egito, foi o filho preferido de seu pai, Jac\u00f3. Jos\u00e9, que os irm\u00e3os vendem como escravo e que ser\u00e1 comprado por mercadores, at\u00e9 chegar, em p\u00e9riplos diversos, a servir ao Fara\u00f3. Naquela corte adivinhar\u00e1 o futuro do Egito, por meio da decifra\u00e7\u00e3o do significado dos sonhos do Fara\u00f3, e indicar\u00e1 as medidas de precau\u00e7\u00e3o para os tempos de incertezas e de fome, o que sua ci\u00eancia e magia poder\u00e3o prever. Garantir\u00e1, dessa forma, um futuro para aquele Egito, o que acabar\u00e1 por dar ensejo ao reencontro de seu pai e de seus irm\u00e3os e \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os familiares. Jos\u00e9 do Egito j\u00e1 havia habitado os devaneios identificat\u00f3rios de Freud que, \u00e0s vezes, havia se representado como aquele onirocr\u00edtico, identificando-se com o filho da segunda esposa de Jac\u00f3, a mais amada por ele. Freud, que prop\u00f4s que os sonhos fossem lidos como um r\u00e9bus, em uma esp\u00e9cie de parentesco com a escrita eg\u00edpcia.<\/p>\n<p>Nos desdobramentos de sua participa\u00e7\u00e3o no Movimento Psicanal\u00edtico, Ferenczi ter\u00e1 um papel proeminente nas realiza\u00e7\u00f5es de expans\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o da Psican\u00e1lise, fazendo jus ao destino que os ep\u00edtetos de Paladino e Gr\u00e3o-vizir indicavam, mas sua presen\u00e7a como cl\u00ednico e suas formula\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas originais demonstrar\u00e3o o quanto o astr\u00f3logo da Corte era capaz de pensamento antecipat\u00f3rio, intuitivo na cl\u00ednica e na teoria, pensamento pouco afeito \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, embora seguisse reverenciando o fundador.<\/p>\n<p>Um tra\u00e7o equivalente ao de Jos\u00e9 para Jac\u00f3 parece estar presente no astr\u00f3logo da Corte Ferenczi: ele \u00e9 o preferido de Freud, com o qual mant\u00e9m estreitas rela\u00e7\u00f5es, mas parece, como Jos\u00e9, ter pouco ou nenhum bem querer da parte de seus irm\u00e3os. Desses irm\u00e3os e de seus (des) afetos, ir\u00e1, no futuro, sobressair a indisposi\u00e7\u00e3o de Ernst Jones para com ele, que havia sido seu primeiro analista, e sobre o qual escrever\u00e1:<\/p>\n<p><em>\u201c<\/em><em>Nos primeiros dois anos de 1930 a sa<\/em><em>\u00fa<\/em><em>de mental de Ferenczi conturbava-se seriamente, e o seu estado de sensibilidade resultou em determinada conversa<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o franca entre ele e Freud, de que adviriam resultados ben<\/em><em>\u00e9<\/em><em>ficos (&#8230;) Ferenczi trouxe <\/em><em>\u00e0 <\/em><em>baila o passado: por que Freud n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o se tinha portado de maneira mais carinhosa com ele, quando se p<\/em><em>\u00f4<\/em><em>s de mau humor naquela viagem a Sic<\/em><em>\u00ed<\/em><em>lia h<\/em><em>\u00e1 <\/em><em>vinte anos passados, e por que n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o analisara a hostilidade reprimida de Ferenczi, durante as tr<\/em><em>\u00ea<\/em><em>s semanas de an<\/em><em>\u00e1<\/em><em>lise h<\/em><em>\u00e1 <\/em><em>quinze anos passados?<\/em><em>\u201d <\/em>(JONES, 1970, p. 707).<\/p>\n<p>Jones parece n\u00e3o ter outra possibilidade de compreender as demandas de Ferenczi a Freud a n\u00e3o ser como loucura. N\u00e3o lhe \u00e9 poss\u00edvel reconhecer que s\u00e3o os restos da an\u00e1lise o que faz Ferenczi insistir em retomar algo que ficou sem solu\u00e7\u00e3o e sem possibilidade de solu\u00e7\u00e3o, ainda que no passado, j\u00e1 que o que foi vivido sem se tornar experi\u00eancia permanece ativo e produzindo sofrimento. Quanto a Ferenczi, em 16 de fevereiro de 1932, ele escreve em seu Di\u00e1rio Cl\u00ednico, sobre o que considera uma an\u00e1lise conclu\u00edda:<\/p>\n<p><em>\u201c<\/em><em>A imagem de um final de an<\/em><em>\u00e1<\/em><em>lise bem-sucedida apresenta-se ent<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o: poderia assemelhar-se, de certo modo, <\/em><em>\u00e0 <\/em><em>despedida de dois alegres camaradas que, ap<\/em><em>\u00f3<\/em><em>s anos de duro trabalho, constatam ser bons amigos, mas devem admitir, sem cenas tr<\/em><em>\u00e1<\/em><em>gicas, que a camaradagem n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o <\/em><em>\u00e9 <\/em><em>a vida e que cada um deve desenvolver-se de acordo com os seus pr<\/em><em>\u00f3<\/em><em>prios projetos de futuro. <\/em><em>\u00c9 <\/em><em>assim que se poderia imaginar o desfecho feliz da rela<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o pais-filhos<\/em><em>\u201d<\/em><em>. <\/em>(FERENCZI, 1990; p.70).<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o que \u00e9 precedida por trabalho \u00e1rduo entre analista e analisante, do qual resultaria uma separa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e a possibilidade de novos caminhos pessoais e intelectuais para cada um deles. Ferenczi documentar\u00e1, por meio do Di\u00e1rio Cl\u00ednico e por meio de outras publica\u00e7\u00f5es, as inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, as reflex\u00f5es te\u00f3ricas e as postula\u00e7\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao analista para conduzir uma an\u00e1lise at\u00e9 aquelas consequ\u00eancias; o que ser\u00e1 o principal modo de dar continuidade \u00e0 sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 Psican\u00e1lise, mas tamb\u00e9m de dar continuidade \u00e0 sua an\u00e1lise pessoal. Nesse \u00faltimo caso, com o limite incontorn\u00e1vel do imposs\u00edvel de uma an\u00e1lise sem analista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A centralidade do trauma nessa hist<\/strong><strong>\u00f3<\/strong><strong>ria <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que Ferenczi tenha estado, desde o primeiro momento, em uma rela\u00e7\u00e3o transferencial com Freud, em que este e suas produ\u00e7\u00f5es foram inspira\u00e7\u00e3o e est\u00edmulo para ele, o que poderia ser considerada um boa transfer\u00eancia de trabalho, n\u00e3o fosse o permanente e sutil obst\u00e1culo da disposi\u00e7\u00e3o de Ferenczi em n\u00e3o contrariar Freud e de enaltec\u00ea-lo. Possivelmente tal rela\u00e7\u00e3o idealizada e sua incontorn\u00e1vel ambival\u00eancia estivessem presentes como t\u00f4nica das rela\u00e7\u00f5es dos psicanalistas da primeira gera\u00e7\u00e3o com Freud. O lugar de fundador mantinha Freud como a refer\u00eancia te\u00f3rica e cl\u00ednica do que Psican\u00e1lise queria dizer e deveria seguir querendo dizer. O que provavelmente limitava fortemente sua possiblidade de escutar seus seguidores em an\u00e1lise, assim como limitava \u00e0queles em seus caminhos pessoais, em suas inven\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e produ\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas. Mas lhes dava um lugar de pertencimento em que trocas eram poss\u00edveis. Nesse contexto, cada um deles encontrou as sa\u00eddas singulares para garantir suas produ\u00e7\u00f5es cl\u00ednica e te\u00f3rica, mais ou menos relevantes segundo o caso, e cada um o fez de acordo com seus pr\u00f3prios percal\u00e7os sintom\u00e1ticos.<\/p>\n<p>As contribui\u00e7\u00f5es de Ferenczi \u00e0 cl\u00ednica e \u00e0 teoria psicanal\u00edticas s\u00e3o hoje n\u00e3o apenas conhecidas como tamb\u00e9m reconhecidas, al\u00e9m de possibilitarem significativos aportes para o tratamento psicanal\u00edtico nas condi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas. Sem pretender retomar aquelas contribui\u00e7\u00f5es de modo abrangente, dado os limites desta apresenta\u00e7\u00e3o, considero que deva ser destacada a centralidade que a teoria do trauma, conforme proposta por Freud em 1894, ir\u00e1 obter nesse percurso. Ferenczi far\u00e1 a deriva\u00e7\u00e3o dessa teoria a partir de sua cl\u00ednica, em que trabalhar\u00e1 sobre a repeti\u00e7\u00e3o insistente do trauma nas an\u00e1lises. O que propugnar\u00e1 que seja admitido pela Psican\u00e1lise concerne mais ao <em>desmentido<\/em> que ao acontecimento origin\u00e1rio, pois \u00e0 decep\u00e7\u00e3o com a viola\u00e7\u00e3o sofrida pela crian\u00e7a se sobrep\u00f5e a recusa do adulto \u201cde confian\u00e7a\u201d em ocupar o lugar de testemunha que lhe \u00e9 demandado. Tal duplica\u00e7\u00e3o trar\u00e1 consequ\u00eancias patol\u00f3gicas complexas, das quais destaco particularmente a atomiza\u00e7\u00e3o do eu, a fragmenta\u00e7\u00e3o do eu \u2013 \u00e0s quais Ferenczi chamar\u00e1 posteriormente de clivagem do eu, o que me parece muito ass\u00e9ptico. \u00c9 a fragmenta\u00e7\u00e3o, a atomiza\u00e7\u00e3o que Ferenczi pretende restaurar mediante suas inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e te\u00f3ricas.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia traum\u00e1tica, cujo retorno e insist\u00eancia nos tratamentos se tornar\u00e1 o substrato de suas a\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, a partir das quais vir\u00e1 a postular o traumatol\u00f3gico, o desmentido e assinalar\u00e1 o lugar da testemunha, tamb\u00e9m ser\u00e1 considerada no contexto da rela\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. Ferenczi incluir\u00e1 o psicanalista nessa s\u00e9rie das figuras que, respons\u00e1veis pelos <em>cuidados<\/em>, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o eram objeto de aten\u00e7\u00e3o dos psicanalistas, trair\u00e1 sua responsabilidade por meio de atitudes que levem ao desmentido.<\/p>\n<p>Como deriva\u00e7\u00e3o dessas formula\u00e7\u00f5es, ir\u00e1 propor que, no lugar do desmentido, da frieza, da indiferen\u00e7a, dever\u00e1 advir a empatia, o <em>sentir com<\/em>. Nesse lugar dever\u00e1 advir a autenticidade, a reciprocidade, a horizontalidade. A an\u00e1lise m\u00fatua comparece, inicialmente, como o que poder\u00e1 levar a essa condi\u00e7\u00e3o, uma vez que os pontos cegos para o analista s\u00e3o vis\u00edveis para o analisando. Ferenczi tratar\u00e1 desses pontos cegos de Freud diretamente em seu di\u00e1rio, sempre a t\u00edtulo de sublinhar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias a um psicanalista para que uma an\u00e1lise siga seu percurso resolutivo, tido como radicalmente alcan\u00e7\u00e1vel. Desenvolver\u00e1, de forma pioneira, reflex\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao psicanalista para poder analisar, inclu\u00eddas as refer\u00eancias aos finais da an\u00e1lise que, mesmo a dos psicanalistas, deveria ser uma an\u00e1lise pessoal.<\/p>\n<p>No processo de suas inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e das elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, assim como da escrita do Di\u00e1rio Cl\u00ednico, Ferenczi ir\u00e1 progressivamente se distanciando do meio psicanal\u00edtico mais imediato e se isolar\u00e1 principalmente de Freud. Se esse isolamento pareceria necess\u00e1rio \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o original, ao que parece, ir\u00e1 se converter em uma das condi\u00e7\u00f5es para o desenlace nefasto daquela rela\u00e7\u00e3o. A supress\u00e3o progressiva da intimidade que havia sido garantida pela correspond\u00eancia cont\u00ednua, da qual ele passa a se subtrair, parece retirar de Freud os derradeiros tra\u00e7os de uma presen\u00e7a afetiva, presen\u00e7a que sustentava ainda a possibilidade do prosseguimento de Ferenczi naquele campo. A an\u00e1lise indireta que levava adiante por interm\u00e9dio de seus pacientes e as reflex\u00f5es que da\u00ed decorrer\u00e3o parecem passar a concentrar sua aten\u00e7\u00e3o mais significativa.<\/p>\n<p>Embora Freud n\u00e3o tenha como estar totalmente a par dos caminhos que Ferenczi est\u00e1 trilhando, ele registra o afastamento progressivo de Ferenczi, cobra-lhe a presen\u00e7a \u2013 inclusive institucional \u2013 e o admoesta sobre os riscos do isolamento. Tem a opini\u00e3o que os desenvolvimentos te\u00f3ricos de Ferenczi t\u00eam uma vertente sintom\u00e1tica, mas isso n\u00e3o o preocupa, enquanto esses desenvolvimentos pare\u00e7am promissores para a Psican\u00e1lise. Repete-se, nessa conjuntura, a dita frieza de Freud, que se preocupa com o colega\/pupilo, mas n\u00e3o lhe reconhece o sofrimento, que \u00e9 tamb\u00e9m o motor daquelas pesquisas, formula\u00e7\u00f5es e elucubra\u00e7\u00f5es. S\u00f3 ir\u00e1 se indispor definitivamente com ele no momento em que discordar\u00e1 radicalmente do conte\u00fado da produ\u00e7\u00e3o de Ferenczi e lhe recomendar\u00e1, nessa ocasi\u00e3o, cautela e espera, que n\u00e3o (se) exponha no Congresso pr\u00f3ximo com a apresenta\u00e7\u00e3o de seu trabalho. Conselhos que Ferenczi n\u00e3o seguir\u00e1. Aparentemente, Freud fica agastado com essa rebeldia e preocupado com as condi\u00e7\u00f5es mentais do antigo filho predileto.<\/p>\n<p>A mim parece que um dos elementos que levou Freud \u00e0 conclus\u00e3o da irreversibilidade daquele afastamento e \u00e0 ruptura, foi sua estupefac\u00e7\u00e3o com o peculiar \u201cretorno a Freud\u201d que seu pupilo estava realizando. Em uma carta a Anna ele escreve sobre Ferenczi, ap\u00f3s um encontro particularmente desencontrado, em que Ferenczi insiste em um momento pouco adequado, em ler para ele seu artigo<\/p>\n<p><em>\u201c<\/em><em>&#8230;ele regrediu completamente a concep<\/em><em>\u00e7\u00f5<\/em><em>es etiol<\/em><em>\u00f3<\/em><em>gicas em que acreditei e a que renunciei 35 anos atr<\/em><em>\u00e1<\/em><em>s: que a causa regular das neuroses s<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o os traumas sexuais da inf<\/em><em>\u00e2<\/em><em>ncia, dito praticamente nas mesmas palavras que eu usei.<\/em><em>\u201d <\/em><\/p>\n<p>A ideia de progresso da psican\u00e1lise era tribut\u00e1ria de uma concep\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria que avan\u00e7a, concep\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria \u00e0 \u00e9poca, embora essa Hist\u00f3ria possa ter seus percal\u00e7os de vez em quando, como uma guerra, por exemplo, tal como a I Guerra, que desde 1918 todos haviam julgado que teria acabado. Uma concep\u00e7\u00e3o de avan\u00e7o cient\u00edfico que n\u00e3o admitia nem regress\u00f5es nem retrocesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A utopia da restaura<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o <\/strong><\/p>\n<p>Para Ferenczi, suas proposi\u00e7\u00f5es te\u00f3rico-cl\u00ednicas assim como o analista ocupando o lugar necess\u00e1rio levariam a cura para al\u00e9m da an\u00e1lise dos sintomas, atingiriam a transformar o car\u00e1ter e as injun\u00e7\u00f5es determin\u00edsticas da hist\u00f3ria libidinal subjetiva, tais como o trauma e o desmentido do trauma, que mantinham o sofrimento. Seria poss\u00edvel levar a an\u00e1lise at\u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o do eu atomizado pelo trauma, poder-se-ia alcan\u00e7ar, recuperar, um estado de liberdade, tal qual o da crian\u00e7a. A psican\u00e1lise poderia colaborar na constru\u00e7\u00e3o do homem novo.<\/p>\n<p>O homem novo \u00e9 uma ideia que habita a Europa naquele momento do p\u00f3s guerra de 1914-1918. A ideia tem ra\u00edzes filos\u00f3ficas s\u00f3lidas e ganha corpo na realidade pol\u00edtica da URRS, em que tal sintagma far\u00e1 Hist\u00f3ria, inicialmente de forma auspiciosa, posteriormente derivando para o execr\u00e1vel Gulag; mas, naqueles entretantos, ainda goza de respeitabilidade. A revolu\u00e7\u00e3o ter\u00e1 eliminado os v\u00edcios do passado e da tradi\u00e7\u00e3o e construir\u00e1 o homem novo por meio do cultivo de sua bondade intr\u00ednseca. Quando da publica\u00e7\u00e3o de \u201cPara Al\u00e9m do Princ\u00edpio do Prazer\u201d, algo desse pensamento ut\u00f3pico difusamente presente no campo psicanal\u00edtico<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> ficar\u00e1 abalado. N\u00e3o para Ferenczi, pois h\u00e1 nele a convic\u00e7\u00e3o que a Psican\u00e1lise possa ser o m\u00e9todo capaz de resgatar a vida de suas amarras institucionais, caracteriais, pol\u00edticas e sociais, pela restaura\u00e7\u00e3o do eu fragmentado e pela reconex\u00e3o com a energia c\u00f3smica, pela restaura\u00e7\u00e3o e renascimento de um novo Eu. Assim, em 28\/06\/1932 Ferenczi escreve em seu di\u00e1rio:<\/p>\n<p><em>\u201cAs hip\u00f3<\/em><em>teses audaciosas a respeito do contato de um indiv<\/em><em>\u00ed<\/em><em>duo com\u00a0 todo o universo devem ser consideradas n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o s<\/em><em>\u00f3 <\/em><em>do ponto de vista segundo o qual essa onisci<\/em><em>\u00ea<\/em><em>ncia torna o indiv<\/em><em>\u00ed<\/em><em>duo capaz de determinadas performances, mas tamb<\/em><em>\u00e9<\/em><em>m (e isso talvez seja o mais paradoxal de tudo o que foi dito at<\/em><em>\u00e9 <\/em><em>hoje) na perspectiva de que tal contato possa agir de um modo humanizante sobre todo o universo.<\/em><em>\u201d <\/em>(FERENCZI, 1990; p. 188).<\/p>\n<p>E, de um modo mais circunspecto, sobre a poss\u00edvel \u201clenta eclos\u00e3o de uma benevol\u00eancia ing\u00eanua\u201d a qual poderia vir a acontecer por meio de se possibilitar que \u201cpuls\u00f5es puramente ego\u00edstas pudessem ser em parte realmente satisfeitas e que a bondade neur\u00f3tica possa ser erradicada\u201d, ele escrever\u00e1 dois dias depois:<\/p>\n<p><em>\u201c<\/em><em>O trabalho preparat<\/em><em>\u00f3<\/em><em>rio para isso deveria ser fornecido pela educa<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o das crian<\/em><em>\u00e7<\/em><em>as, mas o trabalho preparat<\/em><em>\u00f3<\/em><em>rio para a educa<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o das crian<\/em><em>\u00e7as \u00e9 <\/em><em>a experi<\/em><em>\u00ea<\/em><em>ncia e pr<\/em><em>\u00e1<\/em><em>tica psicanal<\/em><em>\u00ed<\/em><em>ticas.<\/em><em>\u201d <\/em>(FERENCZI, 1990; p. 195).<\/p>\n<p><strong>\u201c<\/strong><strong>E o que chamamos progresso <\/strong><strong>\u00e9 <\/strong><strong>essa tempestade<\/strong><strong>\u201d <\/strong><\/p>\n<p>Em janeiro de 1978 estreia em Nova York o filme de Ingmar Bergman <em>O ovo da serpente<\/em>, que se passa em Berlim, em novembro de 1923. O personagem protagonista, um judeu trapezista, descobre que seu irm\u00e3o se suicidara, e na miserabilidade da vida da cidade, Abel e a cunhada Manuela tentar\u00e3o sobreviver, talvez viver. Naquele contexto, ir\u00e3o trabalhar em uma cl\u00ednica clandestina que realiza experimentos com seres humanos. Um deles consiste em deixar isolada uma mulher em cont\u00ednuos cuidados a seu beb\u00ea rec\u00e9m-nascido que, devido a uma s\u00edndrome, chora ininterruptamente. O experimento pretende medir quanto tempo ela levar\u00e1 at\u00e9 matar seu beb\u00ea. N\u00e3o me lembro quanto tempo ela leva, mas o mata.<\/p>\n<p>Embora Freud tenha escrito bastante precocemente seu texto \u201cConsidera\u00e7\u00f5es Contempor\u00e2neas sobre a Guerra e a Morte\u201d &#8211; apenas alguns meses depois do in\u00edcio da Guerra de 1914-1918 \u2013 e embora nele tenha desenvolvido a arguta percep\u00e7\u00e3o sobre o papel do Estado em rela\u00e7\u00e3o aos cidad\u00e3os n\u00e3o combatentes em tempos de Guerra, e embora ele houvesse padecido fome, frio e ang\u00fastia durante o per\u00edodo de dura\u00e7\u00e3o daquela guerra, aquele per\u00edodo foi tamb\u00e9m um per\u00edodo muito produtivo, com poucos pacientes e muito tempo para escrever. O t\u00e9rmino da Guerra o encontrar\u00e1 disposto e decidido a repensar e reposicionar a posi\u00e7\u00e3o dos psicanalistas na sociedade, pois considerava que pudessem ficar do lado errado da Hist\u00f3ria, caso n\u00e3o revissem seus m\u00e9todos. Ele dir\u00e1 \u201cembora a situa\u00e7\u00e3o perten\u00e7a ao futuro (&#8230;) deveremos estar preparados\u201d (DANTO, 2019; p. XXI). A proposta das cl\u00ednicas p\u00fablicas europeias, gratuitas, pretendiam atender a esses prop\u00f3sitos, cuja dire\u00e7\u00e3o \u00e9tica seria ajudar a restaurar a individualidade e a participa\u00e7\u00e3o social dos empobrecidos sobreviventes, ex-combatentes ou n\u00e3o combatentes. A Guerra atingira a todos. O m\u00e9todo que Freud prop\u00f5e \u00e0 \u00e9poca, para tal restaura\u00e7\u00e3o, seria a t\u00e9cnica ativa de Ferenczi.<\/p>\n<p>Mas, apesar de tanto entusiasmo e precau\u00e7\u00f5es, n\u00e3o haveria o que pudesse preparar a todos para o que se tecia nos por\u00f5es, nas cl\u00ednicas clandestinas, nos suic\u00eddios desesperados, na fome e na brutaliza\u00e7\u00e3o dos corpos como mercadorias. O p\u00f3s Guerra era apenas o interregno para um segundo tempo traum\u00e1tico, de cujos desdobramentos o primeiro tempo tinha sido apenas parca amostra.<\/p>\n<p>O trauma daquela Guerra n\u00e3o se assemelhava aos outros, pois essa Guerra \u00e9 diferente. Dela os soldados voltar\u00e3o emudecidos, tendo perdido a possibilidade de tornar o horror uma experi\u00eancia compartilhada e transmiss\u00edvel. Ou de apelar para que algu\u00e9m de confian\u00e7a testemunhasse suas viv\u00eancias do horror. A neurose traum\u00e1tica dessa Guerra, por\u00e9m, permitir\u00e1 reconhecer os sonhos traum\u00e1ticos, a compuls\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o e o quanto brincar e nomear \u00e9 fa\u00e7anha civilizat\u00f3ria. Mas desconhe\u00e7o relatos cl\u00ednicos sobre o tratamento desses soldados retornados nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Da segunda Guerra os soldados n\u00e3o voltar\u00e3o mudos, voltar\u00e3o expropriados de suas viv\u00eancias, para sempre culpados de haverem sobrevivido. Muitos com algo que tornava imposs\u00edvel prosseguir vivendo. Eles s\u00e3o as testemunhas do inomin\u00e1vel, mas quem testemunhar\u00e1 pelas testemunhas?<\/p>\n<p>A II Guerra ir\u00e1 p\u00f4r Ferenczi novamente em contato com Freud, pois, ainda que muito doente \u2013 padecia de anemia perniciosa, que respondia mal ao tratamento administrado \u2013 tr\u00eas semanas ap\u00f3s o inc\u00eandio do Reichstag, bastante alarmado com o progresso das a\u00e7\u00f5es de Hitler na Alemanha, ele escrever\u00e1 a Freud exortando-o a que este saia da \u00c1ustria, \u201ccom sua filha Anna e com alguns poucos pacientes\u201d e o aconselha enfaticamente que se exile na Inglaterra. O m\u00e9dico de Ferenczi considerar\u00e1 que esse seu pessimismo \u2013 Ferenczi tamb\u00e9m pensava em se refugiar \u2013 era efeito de seu estado patol\u00f3gico. Freud lhe responde que n\u00e3o pretende deixar Viena, pois acredita que na \u00c1ustria aquela guerra \u201cn\u00e3o atingiria a desfa\u00e7atez da brutalidade tal como na Alemanha\u201d. Ele havia respondido a Marie Bonaparte em termos muito semelhantes, quando ela o convidara a se dirigir a St. Cloud e afirmar\u00e1 sua cren\u00e7a que as investidas de Hitler n\u00e3o passavam de bravatas, que a Fran\u00e7a e a Am\u00e9rica saberiam controlar \u00e0 dist\u00e2ncia. Freud diz: \u201cAs brutalidades que se notam na Alemanha parecem que est\u00e3o diminuindo.\u201d<\/p>\n<p>Ferenczi morreu pouco depois daquela sua carta e n\u00e3o pode ver suas profecias se realizarem; Freud, entretanto, assistiu \u00e0s primeiras escaladas do brutalidades de Hitler em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 solu\u00e7\u00e3o final, que n\u00e3o chegou a ver.<\/p>\n<p>Como coment\u00e1rio final, gostaria de introduzir a conjectura de que o desenlace nefasto das rela\u00e7\u00f5es entre Ferenczi e Freud foi tamb\u00e9m efeito de uma certa dose coletiva de negacionismo presente no p\u00f3s Guerra e que ambos disso fizeram parte, pois viveram uma esp\u00e9cie de busca de restaura\u00e7\u00e3o do \u201ceu atomizado\u201d pelo trauma ou das consequ\u00eancias diretas e indiretas da Guerra, restaura\u00e7\u00e3o como processo do qual n\u00e3o haveria nem restos nem esc\u00f3ria. Tudo poderia ser representado, inscrito, admitido e ab-reagido, restaurado, pela Psican\u00e1lise. Curiosamente, nessa rela\u00e7\u00e3o, Freud teria sido o mais otimista, o mais negacionista \u2013 a Psican\u00e1lise poderia resgatar a individualidade dos empobrecidos e precarizados cidad\u00e3os europeus p\u00f3s Guerra e lev\u00e1-los a retomar a participa\u00e7\u00e3o social. Aquele Ferenczi que reputava \u00e0 sua an\u00e1lise ter lhe possibilitado ser bem humorado, reencontra seu pessimismo prof\u00e9tico, e novamente n\u00e3o \u00e9 escutado.<\/p>\n<p>Havia uma diferen\u00e7a importante entre ambos nessa Hist\u00f3ria, pois diferentemente de Freud, Ferenczi estivera diretamente na Guerra, como m\u00e9dico e, possivelmente, muito dessa viv\u00eancia n\u00e3o pode ser acolhida nem por ele, nem por Freud, mas lhe possibilitou pressentir o horror que novamente se avizinhava. Freud permaneceu sem dar ouvidos ao mau humor de seu paladino e tamb\u00e9m n\u00e3o leu o que escreveu, pois nas respostas \u00e0quelas duas pessoas que o amavam \u2013 Marie Bonaparte e S\u00e1ndor Ferenczi, sua escrita atesta que a <em>brutalidade <\/em>j\u00e1 est\u00e1 presente. Nos anos seguintes, ter\u00e1 que se haver com isso e em um de seus derradeiros trabalhos \u2013 \u201cMois\u00e9s e o monote\u00edsmo\u201d \u2013 tentar\u00e1 lan\u00e7ar luz sobre a Hist\u00f3ria como trauma.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">S\u00e3o Paulo, 08 de Setembro de 2024<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>DANTO, Elizabeth Ann \/ As cl\u00ednicas p\u00fablicas de Freud: psican\u00e1lise e justi\u00e7a social 1918- 1938. Tradu\u00e7\u00e3o Margarida Goldstein \u2013 1ed \u2013 S\u00e3o Paulo: Editora Perspectiva, 2019. (Cole\u00e7\u00e3o Estudos; 368\/coordena\u00e7\u00e3o J. Guinsburg (<em>in memoriam<\/em>)<\/p>\n<p>FERENCZI. Sandor \/ Di\u00e1rio Cl\u00ednico: [Tradu\u00e7\u00e3o de \u00c1lvaro Cabral; Revis\u00e3o da Tradu\u00e7\u00e3o: Claudia Berliner], &#8211; S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1990.<\/p>\n<p>JONES, Ernest \/ Vida e Obra de Sigmund Freud Volume II [Tradu\u00e7\u00e3o de Marco Aur\u00e9lio de Moura Mattos; Introdu\u00e7\u00e3o de Lionel Trilling \/ Organiza\u00e7\u00e3o e Resumo de Lionel Trilling e Steven Marcus]; Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1970.<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, onde \u00e9 professora e supervisora no Curso de Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> \u00c0 proposta de Freud da cria\u00e7\u00e3o de Cl\u00ednicas Publicas europeias, de atendimento gratuito e dirigida extensamente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o empobrecida e traumatizada do p\u00f3s guerra ser\u00e1 recebida e assumida pelos psicanalistas de primeira gera\u00e7\u00e3o e alguns da segunda, dentre os quais se encontram psicanalistas comunistas, socialistas e social-democratas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos traumas de guerra \u00e0 utopia da restaura\u00e7\u00e3o. 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