{"id":3372,"date":"2024-11-20T18:16:16","date_gmt":"2024-11-20T21:16:16","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3372"},"modified":"2024-11-22T19:17:13","modified_gmt":"2024-11-22T22:17:13","slug":"narcisisimo-alteridade-e-identidade-aula-aberta-com-benilton-bezerra-jr-promovida-pelo-curso-de-psicopatologia-psicanalitica-e-clinica-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2024\/11\/20\/narcisisimo-alteridade-e-identidade-aula-aberta-com-benilton-bezerra-jr-promovida-pelo-curso-de-psicopatologia-psicanalitica-e-clinica-contemporanea\/","title":{"rendered":"Narcisisimo, alteridade e identidade: Aula aberta com Benilton Bezerra Jr. promovida pelo curso de Psicopatologia psicanal\u00edtica e cl\u00ednica contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Narcisismo, <\/strong><strong>alteridade e identidade: Aula aberta com Benilton Bezerra Jr. promovida pelo curso de Psicopatologia Psicanal<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>tica e Cl<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>nica Contempor<\/strong><strong>\u00e2nea<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><strong>Ana L\u00facia Panach<\/strong><strong>\u00e3<\/strong><strong>o<\/strong><strong> e <\/strong><strong>Maria Carolina Accioly<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>No dia 15 de outubro tivemos o prazer de receber Benilton Bezerra Jr<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> que, a convite do Curso de Psicopatologia Psicanal\u00edtica e Cl\u00ednica Contempor\u00e2nea, ministrou uma aula aberta<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> proposta pelo curso. Essa proposta configurou uma experi\u00eancia nova que reuniu alunos e professores dos tr\u00eas cursos do Departamento e do GTEP e alguns ex-alunos do nosso curso, e promoveu uma atividade entre os espa\u00e7os de transmiss\u00e3o do Departamento.<\/p>\n<p>Marcia de Mello Franco, coordenadora, e Mania Deweik, professora, abriram a mesa apresentando algumas tem\u00e1ticas que v\u00eam sendo trabalhadas com os alunos e entre os professores, a proposta da aula e o convidado.<\/p>\n<p>Benilton iniciou sua explana\u00e7\u00e3o convidando a todos para um exerc\u00edcio de constru\u00e7\u00e3o de perguntas, quando sublinhou ser mais importante sustentar quest\u00f5es para juntos pensarmos uma psican\u00e1lise comprometida com o tempo contempor\u00e2neo, do que propriamente encontrar respostas. Logo de partida abordou a psican\u00e1lise a partir de um horizonte \u00e9tico, no sentido de pensar os conceitos como \u201cmaneiras, ferramentas para agir no mundo\u201d, sustentadas pela imperman\u00eancia e n\u00e3o ess\u00eancia das coisas.\u00a0 Benilton chamou aten\u00e7\u00e3o para o uso da &#8220;categoria do universal&#8221; ao enfatizar que a luta identit\u00e1ria aponta para o que, na categoria do universal, fica de fora. Falou de maneira consistente, espont\u00e2nea e abrangente sobre os processos de produ\u00e7\u00e3o de subjetividade desde a modernidade, colocando \u00eanfase no neoliberalismo e no capitalismo colonial, para descrever as constru\u00e7\u00f5es de modos de ser sujeitos no mundo.<\/p>\n<p>Destacou que quest\u00f5es identit\u00e1rias passaram a ter relev\u00e2ncia h\u00e1 pouco mais de 20 anos, quando &#8220;o problema da identidade passou a ocupar o centro da vida pol\u00edtica, cultural e da vida subjetiva, adentrando as \u00e1reas que se debru\u00e7aram sobre esses campos, inclusive a psican\u00e1lise&#8221;. Sublinhou que a prolifera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas identit\u00e1rias, cujas quest\u00f5es produziram perspectivas muito distintas e cr\u00edticas acirradas tanto por parte da direita quanto da esquerda, suscitou acusa\u00e7\u00f5es de deturpar e desviar as pautas universais e revolucion\u00e1rias da &#8220;grande pol\u00edtica&#8221;.<\/p>\n<p>Discorreu tamb\u00e9m sobre o fim da era das utopias revolucion\u00e1rias, com a queda do muro de Berlim, que j\u00e1 apontavam para uma desesperan\u00e7a coletiva dificultadora da possibilidade de pensar e sonhar um outro modo de vida fora do capitalismo. Problematizou a entrada e a relev\u00e2ncia da no\u00e7\u00e3o de identidade no campo psicanal\u00edtico &#8211; entendida, at\u00e9 ent\u00e3o, como cristaliza\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que sufocaria o processo identificat\u00f3rio ininterrupto, uma vez que o sujeito \u00e9 \u201cinessencial\u201d. Para ele, esse argumento, repetido pelos psicanalistas durante anos, impediu-os de se debru\u00e7arem sobre a import\u00e2ncia das experi\u00eancias identit\u00e1rias na elucida\u00e7\u00e3o de conflitos e de sofrimento ps\u00edquico, por serem consideradas como uma esp\u00e9cie de psicologiza\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise. Citou o livro <em>Tornar-se negro,<\/em> de Neusa Santos Souza &#8211; reconhecida como psicanalista e celebrada como uma autora muito importante &#8211;\u00a0 que, ao ser publicado, inaugurou uma nova perspectiva para pensar essas experi\u00eancias e, no entanto, provocou a recusa da comunidade psicanal\u00edtica em reconhecer a originalidade e a contund\u00eancia de seu trabalho. Ela mesma, sob efeito dessa recusa, afirmou que n\u00e3o deu continuidade aos estudos sobre ra\u00e7a e quest\u00f5es de racialidade por entender que isso era psican\u00e1lise aplicada.<\/p>\n<p>Seguiu apontando que as lutas identit\u00e1rias denunciaram e denunciam os pactos da branquitude e do patriarcado mesmo dentro dos movimentos revolucion\u00e1rios do s\u00e9culo XX. Segundo ele, a pr\u00f3pria psican\u00e1lise tampouco \u201ctirava consequ\u00eancias da interseccionalidade\u201d em sua escuta e em seu trabalho, mesmo no engajamento pol\u00edtico na luta antimanicomial, o que resultou em que algo da interseccionalidade de ra\u00e7a e de g\u00eanero permanecesse recusado, marcando um limite da Reforma Psiqui\u00e1trica Brasileira.<\/p>\n<p>Nessa trama ampliada de sua fala, foi tra\u00e7ando um pensamento sobre a constitui\u00e7\u00e3o do sujeito, do la\u00e7o social e do conceito de identidade. Benilton falou numa \u201carmadilha da identidade\u201d; afinal, se reconhecer e ser reconhecido numa \u201cidentidade pode ser uma alavanca que descoagula e possibilita sujeitos se emanciparem\u201d, mas tamb\u00e9m pode produzir cristaliza\u00e7\u00f5es, fechamentos e exclus\u00f5es violentas. Para Benilton \u00e9 fundamental ter como horizonte o propiciar condi\u00e7\u00f5es para que o sujeito possa se perceber como criador de si mesmo, positivando assim o conceito de identidade. A aula e as perguntas que emergiram em seguida levaram a discuss\u00e3o at\u00e9 os tempos contempor\u00e2neos das redes sociais, algoritmos e a \u201cmonetiza\u00e7\u00e3o do inconsciente (captura da aten\u00e7\u00e3o)\u201d, e \u00e0 intelig\u00eancia artificial e seu impacto na constitui\u00e7\u00e3o das subjetividades.<\/p>\n<p>Esse encontro suscitou quest\u00f5es instigantes ao abrir caminhos de pensamento, formular perguntas e possibilitar interlocu\u00e7\u00e3o, contribuindo para um projeto de forma\u00e7\u00e3o continuada no Departamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe title=\"AULA ABERTA COM BENILTON BEZERRA JR\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gfxmRZid7Rs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Vale assistir \u00e0 sua grava\u00e7\u00e3o, dispon\u00edvel no canal do YouTube do Departamento<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psicanalistas, membros do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, professoras no curso Psicopatologia Psicanal\u00edtica e Cl\u00ednica Contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Psicanalista, psiquiatra, membro do C\u00edrculo Psicanal\u00edtico do Rio de Janeiro , ex-professor do Instituto de Medicina Social da UERJ, autor de v\u00e1rios livros, dentre os quais <em>A cria\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos na psiquiatria contempor\u00e2nea<\/em> (2014) e <em>Freud e as neuroci\u00eancias: o Projeto para uma psicologia cient\u00edfica<\/em> (2013). Atualmente dedica-se a pesquisas em Sa\u00fade Mental e Identidades Culturais.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> No primeiro semestre tivemos uma aula conjunta com os alunos dos dois anos do curso, \u201cO eu na contemporaneidade: identidade e alteridade nas tramas identificat\u00f3rias\u201d que foi publicada no \u00faltimo n\u00famero deste Boletim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ana Lucia Panach\u00e3o e Maria Carolina Accioly.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[9],"tags":[132,52],"edicao":[295],"autor":[117,86],"class_list":["post-3372","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-dos-cursos","tag-eventos","tag-psicopatologia-psicanalitica","edicao-boletim-73","autor-ana-lucia-panachao","autor-maria-carolina-accioly","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3372"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3547,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3372\/revisions\/3547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3372"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3372"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}