{"id":340,"date":"2022-01-21T09:36:26","date_gmt":"2022-01-21T12:36:26","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=340"},"modified":"2022-02-18T15:26:43","modified_gmt":"2022-02-18T18:26:43","slug":"criar-e-profanar-dispositivos-uma-narrativa-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2022\/01\/21\/criar-e-profanar-dispositivos-uma-narrativa-da-historia\/","title":{"rendered":"Criar e profanar dispositivos"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\">Criar e profanar dispositivos \u2013 uma narrativa da hist\u00f3ria<\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\">por <strong>Heidi Tabacof <a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00c0 mem\u00f3ria de Rita Cardeal<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi com a perda de uma inoc\u00eancia caduca que meu processo de letramento racial come\u00e7ou. Aconteceu no calor do conflito que irrompeu entre psic\u00f3logos, psicanalistas e ativistas pretos, brancos e judeus, alinhados na realiza\u00e7\u00e3o do primeiro evento sobre o racismo no Departamento de Psican\u00e1lise. Era o encerramento do sociodrama, atividade disruptiva com a qual abrimos o trabalho, em 2012. O impacto do acontecimento produziu perplexidade e dispers\u00e3o, mas n\u00e3o paralisia.<\/p>\n<p>Tomar conhecimento da nossa ignor\u00e2ncia sobre a exist\u00eancia de uma condi\u00e7\u00e3o de <em>branquitude <\/em>disparou novas indaga\u00e7\u00f5es e impulsionou a publica\u00e7\u00e3o, cinco anos mais tarde, do livro <em>O racismo e o negro no Brasil &#8211; quest\u00f5es para a psican\u00e1lise.<\/em> Uma colet\u00e2nea de artigos organizada por Noemi Moritz Kon, Maria L\u00facia da Silva e Cristiane Curi Abud, que se tornou uma refer\u00eancia.<\/p>\n<p>Desde o primeiro momento de explicita\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de racismo em nossos espa\u00e7os de transmiss\u00e3o, no Curso Conflito e Sintoma, em 2010, foi na Incubadora de Ideias, ent\u00e3o em estado nascente, que essas quest\u00f5es cheias de dor e f\u00faria foram parar e come\u00e7aram a ser ditas. Noemi, Maria L\u00facia e outros protagonistas do epis\u00f3dio decidiram transformar o mal-estar, surgido na classe, em oportunidade de pensamento e produ\u00e7\u00e3o <a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A n\u00f3s, caras p\u00e1lidas, coube escutar e pensar junto, suportando a viv\u00eancia inevit\u00e1vel de desconfian\u00e7a e hesita\u00e7\u00e3o, que se misturavam \u00e0 emo\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a, no emaranhado assustador da experi\u00eancia racista aqui e agora.<\/p>\n<p>Para os que n\u00e3o sabem, a Incubadora de Ideias, criada no \u00e2mbito do CD 2008-2010, tem como prop\u00f3sito estimular, acolher e oferecer sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e intelectual \u00e0s iniciativas de novos trabalhos no Departamento. As poucas propostas que surgiam, n\u00e3o obtendo ades\u00e3o de interessados, minguavam e eram interrompidas. Ao mesmo tempo, os grupos de trabalho existentes estavam lotados ou n\u00e3o correspondiam aos interesses dos alunos egressos dos cursos e dos antigos membros que se mantinham inativos. De tudo isso resultava um movimento de evas\u00e3o preocupante.<\/p>\n<p>A ideia me ocorreu como \u00f3bvia ao analisarmos o problema e entendermos que esse processo de esvaziamento se devia n\u00e3o ao esgotamento do terreno, mas \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o desigual das possibilidades e recursos dispon\u00edveis, efeito da maneira em que se articulavam as for\u00e7as pol\u00edtico-psicanal\u00edticas dominantes. Tratava-se de um impedimento invis\u00edvel a ser nomeado, debatido e, sobretudo, ultrapassado.<\/p>\n<p>Rita Cardeal, que eu mal conhecia, ativamente inserida num lugar distante do meu no Departamento, do seu jeito mineiro agarrou a oportunidade pelos chifres, tornando-se a parceira indispens\u00e1vel, l\u00facida e combativa, no desenho e implementa\u00e7\u00e3o do novo dispositivo.<\/p>\n<p>Foi a esse lugar institucional que convidei Anne Eg\u00eddio a ingressar anos depois, em 2016, ao buscar em privado uma supervis\u00e3o. Sua demanda, escutada como den\u00fancia, era igual e diferente da anterior. Agora, tratava-se de olhar para dentro do nosso pr\u00f3prio contexto, nos implicando no sofrimento de passar por situa\u00e7\u00f5es de segrega\u00e7\u00e3o e constrangimento no Curso de Psican\u00e1lise e da dureza de circular pelas \u00e1reas de conviv\u00eancia do Sedes sendo uma mulher negra &#8211; uma aluna negra em seu processo de forma\u00e7\u00e3o como analista.<\/p>\n<p>Sua fala descortinava um campo imenso de problemas em que Anne estava s\u00f3, mas que n\u00e3o era s\u00f3 dela. O que nos trazia \u00e9 uma trag\u00e9dia brasileira, t\u00e3o nossa que exige ser encarada j\u00e1, sem garantia nem escapat\u00f3ria, de forma radical e coletiva.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, iniciou-se a deflagra\u00e7\u00e3o de um movimento democratizante de extraordin\u00e1ria import\u00e2ncia. Passa a se incluir na luta por exist\u00eancia, reconhecimento e acesso aos lugares de saber e poder uma linha de for\u00e7a central, constitutiva, espantosamente ausente das nossas inquieta\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, cl\u00ednicas e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Naquele momento, a contundente presen\u00e7a do racismo se revelava em cada um e todos n\u00f3s. Algo evidente que resistimos a admitir, at\u00e9 por termos como marca distintiva o compromisso com uma psican\u00e1lise cr\u00edtica e libert\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para Grada Kilomba, se enfrentarmos a nega\u00e7\u00e3o inicial do pr\u00f3prio racismo e a culpa subsequente, ca\u00edmos no abismo da vergonha. Mas, \u00e9 justamente ao enfrentarmos a vergonha do privil\u00e9gio e da coniv\u00eancia com a viol\u00eancia das pr\u00e1ticas racistas naturalizadas que poderemos nos responsabilizar pela urg\u00eancia de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e subjetiva atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es antirracistas.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do <em>Grupo de Trabalho A Cor do Mal-Estar<\/em> foi uma resposta nesse sentido e desde o princ\u00edpio precisamos profanar dispositivos vigentes. A come\u00e7ar pela obrigatoriedade de os aspirantes a membro pagarem uma parte da anuidade do Departamento. Teria sido imposs\u00edvel iniciar o trabalho se o CD n\u00e3o tivesse aprovado nossa demanda de isen\u00e7\u00e3o, possibilidade que n\u00e3o existia. Uma evid\u00eancia, entre tantas outras, de como as pol\u00edticas de cota e o cuidado com os cotistas s\u00e3o fundamentais e inadi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ao longo de dois anos de idas e vindas na Incubadora &#8211; que ao mesmo tempo seguia na escuta e elabora\u00e7\u00e3o dos outros projetos de membros e aspirantes do Departamento \u2013 a persist\u00eancia inabal\u00e1vel no prop\u00f3sito de construir uma alian\u00e7a interracial nos levou, finalmente, \u00e0 conquista da confian\u00e7a necess\u00e1ria para seguir.<\/p>\n<p>Nessa altura, haviam se incorporado ao grupo Maria Miranda, Marisa Corr\u00eaa e Solange Maria Oliveira, tamb\u00e9m analistas negras. Esse primeiro tempo de reflex\u00e3o culminou com a formula\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o psicanal\u00edtica fundamental: estudar o racismo como trauma no sujeito e no la\u00e7o social.<\/p>\n<p>Ao ser apresentado publicamente e convidar interessados, o GTACME cresceu rapidamente, recebendo pessoas de dentro e fora do Departamento. Com entusiasmo e dificuldade foi buscando ganhar forma, o que se deu, outra vez, atrav\u00e9s da viol\u00eancia que eclodiu entre os pretos e brancos integrantes do projeto.<\/p>\n<p>Dessa vez, felizmente, contamos com a possibilidade imediata de falar, suportar a tens\u00e3o dos conflitos e continuar no caminho.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Integrantes da primeira hora sa\u00edram, outros chegaram, o movimento \u00e9 constante, mas um n\u00facleo coeso se constituiu e hoje pensamos a pr\u00f3pria experi\u00eancia do grupo como um laborat\u00f3rio de letramento racial e institucional. Temos a convic\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 podemos levar adiante nosso desejo de produ\u00e7\u00e3o metapsicol\u00f3gica e de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica incluindo a investiga\u00e7\u00e3o das intensidades subjetivas, por vezes avassaladoras, que amea\u00e7am o processo.<\/p>\n<p>Um ponto de inflex\u00e3o nesse per\u00edodo foi a leitura do manifesto antirracista <em>Da den\u00fancia do trauma ao manifesto do letramento<\/em>, no evento interdepartamental <em>Insistir, resistir e existir<\/em>, em 2020. O texto incendiou os esp\u00edritos e catalisou no Departamento, no Instituto e em suas diversas inst\u00e2ncias, as for\u00e7as dispersas que se mobilizavam na mesma dire\u00e7\u00e3o. Com isso, estruturas pesadas e complexas come\u00e7aram a se mexer, em sintonia com a in\u00e9dita consci\u00eancia da desumaniza\u00e7\u00e3o criminosa produzida pelo racismo, aqui e em toda parte.<\/p>\n<p>Sendo assim, um caminho decisivo foi percorrido entre a constata\u00e7\u00e3o da recusa e da nega\u00e7\u00e3o do racismo presentes na den\u00fancia de 2010, e o que se d\u00e1 agora, poucos anos depois, no escopo ampliado de psicanalistas e demais trabalhadores do Sedes. Instituto engajado, de fato, na luta por direitos, liberdade e justi\u00e7a, mas que tamb\u00e9m deixou fora de sua carta de princ\u00edpios o marcador social espec\u00edfico que \u00e9 o racismo com seu rastro de desigualdades. Uma falta compreens\u00edvel, dada a natureza estrutural do problema, mas inaceit\u00e1vel agora, quando entendido como um mal que atinge a todos, expondo a popula\u00e7\u00e3o negra a constantes re-traumatismos que aos brancos passam despercebidos.<\/p>\n<p>Precisamos entender o que \u00e9 viver assim. Aprender a perceber aquilo que em nossa linguagem, gestos e automatismos, serve \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas seculares de apagamento e opress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 disso que trata o letramento racial, proposta estrat\u00e9gica do GTACME, para transformar nossos modos de fazer as coisas. Nessa opera\u00e7\u00e3o, o \u00fanico grupo proposto, constitu\u00eddo e coordenado por psicanalistas negras e negros tem um lugar de saber que \u00e9 s\u00f3 dele. Dispositivo que, como a pr\u00f3pria Incubadora, funciona como uma m\u00e1quina de profanar dispositivos.<\/p>\n<p>Profana\u00e7\u00e3o de dispositivos \u00e9 o nome dado por Agamben ao processo de restituir ao uso comum aquilo que foi capturado e separado de si. O que n\u00e3o se dar\u00e1 corretamente se aqueles que se encarregarem disto n\u00e3o estiverem em condi\u00e7\u00f5es de intervir sobre os processos de subjetiva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o menos que sobre os dispositivos mesmos, para lev\u00e1-los \u00e0 luz daquele ingovern\u00e1vel, que \u00e9 o in\u00edcio e o ponto de fuga de toda pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Segundo o autor, dispositivo \u00e9 o termo t\u00e9cnico usado por Foucault ao se ocupar daquilo que chamava de governabilidade ou governo dos homens. A rela\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos como seres viventes e o elemento hist\u00f3rico, este \u00faltimo entendido como o conjunto das institui\u00e7\u00f5es, dos processos de subjetiva\u00e7\u00e3o e das regras em que se concretizam as rela\u00e7\u00f5es de poder. O interesse de Foucault n\u00e3o \u00e9 reconciliar os dois elementos nem enfatizar o conflito entre eles, trata-se de investigar os modos concretos em que os dispositivos atuam nas rela\u00e7\u00f5es, nos mecanismos e nos \u201cjogos\u201d de poder.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, o estabelecimento da Incubadora de Ideias enfrentou, em alguns setores, uma obstinada resist\u00eancia.<\/p>\n<p>No entanto, do meu ponto de vista &#8211; e sei que nele n\u00e3o estou sozinha -, como suposto na aposta de origem, as atividades criadas atrav\u00e9s da Incubadora revitalizam o Departamento, enriquecendo tamb\u00e9m os que j\u00e1 eram ricos. Uma opera\u00e7\u00e3o incomum no modo de subjetiva\u00e7\u00e3o colonial capitalista, em sua l\u00f3gica de que n\u00e3o basta eu ter, \u00e9 preciso que o outro n\u00e3o tenha para que meus privil\u00e9gios sejam mantidos.<\/p>\n<p>Hoje, convocados a criar dispositivos de letramento que atendam \u00e0 diversidade dos espa\u00e7os de trabalho do Departamento de Psican\u00e1lise e do Instituto Sedes, \u00e9 uma alegria constatar que apesar dos desafios de toda ordem, contamos com o impulso convergente de todos aqueles que t\u00eam demonstrado, em ato, o desejo e a coragem de faz\u00ea-lo. Avancemos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<pre><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Psicanalista, documentarista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante do GTACME.\r\n\r\n<a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Vale acompanhar a narrativa de Maria Lucia da Silva no 6\u00ba epis\u00f3dio de <em>Psicanalistas que falam<\/em>: \u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=FXwoTBYE88c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=FXwoTBYE88c<\/a><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Heidi Tabacof relata o trabalho de sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Incubadora de Ideias para a constru\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a interracial no Departamento de Psican\u00e1lise.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[6],"tags":[45,40],"edicao":[13],"autor":[69],"class_list":["post-340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-psicanalise-e-politica","tag-letramento-racial","tag-negritude","edicao-boletim-61","autor-heidi-tabacof","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=340"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1192,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340\/revisions\/1192"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=340"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=340"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}