{"id":3573,"date":"2025-04-10T16:11:20","date_gmt":"2025-04-10T19:11:20","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3573"},"modified":"2025-04-10T17:00:43","modified_gmt":"2025-04-10T20:00:43","slug":"sobre-o-xiii-congresso-flappsip","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2025\/04\/10\/sobre-o-xiii-congresso-flappsip\/","title":{"rendered":"Sobre o XIII Congresso FLAPPSIP"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>SOBRE O XIII CONGRESSO FLAPPSIP<\/strong><a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Helena Albuquerque<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201c<em>Bem-vindo ao novo mundo<\/em><br \/>\n<em>Que vai se desintegrar no pr\u00f3ximo segundo\u201d<\/em><br \/>\nArnaldo Antunes, no \u00e1lbum <em>Novo Mundo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como a psican\u00e1lise pode contribuir para manter o espa\u00e7o aberto para o pensamento e a complexidade nesse novo mundo, \u201cque vai se desintegrar no pr\u00f3ximo segundo\u201d, de acordo com o compositor?<\/p>\n<p>O XIII Congresso FLAPPSIP: <em>Eros, alteridade e criatividade em tempos de assombro \u2013 O pulso atual da psican\u00e1<\/em><em>lise,<\/em> nos convida a essa reflex\u00e3o, sob o prisma do assombro diante da velocidade e da multiplicidade das transfigura\u00e7\u00f5es na civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Na cena mundial cotidiana temos um bombardeio de not\u00edcias sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e os an\u00fancios de fim-do-mundo, as guerras genocidas, os discursos de \u00f3dio que proliferam nas redes sociais, as elei\u00e7\u00f5es de governos autorit\u00e1rios\/fascistas ao redor do mundo e uma massa cada vez maior de exclu\u00eddos dos direitos b\u00e1sicos de cidadania. Testemunhamos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que nos surpreendem e assustam, para o bem e para o mal. Somos ent\u00e3o permanentemente invadidos por esse excesso de acontecimentos, que gera incertezas e inseguran\u00e7a quanto ao presente e ao futuro, principalmente quanto ao futuro das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Todavia, \u00e9 importante constatar, no Brasil, avan\u00e7os\u00a0e conquistas importantes no que diz respeito \u00e0 democracia e aos direitos humanos, liderados pelos movimentos: antirracistas, em sua luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial e nas pol\u00edticas afirmativas; indigenistas, na luta pela demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas e a preserva\u00e7\u00e3o de suas l\u00ednguas e tradi\u00e7\u00f5es, simbolicamente representado pela entrada hist\u00f3rica de Ailton Krenak na Academia Brasileira de Letras; feministas, nas lutas permanentes pela emancipa\u00e7\u00e3o, direitos e liberdade das mulheres; LGBTQIA+, na luta por igualdade, respeito \u00e0 diversidade e acesso a direitos; e ecologistas, na luta pela preserva\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida do planeta.<\/p>\n<p>Os eixos tem\u00e1ticos do Congresso s\u00e3o abrangentes e contemplam essa imensa complexidade da experi\u00eancia humana nesses tempos desassossegados. Fica n\u00edtido o comprometimento com uma psican\u00e1lise consciente de sua inevit\u00e1vel inser\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria, na cultura e nos paradoxos de seu tempo. Os eixos tem\u00e1ticos propostos abrem para as contradi\u00e7\u00f5es e para as nuances que envolvem cada um dos temas tratados, favorecendo o debate de ideias t\u00e3o caro \u00e0 psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>O primeiro eixo tem\u00e1tico,<em> Eros, entre desejo e conflito<\/em>, compreende os relacionamentos, as novas configura\u00e7\u00f5es familiares, o erotismo, tanto como espa\u00e7o de encontro como espa\u00e7o de ruptura, o percurso do trauma \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o, e as novas formas de reprodu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>O segundo eixo, <em>Alteridade entre a inclus\u00e3o e a rejei\u00e7\u00e3o do outro, <\/em>transita por diversos outros. O outro como espelho de transforma\u00e7\u00e3o; como encontro com a diversidade; como desafio da subjetividade face \u00e0 alteridade radical. Uma pergunta urgente surge diante da presen\u00e7a maci\u00e7a da tecnologia: qual o outro da virtualidade? A visceral consequ\u00eancia do n\u00e3o reconhecimento do outro na diferen\u00e7a \u00e9 trazida \u00e0 luz: os fundamentalismos, feminic\u00eddios, guerras e crueldades. No campo do racismo e do colonialismo \u00e9 reiterado o convite \u00e0 reflex\u00e3o sobre a discrimina\u00e7\u00e3o e o narcisismo das pequenas diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>O terceiro eixo, <em>Criatividade: sobre os limites entre o perturbador e o transformador<\/em>, convida a pensar a cria\u00e7\u00e3o como resposta \u00e0 cat\u00e1strofe ps\u00edquica; a psican\u00e1lise na sua rela\u00e7\u00e3o com a arte; a criatividade na cl\u00ednica; a cria\u00e7\u00e3o de novos mundos pelos povos origin\u00e1rios; e a capacidade para o assombro como via sublimat\u00f3ria de cria\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O quarto eixo, <em>Tecnologia, subjetividade e novos desafios<\/em>, interpela sobre os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e seus efeitos na subjetividade; o desafio da intelig\u00eancia artificial; a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia nas telas; o <em>cyber bullying <\/em>e din\u00e2micas relacionais <em>on<\/em> <em>line<\/em>; a psican\u00e1lise e a tecnologia; e o mecanismo da recusa na compreens\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e ades\u00e3o \u00e0s <em>fake news<\/em>.<\/p>\n<p>O quinto eixo perscruta a cl\u00ednica psicanal\u00edtica, <em>O pulso atual da psican\u00e1lise e os desafios atuais<\/em>, averiguando a cl\u00ednica psicanal\u00edtica entre o narcisismo e a alteridade; as sexualidades m\u00faltiplas; a medicaliza\u00e7\u00e3o e oferta diagn\u00f3stica; as cl\u00ednicas p\u00fablicas; a sociedade de consumo; e as crises clim\u00e1ticas e o sofrimento psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O sexto eixo,<em> O assombro na cl\u00ednica e na exist\u00eancia: oportunidade e amea\u00e7<\/em><em>a<\/em><em>,<\/em> faz um convite para refletir sobre o impacto do assombro; o sinistro e o fascinante na sociedade contempor\u00e2nea; a escuta anal\u00edtica perante o assombro; o corpo como cen\u00e1rio de dor ps\u00edquica; a experi\u00eancia da fragilidade permanente; e encerra com a pergunta premente de como manter aberto o espa\u00e7o para a reflex\u00e3o e a complexidade sem ficar paralisado pelo medo?<\/p>\n<p>Nas confer\u00eancias plen\u00e1rias teremos a presen\u00e7a de tr\u00eas palestrantes convidados, dentre os quais Isildinha Baptista Nogueira, professora e supervisora no Curso de Psican\u00e1lise do Departamento. Isildinha certamente contribuir\u00e1 de forma substancial para esse importante\u00a0encontro de psicanalistas latino-americanos. Ela se destaca no amplo campo psicanal\u00edtico brasileiro e nos movimentos negros como uma pensadora dos problemas relacionados com o racismo e o colonialismo, com a sua perspectiva in\u00e9dita sobre a constitui\u00e7\u00e3o do sujeito negro e sobre a metapsicologia do racismo, com efeitos ps\u00edquicos tanto em negros como em brancos.<\/p>\n<p>Para finalizar, cito Ailton Krenak; \u201cN\u00f3s n\u00e3o podemos nos render a essa narrativa de fim do mundo. Essa narrativa \u00e9 para nos fazer desistir dos nossos sonhos.\u201d (<em>post<\/em> no Instagram arteescolanafloresta, 7\/3\/25). Interessante reflex\u00e3o que ele faz, sendo conhecedor da experi\u00eancia e da hist\u00f3ria dos povos ind\u00edgenas, para os quais o fim do mundo desde s\u00e9culos est\u00e1 presente como amea\u00e7a vinda dos conquistadores brancos. Os povos ind\u00edgenas n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o desapareceram, mesmo que amea\u00e7as continuem existindo, mas, pelo contr\u00e1rio, est\u00e3o em expans\u00e3o at\u00e9 hoje e em um intenso processo de afirma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica. Essa reflex\u00e3o pode nos ajudar a reconhecer que n\u00e3o sabemos o que nos espera. Que, em um mundo de crises e incertezas, manter a esperan\u00e7a e a aposta na capacidade de pensar sa\u00eddas coletivamente \u00e9 n\u00e3o \u201cdesistir dos nossos sonhos\u201d.<\/p>\n<p>O fio condutor proposto para esse XIII Congresso FLAPPSIP convoca a abertura da psican\u00e1lise para outros saberes, para as novas quest\u00f5es que se apresentam no mundo hoje, para o acolhimento das novas formas de sofrimento, reafirmando assim a sua capacidade criativa e sua hospitalidade.<\/p>\n<p>A ampla participa\u00e7\u00e3o dos membros, aspirantes e alunos do Departamento de Psican\u00e1lise nos congressos FLAPPSIP j\u00e1 virou uma tradi\u00e7\u00e3o. Nossa presen\u00e7a tem sido uma marca forte, que tem contribu\u00eddo para um encontro potente e din\u00e2mico de muitas trocas, entre n\u00f3s e com os colegas\/amigos das outras associa\u00e7\u00f5es, e que continua a reverberar quando voltamos \u00e0s nossas cl\u00ednicas e \u00e0s nossas atividades no Departamento.<\/p>\n<p>Pr\u00f3xima parada, Lima, Peru! Nos vemos l\u00e1!<\/p>\n<p>_________<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> A ser realizado em 16, 17 e 18 de outubro de 2025, em Lima, Peru.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, articuladora da \u00e1rea de Rela\u00e7\u00f5es Externas no Conselho de Dire\u00e7\u00e3o 2024\u20142025, delegada do Departamento na FLAPPSIP desde 2022.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar o mundo hoje: assombro e esperan\u00e7a transpassam os temas do pr\u00f3ximo Congresso no Peru, por Helena Albuquerque. <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[113],"tags":[49],"edicao":[301],"autor":[97],"class_list":["post-3573","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-flappsip","tag-flappsip","edicao-boletim-74","autor-helena-albuquerque","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3573"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3573\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3574,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3573\/revisions\/3574"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3573"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3573"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}