{"id":3729,"date":"2025-06-13T17:09:38","date_gmt":"2025-06-13T20:09:38","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3729"},"modified":"2025-06-17T14:37:23","modified_gmt":"2025-06-17T17:37:23","slug":"virginia-e-adelaide-o-filme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2025\/06\/13\/virginia-e-adelaide-o-filme\/","title":{"rendered":"Virg\u00ednia e Adelaide, o filme"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Virg\u00ednia e Adelaide, o filme<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0Desde a paciente 01, a racializa\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise sempre esteve em pauta.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Fernanda Almeida<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para alguns, pode parecer curioso saber que a primeira psicanalista brasileira \u00e9 uma mulher negra. Isso mesmo: a paciente n\u00famero 01 a deitar-se em um div\u00e3 no Brasil foi Virg\u00ednia Bicudo. O filme <em>Virg\u00ednia e Adelaide<\/em> conta essa hist\u00f3ria. Narra o encontro entre duas mulheres interessant\u00edssimas: uma judia refugiada e uma brasileira que vivenciou o racismo desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>No caso da brasileira, a interracialidade familiar que a constitui (m\u00e3e branca e pai preto) \u00e9 a fonte de seus conflitos intraps\u00edquicos e a manifesta\u00e7\u00e3o de seu sofrimento. A quest\u00e3o do &#8220;pardo&#8221; est\u00e1 l\u00e1 desde sempre como objeto.<\/p>\n<p>No jogo transferencial, analisanda e analista se transformam, fazem do encontro inconsciente a den\u00fancia real dos horrores das formas cru\u00e9is de nega\u00e7\u00e3o do outro: o nazismo alem\u00e3o e o racismo brasileiro. Mas \u00e9 tamb\u00e9m do la\u00e7o social que as une que surgem as possibilidades de transmiss\u00e3o, amor e amizade.<\/p>\n<p>Eu nem sei se gostei tanto assim do filme, mas n\u00e3o tenho d\u00favidas de que essa hist\u00f3ria precisa ser contada, recontada e contada de novo. Nisso talvez resida a maior contribui\u00e7\u00e3o deste filme delicado e criativo, em que se destaca o excelente trabalho das atrizes, mesmo quando o didatismo marca presen\u00e7a na narrativa dos fatos.<\/p>\n<p>Hoje revisitei o livro\u00a0<em>Racismo, subjetividade e sa\u00fade mental: O pioneirismo negro<\/em> da editora Hucitec. O cap\u00edtulo 3 traz um texto das\u00a0autoras\u00a0Fabiana Villas Boas e Nat\u00e1lia Parolin, em que descrevem as contribui\u00e7\u00f5es de Virg\u00ednia Bicudo para o campo da sa\u00fade mental. Gostei de lembrar que Virg\u00ednia comp\u00f4s a equipe de pesquisa de Florestan Fernandes, e das articula\u00e7\u00f5es que as autoras constroem com os estudos de Neusa Santos Souza. Al\u00e9m de lembrarem que ela teve aulas com Klein, Bion e Winnicott.<\/p>\n<p>O filme se soma ao momento hist\u00f3rico e pol\u00edtico recente, em que a luta antirracista e a busca pela democratiza\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise entram em conflu\u00eancia. Ao mesmo tempo, essa hist\u00f3ria denuncia (n\u00e3o sem um grau de ironia) que aquilo que parece absolutamente original e contempor\u00e2neo \u2013 democratizar a psican\u00e1lise no Brasil \u2013em verdade, n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o original assim, \u00e9, acima de tudo, uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica no interior da pr\u00f3pria psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>\u00c9 a psican\u00e1lise que nos ensina que o conte\u00fado recalcado empurra desejos, ideias ou impulsos inaceit\u00e1veis para o inconsciente, n\u00e3o \u00e9?! S\u00f3 que os conte\u00fados continuam atuando, insistindo&#8230; e retornam como sintomas. Ser\u00e1 que isso pode, de alguma maneira, explicar a resist\u00eancia \u00e0quilo que, no filme, aparece como t\u00e3o \u00f3bvio?!<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psicanalista e Assistente Social. Atua na Rede P\u00fablica de Sa\u00fade (SUS) em um Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial \u00c1lcool e Drogas (CAPS-AD). Aspirante a membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante da equipe editorial deste Boletim <span style=\"color: #990000;\">on<\/span>line e da Comiss\u00e3o de Repara\u00e7\u00e3o Racial e A\u00e7\u00f5es Afirmativas do mesmo Departamento. Tamb\u00e9m comp\u00f5e a equipe gestora do projeto Territ\u00f3rios Cl\u00ednicos da Funda\u00e7\u00e3o Tide Setubal e \u00e9 membro do coletivo Drogas: Cl\u00ednica e Cr\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 preciso dizer de novo? A arte como instrumento de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica: uma reflex\u00e3o de Fernanda Almeida.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[316],"tags":[145,57],"edicao":[317],"autor":[71],"class_list":["post-3729","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","tag-cinema","tag-politica-de-reparacao","edicao-boletim-75","autor-fernanda-almeida","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3729"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3729\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3786,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3729\/revisions\/3786"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3729"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3729"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}