{"id":3754,"date":"2025-06-13T17:56:54","date_gmt":"2025-06-13T20:56:54","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3754"},"modified":"2025-06-13T17:56:54","modified_gmt":"2025-06-13T20:56:54","slug":"reflexoes-sobre-o-papel-da-psicanalise-na-luta-antirracista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2025\/06\/13\/reflexoes-sobre-o-papel-da-psicanalise-na-luta-antirracista\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es sobre o papel da psican\u00e1lise na luta antirracista"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Reflex\u00f5es sobre o papel da psican\u00e1lise na luta antirracista<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Pedro Altomare<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>I. Introdu<\/strong><strong>\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ser um indiv\u00edduo racializado, sob o olhar de uma sociedade colonizada, \u00e9 tornar-se, no imagin\u00e1rio colonizante, o \u201coutro\u201d \u2014 diferente do \u201cindiv\u00edduo universal branco\u201d, como bem explica Cida Bento em <em>Pacto da branquitude<\/em>: ser branco \u00e9 viver sem se perceber racialmente, numa estranha neutralidade, sendo \u201co outro\u201d quem carrega a cor (BENTO, 2022, p. 66). Tendo isso em vista, a psican\u00e1lise antirracista prop\u00f5e-se a escutar o que a hist\u00f3ria do racismo inscreve no inconsciente, afinal, \u201cfalar \u00e9 ser capaz de empregar determinada sintaxe, \u00e9 se apossar da morfologia de uma ou outra l\u00edngua, mas \u00e9, acima de tudo, assumir uma cultura, suportar o peso de uma civiliza\u00e7\u00e3o\u201d (FANON, 2024, p. 31).<\/p>\n<p>E qu\u00e3o pesado \u00e9 esse fardo civilizat\u00f3rio para os indiv\u00edduos racializados, moldado justamente para suprimir a pluralidade das subjetividades culturais e negar as l\u00ednguas, culturas e religi\u00f5es que divergem da matriz euroc\u00eantrica? Que marcas ps\u00edquicas se inscrevem quando se instaura, nesses sujeitos, a urg\u00eancia impositiva de abandonar sua cultura de origem para se inscrever na cultura do colonizador? Se recordarmos que, para Freud, em <em>O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o<\/em> (1930), o supereu carrega em si os elementos da cultura, torna-se poss\u00edvel compreender que a constitui\u00e7\u00e3o da subjetividade passa necessariamente pela assimila\u00e7\u00e3o das normas sociais e dos s\u00edmbolos que nos cercam. Mas, ent\u00e3o, como se constitui a subjetividade de um indiv\u00edduo racializado que experimentou o apagamento de seus v\u00ednculos culturais e foi compelido a introjetar elementos que, al\u00e9m de distintos dos seus, atuam ativamente para anul\u00e1-lo, inferioriz\u00e1-lo e inscrev\u00ea-lo no mundo como &#8220;ex\u00f3tico&#8221;?<\/p>\n<p>\u00c9 nesse dilema que o indiv\u00edduo racializado \u00e9 constantemente lan\u00e7ado. Se, por um lado, a linguagem \u00e9 o instrumento que permite ao sujeito se inscrever no mundo, por outro, para o indiv\u00edduo racializado, essa inscri\u00e7\u00e3o \u00e9 atravessada pela viol\u00eancia hist\u00f3rica que o arrancou de sua origem, de sua l\u00edngua e de seus referenciais simb\u00f3licos. \u00c9 a partir desse inc\u00f4modo que se inscreve a presente reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes de prosseguir, \u00e9 importante fazer um apontamento: embora as autoras e autores que fundamentam esta reflex\u00e3o tratem majoritariamente da quest\u00e3o do racismo sob a \u00f3tica de indiv\u00edduos negros, prop\u00f5e-se aqui uma amplia\u00e7\u00e3o desse olhar para a contemporaneidade, de modo a compreender o racismo como uma for\u00e7a que incide sobre todos os sujeitos racializados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>II. A experi\u00eancia do indiv\u00ed<\/strong><strong>duo racializado: entre<\/strong> <strong>m\u00e1scaras e feridas<\/strong><\/p>\n<p>Se \u00e9 por meio da linguagem que o indiv\u00edduo se assume e se insere no mundo, o que dizer daqueles que, para isso, precisaram primeiramente abdicar de sua l\u00edngua e cultura? Como pensar o processo de integra\u00e7\u00e3o sociocultural sob essa \u00f3tica? Esses sujeitos inseriram-se no mundo da maneira que lhes foi poss\u00edvel: como um \u201cn\u00e3o ser\u201d, privados de suas subjetividades e for\u00e7ados \u00e0 introje\u00e7\u00e3o de formatos identit\u00e1rios euroc\u00eantricos que os oprimiam, criminalizavam e desprezavam.<\/p>\n<p>Transpondo essa din\u00e2mica para a atualidade: a coloniza\u00e7\u00e3o, em seu modelo cl\u00e1ssico, findou-se, mas a <em>colonialidade<\/em> \u2014 pensamento derivado e perene que sup\u00f5e a superioridade da branquitude euroc\u00eantrica \u2014 permanece. A manuten\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios oriundos da expropria\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia do per\u00edodo colonial e escravocrata \u00e9 sustentada por um mecanismo que Cida Bento denomina <em>Pacto da branquitude<\/em>, o qual \u201cpossui um componente narc\u00edsico, de autopreserva\u00e7\u00e3o, como se o \u2018diferente\u2019 amea\u00e7asse o \u2018normal\u2019, o \u2018universal\u2019\u201d (BENTO, 2022, p. 18).<\/p>\n<p>O resultado desse narcisismo branco, aliado \u00e0 preval\u00eancia de valores euroc\u00eantricos na cultura, \u00e9 a perpetua\u00e7\u00e3o de um enorme contingente de pessoas que herdaram feridas narc\u00edsicas profundas, vivenciaram o apagamento de suas ancestralidades e nutrem o desejo de romper com o ciclo de destrui\u00e7\u00e3o subjetiva que a colonialidade imp\u00f4s \u2014 e ainda imp\u00f5e \u2014 aos povos racializados.<\/p>\n<p>\u00c9 sob esse olhar opressor da branquitude que os sujeitos racializados v\u00e3o se constituindo subjetivamente no processo diasp\u00f3rico que marcou o mundo contempor\u00e2neo. Assim como uma crian\u00e7a se forma a partir do olhar de seus cuidadores, podemos pensar que a coloniza\u00e7\u00e3o for\u00e7ou crian\u00e7as racializadas a tomarem como refer\u00eancia identificat\u00f3ria aqueles que os oprimiam e subjugavam, j\u00e1 que sua cultura, l\u00edngua e religi\u00e3o lhes foram negadas ou desmanteladas. S\u00e3o, ent\u00e3o, lan\u00e7adas em um eterno vir-a-ser, sem jamais tornar-se, de fato, brancas. Essa l\u00f3gica colonial permanece, ainda que ressignificada, na atual colonialidade que estrutura nossa sociedade.<\/p>\n<p>Diante disso, urge promover a revers\u00e3o desse processo, garantindo aos povos racializados o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e ao resgate cultural e lingu\u00edstico que os permita reconstruir seus referenciais identificat\u00f3rios sem a necessidade de assimila\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. E \u00e9 igualmente necess\u00e1rio que o indiv\u00edduo branco reconhe\u00e7a-se como racializado \u2014 e n\u00e3o mais como sujeito universal e referencial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>III. Psican<\/strong><strong>\u00e1<\/strong><strong>lise e sua d<\/strong><strong>\u00edvida hist<\/strong><strong>\u00f3<\/strong><strong>rica: entre a<\/strong><strong> branquitude e a resist\u00ea<\/strong><strong>ncia<\/strong><\/p>\n<p>Ao resgatar os elementos culturais dos povos racializados e racializar o branco \u2014 retirando-o de sua posi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica de modelo de moralidade, cultura e beleza \u2014 abre-se um caminho para uma sociedade mais plural e inclusiva. Nesse sentido, Isildinha Baptista, em <em>A cor do i<\/em><em>nconsciente<\/em>, prop\u00f5e que a psican\u00e1lise precisa desbranquear sua escuta, implicar-se historicamente e reconhecer o impacto do racismo na constitui\u00e7\u00e3o subjetiva dos indiv\u00edduos. Afinal, os efeitos do processo colonizador e do apagamento identit\u00e1rio se apresentam na cl\u00ednica sob diversas formas, exigindo da psican\u00e1lise a escuta dessas marcas e suas reverbera\u00e7\u00f5es inconscientes.<\/p>\n<p>Reconhecendo as marcas da racializa\u00e7\u00e3o na constitui\u00e7\u00e3o dos sujeitos, a psican\u00e1lise pode tornar-se uma aliada indispens\u00e1vel na luta antirracista, favorecendo a elabora\u00e7\u00e3o de conte\u00fados recalcados relacionados \u00e0 viol\u00eancia racial. O desbranqueamento da psican\u00e1lise \u00e9, portanto, tamb\u00e9m um gesto de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Como instrumento de investiga\u00e7\u00e3o do eu e dos processos de identifica\u00e7\u00e3o, repeti\u00e7\u00e3o, recalcamento e deslocamento, a psican\u00e1lise se torna cada vez mais libertadora quando reconhece que a subjetividade se constitui a partir da rela\u00e7\u00e3o singular entre o indiv\u00edduo e a cultura em que se insere.<\/p>\n<p>Em <em>O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o<\/em> (1930), Freud prop\u00f5e que a cultura se funda, em grande medida, sobre a ren\u00fancia pulsional. No entanto, n\u00e3o estamos todos submetidos \u00e0s mesmas ren\u00fancias e castra\u00e7\u00f5es: cada indiv\u00edduo \u00e9 castrado conforme seu contexto sociocultural. As ren\u00fancias impostas a uma crian\u00e7a branca n\u00e3o s\u00e3o as mesmas que recaem sobre uma crian\u00e7a negra. Vivemos em uma sociedade racista que imp\u00f5e, al\u00e9m das castra\u00e7\u00f5es universais, ren\u00fancias espec\u00edficas aos sujeitos racializados \u2014 e o mesmo se aplica \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero e sexualidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 em <em>O Eu e o Id<\/em> (1923), Freud demonstra que o supereu se constitui pela introje\u00e7\u00e3o das proibi\u00e7\u00f5es parentais, assumindo, posteriormente, o papel de juiz interior. Se o supereu \u00e9 moldado pelas normas familiares, e estas s\u00e3o, por sua vez, derivadas da moralidade dominante, ent\u00e3o, quando essa moralidade anula as exist\u00eancias racializadas, o supereu torna-se autof\u00e1gico. A psican\u00e1lise antirracista, nesse ponto, pode contribuir para que o sujeito identifique as introje\u00e7\u00f5es racistas que moldam seus traumas, permitindo uma elabora\u00e7\u00e3o mais precisa de seus sofrimentos.<\/p>\n<p>Importante ressaltar que a psican\u00e1lise antirracista n\u00e3o deve se restringir aos sujeitos racializados: ela tamb\u00e9m deve alcan\u00e7ar o sujeito branco, que precisa, a partir de seus pr\u00f3prios inc\u00f4modos, reconhecer-se como racializado. \u00c9 somente por meio da cr\u00edtica aos pr\u00f3prios privil\u00e9gios e \u00e0 branquitude universalizada que o sujeito branco poder\u00e1 engajar-se de fato na luta antirracista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>IV. A luta antirracista como tarefa cl\u00ednica<\/strong><\/p>\n<p>Por fim, \u00e9 fundamental compreender que a neutralidade diante do racismo n\u00e3o torna sujeitos, institui\u00e7\u00f5es ou pr\u00e1ticas \u2014 inclusive cl\u00ednicas \u2014 antirracistas. Ao contr\u00e1rio, a neutralidade colabora para a manuten\u00e7\u00e3o do<em> status quo<\/em> e das hierarquias raciais. Somente o posicionamento antirracista pode sustentar uma pr\u00e1tica cl\u00ednica verdadeiramente comprometida com a justi\u00e7a social. O sil\u00eancio e a suposta imparcialidade, nesse contexto, tornam-se instrumentos a servi\u00e7o do pacto narc\u00edsico da branquitude.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, que o analista deva romper com os fundamentos do m\u00e9todo psicanal\u00edtico, mas sim que deve cultivar uma escuta sens\u00edvel e letrada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s feridas provocadas pelo racismo. O letramento racial contribui para reconhecer, nos discursos dos analisandos, os efeitos da heran\u00e7a deixada tanto aos descendentes dos que foram escravizados quanto dos que escravizavam.<\/p>\n<p>O analista precisa reconhecer o racismo como uma realidade que atravessa a constitui\u00e7\u00e3o subjetiva \u2014 mesmo daqueles que ainda n\u00e3o se compreendem como racializados. Isso possibilita escutar o analisando e ajud\u00e1-lo a identificar e elaborar as marcas inconscientes do racismo. O inconsciente carrega as marcas da hist\u00f3ria; escut\u00e1-las \u00e9, antes de tudo, escolher a vida contra a repeti\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>FREUD, Sigmund. <em>O Eu e o Id (1923).<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo C\u00e9sar Lima de Souza. Companhia das Letras, 2010.<br \/>\nFREUD, Sigmund. <em>O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o (1930)<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo C\u00e9sar Lima de Souza. Companhia das Letras, 2010.<br \/>\nFANON, Frantz. <em>Pele negra, m\u00e1scaras brancas<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Sebasti\u00e3o Nascimento. Ubu, 2024.<br \/>\nBAPTISTA, Isildinha. <em>A cor do inconsciente: Significa\u00e7\u00f5es do corpo negro na psican\u00e1lise<\/em>. <em>Perspectiva, 2018.<br \/>\n<\/em>BENTO, Maria Aparecida da Silva. <em>Pacto da branquitude no Brasil<\/em>. Companhia das Letras, 2022.<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Estudante no 1o ano do curso Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica: Conflito e Sintoma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta antirracista como tarefa cl\u00ednica: testemunho de Pedro Altomare, entre m\u00e1scaras e feridas, entre branquitudes e resist\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[6],"tags":[53,40],"edicao":[317],"autor":[330],"class_list":["post-3754","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-psicanalise-e-politica","tag-conflito-e-sintoma","tag-negritude","edicao-boletim-75","autor-pedro-altomare","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3754"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3754\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3755,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3754\/revisions\/3755"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3754"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3754"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}