{"id":3822,"date":"2025-09-08T22:46:21","date_gmt":"2025-09-09T01:46:21","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3822"},"modified":"2025-09-11T00:46:56","modified_gmt":"2025-09-11T03:46:56","slug":"joao-frayze-pereira-se-encontra-com-o-gt-pensamento-e-clinica-nao-mecanicos-de-christopher-bollas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2025\/09\/08\/joao-frayze-pereira-se-encontra-com-o-gt-pensamento-e-clinica-nao-mecanicos-de-christopher-bollas\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Frayze-Pereira se encontra com o GT Pensamento e cl\u00ednica n\u00e3o mec\u00e2nicos de Christopher Bollas"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Jo\u00e3o Frayze-Pereira se encontra com o GT <em>Pensamento e cl\u00ed<\/em><em>nica n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o mec<\/em><em>\u00e2nicos de Christopher Bollas<\/em><\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Juliana Vidigal Bruno<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><strong> e Juliana Franchi Polakiewicz<\/strong><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong><sup>[2]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi com muito entusiasmo e alegria que o Grupo de Trabalho <em>Pensamento e cl\u00ed<\/em><em>nica n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o mec<\/em><em>\u00e2<\/em><em>nicos de Christopher Bollas <\/em>recebeu o antigo professor da USP, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psican\u00e1lise de S\u00e3o Paulo, o Dr. Jo\u00e3o A. Frayze-Pereira, no dia 13 de junho de 2025.<\/p>\n<p>O GT, j\u00e1 apresentado pelo proponente S\u00e9rgio de Gouv\u00eaa Franco neste Boletim, edi\u00e7\u00e3o 73<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, teve in\u00edcio no segundo semestre de 2024 e os encontros presenciais, que acontecem mensalmente, t\u00eam permitido uma troca potente, tecendo teoria e cl\u00ednica a partir da leitura dos textos e contribui\u00e7\u00f5es dos colegas de trabalho. Os encontros do grupo ocorrem regularmente na segunda sexta-feira de cada m\u00eas, com o objetivo de discutir a cl\u00ednica e o pensamento de Christopher Bollas, bem como aprofundar a compreens\u00e3o de sua obra.<\/p>\n<p>Durante o percurso de cerca de um ano, al\u00e9m de uma leitura cuidadosa do livro <em>A sombra do objeto<\/em> (Bollas), o grupo tamb\u00e9m se dedicou ao estudo de artigos de outros autores. A leitura de vozes autorais distintas tem sido fundamental para ampliar as reflex\u00f5es e enriquecer o percurso coletivo de estudo. A partir da leitura do texto: <em>Uma po\u00e9<\/em><em>tica psicanal<\/em><em>\u00edtica. Christopher Bollas e a quest\u00e3o da experi\u00ea<\/em><em>ncia est<\/em><em>\u00e9<\/em><em>tica, <\/em>de Jo\u00e3o A. Frayze-Pereira e das discuss\u00f5es suscitadas em torno das ideias ali apresentadas, surgiu o desejo de convidar o autor para um encontro, o que venturosamente se concretizou na \u00faltima reuni\u00e3o do semestre, em junho de 2025.<\/p>\n<p>Em seu artigo, Jo\u00e3o A. Frayze-Pereira explora o trabalho de Bollas, focando em como este estabelece uma profunda conex\u00e3o entre a experi\u00eancia est\u00e9tica, o fazer art\u00edstico e o processo psicanal\u00edtico. Para isso, retoma alguns conceitos fundamentais. O autor parte dos conceitos de e<em>xperi<\/em><em>\u00ea<\/em><em>ncia est<\/em><em>\u00e9tica e <\/em>de<em> objeto transformacional. <\/em>Retoma a defini\u00e7\u00e3o de Bollas de experi\u00eancia est\u00e9tica como uma recorda\u00e7\u00e3o existencial da mais antiga rela\u00e7\u00e3o do beb\u00ea com sua m\u00e3e: a m\u00e3e \u00e9 vivenciada n\u00e3o como um objeto separado, mas como um <em>objeto transformacional<\/em>, um processo que altera o ambiente interno e externo da crian\u00e7a. A busca por experi\u00eancias est\u00e9ticas na vida adulta \u00e9, portanto, uma busca por essa sensa\u00e7\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o do <em>self<\/em>.<\/p>\n<p>Frayze reafirma que o objetivo de uma an\u00e1lise, segundo a perspectiva de Bollas, \u00e9 permitir que o paciente desenvolva seu <em>verdadeiro self<\/em>, o que \u00e9 alcan\u00e7ado atrav\u00e9s da articula\u00e7\u00e3o de seu <em>idioma<\/em> pessoal \u2013 uma l\u00f3gica singular e inconsciente que governa cada indiv\u00edduo. Al\u00e9m disso, destaca a distin\u00e7\u00e3o que Bollas faz entre <em>fado<\/em> e <em>destino<\/em>, sendo o <em>destino <\/em>reconhecido como um potencial a ser realizado atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o e do uso de objetos, vinculado ao desenvolvimento do verdadeiro self. O <em>fado<\/em>, por sua vez, \u00e9 apenas pris\u00e3o.<\/p>\n<p>O artigo do psicanalista tamb\u00e9m ressalta a ideia, presente no trabalho de Bollas, de que a <em>criatividade<\/em> envolve necessariamente a <em>destrutividade<\/em>. Usando a met\u00e1fora de arquitetura de Bollas, Frayze explica que a constru\u00e7\u00e3o de algo novo frequentemente exige a demoli\u00e7\u00e3o do que existia antes. Da mesma forma, no processo psicanal\u00edtico, o uso criativo do objeto (o analista) pelo paciente implica uma forma de destrui\u00e7\u00e3o que permite a transforma\u00e7\u00e3o e o surgimento do novo, diferenciando essa &#8220;destrutividade&#8221; da maldade. O autor retoma o modo como Bollas estrutura a maldade como um processo intersubjetivo composto por v\u00e1rias etapas, conhecido como <em>a arquitetura da maldade.<\/em><\/p>\n<p>Por fim, Frayze reafirma aspectos do processo psicanal\u00edtico para Bollas, entre eles a posi\u00e7\u00e3o do analista, que deve facultar poeticamente a apari\u00e7\u00e3o de uma <em>intelig<\/em><em>\u00eancia da forma<\/em>, pela qual se comp\u00f5em e se articulam as in\u00fameras configura\u00e7\u00f5es do ser. Bollas reconhece que a arte pode inspirar os psicanalistas, assim como a psican\u00e1lise pode servir aos artistas.<\/p>\n<p>Entusiasmado com a releitura do artigo, o GT recebeu Frayze, para encontro de trocas frut\u00edferas. A presen\u00e7a do professor foi extremamente enriquecedora, pois al\u00e9m da oportunidade de retomar os conceitos te\u00f3ricos abordados em seu texto, o psicanalista convidado tamb\u00e9m foi muito generoso em compartilhar experi\u00eancias cl\u00ednicas e pessoais. O grupo tamb\u00e9m p\u00f4de se beneficiar de sua escuta sens\u00edvel e atenta \u00e0s quest\u00f5es trazidas pelos diversos integrantes. Uma abordagem po\u00e9tica da cl\u00ednica e seu modo singular de pensar a experi\u00eancia est\u00e9tica, \u00e0 luz da psican\u00e1lise, proporcionaram novas aberturas para investiga\u00e7\u00f5es, inquieta\u00e7\u00f5es e mais trocas.<\/p>\n<p>Frayze compartilhou com o grupo que o livro <em>A sombra do objeto<\/em>, de Christopher Bollas, marcou significativamente seu percurso intelectual, e seu encontro com a obra foi atrav\u00e9s de uma amiga que o presenteou com o livro, por ter conhecimento do seu percurso acad\u00eamico envolvendo a tem\u00e1tica da <em>est<\/em><em>\u00e9<\/em><em>tica.<\/em> Sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica na Universidade de S\u00e3o Paulo teve in\u00edcio nos anos 70 e esteve voltada principalmente para o campo das artes, o que o levou a estabelecer interlocu\u00e7\u00f5es constantes entre a filosofia, a est\u00e9tica e a psicologia social. Desde ent\u00e3o, desenvolveu uma postura cr\u00edtica ao uso que a psican\u00e1lise faz da an\u00e1lise das artes, posicionando-se de forma contundente e constante acerca desse tema.<\/p>\n<p>Durante o encontro, Jo\u00e3o sustentou que existe algo muito inovador e ao mesmo tempo consistente que marca o pensamento de Bollas. Para Frayze, Bollas exerce seu pensamento com muita liberdade e de forma bastante autoral. Ainda que Bollas tenha sua fonte de estudos em v\u00e1rias teorias, proposta por diversos psicanalistas, ao sugerir que a teoria implica uma perspectiva, torna-se evidente que sua escrita est\u00e1 profundamente enraizada em sua experi\u00eancia particular. Assim, sua teoria serve como uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o para que cada um, a partir de sua pr\u00e1tica, encontre um modo pr\u00f3prio de construir seus pensamentos.<\/p>\n<p>Frayze afirmou que Christopher Bollas teve um percurso acad\u00eamico pouco convencional, sobretudo quando comparado aos trajetos mais tradicionais dentro do campo psicanal\u00edtico. Sua forma\u00e7\u00e3o inicial foi em Hist\u00f3ria, tendo realizado posteriormente seu doutorado em Literatura Norte-Americana. Foi na Inglaterra que ele ingressou na forma\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica, vinculando-se a grupos independentes, onde aprofundou seus estudos em Freud, Melanie Klein, Winnicott, Bion, entre outros psicanalistas, fil\u00f3sofos e artistas. A partir desse repert\u00f3rio amplo e transdisciplinar, Bollas passou a desenvolver reflex\u00f5es sobre uma variedade de temas: a associa\u00e7\u00e3o livre, as diferentes formas de psicopatologia, as quest\u00f5es da maldade e da destrutividade, a escuta anal\u00edtica, a interpreta\u00e7\u00e3o e outros aspectos fundamentais da cl\u00ednica. Embora seu conte\u00fado seja profundamente ancorado na teoria psicanal\u00edtica, sua escrita se destaca pelo estilo liter\u00e1rio, o que confere \u00e0 sua obra uma densidade po\u00e9tica e est\u00e9tica que o singulariza no campo da psican\u00e1lise contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>No texto discutido pelo grupo e na exposi\u00e7\u00e3o preparada para o encontro, destacou-se a quest\u00e3o da <em>experi<\/em><em>\u00ea<\/em><em>ncia est<\/em><em>\u00e9<\/em><em>tica, <\/em>tema recorrente na obra de Bollas que tamb\u00e9m atravessa o percurso de pesquisas de Frayze. A partir da pergunta: \u201c<em>Mas afinal, como Bollas define a experi\u00ea<\/em><em>ncia est<\/em><em>\u00e9<\/em><em>tica?<\/em><em>\u201d<\/em><em>, <\/em>foi poss\u00edvel testemunhar n\u00e3o s\u00f3 a transmiss\u00e3o de importantes conceitos de Christopher Bollas, como tamb\u00e9m dos pensamentos e articula\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o Frayze, que permitiram um encontro que n\u00e3o pretendeu encerrar reflex\u00f5es, e sim, se reafirmar como um convite para prosseguir nessa travessia.<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Juliana Vidigal Bruno \u00e9 psic\u00f3loga e psicanalista, com experi\u00eancia cl\u00ednica no atendimento de adolescentes e adultos. Aspirante a membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, participa de grupos de estudo e pesquisa em psican\u00e1lise.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Juliana Franchi Polakiewicz \u00e9 psic\u00f3loga, especialista em Psicologia na Rede B\u00e1sica de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade pela Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo e <strong><em><span style=\"text-decoration: line-through;\"><u>p<\/u><\/span><\/em><\/strong>sicanalista, aspirante a membro do departamento de psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2024\/11\/20\/grupo-de-trabalho-pensamento-e-clinica-nao-mecanicos-de-christopher-bollas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2024\/11\/20\/grupo-de-trabalho-pensamento-e-clinica-nao-mecanicos-de-christopher-bollas\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma experi\u00eancia est\u00e9tica e po\u00e9tica entre psicanalistas. Por Juliana Vidigal Bruno e Juliana Franchi Polakiewicz.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[334],"tags":[38,268],"edicao":[335],"autor":[338,337],"class_list":["post-3822","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","tag-arte","tag-formacao-continua","edicao-boletim-76","autor-juliana-franchi-polakiewicz","autor-juliana-vidigal-bruno","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3822"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3822\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3882,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3822\/revisions\/3882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3822"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3822"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}