{"id":3837,"date":"2025-09-08T23:18:35","date_gmt":"2025-09-09T02:18:35","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3837"},"modified":"2025-09-11T00:47:28","modified_gmt":"2025-09-11T03:47:28","slug":"apresentacao-publica-de-clarissa-giacomo-da-motta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2025\/09\/08\/apresentacao-publica-de-clarissa-giacomo-da-motta\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica de Clarissa Giacomo da Motta"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica de Clarissa Giacomo da Motta<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Nanci de Oliveira Lima<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi rodeada de amigos e com uma expectativa calma que Clarissa Giacomo da Motta fez sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o como membro deste Departamento em 29\/08\/2025.<\/p>\n<p>Enquanto aspirante a membro, Clarissa participou ativamente do Departamento, como co-coordenadora do Grupo Faces do traum\u00e1tico e integrante da Comiss\u00e3o de Repara\u00e7\u00e3o e A\u00e7\u00f5es Afirmativas e do Grupo A Cor do Mal-Estar.<\/p>\n<p>Clarissa manifestou seu desejo de pertencimento ao Departamento falando de sua satisfa\u00e7\u00e3o em realizar esse processo, solidificando um caminho como psicanalista, no qual o Departamento esteve sempre t\u00e3o presente. Sua entrada representa, ainda, o reconhecimento e legitima\u00e7\u00e3o de um lugar ao qual ela sente que j\u00e1 pertence; deseja poder seguir contribuindo e aprendendo com o Departamento vida afora.<\/p>\n<p>E, por falar em vida, vamos falar um pouquinho sobre os prim\u00f3rdios dela. Clarissa nos presenteou com um belo memorial, extenso, profundo e bem escrito, do qual trarei um pequeno recorte.<\/p>\n<p>Paulistana, criada no interior do estado, cercada por uma fam\u00edlia amorosa e continente, carrega em si marcas bastante vivas desses come\u00e7os. Em suas palavras: \u201cFui ensinada a aprender de um jeito que eu visse sentido nos objetos de estudo. A lutar pelo que considerava justo, pelas causas que nos mobilizavam enquanto estudantes. A olhar para o mundo, suas desigualdades, sofrimentos, desejando ser parte da for\u00e7a de resist\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o. Foi nesse caldo cultural que me criei. Uma paulistana, crescida em diferentes cidades do interior de S\u00e3o Paulo, criada por redes comunit\u00e1rias, instigada a ter um pensamento cr\u00edtico e transformador.\u201d<\/p>\n<p>Ela se afasta deste ambiente \u00edntimo e conhecido, e se lan\u00e7a para morar em S\u00e3o Paulo e cursar Psicologia ainda bastante nova. Formou-se na USP seguindo uma tradi\u00e7\u00e3o familiar; tradi\u00e7\u00e3o que a instigou a fazer escolhas criteriosas, por\u00e9m, trouxe tamb\u00e9m altas idealiza\u00e7\u00f5es, carregadas de sofrimento como costumam ser, que est\u00e3o sendo desconstru\u00eddas em seu trajeto. Logo no in\u00edcio da gradua\u00e7\u00e3o, em seu segundo ano, Clarissa foi apresentada \u00e0 psican\u00e1lise e com ela seguiu engajada. Iniciou sua primeira an\u00e1lise tamb\u00e9m nessa mesma \u00e9poca, vivendo momentos importantes de individua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Envolvida desde o in\u00edcio em v\u00e1rios projetos interessantes, muitos deles com alt\u00edssima carga de desafio e de frustra\u00e7\u00e3o, em certo momento, ao desligar-se de um projeto na <em>Liga da dor<\/em> e iniciar sua participa\u00e7\u00e3o na <em>Liga de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade<\/em>, recebeu de sua analista na \u00e9poca a bela constata\u00e7\u00e3o: \u201cParece que voc\u00ea saiu da doen\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade\u201d. E, obviamente, n\u00e3o era apenas sobre suas participa\u00e7\u00f5es nos projetos acad\u00eamicos que se estava falando.<\/p>\n<p>Com um leque aberto e atento aos autores estudados, Clarissa nos conta que carrega com ela, desde aquela \u00e9poca, a defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade de Christophe Dejours. Em suas palavras: \u201cPara ele, sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 apenas estado de normalidade relacionado a um bem-estar biopsicossocial, \u00e9 tamb\u00e9m uma sucess\u00e3o de compromissos com a realidade do ambiente material; com a realidade, afetiva, relacional, familiar e social.\u201d E confessa que, mesmo j\u00e1 sendo estudiosa dos textos de Freud, foi inicialmente em Dejours que ela encontrou ancoragem para sua posi\u00e7\u00e3o frente ao outro: \u201csempre de interroga\u00e7\u00e3o e real interesse, buscando mergulhar em uma aventura anal\u00edtica nas profundezas de seus mundos, tendo sempre os sujeitos como guias\u201d.<\/p>\n<p>Sua primeira aproxima\u00e7\u00e3o com o Departamento foi pelo curso de Psicopatologia Psicanal\u00edtica, que muito a estimulou. Interessada nas quest\u00f5es institucionais e n\u00e3o querendo ficar apenas na solid\u00e3o do consult\u00f3rio, aproximou-se do SUS e por l\u00e1 ficou um bom tempo, envolvida em trabalhos t\u00e3o interessantes quanto estressantes. Clarissa, como suponho que j\u00e1 deu pra perceber, entregou-se a eles profundamente, fazendo e sofrendo transforma\u00e7\u00f5es. E contou com amigos, cinema, m\u00fasica para alimentar a alma e n\u00e3o ser levada para um lugar (muito) obscuro. Nessa \u00e9poca, buscou supervis\u00e3o com M\u00e1rcia de Melo Franco, por conta de seu v\u00ednculo com o SUS, com a psicossom\u00e1tica e com o curso de Psicopatologia. Define essa escolha como fortuita e a qual ser\u00e1 eternamente grata pelo cuidado. Com ela aprendeu a escutar em meio ao caos, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 mis\u00e9ria, buscando sustentar uma cl\u00ednica para al\u00e9m do \u201cenxugar gelo\u201d \u2013 apesar de que, na maioria das vezes, era isso o melhor que se poderia fazer.<\/p>\n<p>Em 2012, sentindo a necessidade de um estudo mais sistem\u00e1tico da psican\u00e1lise, buscou novamente o Sedes, agora para o Curso de Psican\u00e1lise. Durante sua forma\u00e7\u00e3o, desligou-se do SUS involuntariamente e precisou processar este grande luto, uma vez que para ela o SUS representava (e continua representando) uma das propostas mais subversivas e radicais de democracia que temos no pa\u00eds, e ali ela satisfazia profundas inquieta\u00e7\u00f5es, inconformismos e vontade de transforma\u00e7\u00e3o que a\u00a0 acompanharam desde sempre.\u00a0 Para Clarissa, trabalhar no SUS era tamb\u00e9m um posicionamento pol\u00edtico e \u00e9tico. Ela sente que perdeu n\u00e3o s\u00f3 um trabalho, mas um peda\u00e7o dela mesma.<\/p>\n<p>Enfrentou esse luto com coragem e partiu para novos engajamentos. Entre eles, acompanhada de algumas amigas, a funda\u00e7\u00e3o do N\u00facleo Trajetos, no qual voltou-se para as quest\u00f5es das gesta\u00e7\u00f5es, maternidades, paternidades e primeira inf\u00e2ncia e a participa\u00e7\u00e3o no projeto Escuta Sedes.<\/p>\n<p>Em fim de 2019 nasceu seu primeiro filho, fruto tamb\u00e9m de muito investimento amoroso e, quando ele tinha seis meses, mergulhamos todos na pandemia. Depois de uma licen\u00e7a maternidade tranquila, precisou lidar &#8211; como todos n\u00f3s &#8211; com esse per\u00edodo de ang\u00fastia e falta de perspectiva. A boa parceria amorosa (e suspeito que a gostosura de um beb\u00ea crescendo) a apoiaram nesse triste per\u00edodo do mundo.<\/p>\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o dos encontros do Grupo Faces do Traum\u00e1tico no formato <em>online<\/em> tamb\u00e9m foram essenciais. Grupo do qual participa desde sua funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Das fortes transfer\u00eancias que o Curso de Psican\u00e1lise promoveu, destaca-se a rela\u00e7\u00e3o com Myriam Uchitel, que posteriormente, a convidaria a compor o grupo Faces do Traum\u00e1tico, onde est\u00e1 j\u00e1 h\u00e1 8 anos. Nele, Clarissa encontrou muito (mas muito!) mais que um espa\u00e7o de trabalho e pesquisa. L\u00e1 ela encontrou grandes amigos, \u00e9 onde foi provocada a se assumir como psicanalista, \u00e9 tamb\u00e9m onde ela teve oportunidades (e aproveitou bem delas) de escrever, falar, assumir posi\u00e7\u00f5es, coordenar projetos, organizar eventos e livros, tensionar, brigar, conviver e construir. Com quase uma d\u00e9cada de pertencimento, entende que o grupo \u00e9 parte estruturante de seu ser.<\/p>\n<p>Clarissa nos confidencia que mora nela uma veia dram\u00e1tica, que se manifesta em sua intimidade e na escrita. Assim, a escrita de seu memorial \u00e9 encarnada e atravessada por afetos e mem\u00f3rias. Entre essas mem\u00f3rias, ela nos compartilha algumas bastante doloridas, por meio das quais o sabido da ordem te\u00f3rico-cl\u00ednica sobre o traum\u00e1tico tomou outra dimens\u00e3o, onde os restos n\u00e3o metabolizados invadiram o cen\u00e1rio e exigiram trabalho. Mas, nesse processo, ela pode tamb\u00e9m refletir sobre a diferen\u00e7a entre o estado traum\u00e1tico e o trauma instalado, entre a trag\u00e9dia e o drama. Com maior clareza, deu-se conta de que viver n\u00e3o \u00e9 sem perigos, mas o que faz com que a vida n\u00e3o seja tr\u00e1gica \u00e9 a possibilidade de ter ferramentas para lidar com o que vem.<\/p>\n<p>Ao fim do encontro, tivemos a oportunidade de acompanh\u00e1-la na apresenta\u00e7\u00e3o de seu caso cl\u00ednico, no qual seu manejo permitiu que a analisanda encontrasse instrumentos que lhe ajudassem a fazer a vida pulsar. E a vida pulsa.<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns, Clarissa!<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante da Comiss\u00e3o de Admiss\u00e3o e do GTEP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As boas-vindas da Comiss\u00e3o de Admiss\u00e3o, por Nanci de Oliveira Lima.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[48],"edicao":[335],"autor":[171],"class_list":["post-3837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-do-departamento","tag-comissao-de-admissao","edicao-boletim-76","autor-nanci-de-oliveira-lima","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3837"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3837\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3887,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3837\/revisions\/3887"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3837"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3837"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}