{"id":3943,"date":"2025-11-16T09:23:26","date_gmt":"2025-11-16T12:23:26","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3943"},"modified":"2025-11-17T16:49:03","modified_gmt":"2025-11-17T19:49:03","slug":"construindo-pontes-historias-de-migracao-e-culturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2025\/11\/16\/construindo-pontes-historias-de-migracao-e-culturas\/","title":{"rendered":"Construindo pontes: hist\u00f3rias de migra\u00e7\u00e3o e culturas"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Construindo pontes: Hist\u00f3rias de migra\u00e7\u00e3o e culturas<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Liliana Emparan<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Neste ano de 2025, o <em>Projeto Ponte<\/em> completou 15 anos de exist\u00eancia oferecendo gratuitamente atendimento psicol\u00f3gico\/psicanal\u00edtico a migrantes e refugiados de forma <em>online<\/em>.<\/p>\n<p>Tivemos a oportunidade de organizar um grande evento no Museu da Imigra\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo no passado 30 de agosto. No dia, nos emocionamos com o Coral de crian\u00e7as migrantes do Espa\u00e7o de Bitita, tivemos duas mesas redondas de discuss\u00e3o, <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1_hWGDLyTTQ1SjZOazZCAWxOTw42SKNSg\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00eddeo comemorativo<\/a>, o grupo musical EntreLatinos, a apresenta\u00e7\u00e3o teatral do Ato 1 da Pe\u00e7a Borand\u00e1, bolo comemorativo e agradecimento em v\u00e1rias l\u00ednguas (creole, espanhol, italiano, wolof, franc\u00eas, alem\u00e3o, hindi, mandarim, portugu\u00eas). Quisemos contar um pouco da nossa hist\u00f3ria e compartilhar nossas premissas cl\u00ednicas: escuta, interculturalidade, diversidade, fala, inconsciente.<\/p>\n<p><strong>Como nasce o Projeto Ponte<\/strong><\/p>\n<p>A ideia do projeto come\u00e7a a partir da minha pr\u00f3pria experi\u00eancia como migrante (sou argentina) e a necessidade de poder falar e elaborar as perdas e reconfigura\u00e7\u00f5es de vida a partir da migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acreditando, assim, na pot\u00eancia da escuta psicanal\u00edtica comecei a pensar na interface Psican\u00e1lise Migra\u00e7\u00e3o e na necessidade de uma escuta espec\u00edfica para a popula\u00e7\u00e3o migrante. Foi-se delineando, ent\u00e3o, o desejo de criar um servi\u00e7o de atendimento psicanal\u00edtico a migrantes e refugiados. Deixo registrado aqui meu especial agradecimento a Maria de F\u00e1tima Vicente que escutou o meu desejo e o acolheu no formato de um servi\u00e7o de atendimento dentro da Cl\u00ednica Psicol\u00f3gica do Instituto Sedes Sapientiae. O meu convite para formar uma equipe de atendimento foi aceito pelas queridas colegas Claudia Sagula, Daniela Galv\u00e3o e, posteriormente, por Lisette Weissmann. Agrade\u00e7o as colegas por terem aceito.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o de atendimento na Cl\u00ednica Psicol\u00f3gica do Instituto Sedes Sapientiae come\u00e7ou em 2010 e continuou por 13 anos, de forma presencial. Na \u00e9poca da pandemia tudo mudou e come\u00e7amos a atender migrantes que viviam n\u00e3o t\u00e3o somente em S\u00e3o Paulo, mas deslocados que moravam em outras cidades, outros estados e at\u00e9 outros pa\u00edses. Este desafio nos levou por adotar o atendimento <em>on line<\/em>.\u00a0 Assim, desde 2023 continuamos existindo de forma independente, um grupo de 10 profissionais entre psic\u00f3logas e psicanalistas que formam parte da equipe atual do Projeto Ponte.<\/p>\n<p>Atualmente atendemos no formato <em>online<\/em>, oferecendo escuta e acompanhamento psicanal\u00edtico a migrantes e refugiados adultos, preferentemente no formato grupal, grupos caracterizados como interculturais e interlingu\u00edsticos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos criamos tamb\u00e9m o Projeto Ponte Curumim com seu atendimento a adolescentes e rodas de conversa para pais migrantes e fam\u00edlias interculturais. Al\u00e9m disso, oferecemos escuta a equipes de profissionais que trabalham com migrantes, o chamado \u201cCuidando de quem cuida\u201d. Participamos em mutir\u00f5es de assist\u00eancia aos migrantes, trabalhamos com educadores de escolas que t\u00eam alunos migrantes. Realizamos palestras sobre a tem\u00e1tica das migra\u00e7\u00f5es, participamos em congressos, escrevemos artigos etc.<\/p>\n<p><strong>Nossas bases cl\u00ed<\/strong><strong>nico-pol<\/strong><strong>\u00edticas<\/strong><\/p>\n<p>Partir da ideia de que o migrante ter\u00e1 necessariamente que lidar com um processo de luto, elabora\u00e7\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o entre l\u00ednguas e culturas nos obriga a pensar na especificidade desta cl\u00ednica. Como j\u00e1 apontamos em outro trabalho (Percurso, 2019) \u00e9 urgente a necessidade de estudar a tem\u00e1tica das migra\u00e7\u00f5es e seu efeitos ps\u00edquicos, a import\u00e2ncia de cria\u00e7\u00e3o de diferentes formas de escuta e a constru\u00e7\u00e3o de teorias que sustentem a cl\u00ednica com migrantes.<\/p>\n<p>O processo de luto,\u00a0 referido por Freud no texto &#8220;Luto e melancolia&#8221; (1917 [1915]), inclui a perda de abstra\u00e7\u00f5es como a p\u00e1tria, fazendo uma refer\u00eancia, portanto, aos processos migrat\u00f3rios. O luto migrat\u00f3rio tem como conte\u00fado n\u00e3o somente a perda de v\u00ednculos familiares e de amizade, mas tamb\u00e9m a articula\u00e7\u00e3o de aspectos do estranho-familiar (Freud, 1919) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s l\u00ednguas, culturas, c\u00f3digos sociais, rearranjos profissionais e\/ou educacionais, de moradia e documenta\u00e7\u00e3o, sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento, exerc\u00edcio da cidadania e luta por direitos etc. Enfim, nos deslocamentos, sejam for\u00e7ados ou volunt\u00e1rios, ocorre uma reviravolta das bases vinculares e organizadoras da vida do sujeito que dizem respeito n\u00e3o somente a quest\u00f5es singulares, mas tamb\u00e9m plurais, grupais, compartilhadas no la\u00e7o social que tangenciam processos de reconhecimento e identifica\u00e7\u00f5es. Sabemos que os migrantes despertam uma s\u00e9rie de afetos que v\u00e3o desde a hospitalidade, o acolhimento, a indiferen\u00e7a, o \u00f3dio, o racismo e a xenofobia, a exclus\u00e3o e at\u00e9 a sua elimina\u00e7\u00e3o, o que Jacques Derrida (2003) condensou com o neologismo <em>hostipitalidade<\/em>.<\/p>\n<p>Tendo em vista as particularidades de se deslocar e morar em outro pa\u00eds \u00e9 necess\u00e1rio, portanto, considerar a incid\u00eancia de mudan\u00e7as substanciais nas intera\u00e7\u00f5es socioculturais, do estranhamento\/familiaridade a partir do qual o sujeito fala e \u00e9 escutado, da inteligibilidade dos afetos que podem ou n\u00e3o ser manifestados socialmente, das novas concep\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e doen\u00e7a do novo pa\u00eds, das novas formas de lidar com o desamparo constitutivo e a recria\u00e7\u00e3o de redes de apoio, aspectos estes que interferem decisivamente na adapta\u00e7\u00e3o, integra\u00e7\u00e3o ou marginaliza\u00e7\u00e3o do migrante.<\/p>\n<p><strong>Como trabalhamos<\/strong><\/p>\n<p>Atender pessoas de diferentes culturas e l\u00ednguas em grupos \u00e9 um desafio, escutar as lembran\u00e7as e experi\u00eancias que v\u00e3o trazendo os migrantes, constatar os estranhamentos que experimentamos todos no contato com o outro t\u00e3o diferente de n\u00f3s e, ao mesmo tempo, t\u00e3o parecido em rela\u00e7\u00e3o ao desejo de viver uma vida mais digna. Relatos que narram e reeditam hist\u00f3rias de l\u00e1 e daqui, experi\u00eancias transmitidas ao grupo no qual o profissional \u00e9 um testemunho da dor do vivido, do luto ao deixar o pa\u00eds de origem, fam\u00edlia, v\u00ednculos, l\u00edngua e cultura de origem, e que tem tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o de auxiliar na reconfigura\u00e7\u00e3o dos novos caminhos, na\u00a0 costura das viv\u00eancias do antes e depois da migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atendemos preferentemente de forma grupal e nos apoiamos nas teorias p\u00f3s freudianas de psican\u00e1lise de grupo, como as de Ren\u00e9 Ka\u00ebs que pensam o sujeito do inconsciente no seu aspecto singular-plural, considerando as inst\u00e2ncias intrassubjetivas, intersubjetivas e transsubjetivas. Nos grupos falamos em portugu\u00eas, l\u00edngua comum do pa\u00eds de destino dos migrantes. Os pacientes falam a partir de seu pr\u00f3prio repert\u00f3rio, o que inclui poder utilizar eventualmente palavras em seu idioma origin\u00e1rio. N\u00e3o temos tradutores e o grupo tenta se autorregular nesse sentido.<\/p>\n<p>Esta escolha pelo idioma portugu\u00eas \u00e9 uma aposta cl\u00ednico-pol\u00edtica que tenta colocar em cena as heran\u00e7as ps\u00edquicas da coloniza\u00e7\u00e3o, tema que desenvolvemos em outro trabalho (Percurso, 2018). Muitas vezes, falar sobre assuntos dolorosos e conflitivos pode ser mais f\u00e1cil em outra l\u00edngua que n\u00e3o a materna, especialmente tendo em conta a pulsionalidade dos v\u00ednculos com a fam\u00edlia de origem e o lugar e origem; nesse sentido \u201cse afastar\u201d pode propiciar um deslocamento de posi\u00e7\u00e3o subjetiva.<\/p>\n<p>As migra\u00e7\u00f5es provocam uma reviravolta na vida do sujeito, dos seus familiares e amigos, e at\u00e9 no entorno social. Algumas pessoas se sentem abandonadas, e at\u00e9 tra\u00eddas por aquele que migrou: um misto de admira\u00e7\u00e3o, saudades, preocupa\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia s\u00e3o sentimentos e situa\u00e7\u00f5es mais ou menos conscientes. O migrante muitas vezes n\u00e3o estar\u00e1 presente em casamentos, anivers\u00e1rios e vel\u00f3rios. Em alguns casos, como nos casos dos refugiados, poder\u00e1 nunca mais voltar ao seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<p>Para o migrante n\u00e3o \u00e9 raro ter que mudar de profiss\u00e3o, lidar com a estranheza do novo pa\u00eds, ter que aprender uma nova l\u00edngua e novos c\u00f3digos sociais, cuidar dos filhos sem o apoio da rede familiar, lidar com a documenta\u00e7\u00e3o e as burocracias, e tamb\u00e9m perceber um misto de curiosidade, acolhimento e hostilidade dos habitantes locais.<\/p>\n<p>Como participar da vida de um pa\u00eds que n\u00e3o \u00e9 o nosso e construir um sentimento de pertencimento quando n\u00e3o se \u00e9 bem-vindo por causa da cor da pele, da l\u00edngua ou da religi\u00e3o?<\/p>\n<p>Por isso, a import\u00e2ncia de ter o direito ao acesso e cuidados em sa\u00fade mental. Poder falar e ser escutado naquilo que \u00e0s vezes n\u00e3o pode ser nomeado, \u00e9 traum\u00e1tico e precisa ser esquecido porque d\u00f3i demais.<\/p>\n<p>Ao logo destes 15 anos, atendemos homens e mulheres origin\u00e1rios de diferentes pa\u00edses, retornados do Brasil ou brasileiros de alguns estados. Migrantes de Col\u00f4mbia, Bol\u00edvia, Paraguai, Chile, Argentina, Peru, Uruguai, Venezuela, Haiti, Rep\u00fablica Dominicana, Cuba, Equador, M\u00e9xico, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Burundi, Marrocos, Jap\u00e3o, China, Estados Unidos, Irlanda, Portugal, Alemanha etc.<\/p>\n<p><strong>Um pouco de estat\u00edsticas<\/strong><\/p>\n<p>Em 2010 havia\u00a0aproximadamente 214 milh\u00f5es\u00a0de migrantes internacionais no mundo, segundo um relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) publicado em 2013. Esse n\u00famero representou um aumento de mais de 60 milh\u00f5es de migrantes desde 2000, indicando uma tend\u00eancia de crescimento na migra\u00e7\u00e3o global. \u00a0De 2010 a 2015, a popula\u00e7\u00e3o de migrantes vivendo no Brasil cresceu 20%, chegando a\u00a0713 mil. Desse contingente, 207 mil vieram de pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Em 2024, segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas, h\u00e1 281 milh\u00f5es de migrantes internacionais que significam 3,6% da popula\u00e7\u00e3o mundial. Em 2022, existiam 117 milh\u00f5es de deslocados no mundo e 71,2 milh\u00f5es de deslocados internos, os refugiados foram 5,4 milh\u00f5es em 2022. Em 2024, o Brasil registrou a entrada de 194.331 novos migrantes e recebeu 68.159 pedidos de ref\u00fagio.<\/p>\n<p>No final de 2024, o Brasil contava com aproximadamente 2 milh\u00f5es de estrangeiros residindo legalmente no pa\u00eds. Aproximadamente 4,5 milh\u00f5es de brasileiros moram no exterior.<\/p>\n<p>E para falar do tipo de migra\u00e7\u00f5es na atualidade podemos destacar que o tipo de deslocamentos se incrementou n\u00e3o somente nas migra\u00e7\u00f5es sul-sul, deslocamentos entre pa\u00edses do chamado sul global, como tamb\u00e9m entre pa\u00edses vizinhos, seja por guerras, motivos pol\u00edticos, econ\u00f4micos, sexuais, religiosos, xenofobia, racismo, tamb\u00e9m por desastres clim\u00e1ticos e cat\u00e1strofes ambientais: as chamadas migra\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. Atualmente existe um grande n\u00famero de mulheres que migram sozinhas, tamb\u00e9m crian\u00e7as e adolescentes migrando desacompanhados ao fugir de guerras, fome e viol\u00eancia de v\u00e1rios tipos.<\/p>\n<p>Revivemos atualmente um momento pol\u00edtico mundial onde s\u00e3o reeditados os medos e \u00f3dios perante o diferente, esse estranho estrangeiro que \u00e9 alvo de desconfian\u00e7a e inseguran\u00e7a, \u00e9 visto como algu\u00e9m perigoso, \u00e9 acusado de roubar empregos, de tirar vagas em escolas e hospitais, que se veste de forma estranha e come de forma diferente. Os conflitos e guerras envolvem um conjunto de motivos econ\u00f4micos, pol\u00edticos, religiosos mas tamb\u00e9m \u00e9tnico-raciais como vemos acontecendo entre R\u00fassia e Ucrania, Israel e Palestina, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e Ruanda, S\u00edria, Sud\u00e3o, Paquist\u00e3o, entre outros.<\/p>\n<p>Esse pavor frente a esse outro desconhecido leva a erguer barreiras, muros e arames farpados, a criminalizar o seu direito de ir e vir, caracter\u00edstica humana e de outros animais desde os prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o quando o ser humano deixou o continente africano e come\u00e7ou a se deslocar, explorando novos horizontes, terras e climas, novas formas de se alimentar e morar, pessoas de cores, peles, estaturas, culturas e l\u00ednguas diferentes.<\/p>\n<p>N\u00f3s, humanos, somos pessoas que temos o direito inalien\u00e1vel e essencial a qualquer ser humano que \u00e9 o direito a se deslocar quando a vida \u00e9 sofrida, as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o permitem permanecer, a vida \u00e9 um risco e se precisa ir embora, pegar alguns pertences \u00e0s pressas ou n\u00e3o, empreender viagens perigosas e arriscadas para tentar recome\u00e7ar em outro solo, para trabalhar ou estudar, reerguendo a esperan\u00e7a de uma vida melhor.<\/p>\n<p><strong>O migrante \u00e9 uma pessoa de coragem<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s podemos a qualquer momento querer ou precisar migrar por qualquer motivo. Ali\u00e1s, tem mais brasileiros fora do Brasil do que migrantes em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Todos, nossos pa\u00edses e nossas fam\u00edlias, t\u00eam na sua hist\u00f3ria antepassados migrantes. Que mistura saborosa e colorida constitui a ra\u00e7a humana e a nossa ancestralidade!! Ou, <strong><em><span style=\"text-decoration: line-through;\">c<\/span><\/em><\/strong>omo diz a can\u00e7\u00e3o: &#8220;meu pai era paulista, meu av\u00f4 pernambucano, o meu bisav\u00f4 mineiro, meu tatarav\u00f4 baiano&#8221;&#8230;<\/p>\n<p>E para complicar ainda mais: Qual a origem ou a nacionalidade de uma fam\u00edlia cujo pai \u00e9 senegal\u00eas, a m\u00e3e indiana, o filho nasceu na China e, atualmente, moram no Brasil?<\/p>\n<p>Pois \u00e9, dif\u00edcil definir&#8230;.!<\/p>\n<p>Receber, acolher e escutar os migrantes com respeito e hospitalidade \u00e9 um ato pol\u00edtico, j\u00e1 que o mundo globalizado que habitamos \u00e9 um mundo irreversivelmente intercultural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bibliografia:<\/strong><\/p>\n<p>Derrida, J. Anne Dufourmantelle convida Jacques Derrida a falar de hospitalidade. S\u00e3o Paulo: Escuta, 2003.<\/p>\n<p>Freud, S. Luto e Melancolia. In: Obras Psicol\u00f3gicas de Sigmund Freud. Rio de janeiro: Imago, (1917 [1915], 1980. V. XlV<\/p>\n<p>Freud, S. O \u201cEstranho\u201d. In: Obras Psicol\u00f3gicas de Sigmund Freud. Rio de janeiro: Imago, (1917 [1915], 1980. V. XVl<\/p>\n<p>Yu, C.; Sagula, C.; Silva, H.; Emparan, L.; Weissmann, L.; Castanho, P.; Prata, V. A cl\u00ednica no Projeto Ponte: a op\u00e7\u00e3o pela l\u00edngua portuguesa e a an\u00e1lise das heran\u00e7as da coloniza\u00e7\u00e3o. Percurso 60 Revista de Psican\u00e1lise: Ano XXX: junho de 2018<\/p>\n<p>Yu, C.; Sagula, C.; Silva, H.; Emparan, L.; Weissmann, L.; Castanho, P.; Prata, V. Desafios e especificidades da cl\u00ednica com (i)migrantes e refugiados. Somos todos migrantes? Percurso 63. Revista de Psican\u00e1lise: Ano XXXll: dezembro de 2019<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, fundadora e coordenadora do Projeto Ponte. Instagram e Facebook: @projetopontepsi. E-mail: <a href=\"mailto:projetopontepsi@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">projetopontepsi@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os quinze anos do Projeto Ponte celebrados com muito trabalho e afetos. Por Liliana Emparan.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[10],"tags":[188],"edicao":[349],"autor":[333],"class_list":["post-3943","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-o-mundo-hoje","tag-noticias-do-sedes","edicao-boletim-77","autor-liliana-emparan","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3943"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3943\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4019,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3943\/revisions\/4019"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3943"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3943"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}