{"id":3957,"date":"2025-11-16T09:45:32","date_gmt":"2025-11-16T12:45:32","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=3957"},"modified":"2025-11-17T16:47:36","modified_gmt":"2025-11-17T19:47:36","slug":"reflexoes-a-partir-do-evento-psicanalise-e-sexualidades-multiplicidades-e-espirais-do-desejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2025\/11\/16\/reflexoes-a-partir-do-evento-psicanalise-e-sexualidades-multiplicidades-e-espirais-do-desejo\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es a partir do evento Psican\u00e1lise e sexualidades: multiplicidades e espirais do desejo"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Reflex<\/strong><strong>\u00f5es a partir do evento <\/strong><strong><em>Psican<\/em><\/strong><strong><em>\u00e1lise e sexualidades: multiplicidades e espirais do desejo<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Este artigo sintetiza as principais contribui\u00e7\u00f5es do evento realizado em agosto de 2025 no Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae. As reflex\u00f5es aqui apresentadas buscam contribuir para o debate sobre os desafios contempor\u00e2neos da teoria e pr\u00e1<\/em><em>tica psicanal<\/em><em>\u00edticas, pelo olhar de uma n\u00e3<\/em><em>o psicanalista.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marilia Campos Oliveira e Telles<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O evento <em>Psican<\/em><em>\u00e1lise e sexualidades: multiplicidades e espirais do desejo<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup><strong>[2]<\/strong><\/sup><\/a>, realizado pelo Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, trouxe importantes contribui\u00e7\u00f5es para repensar as intersec\u00e7\u00f5es entre teoria psicanal\u00edtica e as quest\u00f5es contempor\u00e2neas da sexualidade. Os intensos debates aconteceram durante um dia e uma noite, quando pesquisadores e profissionais se debru\u00e7aram sobre temas urgentes que desafiam tanto a cl\u00ednica quanto a teoria psicanal\u00edtica.<\/p>\n<p>A abertura do evento, conduzida por Paulo Ceccarelli, evidenciou uma aus\u00eancia significativa nos estudos psicanal\u00edticos: a masturba\u00e7\u00e3o feminina. Esta lacuna n\u00e3o \u00e9 fortuita, mas revela como a heteronormatividade opera enquanto dispositivo de controle social, produzindo atrav\u00e9s de seus processos repressivos aquilo que Ceccarelli denomina &#8220;solu\u00e7\u00f5es perversas&#8221;.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o conceitual entre o recalcado e o reprimido ganha aqui contornos cl\u00ednicos fundamentais: enquanto o retorno do recalcado manifesta-se na neurose, o retorno do reprimido emerge na pervers\u00e3o. Esta formula\u00e7\u00e3o lan\u00e7a luz sobre um fen\u00f4meno contempor\u00e2neo preocupante &#8211; o empobrecimento do mundo fantasm\u00e1tico de indiv\u00edduos reprimidos e fixados, que encontram no consumo pornogr\u00e1fico uma tentativa de realiza\u00e7\u00e3o substitutiva.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o hist\u00f3rica de Ceccarelli sobre o &#8220;dem\u00f4nio&#8221; como antigo modo de se referir \u00e0 puls\u00e3o revela estruturas de culpabiliza\u00e7\u00e3o que persistem: quando o homem experimentava o desejo sem conseguir nome\u00e1-lo, a mulher era responsabilizada, tornando-se a &#8220;bruxa&#8221; a ser punida.<\/p>\n<p><strong>Pornografia e a crise da fantasia<\/strong><\/p>\n<p>A mesa sobre &#8220;Pornografia e puls\u00e3o de morte&#8221; trouxe dados alarmantes que dimensionam o fen\u00f4meno contempor\u00e2neo. Caio Romano apresentou sua pesquisa sobre masturba\u00e7\u00e3o masculina, revelando que <em>sites<\/em> pornogr\u00e1ficos recebem 26.000 acessos por segundo mundialmente, com homens se masturbando durante o hor\u00e1rio de trabalho. Estes dados apontam para o que Romano diagnostica como uma &#8220;crise no fantasiar&#8221;.<\/p>\n<p>Dayana Gomes, a Lady Milf, trabalhadora do sexo, como se apresentou, trouxe um relato direto, apontando inclusive a dificuldade de escuta por profissionais da sa\u00fade mental diante de pacientes que trabalham produzindo conte\u00fado pornogr\u00e1fico e atendendo clientes. Dayana contou sobre uma pessoa que estava com dificuldades em atender determinado cliente que tinha um fetiche que a fazia sentir-se mal. Ela procurou o atendimento de um psiquiatra que se limitou a prescrever um antidepressivo, sem sequer escutar suas queixas, deixando-a amortecida, sem condi\u00e7\u00f5es de trabalhar \u2013 bem diferente de sua necessidade.<\/p>\n<p>Dayana relatou como o movimento feminista que tomou impulso nos \u00faltimos anos permitiu \u00e0s mulheres passarem a liderar o <em>job <\/em>\u2013 o neg\u00f3cio do porn\u00f4 \u2013, passando a dar limites em um universo normalmente habitado por muitos homens atr\u00e1s das c\u00e2meras (produtores, diretores, c\u00e2meras \u2013 e o pr\u00f3prio cliente), e \u201cn\u00e3o se sentir estupradas sendo pagas\u201d.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Ferraz aprofundou a an\u00e1lise da pervers\u00e3o, caracterizando-a pela especializa\u00e7\u00e3o em determinada cena que delimita e estereotipa a fantasia. A puls\u00e3o de morte opera aqui atrav\u00e9s da coisifica\u00e7\u00e3o do outro, eliminando riscos na cena er\u00f3tica. O parceiro do perverso \u00e9 aquele capaz de se anular para satisfazer o desejo alheio, configurando uma din\u00e2mica onde o fetiche emerge como desejo onipotente. Fetiche este que \u201cs\u00f3 os porn\u00f3grafos e publicit\u00e1rios s\u00e3o capazes de conhecer\u201d.<\/p>\n<p>Miriam Chnaiderman ofereceu uma perspectiva contextual crucial: em um mundo onde o trabalhador encontra-se sugado e alienado, a masturba\u00e7\u00e3o no banheiro durante o hor\u00e1rio de trabalho constitui uma forma de reencontro consigo mesmo. Esta observa\u00e7\u00e3o, me pareceu, revela as dimens\u00f5es sociopol\u00edticas da sexualidade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><strong>Saberes hifenizados e resist\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>No segundo dia do evento, a discuss\u00e3o sobre &#8220;Saberes hifenizados: g\u00eanero, ra\u00e7a e sexualidade&#8221; trouxe contribui\u00e7\u00f5es fundamentais para repensar os fundamentos da teoria psicanal\u00edtica. Paulo C\u00e9sar Endo questionou o mito do sexo biol\u00f3gico, propondo que a nomea\u00e7\u00e3o dos corpos se d\u00e1 atrav\u00e9s de marcadores das diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Endo sugeriu uma revis\u00e3o terminol\u00f3gica importante: ao inv\u00e9s de &#8220;dissid\u00eancia&#8221;, prop\u00f5e &#8220;desobedi\u00eancia&#8221;, j\u00e1 que muitos sujeitos nunca estiveram no lugar normativo do qual supostamente se afastaram. O resgate do Freud do &#8220;corpo perverso polimorfo&#8221; emerge como ferramenta te\u00f3rica para compreender a proibi\u00e7\u00e3o do desejo e suas consequ\u00eancias melanc\u00f3licas.<\/p>\n<p>Andreone Teles Medrado prop\u00f4s uma invers\u00e3o metodol\u00f3gica fundamental: ao inv\u00e9s de encaixar teorias nas pessoas, devemos escutar as pessoas. Esta abordagem implica situar as diferen\u00e7as sem classific\u00e1-las, reformulando inclusive os protocolos de anamnese.<\/p>\n<p>O conceito de <em>diferir <\/em>de Derrida, trazido por Chnaiderman, sugere que a diferen\u00e7a \u00e9 constituinte da sexualidade, podendo ser qualquer diferen\u00e7a. Esta perspectiva amplia radicalmente as possibilidades de compreens\u00e3o dos arranjos sexuais contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>Uma das contribui\u00e7\u00f5es mais provocativas veio da discuss\u00e3o sobre &#8220;pol\u00edticas anais&#8221;, baseada no trabalho de Javier S\u00e1ez e Sejo Carrascosa. Endo demonstrou como a heteronormatividade, em \u00faltima inst\u00e2ncia, legitima o estupro, revelando o paradoxo presente na obra freudiana que tenta produzir o \u00e2nus como regi\u00e3o de &#8220;n\u00e3o-desejo&#8221;.<\/p>\n<p>A palavra <em>queer<\/em>, reinterpretada como (deixar o) \u201ccu ir&#8221;, emerge como operador de resist\u00eancia que utiliza o campo da linguagem para defesa e ataque atrav\u00e9s do deboche. Esta estrat\u00e9gia me lembrou das pornochanchadas, dos Dzi Croquetes dos anos 1970, do besteirol dos anos 1980, e revela como grupos marginalizados desenvolvem t\u00e1ticas de sobreviv\u00eancia simb\u00f3lica.<\/p>\n<p><strong>Feminismos e aborto: trauma e institucionaliza\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o<\/strong><\/p>\n<p>A mesa sobre feminismos trouxe perspectivas m\u00faltiplas sobre quest\u00f5es contempor\u00e2neas. O GT Generidades, representado por Lu\u00edsa Godoy, Isadora Barretto e Andr\u00e9 Bizzi, enfatizou que a pr\u00e1xis psicanal\u00edtica se constr\u00f3i na rela\u00e7\u00e3o, operando na deriva e no n\u00e3o-saber, caracter\u00edsticas que demonstram a hibridez pr\u00f3pria da psican\u00e1lise, que se faz a partir daquilo que vem de fora.<\/p>\n<p>Evelyse Clausse, representando o GT O feminino e imagin\u00e1rio cultural contempor\u00e2neo, situou o aborto n\u00e3o como acontecimento individual, mas social, de controle da reprodu\u00e7\u00e3o, conforme Silvia Federici. Sua an\u00e1lise da medicaliza\u00e7\u00e3o e domesticaliza\u00e7\u00e3o da vida, fragmentando comunidades em favor de experi\u00eancias individualizadas, revela como viol\u00eancias institucionais se somam ao trauma do ato em si, sempre reafirmando que a experi\u00eancia do aborto \u00e9 atravessada pelo luto.<\/p>\n<p>A fala de Evelyse teve como ep\u00edlogo a voz de uma mulher e os obst\u00e1culos que enfrentou para realizar um aborto legal, narrado no <em>podcast<\/em> <em>Sala de espera<\/em>\u201d<strong><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/strong> e tocado para a plateia.<\/p>\n<p>Mara Caff\u00e9 ofereceu um panorama te\u00f3rico robusto, transitando pelas teorias feministas <em>queer<\/em>, decoloniais, transfeministas e pelo feminismo africano. Sua contribui\u00e7\u00e3o central reside na proposi\u00e7\u00e3o de que a transfer\u00eancia, enquanto ferramenta exclusiva da psican\u00e1lise, permite transforma\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis nas ci\u00eancias sociais e pol\u00edticas. Mara trouxe novamente a ideia de hibridez, no sentido das \u201cgram\u00e1ticas da hibridez\u201d, como assinalado por Thammy Ayouch, colocando tr\u00eas possibilidades para o trabalho psicanal\u00edtico: a indiferen\u00e7a, a incorpora\u00e7\u00e3o e\/ou a transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mesa \u201cProstitui\u00e7\u00e3o, erotismo e linguagem\u201d trouxe vozes diretas e pesquisas antropol\u00f3gicas que questionam fronteiras estabelecidas. Christiana Paiva de Oliveira, uma das organizadoras do evento, apresentou t\u00f3picos de sua pesquisa de doutorado, como a ideia de \u201cputativismo\u201d, a rela\u00e7\u00e3o de controle que o pagamento envolve e como muitas das prostitutas entrevistadas se apresentam como psic\u00f3logas de seus clientes, pela escuta que acabam oferecendo.<\/p>\n<p>A antrop\u00f3loga Nat\u00e2nia Lopes apresentou-se dizendo: &#8220;Nat\u00e2nia Lopes e eu sou puta&#8221;, reivindicando a palavra \u201cputa\u201d como forma de resist\u00eancia. O termo \u201ctrabalhadora do sexo\u201d tem utilidade no campo da reivindica\u00e7\u00e3o de direitos, mas \u201cputa\u201d tem mais for\u00e7a e devemos nos apropriar. Sua pesquisa etnogr\u00e1fica revela a &#8220;mitologia de bordel&#8221; &#8211; acontecimentos repetitivos sob o imperativo do segredo.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central levantada por Lopes &#8211; &#8220;prostitui\u00e7\u00e3o pode ser apenas trabalho?&#8221; &#8211; desestabiliza perspectivas \u201cregulamentaristas\u201d, for\u00e7ando-nos a pensar nas complexas rela\u00e7\u00f5es entre sexualidade e trabalho. O depoimento de trabalhadoras que afirmam &#8220;programa n\u00e3o \u00e9 sexo&#8221; desafia a m\u00e1xima foucaultiana de que &#8220;no sexo est\u00e1 a verdade \u00faltima do sujeito&#8221;.<\/p>\n<p>Nath\u00e2nia contou v\u00e1rios epis\u00f3dios sobre Gabriela Leite, a primeira \u201cputa que fala\u201d, pioneira ao trabalhar pelos direitos destas profissionais, atentando para o fato de que ao falar ela tamb\u00e9m assinalou um lugar no mapa e passou a ser (re)conhecida. Como antrop\u00f3loga, Nath\u00e2nia destacou que a concep\u00e7\u00e3o freudiana de sexualidade \u00e9 mais uma \u2013 e n\u00e3o \u00e9 \u201cA\u201d norma.<\/p>\n<p>Encerrando a mesa, Miriam Chnaiderman apresentou seu texto \u201cEscrita dos mil corpos de todos n\u00f3s\u201d, que come\u00e7a citando \u201cDo fundo do po\u00e7o se v\u00ea a lua\u201d, de Joca Reiners Torron para acertar no alvo afirmando que \u201ca vida fantasm\u00e1tica nos determina\u201d.<\/p>\n<p><strong>Novas feridas narc\u00edsicas<\/strong><\/p>\n<p>O encerramento, conduzido por Guilherme Terreri \/Rita Von Hunty, prop\u00f4s uma atualiza\u00e7\u00e3o das feridas narc\u00edsicas freudianas. Al\u00e9m das tr\u00eas cl\u00e1ssicas &#8211; n\u00e3o somos imagem de Deus, n\u00e3o somos centro do universo, n\u00e3o somos senhores de nossa pr\u00f3pria casa &#8211; surge uma quarta: a cisgeneridade como pacto ficcional que nos mant\u00e9m confort\u00e1veis.<\/p>\n<p>Esta proposta ressignifica profundamente o projeto psicanal\u00edtico, incluindo a dimens\u00e3o pol\u00edtica do inconsciente e reconhecendo a hist\u00f3ria como aquilo que d\u00f3i e imp\u00f5e limites. A invisibilidade da norma &#8211; cisgeneridade, heterossexualidade, branquitude &#8211; opera como dispositivo de poder que naturaliza opress\u00f5es. Sem o <em>queer<\/em> a psican\u00e1lise corre o risco de tornar-se normativa e, assim, se torna necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o no Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais (mais conhecido pelo seu apelido, DSM) para classificar e incluir a patologia dos opressores, o transtorno de acumula\u00e7\u00e3o, a amn\u00e9sia hist\u00f3rica seletiva, entre outras.<\/p>\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel que nos revoltemos contra os poderes da normaliza\u00e7\u00e3o e atentarmos para os nomes que damos a situa\u00e7\u00f5es complexas na nossa sociedade.<\/p>\n<p>Amara Moira apresentou devastadora pesquisa sobre experi\u00eancias sexuais precoces em autobiografias de mulheres trans e travestis. A recorr\u00eancia de relatos de estupros na inf\u00e2ncia, narrados &#8220;entre risos&#8221; na vida adulta como se fossem &#8220;normais&#8221;, revela mecanismos de normaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia que merecem an\u00e1lise cuidadosa.<\/p>\n<p>O debate subsequente evidenciou assimetrias educacionais: enquanto meninas cisg\u00eaneras recebem orienta\u00e7\u00f5es sobre prote\u00e7\u00e3o corporal, meninos com &#8220;jeito feminino&#8221; frequentemente ficam desprotegidos, revelando como a transfobia opera desde a inf\u00e2ncia, embora estas crian\u00e7as venham a receber o olhar e as medidas de cuidado de suas m\u00e3es.<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p>O evento evidenciou a necessidade urgente de uma psican\u00e1lise que n\u00e3o apenas reconhe\u00e7a, mas incorpore ativamente as transforma\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas da sexualidade. A ep\u00edgrafe trazida por Terreri &#8211; &#8220;Sem o<em> queer<\/em> a psican\u00e1lise corre o risco de tornar-se normativa&#8221; &#8211; sintetiza este desafio.<\/p>\n<p>As contribui\u00e7\u00f5es apresentadas convergem para a necessidade de escutas que n\u00e3o reproduzam viol\u00eancias, pr\u00e1xis que operem no n\u00e3o-saber e na deriva, e teorias que reconhe\u00e7am a dimens\u00e3o pol\u00edtica do inconsciente. Trata-se de um horizonte emancipat\u00f3rio que exige da psican\u00e1lise incorpora\u00e7\u00e3o transformadora da diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>O caminho apontado n\u00e3o \u00e9 o da simples inclus\u00e3o de &#8220;novos temas&#8221; na agenda psicanal\u00edtica, mas da transforma\u00e7\u00e3o estrutural que reconhe\u00e7a a hibridez como caracter\u00edstica constitutiva tanto da sexualidade quanto da pr\u00f3pria psican\u00e1lise. Apenas assim poderemos responder adequadamente \u00e0s demandas de uma sociedade em transforma\u00e7\u00e3o, onde as antigas certezas sobre sexo, g\u00eanero e desejo j\u00e1 n\u00e3o oferecem respostas suficientes, requerendo abertura ao polimorfo e desconhecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Participante convidada do grupo de trabalho e pesquisa Fam\u00edlias no s\u00e9culo XXI do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae. Profissional da resolu\u00e7\u00e3o consensual de conflitos. Advogada colaborativa e mediadora certificada pelo ICFML \u2013 Instituto de Certifica\u00e7\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o de Mediadores Lus\u00f3fonos\/IMI. Especialista em Direito de Fam\u00edlia e Sucess\u00f5es pela Escola Paulista de Direito \u2013 EPD. Bacharel em Artes C\u00eanicas pela USP. Membro e docente do Instituto Brasileiro de Pr\u00e1ticas Colaborativas \u2013 IBPC; membro das Comiss\u00f5es Nacionais de Media\u00e7\u00e3o e de Diversidade e Inclus\u00e3o Racial do IBDFAM \u2013 Instituto Brasileiro de Direito de Fam\u00edlia, e do Gemep\/CBAr \u2013 Grupo de Media\u00e7\u00e3o Empresarial do Comit\u00ea Brasileiro de Arbitragem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/youtu.be\/2w2G3_-HXZY?si=bPkoxr3QdBPzX8gB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> https:\/\/youtu.be\/2w2G3_-HXZY?si=bPkoxr3QdBPzX8gB<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> O podcast <em>Sala de espera<\/em> teve apoio da <em>Nem presa, nem morta<\/em>, uma campanha que luta para transformar o debate e as leis sobre aborto no Brasil, produzido pela Radio Novelo e publicado em 17\/07\/2025. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/11RI6iK31ZphHx5ca0RaA1?si=M2Rn9QUySB6-IygLHvaudw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/11RI6iK31ZphHx5ca0RaA1?si=M2Rn9QUySB6-IygLHvaudw<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/2lmGrJMUHECgdKFY4VFxo3?si=2ZS2DmkrTUqWMbSkvB8T_Q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/2lmGrJMUHECgdKFY4VFxo3?si=2ZS2DmkrTUqWMbSkvB8T_Q<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marilia Campos Oliveira e Telles.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[132],"edicao":[349],"autor":[354],"class_list":["post-3957","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-do-departamento","tag-eventos","edicao-boletim-77","autor-mariia-campos-oliveira-e-telles","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3957","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3957"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3957\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4018,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3957\/revisions\/4018"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3957"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3957"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=3957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}