{"id":4065,"date":"2026-04-13T16:18:27","date_gmt":"2026-04-13T19:18:27","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=4065"},"modified":"2026-04-16T08:05:39","modified_gmt":"2026-04-16T11:05:39","slug":"sobre-capturas-do-sofrimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2026\/04\/13\/sobre-capturas-do-sofrimento\/","title":{"rendered":"Sobre Capturas do sofrimento"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>S<\/strong><strong>obre <\/strong><strong><em>Capturas do sofrimento. Corpo, alimenta\u00e7\u00e3o e ideais na cl\u00ed<\/em><\/strong><strong><em>nica psicanal<\/em><\/strong><strong><em>\u00ed<\/em><\/strong><strong><em>tica<\/em><\/strong><strong>, de Maria Helena Fernandes<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Maria Elisa Pessoa Labaki<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Bom dia a todos e todas. Em primeiro lugar, quero agradecer a Lena pelo convite para participar deste lan\u00e7amento do seu 4\u00ba livro, C<em>apturas do sofrimento. Corpo, alimenta\u00e7\u00e3o e ideais na cl\u00ed<\/em><em>nica psicanal<\/em><em>\u00ed<\/em><em>tica<\/em>, ao lado do querido amigo Rubens Volich.<\/p>\n<p>Vou come\u00e7ar meus coment\u00e1rios tentando transmitir a grande honra e imensa alegria de estar hoje participando com voc\u00ea, e com todos aqui presentes, do lan\u00e7amento desta nova obra sua. Este momento se revelou uma oportunidade de exprimir o meu carinho, o meu respeito e a minha admira\u00e7\u00e3o por voc\u00ea, amiga, mulher, psicanalista, autora, m\u00e3e, companheira, professora, supervisora. Logo que comecei a imaginar essa fala sobre o livro, lembrei de uma cena com a Lena que me acompanha, meio silenciosamente como um fundo, mas que nunca perdeu for\u00e7a dentro de mim. Num certo ver\u00e3o nas f\u00e9rias, a gente se encontrou na beira do mar e Lena me contou que dividia seu dia entre a praia e o livro que escrevia naquela ocasi\u00e3o &#8211; se n\u00e3o me engano, <em>Transtornos alimentares<\/em>, publicado em 2006 na cole\u00e7\u00e3o <em>Cl\u00ednica p<\/em><em>sicanal<\/em><em>\u00ed<\/em><em>tica <\/em>coordenada por Fl\u00e1vio Ferraz. Era janeiro, fazia bastante calor e a praia estava bem cheia e animada. Mar cristalino, sol a pino e vento soprando eram condi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o a impediam de trabalhar nas f\u00e9rias; ao contr\u00e1rio, estava dando meio per\u00edodo de si \u00e0 praia, meio per\u00edodo \u00e0 escrivaninha &#8211; dois objetos entre tantos investimentos de interesse. Entendi mais de perto o sentido oculto em seu texto \u201cA mulher el\u00e1stico\u201d (Fernandes, 2006) &#8211; no que concerne \u00e0 \u201celasticidade de sua (da mulher) organiza\u00e7\u00e3o libidinal e, consequentemente, a diversidade de suas possibilidades identit\u00e1rias\u201d (p. 30) &#8211; e vi, nos ecos que a leitura deste texto produziu, o quanto para mim voc\u00ea representa, al\u00e9m de fonte de inspira\u00e7\u00e3o, uma fonte de introje\u00e7\u00e3o, bem \u00e0 moda talhada por Ferenczi.<\/p>\n<p>No momento em que eu passava em revista esta lembran\u00e7a, percebi que eu estava inclinada a escrever um texto diferente daquele que eu havia planejado para esta celebra\u00e7\u00e3o. Eu havia lido este novo livro, estudado alguns cap\u00edtulos, sobretudo aqueles ainda desconhecidos para mim, e pretendia tecer uma aprecia\u00e7\u00e3o sobre ele. Por\u00e9m, vi que algo mais forte que vinha de dentro sussurrava no meu ouvido interno e me impelia a produzir um escrito mais pessoal que relatasse alguns momentos de nossa amizade e de encontros no campo de nossa parceria profissional. Decidi, assim, levar em considera\u00e7\u00e3o, escutando esse sopro que meu ouvido canalizou do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos em 1986 e de cara surge o corredor do Departamento de Psiquiatria e Psicologia M\u00e9dica da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Um corredor meio cinza, mas cheio de vida, por onde rolavam muitas coisas, como jogar conversa fora, trocas cl\u00ednicas, combinados institucionais, fofocas e paqueras. Eu iniciava meu aprimoramento em Psicologia da Sa\u00fade e me sentia l\u00e1 at\u00f4nita, meio perdida. Que tr\u00e2nsito! Quanta gente! Lena, que era uma colega veterana do aprimoramento, recentemente al\u00e7ada \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de supervisora cl\u00ednica no setor de Interconsulta, a mais nova deles, mostrou-se uma interlocutora preciosa. Minha transfer\u00eancia a essa colega supervisora, alimentada por sua desenvoltura relacional e pela paix\u00e3o que ela nutria pela cl\u00ednica psicanal\u00edtica praticada no hospital, certamente influiu na escolha, que eu viria a fazer alguns anos mais tarde, de assumir um est\u00e1gio no setor de Interconsultas, por meio do qual me dediquei a escutar o sofrimento dos pacientes com AIDS, bem como dos profissionais impotentes que os tratavam naquela \u00e9poca de eclos\u00e3o da pandemia. Movimento transferencial que percebo se dar tamb\u00e9m entre os jovens analistas que com ela t\u00eam ou tiveram a chance de estudar, nos espa\u00e7os do Instituto Sedes Sapientiae, onde ela trabalha com a transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise. De 1998 a 2013, no \u00e2mbito do curso de Psicossom\u00e1tica Psicanal\u00edtica e atualmente no curso de Psican\u00e1lise, onde est\u00e1 desde 2013.<\/p>\n<p>Da\u00ed em diante, a fita das mem\u00f3rias n\u00e3o parou mais de se desenrolar. No in\u00edcio de 1991, Lena me convidou para substitu\u00ed-la num curso que ministrava na antiga editora Casa do Psic\u00f3logo, na rua Alves Guimar\u00e3es. Um curso intitulado \u201cPsicologia nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade\u201d. Lena estava \u00e0 beira de realizar um de seus sonhos: estava indo estudar psican\u00e1lise na Fran\u00e7a e moraria em Paris. Precisava por isso encontrar um professor que a substitu\u00edsse. Lembro-me de nosso encontro para conversarmos sobre o conte\u00fado do curso e do catatau de textos que ela me entregou em m\u00e3os, presos por uma grossa espiral preta. Era bem pesado e seria minha primeira experi\u00eancia como professora numa \u00e1rea \u00e0 qual eu vinha me dedicando! Me vi um tanto tr\u00eamula e aflita diante de uma dupla tarefa: por um lado, aceitar assumir um novo desafio profissional, que certamente seria bom para minha trajet\u00f3ria, e por outro n\u00e3o decepcionar minha amiga que, generosamente e na confian\u00e7a, me convidava a este novo trabalho. Nascia ali um percurso profissional que segue seu rumo ainda hoje e que encontrou na Lena uma companheira e interlocutora constante e sem igual.<\/p>\n<p>A outra lembran\u00e7a data do in\u00edcio de 2001, \u00e9poca da defesa da minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, quando eu a procurei para me ajudar a pensar no texto de apresenta\u00e7\u00e3o a ser lido por mim na abertura dos trabalhos da defesa. Nunca vou esquecer a orienta\u00e7\u00e3o que me deu para que eu recortasse todas as hip\u00f3teses contidas no texto da disserta\u00e7\u00e3o e as colocasse em destaque na apresenta\u00e7\u00e3o do trabalho. Ela disse: \u201c\u00c9 nas hip\u00f3teses que o pensamento do autor ganha visibilidade e \u00e9 atrav\u00e9s delas que as engrenagens do racioc\u00ednio por infer\u00eancias se fazem conhecer por quem l\u00ea\u201d. Os textos da Lena s\u00e3o exatamente assim. Real\u00e7am <em>pari <\/em><em>passu<\/em> a l\u00f3gica que rege e organiza seu pensamento e o leitor sente-se por isso guiado e acompanhado. Ela exp\u00f5e os pontos de partida e as premissas que fundamentam suas proposi\u00e7\u00f5es, bem como os elos que organizam os desdobramentos que, por fim, desembocam em outras e mais amplas hip\u00f3teses. Talento este que se propaga nas atividades do exerc\u00edcio da transmiss\u00e3o em psican\u00e1lise, seja no curso, nas confer\u00eancias que profere ou nos artigos e ensaios que escreve.<\/p>\n<p>Para encerrar este momento de relembrar, pesco no ba\u00fa dos meus guardados o per\u00edodo entre 2002 e 2013, em que Lena e eu fomos parceiras no curso de Psicossom\u00e1tica Psicanal\u00edtica do Sedes, dando aula e supervis\u00e3o junto com Rubens Volich e outros colegas presentes neste lan\u00e7amento. Foi naquela ocasi\u00e3o que me dei conta do qu\u00e3o potente \u00e9 sua capacidade de comunica\u00e7\u00e3o. Pernambucanos s\u00e3o mesmo talentosos na orat\u00f3ria e Lena n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Escutar Lena falar \u00e9 como ouvir uma toada com todas as letras, palavras e versos, sem abrevia\u00e7\u00e3o e num <em>continu<\/em><em>um,<\/em> porque Lena fala como se estivesse escrevendo. A clareza e a articula\u00e7\u00e3o de seu pensamento pouco espa\u00e7o d\u00e3o a trope\u00e7os e interrup\u00e7\u00f5es. Seu racioc\u00ednio flui. Quando est\u00e1 expondo uma ideia, Lena nunca corre com a emiss\u00e3o da fala, mas imprime um ritmo pausado e constante, sugerindo colocar a escanteio interfer\u00eancias indesej\u00e1veis que possam se insinuar e atrapalhar seu fluxo. O tom \u00e9 positivo e seu conte\u00fado, em geral, propositivo. Lena n\u00e3o desperdi\u00e7a o verbo, mas quando decide emitir uma ideia ou opini\u00e3o que possa acrescentar, n\u00e3o economiza tamb\u00e9m. Sem contar esse sotaque delicioso, essa sua pros\u00f3dia meio xote e xaxado que, male\u00e1vel, at\u00e9 se abriu para uma notinha que fosse da dura poesia concreta de tuas esquinas.\u00a0 Afinal, S\u00e3o Paulo est\u00e1 em seu cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 h\u00e1 tantas d\u00e9cadas, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Uma prosinha agora sobre o livro. Ele \u00e9 composto por oito artigos escritos ao longo de duas d\u00e9cadas, relacionados ao tema do corpo e da alimenta\u00e7\u00e3o enquanto dom\u00ednios que fazem valer os excessos e as tiranias dos ideais do sujeito contempor\u00e2neo. Est\u00e3o inseridos no campo de pesquisa que abrange a articula\u00e7\u00e3o das tr\u00eas dimens\u00f5es metapsicol\u00f3gicas do corpo a destinos psicopatol\u00f3gicos e a manejos cl\u00ednicos e transferenciais espec\u00edficos. Embora tenham sido publicados anteriormente em revistas, livros e colet\u00e2neas, a reuni\u00e3o deles em uma unidade organizada favorece ao leitor conhecer mais amplamente o pensamento psicanal\u00edtico de Maria Helena em sua plena pot\u00eancia. Juntos e na sequ\u00eancia em que foram dispostos, os artigos e ensaios n\u00e3o s\u00f3 se complementam, mas comp\u00f5em sobretudo uma s\u00e9rie cont\u00ednua. N\u00e3o s\u00e3o artigos estanques, mas inter-relacionados e articulados a um pensamento comum.<\/p>\n<p>O primeiro cap\u00edtulo vai apresentar um estudo sobre a constru\u00e7\u00e3o do projeto metapsicol\u00f3gico freudiano, uma esp\u00e9cie de <em>making of,<\/em> por meio da correspond\u00eancia trocada por Freud com Abraham e Lou Andreas-Salom\u00e9, buscando enfatizar as especificidades cl\u00ednicas e metodol\u00f3gicas presentes no discurso freudiano. O cap\u00edtulo dois abarca a problem\u00e1tica do corpo e da hipocondria, desenvolvida em sua tese de doutoramento, acompanhada pelo estudo, no cap\u00edtulo tr\u00eas, da preval\u00eancia das formas corporais de sofrimento na atualidade. O cap\u00edtulo quatro explora as especificidades das abordagens psicanal\u00edticas do corpo, bem como seu lugar central na constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica freudiana, seguindo Freud no desenvolvimento de suas formula\u00e7\u00f5es. J\u00e1 nos cap\u00edtulos cinco e seis, Maria Helena p\u00f5e em destaque algumas hip\u00f3teses, desenvolvidas em seu livro <em>Transtornos alimentares<\/em>, sobre anorexia e bulimia na cl\u00ednica psicanal\u00edtica, especialmente no que concerne \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do sujeito com seu corpo, sua imagem corporal e com a figura materna. E, para terminar, nos dois \u00faltimos cap\u00edtulos encontramos elementos que articulam psicopatologia e cultura. No cap\u00edtulo sete, o corpo, seus ideais e sua rela\u00e7\u00e3o com a alimenta\u00e7\u00e3o e, no oito, a quest\u00e3o do mal-estar feminino em sua rela\u00e7\u00e3o com o corpo e com a maternidade.<\/p>\n<p>Mas, a meu ver, \u00e9 sobretudo na introdu\u00e7\u00e3o do livro, na forma de um texto in\u00e9dito, que Maria Helena oferece aos oito artigos o aporte libidinal para o am\u00e1lgama pluridimensional que anima sua produ\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica, escrita e oral. Estou me referindo a um relato historicizado de sua trajet\u00f3ria, uma esp\u00e9cie de biografia profissional contada por ela em primeira pessoa nesta introdu\u00e7\u00e3o ao livro, na qual ela revela, al\u00e9m das cenas mais conhecidas, os ensaios e os bastidores que contam a hist\u00f3ria de suas buscas e realiza\u00e7\u00f5es. Nela, ressalta suas escolhas e algumas conquistas profissionais. As constru\u00e7\u00f5es que guiaram suas pr\u00e1ticas cl\u00ednicas e a rede de amizades e afetos que, \u00e0 despeito do tempo e da dist\u00e2ncia, mantiveram-se conservadas durante sua estadia na Fran\u00e7a. Os interlocutores e professores, entre franceses e brasileiros, com quem ela escolheu ter aula e que a escolheram tamb\u00e9m. Entre eles, Pierre F\u00e9dida, que orientou seu mestrado e doutorado, Andr\u00e9 Green, Joyce McDougall, Daniel Widlocher, Jacques Derrida, Jean Laplanche, Monique Schneider, Maurice Dayan, Danielle Brun, Renato Mezan; os autores do IPSO como Pierre Marty, Michael Fain, Rosine Debray, Marilia Aisenstein; al\u00e9m de Joel Birman e Paul-Laurent Assoun, esses dois \u00faltimos com os quais discutiu individualmente o andamento de seu doutorado. Um time de estrelas que habitava a cena estudantil parisiense com suas bibliotecas, seus caf\u00e9s esfuma\u00e7ados, o vinho nacional, a sopa de cebola nos invernos em meio a muita conversa, a disserta\u00e7\u00e3o, a tese e duas gesta\u00e7\u00f5es. Havia ali uma equa\u00e7\u00e3o composta, ou uma s\u00e9rie complementar, na qual \u00e0 hist\u00f3ria pessoal somou-se uma hist\u00f3ria compartilhada que, por seu turno, resultou em uma biografia profissional. Nesta introdu\u00e7\u00e3o, podemos ver a comunidade de pares e interlocutores, argamassas para a constru\u00e7\u00e3o onde Maria Helena d\u00e1 morada a seu pensamento psicanal\u00edtico. Fica claro que ela se sentiu bem acompanhada e que foi boa companhia tamb\u00e9m nos c\u00edrculos sociais e profissionais que frequentou e que ajudou a sustentar.<\/p>\n<p>Se, de um lado, o percurso formativo da Lena est\u00e1 pavimentado sobre rela\u00e7\u00f5es mais verticais com alguns dos mestres de primeira grandeza do campo psicanal\u00edtico, seja no exterior ou no Brasil; de outro, seu estilo amigo, atravessado por uma inclina\u00e7\u00e3o genuinamente horizontal, em sua forma de estar no mundo e de trabalhar junto, me lembrou a no\u00e7\u00e3o de \u201ccomunidade de destino\u201d (p. 91) colocada por Ferenczi (1932) em seu <em>Di<\/em><em>\u00e1rio cl\u00ed<\/em><em>nico,<\/em> na passagem em que reenquadra sua proposta de analisar a crian\u00e7a que existe no adulto, a partir da ren\u00fancia do analista \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o de autoridade, dada por sua consci\u00eancia de partilhar do mesmo destino ao qual est\u00e1 submetido seu paciente. Neste sentido, os professores, colegas e amigos do Brasil s\u00e3o apontados por ela como parte fundacional de sua \u201ctrajet\u00f3ria partilhada\u201d (Fernandes, 2025, p. 9). S\u00e3o muitos os nomes: Laurinda de Souza, Ana Maria Sigal, Luc\u00eda Fuks, Fl\u00e1vio Ferraz, Helena Tassara, Silvia Alonso, Decio Gurfinkel, Maria Cristina Ocariz, Janete Frochtengarten, Anna Maria Amaral, Maria Auxiliadora Arantes, Aline Camargo, Marta Rezende Cardoso, Marcia de Mello Franco, Daniel Delouya, Luis Ant\u00f4nio Nogueira Martins e outros n\u00e3o menos presentes.<\/p>\n<p>Para ilustrar, cito um trecho do artigo de J\u00f4 Gondar (2017), intitulado \u201cFerenczi, pensador pol\u00edtico\u201d, em que ela recupera, com suas pr\u00f3prias palavras, a no\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias sociais trazida por Alfredo Bosi (1995). Opondo-se \u00e0 ideia de comunidade de origem, sustentada nos la\u00e7os de sangue, a comunidade de destino \u201crefere-se ao fato de que um grupo de pessoas pode reunir-se, sem lideran\u00e7as ou certezas pr\u00e9vias, para discutir ou construir seu pr\u00f3prio destino\u201d (p. 219).<\/p>\n<p>Assim, finalizo este meu coment\u00e1rio afetivo sobre minha amiga citando uma das frases com as quais a autora encerra o cap\u00edtulo de introdu\u00e7\u00e3o a seu livro: \u201cSe escolhi transformar cada leitor em c\u00famplice das minhas lembran\u00e7as e porta-voz da minha gratid\u00e3o foi por acreditar que a presen\u00e7a de todos, que fiz quest\u00e3o de nomear aqui, alimentou a minha caminhada\u201d (Fernandes, 2025, p. 42).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>Ferenczi, Ferenczi. <em>Di<\/em><em>\u00e1rio cl\u00ed<\/em><em>nico,<\/em> S\u00e3o Paulo, Martins Fontes, 1990.<br \/>\nFernandes, Maria Helena. A mulher-el\u00e1stico. Viver: mente &amp;c\u00e9rebro, 161:28-33, 2006.<br \/>\nFernandes, Maria Helena. <em>Capturas do sofrimento. Corpo, alimenta\u00e7\u00e3o e ideais na cl\u00ed<\/em><em>nica psicanal<\/em><em>\u00ed<\/em><em>tica. S<\/em>\u00e3o Paulo, Blucher, 2025.<br \/>\nReis, Eliana Schueler &amp; Gondar, J\u00f4. <em>Com Ferenczi. Cl\u00ednica, subjetiva\u00e7\u00e3o, pol\u00ed<\/em><em>tica.<\/em> Rio de Janeiro, 7 letras, 2017.<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, onde \u00e9 professora no Curso de Psican\u00e1lise.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritos de Mar\u00ea Labaki e de Rubens Volich representam o mar de gente amorosa que se fez presente no lan\u00e7amento do novo livro de Lena Fernandes.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[81],"tags":[83],"edicao":[367],"autor":[370],"class_list":["post-4065","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-leitura","tag-leituras","edicao-boletim-78","autor-maria-elisa-pessoa-labaki","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4065","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4065"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4065\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4109,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4065\/revisions\/4109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4065"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4065"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4065"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4065"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=4065"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}