{"id":4073,"date":"2026-04-13T16:27:25","date_gmt":"2026-04-13T19:27:25","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=4073"},"modified":"2026-04-13T16:27:25","modified_gmt":"2026-04-13T19:27:25","slug":"eu-quis-ir-a-cuba-ver-a-vida-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2026\/04\/13\/eu-quis-ir-a-cuba-ver-a-vida-la\/","title":{"rendered":"Eu quis ir a Cuba, ver a vida l\u00e1"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Eu quis ir a Cuba, ver a vida l\u00e1<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Ver\u00f4nica Melo<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>A ideia de escrever este texto para o Boletim surgiu a partir de um relato que enviei a grupos de amigos deste Departamento, dando not\u00edcias da entrega das doa\u00e7\u00f5es que fizeram a Cuba e aproveitando para lhes contar um pouco das impress\u00f5es que colhi nessa viagem, em especial neste\u00a0momento em que a Ilha atravessa uma forte crise e tens\u00e3o por novas restri\u00e7\u00f5es e pelas amea\u00e7as de invas\u00e3o por parte do governo estadunidense.<\/p>\n<p>Campanhas de Solidariedade a Cuba circulavam nas redes: \u201cFrei Betto faz um chamado urgente \u00e0 solidariedade com o povo cubano diante do agravamento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que j\u00e1 dura 64 anos.\u201d A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana enfrenta uma grave crise energ\u00e9tica e falta de medicamentos, impactando diretamente direitos essenciais como alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o \u2014 garantidos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O te\u00f3logo e escritor vem convocando todas e todos a se somarem \u00e0 campanha do MST, que busca arrecadar R$ 200 mil para enviar rem\u00e9dios e equipamentos cir\u00fargicos a Cuba. \u201cDefender Cuba \u00e9 defender nossa utopia, nossa esperan\u00e7a e a luta por um mundo sem opressores e oprimidos\u201d, afirma.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca, outubro de 2025, recebi a divulga\u00e7\u00e3o de uma Caravana Solid\u00e1ria a Cuba.<\/p>\n<p>Falar dessa Caravana \u00e9 falar da Telma Ara\u00fajo, a grande for\u00e7a por tr\u00e1s da organiza\u00e7\u00e3o e que, por ocasi\u00e3o dessa Caravana, recebeu um Reconhecimento do ICAP (Instituto Cubano de Amizade com os Povos) pelo seu trabalho de Solidariedade com Cuba.<\/p>\n<p>Telma conheceu Cuba e Fidel l\u00e1 no in\u00edcio dos anos 90 e, desde ent\u00e3o, criou um la\u00e7o fort\u00edssimo com a Ilha e com os ideais humanit\u00e1rios da Revolu\u00e7\u00e3o. De l\u00e1 para c\u00e1, vem atuando em v\u00e1rias frentes: no Movimento de Solidariedade a Cuba, na Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da Brigada Sul-Americana e na Associa\u00e7\u00e3o Cultural Jos\u00e9 Mart\u00ed de Minas Gerais (ACJM-MG), \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o governamental cujo foco assume a rela\u00e7\u00e3o com os povos e n\u00e3o com governos. Inclusive, em 2016, montou junto com o Thiago \u00c1vila a cartilha que orienta os trabalhos das Brigadas. \u00c9 brigadista &#8216;raiz&#8217;, participou da 1\u00aa Brigada Sul-Americana de Trabalho Volunt\u00e1rio, no ano 2000. Anualmente, essas brigadas re\u00fanem cerca de 100 ativistas que v\u00e3o para a Ilha desenvolver trabalhos no campo, trocar experi\u00eancias com organiza\u00e7\u00f5es locais, conhecer pontos hist\u00f3ricos, festejar e fortalecer nossos la\u00e7os latinos. Como ela mesma diz, o objetivo \u00e9 fazer as pessoas viverem a realidade de Cuba, sentindo o que significa essa &#8216;for\u00e7a de ajuda&#8217;. E um detalhe curioso: ela conta que essa dedica\u00e7\u00e3o vem da inspira\u00e7\u00e3o em um de seus \u00eddolos, Chico Buarque \u2014 que, por coincid\u00eancia, nesse mesmo dia em que escrevo est\u00e1 em Cuba, depois de 30 anos, convidado por Silvio Rodr\u00edguez.<\/p>\n<p>Seu trabalho se vincula ao ICAP \u2014 Instituto Cubano de Amizade com os Povos, criado por Fidel nos primeiros anos ap\u00f3s a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o para fortalecer rela\u00e7\u00f5es de solidariedade internacional e articula\u00e7\u00e3o entre os povos e movimentos sociais, sem interfer\u00eancia dos Estados. A estrutura \u00e9 bem completa: a ag\u00eancia <em>Amistur <\/em>cuida do turismo pol\u00edtico, social e de lazer, enquanto a <em>Casa de la Amistad<\/em> \u00e9 o ponto de encontro para recep\u00e7\u00f5es e festas. J\u00e1 a hospedagem acontece no <em>Acampamento Julio Antonio Mella<\/em>, que recebe brigadistas de diversos pa\u00edses, brasileiros, chilenos, argentinos, estadunidenses, canadenses, entre outros. No momento, est\u00e1 trabalhando para o Centen\u00e1rio do Comandante Fidel Castro Ruz, celebrado em 13 de agosto de 2026, que contar\u00e1 com uma nova Caravana.<\/p>\n<p>A partir dessas chamadas, considerei a oportunidade de levar alguma ajuda a um pa\u00eds que segue resistindo e sustentando seus ideais humanistas e sua tradi\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria com outros povos, e levar meus filhos a conhecerem a Ilha. Em novembro a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava cr\u00edtica, mas ainda n\u00e3o havia a amea\u00e7a declarada em janeiro de 2026, de invas\u00e3o da Ilha pelo governo neofascista de Trump. Desde ent\u00e3o uma certa apreens\u00e3o com a viagem se instalou. Ser\u00e1 que \u00e9 hora de irmos? Fam\u00edlia e amigos preocupados\u2026, mas fomos.<\/p>\n<p>Embarcamos com nossas malas repletas de\u00a0rem\u00e9dios, luzes de emerg\u00eancia, sabonetes, leite em p\u00f3, bombons\u2026e, nossas apreens\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, toda a viagem foi surpreendentemente tranquila, apesar de muito intensa e de variadas emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pelo fato de sermos uma Caravana Solid\u00e1ria n\u00e3o enfrentamos muitas dificuldades em fun\u00e7\u00e3o da prioridade estrat\u00e9gica que o governo cubano atribui ao turismo, em especial desse tipo. Tivemos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o um micro-\u00f4nibus que nos levava para todas as partes; lugares e cidades lindas, cheias de hist\u00f3ria e carinho de quem conosco interagiu e ainda a possibilidade de nos hospedarmos em lugares protegidos de apag\u00f5es.<\/p>\n<p>Na programa\u00e7\u00e3o, conhecemos e experimentamos situa\u00e7\u00f5es \u00e0s quais n\u00e3o ter\u00edamos oportunidade fora dessa Caravana.<\/p>\n<p>O hotel em que ficamos era muito bonito e confort\u00e1vel e, para minha grande surpresa, foi o mesmo em que fiquei quando l\u00e1 estive em 1987! A piscina era o mar.<\/p>\n<p>Sobre nossas doa\u00e7\u00f5es, a entrega foi feita no ICAP, Instituto Cubano de Amizade com os Povos, que faz o repasse para as institui\u00e7\u00f5es do Estado, respons\u00e1veis pela distribui\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, e nos recebeu ao som de m\u00fasica brasileira e uma an\u00e1lise sobre conjuntura atual.<\/p>\n<p>Sobre a crise que atravessam, a situa\u00e7\u00e3o para o povo cubano \u00e9 dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Em algumas conversas nas ruas pudemos perceber um grande\u00a0desalento, por um sem-n\u00famero de raz\u00f5es: universidade fechada, ensino b\u00e1sico e m\u00e9dio com funcionamento reduzido, muitos lugares e casas com duas horas de eletricidade dispon\u00edvel por dia, \u00e0s vezes s\u00f3 de madrugada; transporte p\u00fablico quase inexistente, pessoas tendo que caminhar durante horas para chegar ao local de trabalho, muitos desses lugares funcionando por poucos dias da semana; a grande maioria dos hot\u00e9is fechados pela grande baixa do turismo; racionamento imenso de combust\u00edvel, inclusive dificultando e comprometendo log\u00edsticas de transporte e distribui\u00e7\u00e3o dos carregamentos de produtos e doa\u00e7\u00f5es que chegam de fora; um grande n\u00famero de pa\u00edses pausou suas negocia\u00e7\u00f5es com Cuba, bancos n\u00e3o realizam transa\u00e7\u00f5es com o pa\u00eds, cancelamentos do programa <em>Mais M<\/em><em>\u00e9dicos<\/em> em diversos pa\u00edses (ao menos 9 nas \u00faltimas semanas)&#8230;e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Assim, ao chegarmos, nos deparamos com uma cidade com ruas esvaziadas e pouco movimento.<\/p>\n<p>Como aqui no Brasil, h\u00e1 uma grande campanha e influ\u00eancia de empresas das redes sociais estadunidenses na manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o interna \u2014, uma das estrat\u00e9gias anticomunistas do Tio Sam \u2014 e que, como pudemos ver em documentos expostos no Museu da Den\u00fancia, acaba sendo fonte de despesa do governo cubano, que se esfor\u00e7a para combater as Fake News e a desinforma\u00e7\u00e3o. Com acesso livre \u00e0s redes sociais, essas campanhas atingem, principalmente, os mais jovens, que s\u00e3o os que mais demonstram insatisfa\u00e7\u00e3o e desejos contra revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Tivemos um encontro com o embaixador do Brasil, que fez uma an\u00e1lise da conjuntura atual, que \u00e9 mesmo alarmante. Cuba quer seguir as conversas com os EUA para tratar da situa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o recebe retornos favor\u00e1veis das autoridades estadunidenses.<\/p>\n<p>A Ilha vive um sufocamento com o acirramento atroz do bloqueio, pode-se dizer, uma \u201cGaza sem bombas\u201d.<\/p>\n<p>Por tudo isso, muitas pessoas est\u00e3o sem confian\u00e7a de que a situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 resolvida, est\u00e3o cansadas e j\u00e1 vivem os impactos em suas sa\u00fades f\u00edsica e mental decorrentes da forte emigra\u00e7\u00e3o de amigos e familiares. Uns 15% da popula\u00e7\u00e3o deixaram o pa\u00eds nos \u00faltimos anos e, dentre estes, a maior parte tem entre 15 e 55 anos.<\/p>\n<p>Apesar disso, da persist\u00eancia dessa crise, que os cubanos dizem ser a mais brutal que j\u00e1 viveram, e do decorrente sofrimento com as in\u00fameras restri\u00e7\u00f5es, existe um forte sentimento de resili\u00eancia em boa parcela da popula\u00e7\u00e3o, que se manifesta e segue resistindo e insistindo nos aspectos revolucion\u00e1rios de suas conquistas.<\/p>\n<p>No Centro Fidel Castro, tivemos uma conversa com uma jovem historiadora, que nos falou da situa\u00e7\u00e3o atual de uma forma muito forte, realista, profunda e corajosa. De encher os olhos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Fomos conhecer uma Policl\u00ednica, onde ouvimos um grande relato sobre as dificuldades que est\u00e3o enfrentando para manter o m\u00ednimo de atendimento, utilizando os parcos recursos de que disp\u00f5em neste momento. Para uma Cuba cuja estrutura de sa\u00fade impressiona pela organiza\u00e7\u00e3o, especialmente no sistema prim\u00e1rio \u2014 com seu modelo dos Consult\u00f3rios de M\u00e9dicos da Fam\u00edlia \u2014 e pela forma\u00e7\u00e3o rigorosa dos profissionais, que saem das universidades com uma vis\u00e3o humanista e solid\u00e1ria, foi uma tristeza ver o estado material do local, mas um alento ouvir relatos de sentidos t\u00e3o potentes, dignos e esperan\u00e7osos.<\/p>\n<p>Na quinta-feira, dia 2 de abril, presenciamos uma manifesta\u00e7\u00e3o pelo Malec\u00f3n dos que pedem pelo fim do bloqueio, defendendo sua Cuba, suas liberdades, sua cultura\u2026emocionante!\u00a0\u00c9 bom destacar que esta manifesta\u00e7\u00e3o foi marcada por grande presen\u00e7a de jovens.<\/p>\n<p>Posso dizer que a apreens\u00e3o toda que estava sentindo com a ida para a Ilha nesse momento tenso foi sendo substitu\u00edda por bons encontros, boas hist\u00f3rias, comida boa, pi\u00f1a colada, mojitos\u2026 e muita emo\u00e7\u00e3o. Mas resta muita tristeza e ang\u00fastia por testemunhar qu\u00e3o cruel se pode ser nesse mundo dos homens gra\u00fados (e muito mi\u00fados!).<\/p>\n<p>A crise \u00e9 braba! Mui braba e mui triste!<\/p>\n<p>Mas, algumas \u201cluzes\u201d est\u00e1n!<\/p>\n<p>No hotel onde estivemos e em todos os lugares que visitamos havia energia. Em alguns deles, por haver gerador. Pain\u00e9is solares j\u00e1 podem ser vistos em diversos lugares, principalmente no interior.<\/p>\n<p>E, nos \u00faltimos dias, com a chegada de carregamento de alimentos e rem\u00e9dios do Brasil, petr\u00f3leo da R\u00fassia e mais ajudas vindas de outros cantos, como M\u00e9xico e Canad\u00e1 \u2014 que ent\u00e3o eu soube serem dois pa\u00edses que t\u00eam com a Ilha uma hist\u00f3ria de amizade e ajuda de longa data \u2014,\u00a0observamos um incremento na circula\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus, motos e carros pelas ruas e o clima da cidade mudou bastante; diminui\u00e7\u00e3o dos cortes de energia, os caminh\u00f5es de lixo voltando a circular e limpar a cidade e as ruas voltando a ser mais habitadas, vividas, vivas\u2026<\/p>\n<p>Havana segue sendo uma cidade muito linda e acolhedora.<\/p>\n<p>Parte deste relato escrevi ainda no avi\u00e3o, quando retornava ao Brasil, como forma de ir decantando o vivido na viagem. E nas entrelinhas dos pensamentos, muitas quest\u00f5es sobrevinham. Pensava no pa\u00eds que acabara de deixar, com seus enormes desafios, pensava nos desafios que viver\u00edamos aqui neste ano de elei\u00e7\u00e3o. Pensava no povo de Cuba, nas figuras fortes de &#8220;El Ch\u00ea&#8221;, como eles dizem, Fidel, Mart\u00ed.<\/p>\n<p>Ecoava, nesses pensamentos, a tese de Freud em <em>Psicologia das massas e an\u00e1lise do Eu<\/em>, sobre a desorienta\u00e7\u00e3o que sucede a perda do l\u00edder. Desde o dia 1 da vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, as san\u00e7\u00f5es impostas e as centenas de amea\u00e7as de morte de que foi v\u00edtima Fidel agem como for\u00e7as disruptivas, que desafiam a sustenta\u00e7\u00e3o de uma lideran\u00e7a e, hoje, de um regime que sobreviva \u00e0 aus\u00eancia f\u00edsica de seus \u00edcones. Ou, dito de outra forma, como o povo deixa de se identificar com a figura externa do l\u00edder para se identificar com o <em>Ideal do Eu<\/em> encarnado na soberania e no bem-estar social? E, ainda, como essa identifica\u00e7\u00e3o poderia se manter enfrentando as mais duras priva\u00e7\u00f5es? O acirramento do bloqueio, causando essa crise energ\u00e9tica sem precedentes, asfixia o pa\u00eds e se materializa na ang\u00fastia dos apag\u00f5es intermin\u00e1veis, na paralisia do transporte e no desespero da escassez de comida e medicamentos.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o \u00e9tica se imp\u00f5e a todos: o que fazemos com nossa humanidade? O que pa\u00edses, que contaram com a ajuda de Cuba em suas lutas de emancipa\u00e7\u00e3o, que se beneficiaram com seus programas humanit\u00e1rios como o <em>Mais M<\/em><em>\u00e9dicos<\/em> podem fazer nesse momento como forma de retribui\u00e7\u00e3o e como aposta no humanismo internacional?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para saber mais:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Em 29 de janeiro de 2026, a Casa Branca anunciou que Donald Trump havia assinado uma ordem executiva para estabelecer um processo de imposi\u00e7\u00e3o de tarifas a pa\u00edses que vendessem ou fornecessem petr\u00f3leo a Cuba (<a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/fact-sheets\/2026\/01\/fact-sheet-president-donald-j-trump-addresses-threats-to-the-united-states-by-the-government-of-cuba\/?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">whitehouse.gov<\/a>). Em 9 de fevereiro, o governo cubano informou oficialmente que vinha adotando medidas para enfrentar a situa\u00e7\u00e3o, associando-a ao recrudescimento do bloqueio e, em particular, \u00e0s press\u00f5es para restringir o fornecimento de combust\u00edvel \u00e0 ilha \u2014 inclusive por meio de san\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias e amea\u00e7as a navios e companhias mar\u00edtimas (<a href=\"https:\/\/www.mep.gob.cu\/en\/node\/3567?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mep.gob.cu<\/a>). Em mar\u00e7o, o pr\u00f3prio governo dos Estados Unidos voltou a agir sobre o circuito petrol\u00edfero ao emitir uma nova licen\u00e7a da OFAC para opera\u00e7\u00f5es com petr\u00f3leo russo, em um contexto no qual Cuba seguia submetida ao estreitamento de suas vias de abastecimento energ\u00e9tico (<a href=\"https:\/\/ofac.treasury.gov\/recent-actions\/20260319_33?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ofac.treasury.gov<\/a>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 justamente a\u00ed que reside a pot\u00eancia argumentativa do momento atual: ele torna imediatamente vis\u00edvel aquilo que, durante d\u00e9cadas, muitos insistiram em relativizar. N\u00e3o porque o bloqueio produza sozinho toda a realidade cubana, mas porque atua como for\u00e7a material ativa no agravamento permanente de suas contradi\u00e7\u00f5es, comprimindo as margens de a\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e convertendo car\u00eancias em estrangulamento. A deteriora\u00e7\u00e3o do cotidiano cubano n\u00e3o pode ser compreendida \u00e0 margem do bloqueio: ele opera como mecanismo permanente de compress\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es materiais de reprodu\u00e7\u00e3o da vida na ilha.\u201d <a href=\"https:\/\/midianinja.org\/opiniao\/bloqueio-dos-eua-e-crise-energetica-em-cuba-evidencia-concreta-de-um-cerco-historico-de-mais-de-seis-decadas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/midianinja.org\/opiniao\/bloqueio-dos-eua-e-crise-energetica-em-cuba-evidencia-concreta-de-um-cerco-historico-de-mais-de-seis-decadas\/<\/a><\/p>\n<p><strong>Entenda crise energ<\/strong><strong>\u00e9<\/strong><strong>tica<\/strong><\/p>\n<p>\u201cCubanos que vivem em Havana relatam que o pa\u00eds vive o \u201cpior momento\u201d com as dificuldades enfrentadas pela popula\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o endurecimento do bloqueio energ\u00e9tico imposto pelos EUA a partir do final de janeiro deste ano. O aumento dos apag\u00f5es, a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de produtos b\u00e1sicos, a redu\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico e a redu\u00e7\u00e3o da oferta da cesta b\u00e1sica alimentar subsidiada pelo Estado s\u00e3o alguns dos problemas que pioraram nas \u00faltimas semanas. A crise energ\u00e9tica de Cuba \u00e9 ainda mais grave nas prov\u00edncias do interior da ilha de quase 11 milh\u00f5es de habitantes, onde os apag\u00f5es podem durar quase o dia todo.No \u00faltimo 29 de janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump editou nova Ordem Executiva classificando Cuba como uma \u201camea\u00e7a incomum e extraordin\u00e1ria\u201d \u00e0 seguran\u00e7a de Washington, citando, como justificativa, o alinhamento de Havana com R\u00fassia, China e Ir\u00e3.A decis\u00e3o prev\u00ea a imposi\u00e7\u00e3o de tarifas comerciais aos produtos de qualquer pa\u00eds que forne\u00e7a ou venda petr\u00f3leo a Cuba.O aperto do cerco econ\u00f4mico ao pa\u00eds \u00e9 mais uma tentativa dos EUA de derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista, que desafia a hegemonia pol\u00edtica de Washington na Am\u00e9rica Latina h\u00e1 mais de seis d\u00e9cadas. O embargo dos EUA contra Cuba j\u00e1 dura 66 anos, com as primeiras medidas adotadas logo ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, de 1959.\u201d <a href=\"https:\/\/iclnoticias.com.br\/cuba-3-meses-combustivel-bloqueio-eua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/iclnoticias.com.br\/cuba-3-meses-combustivel-bloqueio-eua\/<\/a><\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psicanalista, membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Informa\u00e7\u00f5es para doa\u00e7\u00e3o (PIX): CNPJ: 11.586.301\/0001-65 Instituto Cultiva (esta Campanha segue ativa)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que fazemos com nossa humanidade? 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