{"id":4086,"date":"2026-04-13T16:55:09","date_gmt":"2026-04-13T19:55:09","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=4086"},"modified":"2026-04-13T16:55:09","modified_gmt":"2026-04-13T19:55:09","slug":"noticias-do-transito-um-gt-em-constante-transformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2026\/04\/13\/noticias-do-transito-um-gt-em-constante-transformacao\/","title":{"rendered":"Not\u00edcias do tr\u00e2nsito: um GT em constante transforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Not<\/strong><strong>\u00edcias do tr\u00e2<\/strong><strong>nsito<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><strong>: um GT em constante transforma\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\">Grupo <em>Fam<\/em><em>\u00edlias no S\u00e9culo XXI<\/em> comemora dez anos de exist\u00eancia e reflete sobre seu percurso, buscando mais diversidade atrav\u00e9s de novos integrantes<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-4087\" src=\"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/interna_11a.jpg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/interna_11a.jpg 1280w, https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/interna_11a-300x283.jpg 300w, https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/interna_11a-1024x966.jpg 1024w, https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/interna_11a-768x725.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Rachel Botelho<\/strong><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong><sup>[2]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma d\u00e9cada se passou desde a primeira vez em que o grupo de trabalho <em>Fam<\/em><em>\u00edlias no s\u00e9culo XXI<\/em>, do Departamento de Psican\u00e1lise, se reuniu para estudar e debater as transforma\u00e7\u00f5es em curso nas configura\u00e7\u00f5es familiares e seus impactos na constitui\u00e7\u00e3o da subjetividade. Se o projeto inicial j\u00e1 carregava uma boa dose de ambi\u00e7\u00e3o, foi <em>s<\/em><em>\u00f3-depois<\/em>, com a dist\u00e2ncia propiciada pela passagem dos anos, que se desvelou todo seu alcance. A partir do questionamento de uma suposta universalidade da fam\u00edlia, o grupo se viu convocado tamb\u00e9m a repensar a pr\u00f3pria psican\u00e1lise &#8211; historicamente branca, europeia e heteronormativa.<\/p>\n<p>Marcado pela aposta no trabalho coletivo e na condu\u00e7\u00e3o conjunta do percurso de pesquisa, o grupo vem se renovando e se mant\u00e9m atraente n\u00e3o s\u00f3 para formandos e analistas do Departamento interessados nessa tem\u00e1tica mas tamb\u00e9m para externos, como eu, para quem o <em>Fam<\/em><em>\u00edlias<\/em> foi uma porta de entrada instigante e acolhedora na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O reconhecimento p\u00fablico desse trabalho ficou patente no congresso da FLAPPSIP<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> realizado em outubro passado, em Lima, no Peru, quando a psicanalista Celia Klouri, idealizadora do grupo, foi indicada para representar o Departamento em uma das mesas plen\u00e1rias. Al\u00e9m de Celia, que apresentou nossa trajet\u00f3ria a uma plateia de analistas de diversos pa\u00edses latino-americanos, Isabella Borghesi Dal Molin, Ana Raquel Ribeiro e Adriana Elisabeth Dias, as duas \u00faltimas encarregadas atualmente da interlocu\u00e7\u00e3o interna do <em>Fam<\/em><em>\u00edlias<\/em>, tamb\u00e9m apresentaram textos no congresso.<\/p>\n<p>A motiva\u00e7\u00e3o para criar o grupo partiu da escuta cl\u00ednica de ang\u00fastias suscitadas por novos arranjos familiares, formas de conv\u00edvio e conflitos trazidos pelos v\u00ednculos afetivos. De in\u00edcio, onze colegas do Departamento de Psican\u00e1lise<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> se debru\u00e7aram sobre esta tem\u00e1tica, apoiadas em diferentes autores da\u00a0Psican\u00e1lise e\u00a0em di\u00e1logo com\u00a0os saberes da Educa\u00e7\u00e3o e do Direito.<\/p>\n<p>Nos primeiros anos, o trabalho girou principalmente em torno das quest\u00f5es de g\u00eanero e seus impactos nas fam\u00edlias. Atrav\u00e9s de Thamy Ayouch o grupo teve contato com a ideia de multiplicidade psicossexual, que amplia as configura\u00e7\u00f5es da sexualidade para al\u00e9m do binarismo homo\/heterossexual; com Daniela Teperman, que aponta como o neologismo \u201cparentalidade\u201d tende a substituir o termo \u201cfam\u00edlia\u201d, avan\u00e7ou na compreens\u00e3o dos efeitos da separa\u00e7\u00e3o entre conjugalidade e parentalidade; com Vera Iaconelli<em>,<\/em> que usa a express\u00e3o \u201cfun\u00e7\u00f5es constituintes da subjetividade\u201d, em vez de fun\u00e7\u00e3o paterna\/materna, o grupo reiterou a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existe um parentesco, um g\u00eanero e uma orienta\u00e7\u00e3o sexual necess\u00e1rios ou superiores para a constitui\u00e7\u00e3o do sujeito.<\/p>\n<p>O impacto das leituras e discuss\u00f5es do <em>Fam<\/em><em>\u00edlias no s\u00e9culo XXI <\/em>na escuta cl\u00ednica de cada uma n\u00e3o impediu, no entanto, que suas integrantes fossem tomadas por um assombro quando, apenas em 2020, puderam problematizar os profundos efeitos do racismo na constitui\u00e7\u00e3o e na din\u00e2mica das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>O grupo se dedicou, em seguida, ao letramento racial, que levou \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de um evento no Instituto Sedes<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> para promover uma troca entre psicanalistas e profissionais da Antropologia e do Direito. Na ocasi\u00e3o, a ideia de fam\u00edlia universal frente \u00e0 interseccionalidade dos marcadores sociais n\u00e3o s\u00f3 de g\u00eanero, mas tamb\u00e9m de classe e de ra\u00e7a, foi fortemente questionada.<\/p>\n<p>Acompanhando as novas cr\u00edticas dirigidas \u00e0 psican\u00e1lise nos \u00faltimos anos<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, sustentado pelo aprendizado coletivo, o grupo se viu diante da tarefa incontorn\u00e1vel de repensar os pilares do nosso campo. Historicamente europeia, branca, patriarcal, nuclear, monog\u00e2mica, bin\u00e1ria e heteronormativa, a psican\u00e1lise tradicional precisa estar \u00e0 altura de nossa \u00e9poca, marcada pela multiplicidade de arranjos amorosos, sexuais e familiares.<\/p>\n<p>Atualmente com 15 integrantes e com algumas vagas abertas, o GT vem buscando maior representatividade enquanto se debru\u00e7a sobre a interseccionalidade na psican\u00e1lise\u00a0a fim de debater como marcadores de ra\u00e7a, g\u00eanero, classe social, sexualidade e territ\u00f3rio se cruzam, moldando a subjetividade de nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>Como bem disse Celia na apresenta\u00e7\u00e3o da FLAPPSIP, o futuro da psican\u00e1lise e o futuro das fam\u00edlias n\u00e3o est\u00e3o dissociados: precisam ser reinventados continuamente. \u201c\u00c9 inadmiss\u00edvel ficarmos numa posi\u00e7\u00e3o pretensamente neutra, purista, tradicional, fechada a novos saberes, sem repensar nossa pr\u00e1tica cl\u00ednica e te\u00f3rica.\u201d<\/p>\n<p>Acreditamos que o di\u00e1logo com a Filosofia, a Sociologia, os estudos de g\u00eanero, de ra\u00e7a e da branquitude, p\u00f3s e decoloniais \u00e9 o caminho para que a psican\u00e1lise continue viva, relevante e capaz de escutar a singularidade de cada sujeito e a complexidade das fam\u00edlias no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> O t\u00edtulo escolhido \u00e9 uma homenagem ao livro de Cad\u00e3o Volpato (ed. Seja Breve), em que o autor reflete sobre o impacto da transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero do filho nele e na rela\u00e7\u00e3o de ambos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Jornalista e psicanalista, integrante do GT <em>Fam<\/em><em>\u00edlias no s\u00e9culo XXI<\/em> desde janeiro de 2025, \u00e9 candidata \u00e0 admiss\u00e3o no Departamento de Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Federa\u00e7\u00e3o Latino-americana de Associa\u00e7\u00f5es de Psicoterapia Psicanal\u00edtica e Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Al\u00e9m de Celia Klouri, formaram o GT Ana Maria Leal, Andrea Nosek, Ariane Leal Montoro, Maria Cristina Petry, Maria Zilda Armond Di Giorgi, Mar\u00edlia Campos Oliveira e Telles, Marise Bertollozi Bastos, Sandra Grisi, Tera Leopoldi e Therezinha Gomes.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Evento \u201cFam\u00edlias brasileiras subindo a rampa &#8211; cada uma delas existe e \u00e9 importante para n\u00f3s\u201d, realizado em 5 de agosto de 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=r12YSmPI1mo&amp;t=6237s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=r12YSmPI1mo&amp;t=6237s<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Uma das cr\u00edticas mais virulentas (e pol\u00eamicas) foi feita por Paul B. Preciado em um discurso proferido na Escola da Causa Freudiana em Paris, em 2019, quando o fil\u00f3sofo espanhol acusou nosso campo de sustentar o binarismo de g\u00eanero e o patriarcado e de patologizar corpos trans.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo Fam\u00edlias no S\u00e9culo XXI comemora dez anos de exist\u00eancia buscando mais diversidade atrav\u00e9s de novos integrantes. Por Rachel Botelho.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[268],"edicao":[367],"autor":[359],"class_list":["post-4086","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-do-departamento","tag-formacao-continua","edicao-boletim-78","autor-rachel-botelho","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4086"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4086\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4088,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4086\/revisions\/4088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4086"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4086"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4086"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4086"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=4086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}