{"id":4156,"date":"2026-06-12T12:17:08","date_gmt":"2026-06-12T15:17:08","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=4156"},"modified":"2026-06-12T12:19:19","modified_gmt":"2026-06-12T15:19:19","slug":"armar-ou-guerra-uma-leitura-psicanalitica-sobre-sirat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2026\/06\/12\/armar-ou-guerra-uma-leitura-psicanalitica-sobre-sirat\/","title":{"rendered":"A(r)mar ou Guerra: uma leitura psicanal\u00edtica sobre Sir\u00e2t"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>A(r)mar ou Guerra: uma leitura psicanal\u00edtica sobre <\/strong><strong><em>Sir\u00e2t<\/em><\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><strong>Leonardo Ferreira Galv\u00e3o Tavares<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><strong> e Pedro Henrique Almeida Altomare<\/strong><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong><sup>[2]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A imin\u00eancia da guerra radicaliza a luta pela vida. A lenta queda do mundo civilizado, manifesta em crises humanit\u00e1rias, ambientais e econ\u00f4micas, genoc\u00eddios e fascismos, assim como conflitos seculares, amplifica a vertigem de fim do mundo. Na obra <em>Sir\u00e2t<\/em>, filme dirigido pelo franco-espanhol \u00d3liver Laxe Coro, o protagonista Luis viaja com seu filho Esteban em busca de sua filha desaparecida, Irene, e vivem uma experi\u00eancia terror\u00edfica.<\/p>\n<p>A sociedade contempor\u00e2nea, em seus colapsos recorrentes, pode traumatizar o sujeito a tal ponto que o modo de vida civilizado torna-se insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Insubmissos ou exclu\u00eddos? Na trama, podemos indagar se os personagens buscam, no deserto, a possibilidade de express\u00e3o do inquietante \u2014 <em>Das Unheimliche<\/em> (FREUD, 1919). A viv\u00eancia coletiva na atmosfera \u00e1rida do deserto constitui-se, ent\u00e3o, na co-cria\u00e7\u00e3o de um festival de m\u00fasica eletr\u00f4nica, popularmente conhecido como <em>rave<\/em> \u2014 palavra de origem inglesa que remete a um estado de entusiasmo intenso.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 batida da <em>rave<\/em>, que pulsa incessante, pai e filho seguem dentro de sua van tentando atravessar o real do deserto.<\/p>\n<p><em>Sir\u00e2t<\/em> \u00e9 um termo \u00e1rabe com dois significados que, n\u00e3o \u00e0 toa, definem a estrutura do filme. A palavra designa \u201ccaminho\u201d, mas, para o islamismo, tamb\u00e9m nomeia \u201ca ponte que liga o c\u00e9u ao inferno\u201d, descrita como \u201ct\u00e3o fina quanto um fio de cabelo e t\u00e3o afiada como a l\u00e2mina de uma espada\u201d, uma travessia praticamente imposs\u00edvel (GLASS\u00c9, 2008).<\/p>\n<p>\u00c9 nessa jornada que o longa se sustenta com deslocamento geogr\u00e1fico e experi\u00eancia lim\u00edtrofe entre humanos, natureza e cat\u00e1strofes. Nesse perigoso percurso, as rela\u00e7\u00f5es se emaranham, tensionadas entre a necessidade de autopreserva\u00e7\u00e3o e um movimento de aproxima\u00e7\u00e3o que, diante das dificuldades e da precariedade do que eles t\u00eam ao dispor para suprir suas necessidades b\u00e1sicas, e tamb\u00e9m dos afetos provocados pelos v\u00ednculos, os conduz \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o. Luis se depara com um grupo engendrado por arte e m\u00fasica.<\/p>\n<p>A trama se desenrola na din\u00e2mica entre Luis, Esteban e a cachorrinha Pipa se integrando ao grupo de <em>ravers<\/em> composto por Jade, Stef, Josh, Tonin e Bigui. O protagonista nos faz saber, desde os instantes iniciais, que n\u00e3o pertence \u00e0quele ambiente, est\u00e1 ali movido pela busca de sua filha.<\/p>\n<p>Diferentemente das pessoas em j\u00fabilo sob o ritmo dos prazeres da dan\u00e7a e da m\u00fasica, o desejo de reunir a fam\u00edlia \u00e9 o que mobiliza Luis \u00e0 jornada pelo deserto. Jade e seus amigos aparentam estar ambientados \u00e0 din\u00e2mica social estabelecida na <em>rave<\/em>, dali em diante os caminhos dos grupos se fundem levando-os a se tornar um \u00fanico grupo, com destino \u00e0 sa\u00edda, se \u00e9 que existe alguma em tempo de guerra.<\/p>\n<p>Se acompanhamos Freud (1932) em sua carta redigida \u00e0 Einstein intitulada \u201cPor que a guerra?\u201d, podemos ler essa forma\u00e7\u00e3o grupal tamb\u00e9m a partir da tens\u00e3o entre viol\u00eancia e direito. O autor prop\u00f5e que o direito surge justamente quando a for\u00e7a de um indiv\u00edduo deixa de prevalecer isoladamente e passa a ser contraposta pela uni\u00e3o de v\u00e1rios outros, de modo que o poder se desloca da viol\u00eancia bruta para um pacto entre os mais fracos que, reunidos, tornam-se t\u00e3o fortes quanto o mais forte. Nesse sentido, a constitui\u00e7\u00e3o de um grupo busca superar a viol\u00eancia sob outras formas. Em situa\u00e7\u00f5es de guerra, por\u00e9m, esse equil\u00edbrio se rompe e assistimos a uma regress\u00e3o, na qual o direito \u00e9 substitu\u00eddo novamente pela viol\u00eancia como meio de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos. Se a cultura, por meio de seus dispositivos, entre eles a arte e a produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, opera como tentativa de sublima\u00e7\u00e3o das puls\u00f5es destrutivas, a <em>rave<\/em> em <em>Sir\u00e2t <\/em>pode ser pensada como um desses espa\u00e7os em que algo dos efeitos da viol\u00eancia \u00e9 transformado em experi\u00eancia coletiva. Ainda assim, sob a amea\u00e7a de guerra constante, essa constru\u00e7\u00e3o permanece prec\u00e1ria, sempre \u00e0 beira de colapsar.<\/p>\n<p>O coletivo de corpos reunidos ao redor da m\u00fasica forma uma esp\u00e9cie de comuna que, paradoxalmente, tamb\u00e9m evidencia uma dimens\u00e3o de isolamento e interioriza\u00e7\u00e3o. \u00c9 interessante observar que se faz necess\u00e1rio estar na presen\u00e7a e no est\u00edmulo de outros para que alcance a mais profunda introspec\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 basicamente um ensaio psicanal\u00edtico! Freud (1914) nos ensina que o recolhimento do interesse pelo mundo externo conduz a libido de volta ao Eu e promove uma economia ps\u00edquica voltada para a elabora\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es internas que prescindem temporariamente do outro. Cada um dan\u00e7a \u00e0 sua maneira e frequentemente de olhos fechados sem tocarem uns aos outros, escolha c\u00eanica que remete ao autoerotismo no qual a puls\u00e3o sexual encontra satisfa\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio corpo sem depender de um objeto externo para o seu descarregamento (FREUD, 1905). Poder\u00edamos pensar nesta cena como uma regress\u00e3o da libido a formas autoer\u00f3ticas em que o corpo torna-se o principal campo de satisfa\u00e7\u00e3o, processo desencadeado quando a realidade imp\u00f5e barreiras intranspon\u00edveis que for\u00e7am a energia ps\u00edquica a retornar a pontos de fixa\u00e7\u00e3o anteriores (FREUD, 1917). Em um mundo devastado pela guerra, no qual, como aponta Freud (1915b), as ilus\u00f5es civilizat\u00f3rias entram em colapso diante da viol\u00eancia e da morte, a regress\u00e3o aparece como tentativa extrema de reorganiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica.<\/p>\n<p>Corpos dissidentes, como tatuados, amputados e <em>queers<\/em>, embaralham normas de g\u00eanero e do patriarcado heteronormativo. Comp\u00f5em uma aparente comunidade, exclu\u00eddos da pretensa sociedade civilizada, e encontram alguma forma de coexist\u00eancia e de poder ser quem s\u00e3o. Contrastando com a disposi\u00e7\u00e3o livre dos corpos surge o ex\u00e9rcito obrigando-os \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de maneira compartimentada; em contraponto \u00e0 liberdade de express\u00e3o do coletivo. A interven\u00e7\u00e3o militar interrompe o festival e reorganiza-os, for\u00e7ando-os a formar uma fila de ve\u00edculos, sob controle e vigil\u00e2ncia. Se a <em>rave<\/em> ensaia uma forma de horizontalidade, em contraste o Estado funciona como inst\u00e2ncia de regula\u00e7\u00e3o dos corpos, impondo ordem e conten\u00e7\u00e3o, tal como as exig\u00eancias da civiliza\u00e7\u00e3o descritas por Freud (1930), que organizam os v\u00ednculos humanos por meio de restri\u00e7\u00f5es e ren\u00fancias pulsionais.<\/p>\n<p>Nesse momento, no in\u00edcio do longa, dois caminh\u00f5es desviam e conseguem escapar da tentativa de captura civilizat\u00f3ria. Luis os segue na travessia que fica marcada pela ocorr\u00eancia de uma sequ\u00eancia de trag\u00e9dias que imp\u00f5e ao grupo a dor da perda de maneiras que somente uma guerra \u00e9 capaz de causar. Mesmo em meio \u00e0 tempestade do deserto, a sombra e a neblina da guerra os atingem, impondo perdas e lutos sucessivos. Mesmo distante, a guerra se infiltra pelos fragmentos de r\u00e1dio: um mundo ainda mais devastado se anuncia.<\/p>\n<p>A travessia do rio marca um ponto de virada. At\u00e9 ent\u00e3o Luis oscila entre aproxima\u00e7\u00e3o e desconfian\u00e7a. Ao conseguir atravessar gra\u00e7as \u00e0 ajuda do grupo, ele cruza um obst\u00e1culo f\u00edsico e subjetivo, pois passa a exercer confian\u00e7a. \u00c0 luz de Freud (1917), poder\u00edamos aproximar essa cena dos movimentos de fixa\u00e7\u00e3o e regress\u00e3o da libido, o rio como aquilo que interrompe o fluxo e exige uma reconfigura\u00e7\u00e3o do investimento. Ao aceitar a ajuda, Luis desloca sua posi\u00e7\u00e3o, permitindo que os outros fa\u00e7am parte.<\/p>\n<p>Luis vai sendo afetado, transformado, do ego\u00edsmo de autoconserva\u00e7\u00e3o \u00e0 coletiviza\u00e7\u00e3o, ligando-se aos novos companheiros. Como no trecho em que, motivado pela sensibilidade de seu filho, doa seu chocolate ao grupo que o ajudou a atravessar o rio, como gesto de agradecimento e generosidade. \u00c9 sob a influ\u00eancia do filho que o pai cede. O alimento, inicialmente retido como recurso escasso, \u00e9 ofertado. O investimento deixa de ser somente em si e passa a circular.<\/p>\n<p>Freud (1905) estabelece a distin\u00e7\u00e3o fundamental entre os instintos voltados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da vida org\u00e2nica do indiv\u00edduo, portanto ligado \u00e0 necessidade, e aqueles que nascem apoiados nisso, ligados \u00e0 busca de prazer, que o autor nomeia de puls\u00e3o. Nessa perspectiva cria-se uma dualidade que governa os destinos das puls\u00f5es. Freud (1915a), ao pensar as puls\u00f5es, aponta justamente para esse embate entre puls\u00f5es de autoconserva\u00e7\u00e3o e puls\u00f5es sexuais, posteriormente reunidas sob o conceito de puls\u00e3o de vida (Eros) e em tens\u00e3o com a puls\u00e3o de morte (Thanatos), articulada anos depois em \u201cAl\u00e9m do princ\u00edpio do prazer\u201d (FREUD, 1920). O filme ilustra esses acontecimentos atrav\u00e9s das decis\u00f5es de Luis: desconfiar ou se vincular, poupar ou partilhar, sobreviver sozinho ou arriscar-se no coletivo.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e9 a morte de Esteban que introduz uma ruptura na trama. Filha desaparecida e agora filho morto. A morte dr\u00e1stica do amado filho irrompe como real traum\u00e1tico, sufocante, imposs\u00edvel de ser simbolizado plenamente. A partir da\u00ed, o filme mergulha em uma outra tonalidade. Dor dilacerante e irrepar\u00e1vel.<\/p>\n<p>Freud (1917 [1915]) distingue o luto da melancolia. O primeiro implica a retirada progressiva da libido do objeto que o sujeito sabe que perdeu, j\u00e1 na melancolia o sujeito permanece identificado a uma perda que n\u00e3o reconhece. Ap\u00f3s a morte de Esteban, vemos em Luis algo dessa oscila\u00e7\u00e3o. Seu choro inicial parece um fechamento, uma introvers\u00e3o libidinal, como se o mundo perdesse sua investidura, produzindo um embotamento.<\/p>\n<p>O pai segue errante, agonizando. Entre o desejo de desligamento e a fixa\u00e7\u00e3o \u00e0 dor, fica em suspenso. Sua deriva pela tempestade de areia no deserto pode ser compreendida como manifesta\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o de morte, uma tentativa de desligamento total e retorno ao inorg\u00e2nico, como se fosse imposs\u00edvel elaborar a perda e a morte. Como prop\u00f5e Freud (1920) ao formular o conceito de puls\u00e3o de morte, haveria nos seres vivos uma tend\u00eancia a retornar a um estado anterior, inanimado, o que se expressa como uma tend\u00eancia ao desligamento que persiste para al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer. Afetivamente, \u00e9 o grupo que conecta Luis ao campo da vida, no sens\u00edvel gesto de Jade que o encontra e lhe oferece \u00e1gua e apoio, elo que pode simbolizar a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie humana, algo da puls\u00e3o de vida se reativa nele, faz liga\u00e7\u00e3o, sentido, e urge a possibilidade de seguir apesar da devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os in\u00fameros lutos extenuantes levam ao uso de um alucin\u00f3geno em busca de um al\u00edvio das tens\u00f5es. Sob efeito desta subst\u00e2ncia, abra\u00e7ados pela m\u00fasica, a experi\u00eancia sensorial se intensifica na tentativa de reduzir a sensa\u00e7\u00e3o asfixiante da realidade. Eles come\u00e7am a dan\u00e7ar, uma tentativa de dar contorno ao corpo amea\u00e7ado pela guerra?<\/p>\n<p>Corpos explodem, de repente descobrem estar sobre um campo minado. As minas, invis\u00edveis, fazem do solo um inimigo. O perigo da guerra chega mais uma vez at\u00e9 eles, sob seus p\u00e9s. Dan\u00e7ar sobre um campo minado condensa de forma quase literal a condi\u00e7\u00e3o desses sujeitos, de viver como sin\u00f4nimo de cont\u00ednuo risco de morte.<\/p>\n<p>Depois do impacto, ficam sem sa\u00edda, parados, ou enfrentam a morte que pode estar a um passo. Luis decide arriscar, consegue atravessar e abre caminho para outros dois sobreviventes que restaram. Se antes ele se recusava a compartilhar o chocolate, agora oferece o pr\u00f3prio corpo \u00e0 sobreviv\u00eancia do grupo.<\/p>\n<p>Seja na interven\u00e7\u00e3o dos militares para proibir a festa, seja na persegui\u00e7\u00e3o que coloca os grupos em fuga, a queda no desfiladeiro ou mesmo a explos\u00e3o das minas, a passagem no deserto para um lugar seguro nos remete a uma prova\u00e7\u00e3o decisiva de quem vive e quem morre, assim como a pr\u00f3pria eclos\u00e3o da Terceira Guerra Mundial.<\/p>\n<p>As subidas nas montanhas ocorreram ap\u00f3s as dificuldades atingirem o grupo, levando-os a desvios e caminhos cada vez mais estreitos, refor\u00e7ando a met\u00e1fora do <em>sir\u00e2t<\/em>, como ponto que oferece a salva\u00e7\u00e3o ap\u00f3s superada a peregrina\u00e7\u00e3o. Vemos que escapar da guerra exige, paradoxalmente, atravessar zonas ainda mais arriscadas. A seguran\u00e7a precisa ser inventada a cada passo.<\/p>\n<p>Se <em>sir\u00e2t<\/em> \u00e9 essa ponte imposs\u00edvel entre c\u00e9u e inferno, o filme parece sugerir que ela s\u00f3 pode ser atravessada com alteridade, e isso implica expor-se, perder e, sobretudo, transformar-se.<\/p>\n<p>Talvez a for\u00e7a mais perturbadora de <em>Sir\u00e2t<\/em> esteja em mostrar que a guerra j\u00e1 n\u00e3o se restringe aos campos de batalha: ela infiltra os modos de vida, organiza os v\u00ednculos sob a l\u00f3gica da sobreviv\u00eancia e produz sujeitos permanentemente deslocados. Em meio \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, o filme insiste na possibilidade prec\u00e1ria de liga\u00e7\u00e3o entre corpos, como aquilo que ainda impede a completa ades\u00e3o \u00e0 morte. Quando o mundo passa a funcionar como um campo minado, <em>Sir\u00e2t <\/em>parece sugerir que talvez reste apenas aquilo que a civiliza\u00e7\u00e3o tenta continuamente domesticar: a vulnerabilidade diante do outro.<\/p>\n<p>O que perdemos quando enfim chegamos aonde quer\u00edamos chegar? E movidos pelo comando de quem?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>FREUD, S. (1905) Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In: <em>Obras completas, volume 6: Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade e outros textos<\/em> <em>(1901-1905)<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2016.<\/p>\n<p>FREUD, S. (1914) Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo. In: <em>Obras completas, volume 12: Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916)<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/p>\n<p>FREUD, S. (1915a) Os instintos e seus destinos. In: <em>Obras completas, volume 12: Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916)<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/p>\n<p>FREUD, S. (1917 [1915]) Luto e melancolia. In: <em>Obras completas, volume 12: Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916)<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/p>\n<p>FREUD, S. (1915b) Considera\u00e7\u00f5es atuais sobre a guerra e a morte. In: <em>Obras completas, volume 12: Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916)<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/p>\n<p>FREUD, S. (1917) Confer\u00eancia 22. Considera\u00e7\u00f5es sobre desenvolvimento e regress\u00e3o. Etiologia. In: <em>Obras completas, volume 13: Confer\u00eancias introdut\u00f3rias \u00e0 <\/em><em>psican<\/em><em>\u00e1lise (1916-1917)<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2014.<\/p>\n<p>FREUD, S. (1919) O inquietante. In: <em>Obras completas, volume 14: Hist\u00f3ria de uma neurose infantil (\u201cO homem dos lobos\u201d), Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer e outros textos (1917-1920)<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/p>\n<p>FREUD, S. (1920) Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer. In: <em>Obras completas, volume 14: Hist\u00f3ria de uma neurose infantil (\u201cO homem dos lobos\u201d), Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer e outros textos (1917-1920)<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/p>\n<p>FREUD, S. (1930) O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. In: <em>Obras completas, volume 18: O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o, novas confer\u00eancias introdut\u00f3rias \u00e0 <\/em><em>psican<\/em><em>\u00e1lise e outros textos (1930-1936)<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/p>\n<p>FREUD, S. (1932) Por que a guerra? (Carta a Einstein). In: <em>Obras completas, volume 18: O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o, novas confer\u00eancias introdut\u00f3rias \u00e0 <\/em><em>psican<\/em><em>\u00e1lise e outros textos (1930-1936)<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/p>\n<p>GLASS\u00c9, C. <em>The New Encyclopedia of Islam<\/em>. Lanham: Rowman &amp; Littlefield, 2008. Verbete: \u201c\u1e62ir\u0101\u1e6d\u201d.<\/p>\n<p>LAXE CORO, \u00d3. (dir.). <em>Sir\u00e2t.<\/em> Espanha\/Fran\u00e7a: El Deseo; 4A4 Productions; Uri Films; Filmes da Ermida; Los Desertores Films AIE, 2025.<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Psicanalista em cont\u00ednua forma\u00e7\u00e3o, atualmente no 4o ano do Curso de Psican\u00e1lise do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, do qual \u00e9 aspirante a membro. Especializando em Psican\u00e1lise e An\u00e1lise do Contempor\u00e2neo pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (2026). Especializa\u00e7\u00e3o em Psican\u00e1lise e Rela\u00e7\u00f5es de G\u00eanero: \u00c9tica, Cl\u00ednica e Pol\u00edtica, pelo Instituto de Pesquisa em Psican\u00e1lise e Rela\u00e7\u00f5es de G\u00eanero (2024). Graduado em Psicologia pela Universidade Paulista (2016).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Psicanalista em forma\u00e7\u00e3o. Estudante do 2o ano do Curso Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica: Conflito e Sintoma do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae. Especializando em Psican\u00e1lise e An\u00e1lise do Contempor\u00e2neo pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (2026). Graduado em Ci\u00eancias Policiais de Seguran\u00e7a e Ordem P\u00fablica pela Academia Militar do Barro Branco (2013).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 poss\u00edvel sustentar de vida diante da imin\u00eancia de colapso? Cinema e psican\u00e1lise conversam no escrito de Leonardo Tavares e Pedro Altomare.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[142],"tags":[145,374],"edicao":[379],"autor":[340,380],"class_list":["post-4156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cinema","tag-cinema","tag-o-mundo-hoje","edicao-boletim-79","autor-leonardo-ferreira-galvao-tavares","autor-pedro-henrique-almeida-altomare","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4156"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4157,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4156\/revisions\/4157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4156"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4156"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=4156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}