{"id":4236,"date":"2026-09-21T11:29:08","date_gmt":"2026-09-21T14:29:08","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/?p=4236"},"modified":"2026-09-21T11:31:29","modified_gmt":"2026-09-21T14:31:29","slug":"transmissao-psiquica-e-transgeracionalidade-nao-eram-memorias-eram-fantasmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/2026\/09\/21\/transmissao-psiquica-e-transgeracionalidade-nao-eram-memorias-eram-fantasmas\/","title":{"rendered":"Transmiss\u00e3o ps\u00edquica e transgeracionalidade: N\u00e3o eram mem\u00f3rias, eram fantasmas"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>T<\/strong><strong>ransmiss\u00e3o ps\u00edquica e transgeracionalidade: <\/strong><strong>N<\/strong><strong>\u00e3o eram mem<\/strong><strong>\u00f3<\/strong><strong>rias, eram fantasmas<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por<\/strong> <strong>Cristiane Lopes<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><strong> e Maria Angelina Guimar\u00e3es Cabral<\/strong><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong><sup>[2]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este tema capturou a aten\u00e7\u00e3o de um grupo de analistas que come\u00e7ou a se reunir sob a coordena\u00e7\u00e3o de Cristiane Lopes. Assim nasceu mais um Grupo de Trabalho do Departamento de Psican\u00e1lise, com seu projeto apoiado pela Incubadora de Ideias.<\/p>\n<p>Em 28 de agosto ocorreu o primeiro encontro, que contou com a presen\u00e7a de 21 colegas psicanalistas<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>(3), a partir de um desejo comum: pensar a transmiss\u00e3o ps\u00edquica e o que, entre gera\u00e7\u00f5es, sujeitos e grupos, pode permanecer mesmo quando n\u00e3o encontra uma narrativa, uma lembran\u00e7a ou uma palavra.<\/p>\n<p>Cada um traz consigo experi\u00eancias, saberes e quest\u00f5es. Enxergamos nesta diversidade a possibilidade de uma constru\u00e7\u00e3o coletiva, e apostamos na horizontalidade e na pot\u00eancia do trabalho em grupo para produzir novas perguntas e deslocar alguns de nossos modos de pensar.<\/p>\n<p>O grupo \u00e9 ocasi\u00e3o para uma palavra encontrar outra, uma experi\u00eancia despertar mais uma, e uma nova pergunta desorganizar uma certeza. Mais do que o que se passa entre os membros, h\u00e1 algo que se transforma atrav\u00e9s dos movimentos do encontro, talvez essa seja a experi\u00eancia da transmiss\u00e3o. \u00c9 nesse sentido que nos interessa a experi\u00eancia coletiva: aquilo que circula, que produz pertencimentos e tamb\u00e9m diferen\u00e7as; os modos de nomear o outro, os preconceitos, as exclus\u00f5es e os ideais que atravessam nossas hist\u00f3rias e podem chegar at\u00e9 n\u00f3s antes mesmo que possamos reconhec\u00ea-los como heran\u00e7a.<\/p>\n<p>Para inaugurar esse percurso, escolhemos como disparador \u201cRestos de Carnaval\u201d, de Clarice Lispector, acompanhado pela leitura de recortes da biografia da autora, escrita por Benjamin Moser. Neste conto, h\u00e1 uma atmosfera que vai se tornando, pouco a pouco, mais carregada e intensa. A alegria do Carnaval aparece atravessada por um mal-estar, o desejo de participar da festa encontra algo que o ret\u00e9m, e a menina permanece entre o dentro e o fora, entre o movimento e a espera. H\u00e1 uma esp\u00e9cie de tempo parado, uma suspens\u00e3o, uma clausura que n\u00e3o se explica inteiramente pela situa\u00e7\u00e3o presente. O que se sente no conto parece exceder aquilo que pode ser imediatamente dito ou representado.<\/p>\n<p>Talvez seja justamente a\u00ed que a transmiss\u00e3o ps\u00edquica encontre uma de suas formas de express\u00e3o: no que n\u00e3o chega como hist\u00f3ria contada, mas permanece como atmosfera, como sil\u00eancio, como peso, como algo que atravessa o sujeito. Aquilo que n\u00e3o p\u00f4de encontrar lugar na palavra continua presente, insistindo de outras maneiras. O tempo suspenso do conto nos aproxima desse tempo particular da transmiss\u00e3o, o que n\u00e3o p\u00f4de ser simbolizado parece n\u00e3o passar, e insiste. Algo se apresenta sem representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A leitura de Benjamin Moser acrescentou outras resson\u00e2ncias a essa experi\u00eancia, ao nos aproximar da hist\u00f3ria familiar de Clarice Lispector e das marcas deixadas pela doen\u00e7a, viol\u00eancia e sil\u00eancios. Abriram-se perguntas sobre o que uma hist\u00f3ria pode transmitir quando n\u00e3o encontra palavras para ser contada.<\/p>\n<p>Foi assim que iniciamos nosso percurso: entre diferentes trajet\u00f3rias, uma tarefa comum e muitas perguntas. Que marcas recebemos sem saber? O que permanece quando uma experi\u00eancia n\u00e3o p\u00f4de encontrar palavras? O que se transmite nos sil\u00eancios, nos afetos, nos modos de estar no mundo, naquilo que passa de uma gera\u00e7\u00e3o a outra sem jamais ter sido propriamente contado? E o que pode acontecer quando aquilo que foi recebido encontra, no encontro com o outro, um espa\u00e7o de escuta e de elabora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>H\u00e1 na transmiss\u00e3o ps\u00edquica algo que nos precede e pode pesar sobre n\u00f3s, mas h\u00e1 tamb\u00e9m a possibilidade de transformar aquilo que recebemos. Entre o que herdamos e o que podemos fazer com essa heran\u00e7a, abre-se um espa\u00e7o. E \u00e9 a\u00ed, entre uma hist\u00f3ria e outra, entre uma palavra e outra, que queremos estar. Talvez assim uma experi\u00eancia possa deixar de ser apenas um resto e encontrar uma nova possibilidade de exist\u00eancia. E talvez seja tamb\u00e9m a\u00ed, no encontro com o outro, que algo possa finalmente come\u00e7ar a se transmitir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4224 aligncenter\" src=\"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/b80_a12.jpg\" alt=\"Sedes Boletim 80\" width=\"372\" height=\"496\" srcset=\"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/b80_a12.jpg 372w, https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/b80_a12-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 372px) 100vw, 372px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>__________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Instituto Sedes Sapientiae, onde participa de grupos de trabalho. Especializa\u00e7\u00e3o em Psicossom\u00e1tica Psicanal\u00edtica e Psicoterapia Psicanal\u00edtica de Casal, no mesmo Instituto.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> M\u00e9dica formada pela USP,\u00a0 especialista em Psiquiatria pelo IPq-HCFMUSP. Membro do Departamento de Psican\u00e1lise do Sedes, onde\u00a0 participa de grupos de trabalho.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Integrantes do grupo: Adriana Elisabeth Dias, Ana Helena Seixas de Campos, Ana Maria Siqueira Leal, Carol Steward Figueiredo, Cecilia Galli, Cristiane Lopes (interlocutora), Fabiana Villas Boas, Gabriel Basilio Barbosa Costa, Liliane Mendon\u00e7a, Magali Pacheco Sim\u00f5es, Marcela Assef, Maria Angelina Guimar\u00e3es Cabral, Maria Aparecida Pinto, Marina Singer Figueiredo, Paula Rizzo, Renata de Magalh\u00e3es Gaspar, S\u00edlvia Gon\u00e7alves, T\u00e2nia Corghi Ver\u00edssimo, Thais Rodrigues Silva, V\u00e2nia Paschotto e Victoria Bragante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo GT do Departamento re\u00fane experi\u00eancias diversas para uma tarefa comum.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[268],"edicao":[397],"autor":[398,399],"class_list":["post-4236","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-do-departamento","tag-formacao-continua","edicao-boletim-80","autor-cristiane-lopes","autor-maria-angelina-guimaraes-cabral","pmpro-has-access"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4236"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4238,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4236\/revisions\/4238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4236"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4236"},{"taxonomy":"autor","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/Departamentos\/Psicanalise\/boletimonline\/wp-json\/wp\/v2\/autor?post=4236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}