EM DEFESA DA DEMOCRACIA: POR UM MUNDO COM DIVERSIDADE, COM DIREITOS DE CIDADANIA E JUSTIÇA SOCIAL Em defesa da democracia: por um mundo com diversidade, com direitos de cidadania e justiça social
Caras e caros colegas, Diante do atual momento político brasileiro, consideramos fundamental reafirmar nosso compromisso com a defesa da democracia, dos direitos fundamentais e das instituições democráticas.
São princípios que estão em consonância com a história do Departamento de Psicanálise e do Instituto Sedes Sapientiae, cuja trajetória é marcada pela defesa dos direitos humanos, da justiça social e pela resistência ao autoritarismo.
Como psicanalistas, entendemos que a democracia não se restringe a um sistema de organização política. Ela constitui também uma condição fundamental para o reconhecimento das diferenças, para a liberdade de pensamento, para a circulação da palavra e para a possibilidade de existência do sujeito em sua singularidade.
A psicanálise, desde Freud, nos oferece elementos para compreender os processos de identificação coletiva, os mecanismos de submissão à autoridade, a intolerância diante da diferença e as forças destrutivas que atravessam os laços sociais. O autoritarismo, ao impor verdades absolutas, silenciar divergências e transformar a diferença em ameaça, confronta princípios fundamentais que sustentam nossa prática e nossa ética.
Não podemos desconsiderar que o sofrimento psíquico também é atravessado pelas condições sociais, históricas e políticas. O racismo, as desigualdades das classes, a violência institucional, a discriminação de gêneros e as diferentes formas de exclusão produzem efeitos na constituição subjetiva e nos modos de sofrimento. Nesse sentido, a defesa da democracia implica também o compromisso com o enfrentamento das estruturas sociais que sustentam essas violências.
Reconhecer a dimensão política da psicanálise não significa subordiná-la a uma ideologia partidária, mas afirmar que nossa prática não se realiza fora da história e que a escuta do sujeito não pode prescindir das condições concretas de sua existência.
Nesse contexto, entendemos que o cenário do segundo turno do pleito presidencial, traz o enorme risco de retrocessos graves em importantes conquistas político-sociais e culturais, desde a Constituição de 88. Tal situação nos levam, portanto, a urgência da escolha de uma posição que defenda a democracia em nosso país. Isso significa defender a possibilidade do dissenso, da pluralidade, da liberdade de expressão e da participação política. Significa também reconhecer que as conquistas democráticas não estão definitivamente asseguradas e exigem permanente compromisso e vigilância.
A história da psicanálise nos ensina que não há sociedade imune às forças autoritárias e que a civilização não elimina as tendências destrutivas presentes nos vínculos humanos. Por isso, entendemos que a defesa da democracia não é uma questão exterior à psicanálise, mas um compromisso ético e político que também nos diz respeito.
Reafirmamos, assim, a importância de que nosso Departamento se mantenha comprometido com os valores democráticos que marcaram sua constituição e sua trajetória, sustentando uma psicanálise implicada com seu tempo, atenta às formas de sofrimento produzidas pela realidade social e comprometida com a liberdade, a dignidade humana e o respeito às diferenças.
Conselho de Direção do Departamento de Psicanálise Instituto Sedes Sapientiae
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