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DEPARTAMENTO DE PSICANÁLISE 30-06-2026
CDI: Novo Grupo de Trabalho "Transmissão Psíquica e Transgeracionalidade" 482

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O Conselho de Direção anuncia a criação de um novo Grupo de Trabalho: Transmissão Psíquica e Transgeracionalidade — Não eram memórias, eram fantasmas.

Conselho de Direção
gestão 2026-2027

 

TRANSMISSÃO PSÍQUICA E TRANSGERACIONALIDADE — NÃO ERAM MEMÓRIAS, ERAM FANTASMAS

Há experiências que não se inscrevem como lembrança, mas que, ainda assim, se transmitem. A Psicanálise nomeia como transmissão psíquica os modos pelos quais afetos, marcas, traços e experiências circulam entre sujeitos e gerações, muitas vezes não como narrativa ou lembrança consciente, mas como fantasmas e restos.

Trata-se de um herdado que não se transmite como história, discurso, lembrança consciente. Não é da ordem da memória narrável, tampouco do testemunho organizado no tempo. É algo que insiste fora da palavra, que retorna como afeto, sintoma, repetição, silêncio, excesso. Essa herança insiste através da vergonha, da dor, da tristeza e da melancolia. Não passando pelo “lembrar” esse tipo de transmissão é sentida no corpo pelo modo de estar no mundo, por escolhas que atravessam o sujeito sem que delas tenha consciência, como se herdasse algo sem saber sobre isso.

Estamos nos referindo a restos, fragmentos não simbolizados, experiências que não encontraram lugar psíquico e que, justamente por isso, retornam como fantasmas. Mas o fantasma não conta uma história; ele habita, assombra, atravessa e paralisa. Como analistas, escutamos do paciente algo que ele parece não ter vivido, mas sentido: um luto que não é seu, uma culpa sem cena, uma angústia sem nome.

A transmissão não se dá pela via da representação, mas pela falha da mesma. O trabalho analítico não acontecerá, portanto, no sentido de reconstruir uma memória perdida, mas na criação de condições para que algo possa, talvez, se inscrever.

Esse tipo de herança exige do analista outra escuta?  Quais são as vicissitudes dessa clínica em que algo, ao estilo do trauma se apresenta e não se representa? Dito de outro modo: Como escutar aquilo que ainda não chegou a se constituir como experiência vivida?

Consideramos a importância da narrativa, seja na clínica ou no campo social como dispositivo para dar início à elaboração, permitindo ao sujeito construir um dizer sobre aquilo que o habita, e pode encontrar reconhecimento através dos laços sociais.

Interessa-nos pensar os efeitos dos acontecimentos históricos e sociais, da violência política, das memórias não reconhecidas socialmente, dos preconceitos, desigualdades e silenciamentos que atravessam sujeitos e gerações, incidindo sobre modos de sofrer, pertencer e se constituir subjetivamente. A questão da temporalidade atravessa esse campo de trabalho.

Nosso grupo busca ser um espaço de trocas horizontais, aberto à circulação de ideias, leituras, elaborações e reflexões teórico-clínicas sobre a transmissão psíquica e a clínica contemporânea.

Nossos estudos partirão de textos de Freud (“Totem e Tabu” e “Moisés e o Monoteísmo”), tomando-os como eixo para pensar transmissão, herança psíquica, cultura e laço social. O percurso teórico do grupo será construído e elaborado de maneira compartilhada ao longo dos encontros, incluindo textos e autores contemporâneos que dialogam com o campo da transmissão psíquica, da transgeracionalidade e da clínica contemporânea.

Funcionamento:

  • Grupo horizontal, aberto a membros e aspirantes do Departamento interessados no tema
  • Encontros mensais
  • Quarta sexta-feira do mês, às 11h
  • Duração: 1h30
  • Formato: Reuniões presenciais com possibilidade de participação remota, de modo a ampliar a circulação, as interlocuções e a construção coletiva do trabalho.

Data de Início: 28/08/2026

Interessados enviar e-mail para: Cristiane Lopes - cristalopes2013@hotmail.com

Vagas: 20

Interlocutora: Cristiane Lopes

 
 

Conselho de Direção [2026-2027]

Área de Administração e Finanças: Solange Maria Santos Oliveira
Área de Clínica e Instituições: Tiago Corbisier Matheus
Área de Cursos:
Marcelo Soares da Cruz
Área de Eventos:
Maria Cristina Petry Barros Martinha
Área de Formação Contínua:
Anne Egídio
Área de Publicações e Comunicação: 
Maria do Carmo Vidigal Meyer Dittmar (Lila)
Área de Relações Externas:
Deborah Joan de Cardoso
Área de Relações Internas:
Denise Maria Cardoso Cardellini
Área de Transmissão, Pesquisa e Intervenções Externas: 
Marina Martins Bialer
Representante da Comissão de Admissão:
 Vilma Florêncio da Silva



 
   
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