EVENTO PRESENCIAL no Instituto Sedes Sapientiae – Rua Mininistro Godói, 1484 – Perdizes – São Paulo – Brasil
Relações em Vertigem: infâncias, famílias, cultura
A noção de vertigem nos oferece uma via de leitura para os modos contemporâneos de relação. Não se trata apenas de excesso ou de aceleração, mas de uma experiência de perda de referências, na qual os pontos de apoio tornam-se instáveis ou insuficientes.
Ao olhar para o mundo, hoje, vemos a violência nas formas de racismo, exclusão, intolerância e o apagamento da diferença, incidindo sobre os modos de reconhecimento da alteridade e colocando em questão a dimensão ética das relações.
Acompanhamos um movimento crescente de patologização da infância quando modos de ser e de sofrer passam a ser rapidamente reduzidos a categorias psicopatológicas. Ao nomear características singulares como desvios, estaríamos correndo o risco de desconsiderar as questões culturais de nosso tempo, o entorno da criança e a complexa trama que compõe a constituição subjetiva?
No campo das famílias, a confiança na própria experiência de cuidar se fragiliza, frequentemente atravessada — ou mesmo substituída — pela busca de respostas na tecnologia e nos discursos especializados, que passam a ocupar um lugar de saber que, em outros momentos, se sustentava na construção coletiva e na transmissão transgeracional.
De que maneira essas transformações incidem nas relações que se estabelecem no âmbito familiar? A promessa de respostas imediatas e totalizantes não produziria a ilusão de que seria possível prescindir do outro, do tempo e da complexidade dos processos próprios da infância?
Na clínica com bebês e crianças, somos convocados a escutar dificuldades na própria sustentação das relações: entraves ao brincar, ao fantasiar, à simbolização e à elaboração; formas de repetição, retraimento ou descarga que exigem do trabalho clínico a escuta delicada e desafiam o analista em seu manejo.
Portanto, se, para a psicanálise, a constituição psíquica depende do laço com o outro, como pensar isso diante do cenário atual? Quais desafios se impõem para as infâncias e famílias inseridas nesta cultura? O que temos escutado na clínica?
Convidamos todos para esse encontro, apresentando trabalhos e dialogando sobre a clínica com crianças neste contexto contemporâneo.
Submissões de Trabalhos
Eixos Temáticos: deve-se escolher um dos quatro eixos para a inscrição do resumo.
Eixo 1: Impasses transferências
impasses transferências diante do excesso, do vazio e da ruptura; atuações, silêncios, desligamentos; limites da interpretação; manejo do enquadre; presença, espera e invenção; o analista diante do traumático e do não elaborado.
Eixo 2: Figuras clínicas do sofrimento
ansiedade, agitação, retraimento, recusa; repetição, acting, descarga; experiências de desamparo; melancolia, suicídio; brincar empobrecido, repetitivo ou destrutivo; falhas de simbolização; o irrepresentável; efeitos do traumático — racismo, exclusão e violência — na constituição subjetiva.
Eixo 3: Corpo, sexualidade e virtualidade
corpo em excesso ou apagamento; somatizações; questões de gênero; sexualidade infantil e seus impasses; telas, hiperconectividade e mediações digitais e seus efeitos nas relações.
Eixo 4: Famílias, cuidado e rede
trabalho com as famílias; relações fraternas; transmissão e ruptura intergeracional; patologização, medicalização e judicialização da infância; clínica ampliada: instituições, escolas, SAICAS e dispositivos de saúde; trabalho inter e transdisciplinar.
Comissão Organizadora:
- Ana Flavia Antunes Superbi
- Bárbara Mello
- Carolina Lemos
- Eduardo de Almeida Prado
- Fernanda Arantes
- Julia Eid
- Júlia Freire
- Maria Engracia Perez
- Patrícia Delfini
- Shaienie Lima
- Taísa Martinelli
- Thaís Franzé

