{"id":10411,"date":"2026-04-17T10:35:46","date_gmt":"2026-04-17T13:35:46","guid":{"rendered":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/?p=10411"},"modified":"2026-04-17T10:35:46","modified_gmt":"2026-04-17T13:35:46","slug":"resposta-a-tv-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/resposta-a-tv-cultural\/","title":{"rendered":"Resposta \u00e0 TV Cultural"},"content":{"rendered":"<!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p style=\"text-align: left;\">S&atilde;o Paulo, 16 de abril de 2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&Agrave; comunidade Sedes,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nesse m&ecirc;s de Abril Azul, de 2026, dedicado &agrave; conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), desde que a ONU instituiu o Dia Mundial da Conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre o autismo (2 de abril), a sociedade busca promover maior conhecimento sobre a condi&ccedil;&atilde;o, combater o preconceito e fomentar a empatia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No s&eacute;culo passado, quando a ci&ecirc;ncia ainda percorria caminhos cartesianos para elaborar seus diagn&oacute;sticos, tra&ccedil;ando conclus&otilde;es entre causa e efeito de forma simplista, tanto a psiquiatria como a psican&aacute;lise tamb&eacute;m fizeram incurs&otilde;es te&oacute;ricas para pensar esse quadro cl&iacute;nico, usando os mesmos racioc&iacute;nios. Avan&ccedil;amos em todas as &aacute;reas, abandonando o pensamento cartesiano para sintonizar com o pensamento complexo das probabilidades. Temos grandes avan&ccedil;os para entender e trabalhar com todos os quadros psicopatol&oacute;gicos, absorvendo al&eacute;m do pensamento da complexidade, os conceitos de epigen&eacute;tica e plasticidade cerebral. Ainda, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas a psicologia do desenvolvimento nos apresentou um novo beb&ecirc;, com in&uacute;meras descobertas sobre suas compet&ecirc;ncias, mostrando-nos que na sua intera&ccedil;&atilde;o com o ambiente h&aacute; uma enorme capacidade de se apresentar como autor de condutas que afetam o seu cuidador, estando muito longe do ser passivo que conhec&iacute;amos no s&eacute;culo passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Todas essas novidades exigiram mudan&ccedil;as radicais nos profissionais da &aacute;rea: fez-se necess&aacute;rio agruparmo-nos para cuidar de tudo isso. N&atilde;o para formar um quebra-cabe&ccedil;a, mas para aceitarmos a complexidade dessa tarefa e a humildade de que sempre teremos que conviver com a d&uacute;vida, mesmo que a probabilidade de acerto nos pare&ccedil;a pr&oacute;xima do cem por cento.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;A TV Cultura, sempre sintonizada com as demandas socioculturais, convidou para participa&ccedil;&atilde;o no importante programa de entrevistas Roda Viva, no primeiro programa do m&ecirc;s da Conscientiza&ccedil;&atilde;o do Autismo (06\/04\/2026), o neuropediatra Jos&eacute; Salom&atilde;o Schwartzman, um especialista com experi&ecirc;ncia na cl&iacute;nica privada no cuidado do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de dist&uacute;rbios do desenvolvimento. O m&eacute;dico debateu aspectos do diagn&oacute;stico do TEA e a import&acirc;ncia do suporte especializado no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O Instituto Sedes Sapientiae, institui&ccedil;&atilde;o fundamentada em posi&ccedil;&otilde;es que privilegiam as diferen&ccedil;as e pluralidade de posi&ccedil;&otilde;es no trabalho da escuta do sofrimento humano, vem aqui colocar algumas diferen&ccedil;as sobre o posicionamento deste excelente profissional, al&eacute;m de focar aspectos fundamentais da atualidade, ignorados na sua fala.<\/p>\n<ol style=\"text-align: left;\">\n<li>Colocou-se contra a inclus&atilde;o das crian&ccedil;as com autismo nas escolas em geral o que contradiz todo movimento educacional brasileiro, que trabalha na dire&ccedil;&atilde;o de construir uma rede de apoio interdisciplinar e intersetorial, com a constru&ccedil;&atilde;o de projetos educacionais que visam a aprendizagem da crian&ccedil;a e sua inclus&atilde;o nas atividades escolares. Antes do marco legal que garantiu o direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, crian&ccedil;as e adolescentes com autismo eram frequentemente apartados do conv&iacute;vio social e mantidos em contextos institucionais segregados, pr&aacute;tica associada ao agravamento de sintomas e &agrave; restri&ccedil;&atilde;o de seu desenvolvimento. Concordamos que se trata de um projeto ambicioso e sujeito as muitas falhas, mas necess&aacute;rio e coerente com os novos conhecimentos sobre esse quadro cl&iacute;nico.<\/li>\n<li>No decorrer da entrevista, o profissional fez cr&iacute;ticas levianas sem a merecida seriedade, do tipo &ldquo;a quem o sujeito com autismo quer enganar quando entra numa faculdade&rdquo;, o autismo n&atilde;o tem cura, vou no m&aacute;ximo &ldquo;melhorar esse indiv&iacute;duo&rdquo;, a quest&atilde;o do espectro como uma &ldquo;inven&ccedil;&atilde;o&rdquo; da mente de algum colega inapto. Esses coment&aacute;rios ignoram o que autistas podem alcan&ccedil;ar em termos de inclus&atilde;o social, naturalmente de acordo com o n&iacute;vel de comprometimento de seu desenvolvimento e dos trabalhos realizados com ele.<\/li>\n<li>Ao mencionar as terapias psicol&oacute;gicas dispon&iacute;veis para tratar pessoas com autismo, al&eacute;m de demonstrar um desconhecimento sobre psicopatologia na inf&acirc;ncia, revela tamb&eacute;m desconhecimento sobre suas t&eacute;cnicas as quais sintetiza como tentativas de encontrar &ldquo;met&aacute;foras&rdquo; que fa&ccedil;am sentido para o &ldquo;indiv&iacute;duo&rdquo;, deixando o p&uacute;blico ouvinte com a ideia de que o psicanalista colocaria o sujeito com autismo num div&atilde;. Corrigimos, ressaltando que o tratamento de orienta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica &eacute; um conjunto de procedimentos terap&ecirc;utico-educacionais de car&aacute;ter interdisciplinar que visa ao restabelecimento da estrutura&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica, de linguagem e de aprendizagem, dirigido &agrave;s crian&ccedil;as e adolescente com autismo, assim como a seus pais e a seus professores.<\/li>\n<li>Ignorou profissionais relevantes no Brasil e desdenhou dos esfor&ccedil;os de d&eacute;cadas em trabalhos institucionais com resultados importantes e publicados no Brasil e no mundo. Al&eacute;m disso, subestimou esfor&ccedil;os da rede p&uacute;blica atrav&eacute;s de CAPS que tem buscado com muito empenho construir um trabalho que n&atilde;o se defronta s&oacute; com a dificuldade do quadro cl&iacute;nico, mas tamb&eacute;m, com a problem&aacute;tica s&oacute;cio cultural da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/li>\n<li>Ignorou uma frente de trabalho fundamental nesse campo que &eacute; o trabalho com beb&ecirc;s de risco em sa&uacute;de mental: profissionais de todas as &aacute;reas est&atilde;o se organizando e trabalhando na constru&ccedil;&atilde;o de uma rede de aten&ccedil;&atilde;o para crian&ccedil;as de risco atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es interdisciplinares, identifica&ccedil;&otilde;es de sinais de risco, interven&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de terapias conjuntas com pais e outros especialistas, utilizando consagradas t&eacute;cnicas l&uacute;dicas e compartilhando o cuidado com outras especialidades. Novas descobertas apontam para a interven&ccedil;&atilde;o oportuna usando novas metodologias de avalia&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o, j&aacute; a partir do nascimento, tentando intervir nos sinais sens&oacute;rio motores os quais j&aacute; sabemos constitu&iacute;rem um caminho para a organiza&ccedil;&atilde;o do quadro aut&iacute;stico. Portanto, diminuir sinais de risco tem todo um conceitual multidisciplinar, sendo considerado de maior import&acirc;ncia mesmo que posteriormente haja um diagn&oacute;stico de TEA. Pol&iacute;tica de diminui&ccedil;&atilde;o de danos, via acesso ao trabalho desses sinais de risco &eacute; assunto de extrema relev&acirc;ncia no mundo e j&aacute; temos in&uacute;meras equipes funcionando no Brasil, tanto na rede p&uacute;blica como na rede particular.<\/li>\n<li>Considerando a heterogeneidade do quadro atualmente definido como autismo e a no&ccedil;&atilde;o de complexidade que discutimos no in&iacute;cio desse texto, n&atilde;o podemos considerar plaus&iacute;vel a ideia de uma &uacute;nica linha terap&ecirc;utica aplic&aacute;vel a todos os casos. Mesmo as abordagens mais amplamente estudadas ainda apresentam limita&ccedil;&otilde;es quanto &agrave;s evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas dispon&iacute;veis. Diante da complexidade desses casos, torna-se cada vez mais clara a import&acirc;ncia da articula&ccedil;&atilde;o de diferentes abordagens na constru&ccedil;&atilde;o de um projeto para cada crian&ccedil;a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Reiteramos que cr&iacute;ticas s&atilde;o muito bem-vindas na psican&aacute;lise. N&atilde;o s&atilde;o agrad&aacute;veis, mas bem-vindas. Porque ci&ecirc;ncia que se preza escuta, pensa, repensa e reformula.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Atenciosamente,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Instituto Sedes Sapientiae<\/p>\n<hr>\n<p><em><strong><a href=\"https:\/\/sedes.org.br\/arquivos\/resposta_a_tvcultura_abril2026.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carta de resposta &agrave; TV Cultural em PDF, clique aqui&hellip;<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S&atilde;o Paulo, 16 de abril de 2026. &Agrave; comunidade Sedes, Nesse m&ecirc;s de Abril Azul, de 2026, dedicado &agrave; conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), desde que a ONU instituiu o Dia Mundial da Conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre o autismo (2 de abril), a sociedade busca promover maior conhecimento sobre a condi&ccedil;&atilde;o, combater o preconceito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":10412,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[24],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10411"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10411"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10411\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10413,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10411\/revisions\/10413"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10412"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sedes.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}