Participantes em maio de 2026:
Alessandra Cassia Leite Barbieri, Fernanda Arantes, Bruna Uva, Natasha Morelli, Carolina Pasqueto, Mariana Baptista, Mônica Ferrarin.

Horário e frequência de funcionamento:
quinzenal, sextas-feiras, encontros virtuais, das 15h45 às 17h15.

 

Grupo aberto a novos participantes.

Como nasceu o grupo e objetivos:
No segundo ano do curso Psicanálise com Crianças, em 2024, especificamente nos seminários de Freud IV (Narcisismo e Complexo de Édipo) e Lacan (Teoria da sexuação) -ambos ministrados por Alessandra Barbieri, ao pensarmos na constituição psíquica, nos deparamos com dúvidas com relação à sexuação diante das discussões atuais na cultura e nos interessamos em aprofundar sobre as críticas à psicanálise. Foram surgindo as perguntas: como e quando uma criança se entende por menino ou menina? Quando o corpo da criança aparece? Qual o lugar do entorno da criança nesta constituição? Estamos falando somente da identificação de gênero ou existe algo para além dela? O que é identificação? E identidade? Qual o papel do corpo biológico nesta construção? As questões de identificação de gênero podem ser consideradas como transitórias na infância ou se já podem ser entendidas como definitivas? Ou são perguntas da criança sobre seu corpo e sobre o entorno? Como navegar por todas essas indagações com o olhar da psicanálise, sem patologizar? Assim, entendemos o desejo em comum de criar novas perguntas tanto sobre a teoria quanto sobre a clínica com crianças.

Então, enquanto grupo de pesquisa hoje, pretendemos retomar estas questões sobre a sexualidade e identificação de gêneros colocadas por Freud e outros autores clássicos da psicanálise, no intuito de refletir sobre a possibilidade de trabalhar ou não com elas frente às discussões de acontecimentos e questionamentos da contemporaneidade; levantando as provocações direcionadas pelos teóricos de gênero à psicanálise.
O desejo deste grupo de pesquisa emerge das indagações e dos incômodos que surgem ao nos depararmos com as dificuldades dos espaços que recebem crianças e adolescentes (fundamentalmente escolas) quando são convocados a lidar com os conteúdos de gênero, orientação sexual e sexualidade; bem como casos clínicos que já recebemos ou poderemos receber em nossos espaços analíticos. Essas indagações e incômodos são desde assuntos como banheiros unisex e compartilhados, vestimentas, relação com outras crianças até o papel do analista nos espaços como a escola e ao se deparar com as demandas familiares e dos outros profissionais da saúde sobre o assunto: pedidos de definições, nomeações e resoluções intervencionistas nos corpos das crianças.

​Outros questionamentos que nos rodeiam são: quais as consequências psíquicas das intervenções no corpo? E das não intervenções? E o efeito no psiquismo do uso do gênero neutro na linguagem e na sexuação?

​Caminho trilhado até o momento:
nossos primeiros encontros foram em torno da discussão sobre os atendimentos psicanalíticos de uma das integrantes com um paciente de 10 anos que se diz uma criança trans. Na sequência, nos debruçamos sobre textos de psicanalistas que se propuseram a pensar a produção dos teóricos de gênero. Essas leituras nos provocaram um certo mal estar devido a um tom ácido que determinados psicanalistas têm às críticas que os teóricos de gênero fazem à psicanálise, incluindo a fala de Paul B. Presciado durante as jornadas internacionais da Escola da Causa Freudiana sobre o tema “Mulheres na psicanálise”. Imersas nessa confusão de linguas, resolvemos, então, ir à fonte: lemos “Eu sou o Monstro que vos fala” do próprio autor que traz ataques explícitos à psicanálise afirmando que ela contribui para a patologização das pessoas LGBTQIAP+. Na sequência, nos debruçamos sobre a leitura da monografia produzida por uma das integrantes, ao final do curso de Psicanálise com Crianças. Atualmente, alternamos a discussão de casos clínicos dos integrantes do grupo com a leitura dos textos do livro Gênero e Sexualidade na Infância e Adolescência: Reflexões Psicanalíticas; ed. Ágalma.

Os encontros acontecem quinzenalmente com a modalidade virtual e encontros presenciais pontuais em datas pré-estipuladas e continuarão sendo guiados a partir de leituras de materiais já escritos sobre o tema e casos clínicos com as possibilidades de pensar a prática com a teoria.

O grupo está aberto para estudantes e ex-estudantes do curso de Psicanálise com Crianças e membros do departamento de Psicanálise com Crianças. Também está aberta para pessoas de fora do Departamento de Psicanálise com Crianças.

Bibliografia já utilizada:
•⁠ ⁠Eu Sou o Monstro que Vos Fala, Paul Preciado, ed. Zahar
•⁠ ⁠A Querela do Gênero – uma abordagem psicanalítica, org. Paul Kardous, ed. Ágalma
•⁠ ⁠Gênero e Sexualidade na Infância e Adolescência: Reflexões Psicanalíticas, org. Rosa Maria Marini Mariotto
•⁠ ⁠Baptista, Mariana Andrade. Corpo, imagem corporal, constituição do Eu e identificação de gênero. Monografia (Formação em Psicanálise com Crianças), Sedes Sapientiae. São Paulo, 2024.
Bibliografia a ser utilizada:
•⁠ ⁠Os Sentidos do Sujeito, Judith Butler, ed. Autêntica
•⁠ ⁠Um Apartamento em Urano, Paul Preciado, ed. Zahar
•⁠ ⁠Transgender Psychoanalysis – A Lacanian Perspective on Sexual Difference, Patricia Gherovici, ed. Routledge
•⁠ ⁠O Ser Sexual e Seus Outros – Gênero, Autorização e Nomeação em Lacan, Pedro Ambra, ed. Blucher
•⁠ ⁠Psicanalise e Transexualismo – Desconstruindo Gêneros e Patologias com Judith Butler, Patricia Porchat, Juruá Editora
•⁠ ⁠Faces do Sexual – Fronteiras entre Gênero e Inconsciente, org. Rafael Kalaf Cossi, ed. Aller
•⁠ ⁠Transexualidade – O Corpo entre o Sujeito e a Ciência, Marco Antônio Coutinho Jorge e Natalia Pereira Travassos, ed. Zahar