boletim online

jornal de membros, alunos, ex-alunos e amigos de psicanálise

Apresentações públicas de Paula Mandel, Lia Novaes Serra, Marina Singer Figueiredo e Thais Rodrigues da Silva ao Departamento de Psicanálise

Apresentação pública de Paula Kahan Mandel

por Gisele Senne de Moraes[1]

 

No dia 21/03/25, ocorreu a apresentação pública do caso clínico de nossa colega Paula Kahan Mandel, intitulado Quando o empurrãozinho vira um atropelo. Paula nos apresentou uma jovem paciente para quem o bem-intencionado “empurrãozinho” do outro ganhava contornos de “atropelo”, o que a aprisionava em uma repetida busca por elaboração, na qual uma cena estava cristalizada: a da menina incapaz de aguentar as situações da vida, convocando o outro a resolver por ela, para lhe dar um empurrãozinho, situação que se presentificou na análise. Paula, ao entender e trabalhar com o papel que lhe foi atribuído pela paciente, buscou ajudá-la a repensar seu papel familiar, em um processo de subjetivação em análise. Coincidência ou não, um clima amistoso deu o tom da apresentação de Paula – sem atropelos ou empurrõezinhos – marcado por reflexões e contribuições de diferentes colegas que estiveram com ela no dia.

Paula é psicanalista e escritora, publicou seu primeiro livro, de contos, em 2016, tendo escrito desde então livros infantis e peças de teatro. Entre 2015 e 2016, Paula fez o curso Conflito e Sintoma no Departamento e, posteriormente, fez o curso de Psicanálise no Departamento. Manteve-se na Clínica do Sedes neste período (2017-2020), inicialmente como aprimoranda e depois como voluntária. Com a primeira formação em direito, Paula enfrentou o desafio de começar a clinicar, o que a motivou a reunir colegas do curso Conflito e Sintoma para organizar uma clínica social de atendimento de mulheres em situação de vulnerabilidade social. Assim, montou o projeto Primeira Clínica, que hoje coordena com uma colega psicanalista. O projeto atua em duas pontas, como clínica social e como espaço para analistas vindos de outras áreas que buscam iniciar uma clínica.

Seja bem-vinda!

 

Apresentação pública de Lia Novaes Serra

por Gisele Senne de Moraes[2]

 

Em um agradável fim de tarde no dia 28.03.2025, aconteceu a apresentação pública de Lia Novaes Serra, ato inaugural de sua admissão como membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

Lia relatou o caso de uma menina que começou a análise aos 12 anos, após conflitos escolares que a faziam sentir que era insuportável permanecer na escola. O ódio que a jovem sentia foi marca desse e de outros acontecimentos em sua vida, sendo igualmente o ponto nodal de seu processo analítico. Lia se apresentou muito apropriada de suas reflexões ao comunicar o caso, evidenciando a potência do exercício de um pensamento clínico para compreensão e escolhas sobre o manejo clínico e as intervenções realizadas. Assim, foi a partir do ódio que a análise caminhou. Processo que contou com o uso de recursos gráficos e de escrita como viabilizadores da relação transferencial.

Lia fez psicologia na PUC-SP, em seguida fez aprimoramento em psicologia na UBS da Faculdade de Saúde Pública da USP e, depois, fez mestrado em psicologia social no Instituto de Psicologia da USP (IPUSP). No aprimoramento se aproximou da psicanálise e no mestrado estudou a internação de meninos no Juquery na década de 30, tendo como referencial teórico a psicanálise de grupo, com autores como René Kaes e Pichon Rivière. Ingressou no Curso de Psicanálise do Departamento em 2010. Desde esta época, participa do Verso Psicanálise, um grupo horizontal de supervisão e estudos. Fez, após o curso do Departamento, um doutorado em que pesquisou crimes de ódio contra população LGBTQI+ sob orientação do psicanalista Nelson da Silva Júnior também no IPUSP.

Bem-vinda, Lia!

 

Apresentação pública de Marina Singer Figueiredo

por Nanci de Oliveira Lima[3]

 

Em 09/05/2025 o Departamento recebeu Marina Singer Figueiredo em seu primeiro ato como membro, com a apresentação pública de seu caso clínico inédito. Foi com grande alegria que pudemos recebê-la e acompanhar as peripécias de seu analisando num longo e curioso percurso, no qual a vasta experiência dela sobre o trauma e seus efeitos no psiquismo fazem parte de sua compreensão teórico-clínica.

Em seu memorial, Marina nos conta que se aproximou da psicanálise logo no início de sua graduação, na PUC. Num movimento (ainda que inicialmente inconsciente) de se diferenciar dos demais membros de sua família, deixou o curso de administração de empresas nesta mesma universidade para seguir em direção à saúde mental, mudando sua escolha para psicologia.

Franklin Goldgrub, Regina Fabrini e Chu Cavalcante foram os primeiros mestres que a apresentaram a esse novo universo e a transmissão se fez: lá estava ela apaixonada pela psicanálise. Movida pela transferência com a Chu Cavalcante, fez formação em acompanhamento terapêutico e estagiou no hospital Vera Cruz: um primeiro choque de realidade diante da miséria humana (em tantos sentidos), e na psicanálise ela encontrou amparo para nortear seu fazer.

O Sedes entrou em seu percurso por meio de diversos professores/ coordenadores de grupos de estudo, que eram de alguma forma vinculados a ele e que levaram Marina a entender o Sedes como uma referência de bons e éticos profissionais.

O trabalho com o traumático a atraiu desde cedo e o estágio no Prove (serviço de assistência e pesquisa em violência e estresse pós traumático) da UNIFESP lhe marcou profundamente. E foi na psicanálise, mais uma vez, que Marina sustentou o encontro com pessoas que haviam passado por acontecimentos inenarráveis. No Prove, Marina permaneceu por 7 anos, sendo que por 3 deles, ligada ao CAPS Itapeva, lidando com as delicadas questões institucionais e de saúde pública.

Na saída do Prove, Marina ensaiou permanecer na UNIFESP para um mestrado, mas mudou de ideia e permaneceu apenas em seu consultório, ainda que as instituições tenham permanecido como um lugar especial para as trocas necessárias sobre o fazer clínico.

Depois veio o aprimoramento em casais e família, na clínica Ana Maria Poppovic, com Magdalena Ramos e Isabel Kahn Marin.

Sentindo necessidade de buscar um ambiente menos familiar que a PUC, em 2007 Marina iniciou sua formação em psicanálise no Clin-a, mas sentia que ainda precisava conhecer melhor a obra freudiana,  por isso decidiu entrar no Curso de Psicanálise desse Departamento, iniciando sua formação em 2008 e concluindo-a em 2011. As transferências foram muitas! Com destaque para Miriam Chnaiderman e Mario Fuks, supervisores fundamentais na construção de seu pensamento clínico.

Entre 2015 e 2017 Marina teve suas duas filhas, passando por alguns percalços e alguns sustos, percebendo, porém, que, para além do sofrimento, as experiências também comportam muitas potências transformadoras.

Como membro aspirante deste Departamento, Marina participa do grupo Faces do traumático desde 2014 onde, além de aprofundar o conhecimento sobre o trauma, ela teve a oportunidade de organizar – junto com Miriam Uchitel e Camila Munhoz, e as demais colegas do grupo –  o evento Testemunho e experiência traumática,  ocorrido em maio de 2019.

De suas análises, ela nos conta que ainda na adolescência teve sua primeira experiência, em um processo com uma analista junguiana, que lhe foi de grande ajuda. Já na faculdade, viveu um pequeno percurso numa análise lacaniana, que lhe pareceu um tanto dura para uma jovem lidando com as dificuldades de discriminação e separação de sua família de origem. Logo em seguida iniciou um processo de análise frutífero, que se mantém vivo até hoje, indo já para lá dos 18 anos de duração.

Deste Departamento, Marina espera que sua entrada seja uma reafirmação de uma escolha tão importante que fez pela psicanálise lá atrás, e que, por meio dele, possa seguir em sua formação, num espaço que sente como tão potente de trocas afetivas e intelectuais.

É por meio da psicanálise, da arte, e das palavras que Marina busca elaborar as experiências que lhe acontecem, indagando-se sobre as reais possibilidades de sublimação dos eventos traumáticos e as aberturas para as reinvenções da vida.

Bem-vinda, Marina!

 

Apresentação pública de Thais Rodrigues da Silva

por Gisele Senne de Moraes[4]

 

Na sexta-feira dia 30/05/2025, Thais Rodrigues da Silva apresentou um caso clínico em sua primeira atividade como membro do Departamento de Psicanálise do Sedes.

Thais trabalhou como psicóloga no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo de 1990 até sua recente aposentadoria. No Hospital do Servidor Público, coordenou diferentes oficinas tais como a Oficina de Escrita e Imagem, a Oficina Sou Som: a música que toca em mim e a Oficina de Cinema, que se manteve de 2016 até 2024.

Sob um clima de afetuosa intimidade, pudemos acompanhar Thaís sustentando a escuta psicanalítica em atendimentos psicológicos na saúde pública da cidade de São Paulo. Em O trabalho de construção de uma análise mediado por um processo de criação artística, Thaís relatou o processo de análise de uma jovem professora de Educação Infantil da cidade de São Paulo que vivenciou uma situação traumática no ambiente de trabalho. A paciente havia começado o tratamento apresentando quadro de pânico, ansiedade, isolamento social e aversão à sala de aula, condições que a impediam de desempenhar suas funções laborais. No decorrer do processo analítico e, especialmente, após sua participação em uma Oficina Musical, a paciente pôde rememorar episódios de abuso sexual ocorridos na primeira infância. Tal recordação possibilitou o contato com afetos associados a tais acontecimentos traumáticos, permitindo simbolização em outras dinâmicas psíquicas.

Thaís se formou em psicologia na PUC de São Paulo e fez o Curso de Psicanálise do Departamento, tendo participado de atividades de nosso Departamento e feito boas amizades em sua passagem. Em sua entrevista, disse-nos: o Departamento de Psicanálise é a minha casa, está na hora de voltar.

Seja bem-vinda de volta!

Comissão de admissão biênio 2024/2025, composta por:

Breno Herman Sniker
Débora Pereira do Rego Felgueiras
Gisele Senne de Moraes
Lucia Helena Navarro
Maria das Graças Amorim da Hora
Nanci de Oliveira Lima
Nelci Ramos Andregheto
Silvia Ribes
Vilma Florêncio

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[1] Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante da Comissão de Admissão.

[2] Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante da Comissão de Admissão.

[3] Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante da Comissão de Admissão.

[4] Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante da Comissão de Admissão.

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