Psicanálise, gênero e subversão: Mara Caffé e grupo Generidades conversam com Laurie Laufer
Apresentação do livro Rumo a uma psicanálise emancipada: reatar com a subversão, de Laurie Laufer (2025)
por Mara Caffé[1]

Boa noite à todes! Bonsoir, Laurie, bienvenue chez nous! Antes de mais nada, eu gostaria de agradecer à Maria Helena Fernandes, pela idealização e organização cuidadosa desse evento, pelo apoio sempre eficiente da Ana Carolina de Paula Santos, articuladora do Conselho de Direção do Departamento, e a todes aqui presentes nessa noite de quinta-feira. É um enorme prazer estar aqui, hoje, com Laurie Laufer, cujo seminário na Université Paris Cité eu frequentei em 2023, conhecendo-a um pouco mais de perto; e com a querida Luísa Godoy, que integra o grupo de trabalho Generidades, no Departamento, e que vai nos contar sobre o percurso desse grupo, visando especialmente apresentá-lo à Laurie Laufer. Essa tem sido uma política nos eventos em que recebemos pessoas de outros países, com o objetivo de fomentarmos o intercâmbio de experiências. Na mesa, teremos também Nelson da Silva Júnior, grande amigo, interlocutor e hoje também tradutor, e Danielle Brulhart, querida colega do Departamento que nos ajudará também com a tradução.
Pensei que um bom modo de apresentar Laurie Laufer, depois da minibiografia lida pela Ana Carolina, seria falar do livro que ela recém-lançou aqui, no Brasil, pela editora Criação Humana, com o título: Rumo a uma psicanálise emancipada: reatar com a subversão. Gostaria, entretanto, de apresentar Laurie não apenas por seus conceitos, mas sobretudo por suas inquietações, suas escolhas éticas e políticas e pela forma singular com que interroga a psicanálise, frequentemente expressa em seu tom bem-humorado e na ironia fina com que narra as tensões no campo.
Conforme já indicado no título do livro, Laurie busca uma psicanálise emancipada dos dogmas patriarcais, misóginos e transfóbicos que marcam o seu campo desde a origem, inclusive a partir de Freud e Lacan. Propõe enfrentarmos o caráter paradoxal de suas contribuições, reatando com a subversão trazida por eles mesmos, operando com as tensões e contradições que lhes são inerentes. Para isso, é necessário historicizá-la e hibridá-la com os saberes e movimentos contemporâneos. A autora distingue, assim, uma psicanálise da mímica, que repete acriticamente a palavra dos mestres, de uma psicanálise do risco, que se abre a outros discursos, lançando-se às questões do seu tempo e reinventando-se.
Laurie destaca três fontes críticas à psicanálise, capazes de desestabilizar nossa relação com a figura do mestre e nos conduzir à transformação: as teorias feministas, a obra de Michel Foucault e os estudos de gênero em articulação com o movimento LGBTQIA+. A autora se debruça sobre as teorias feministas francesas e os estudos de gênero norte-americanos, acompanhando suas colaborações, resistências e confrontos com a psicanálise francesa. O livro retrata, portanto, a cena psicanalítica francesa interpelada pelos estudos críticos, observando suas convulsões, retrocessos e revoluções desde a década de 1970, num quadro histórico situado.
Assim, acompanhamos feministas francesas como Simone de Beauvoir, Monique Wittig, Christine Delphy e Hélène Cixous em suas críticas ao postulado universal da diferença de sexos e ao falocentrismo. De outro lado, encontramos as teorias queer e de gênero de autoras(es) estadunidenses como Joan Scott, Donna Haraway, Judith Butler, Gayle Rubin, Leo Bersani e David Halperin, além dos europeus Sam Bourcier e Paul B. Preciado, cujas análises desconstroem o sistema cisheteronormativo, desnaturalizando as categorias de gênero e sexualidade.
Por fim, compondo a tríade das fontes críticas inestimáveis à psicanálise, Laurie menciona o legado de Michel Foucault, destacando suas análises das relações de poder e dos dispositivos normativos que regulam corpos, prazeres e identidades. São essas as matrizes críticas que, segundo Laurie, impulsionaram uma revolução em nossa área.
Frente às novas epistemologias e transformações sociais, eclodiram reações virulentas de psicanalistas, vindo à público numa demonstração de intolerância e preconceitos morais vitorianos. Referida ao cenário francês, Laurie destaca, nesse caso, as declarações de Jacques-Alain Miller e Charles Melman, bem como as manifestações de diversos psicanalistas contra o Pacs, em 2000, na França, e contra o casamento para todes. Por outro lado, identifica aquelas(es) que operam a partir das críticas, postulando um caminho de emancipação e inovação da psicanálise como, por exemplo, Jean Allouch, Michel Tort, Monique David-Ménard, Thamy Ayouch, Fabrice Bourlez e, podemos acrescentar, ela própria. Enfim, Laurie não hesita em nomear os atores dessa disputa, tomando posição e compondo assim um retrato vivo do campo psicanalítico francês, com suas polarizações, impasses e apostas de renovação.
O exposto até aqui se refere à arquitetura geral do livro. Além disso, Laurie explora uma série de pontos que expressam uma psicanálise transformada a partir das teorias críticas e do movimento LGBTQIA+. Trata-se de novos paradigmas. Organizei em 7 breves itens aqueles que me parecem mais significativos:
1) A recolocação do prisma sob o qual abordamos a sexualidade em nosso campo, retirando-a da perspectiva normativa e patologizante em que muitas vezes ela recai. Nesse sentido, Laurie destaca a proposição de Jean Allouch, psicanalista foucaultiano, de que a psicanálise diz respeito a uma erotologia e não a uma scientia sexualis. Trata-se de um campo ou uma teoria que busca pensar o desejo, o gozo e o laço erótico para além da normatividade da sexualidade, abrangendo temas como amor, luto, desejo, amizade e estilo de existência.
2) A postulação de que a sexualidade é anódina e variável, em contraste com a concepção que a coloca como extraordinária e a fixa em um percurso de desenvolvimento, dando margem à classificação entre o normal e o patológico. Trata-se de pensar a sexualidade não como um núcleo essencial do sujeito, expressão de sua verdade última, mas livrá-la do excesso de sentidos, tomá-la como um elemento banal, variável, comum, que escapa a todo discurso único e se abre à pluralidade dos corpos e dos prazeres.
3) A crítica ao postulado da diferença de sexos como invariante a-histórica, como insígnia incontornável da castração simbólica. Trata-se, aqui, na expressão de Laurie, da rainha de todas as diferenças na psicanálise: a diferença sexual, baseada em pressupostos essencialistas, binários e heteronormativos. As transformações culturais, as epistemologias trans e os avanços biotecnológicos mostram que hoje é possível fabricar corpos e gêneros, reconfigurar a natureza e deslocar o eixo da diferença de sexos para a diversidade, o múltiplo e o indeterminado da sexualidade.
4) A desconstrução do sujeito da análise como sujeito universal, desvestido de suas particularidades históricas e de sua capacidade de agência no mundo. Numa outra perspectiva, Laurie aborda o sujeito da experiência analítica tanto como sujeito do inconsciente, ou seja, o sujeito dividido, evanescente e contingente, como na sua condição de agente social, com sua capacidade de agir e se posicionar politicamente no mundo. Citando a autora: “Essa tensão… entre sujeito e agente é a performance da experiência analítica.” (p. 34)
5) O avanço dos estudos sobre norma e processos de subjetivação. Nessa linha, Laurie destaca a plasticidade e a mobilidade das normas, que se apresentam ao mesmo tempo como poder de assujeitamento e como possibilidade de transformação, ou seja, como poder e potência, o que abre ao sujeito a chance de criar práticas de liberdade no seu interior. Para a autora, “A lâmina subversiva do ato analítico deriva dessa colocação em desordem que é inerente ao desejo e à pulsão, a fim, talvez, de operar deslocamentos de linhas divisórias normativas. Inversamente, o alinhamento do ato analítico com as práticas médicas ou psicológicas faz com que ele perca sua afiação subversiva.” (p. 113)
6) A crítica aos procedimentos diagnósticos e classificatórios, baseados no “discurso científico”, que fixam os sujeitos a lugares determinados, cujo resultado é a patologização, a exclusão e até mesmo a injúria (nesse último caso, podemos pensar nos diagnósticos proferidos nos processos de redesignação de gênero). Allouch sustenta que as grandes categorias nosográficas da neurose, perversão e psicose fundamentam práticas estigmatizantes e normalizantes, ainda que tenham sido propagadas como guias incontornáveis ao trabalho clínico. Além disso, Laurie lembra que, na análise, há algo da transferência que não cessa de não se inscrever, o que lança o ato diagnóstico a uma permanente indeterminação.
7) O reconhecimento e trabalho com a experiência da vergonha no campo do abjeto, especialmente no atendimento às pessoas estigmatizadas socialmente, alvos de humilhação e insultos constantes. Baseada nos escritos de Judith Butler e na análise da obra de Jean Genet, Laurie sustenta a possibilidade de “transmutar a vergonha sentida no momento de uma interpelação em potência de agir.” (p. 134) Ela entende que essa é também uma questão no campo da análise, defendendo a perspectiva de uma psicanálise emancipada, que abriga a conjunção do sujeito do inconsciente e do sujeito agente.
Creio que esses pontos dão forma concreta ao que Laurie Laufer chama de uma psicanálise emancipada. Com isso, encerro minha fala, recomendando vivamente a leitura do livro!
Outubro / 2025
O grupo Generidades em conversa com Laurie Laufer
por Grupo Generidades[2]

O texto a seguir foi redigido por ocasião da fértil, bem humorada e instigante conferência de Laurie Laufer — Psicanálise, gênero e subversão —, acontecida em 30 de outubro de 2025.
Elaborado a partir do convite feito pela Comissão organizadora que nos pediu um pequeno escrito sobre o percurso do grupo de trabalho e pesquisa Generidades: identidades, gêneros e desejo, foi lido por Luísa Godoy, que representou o grupo com muita propriedade.
Um segundo texto escrito por Oggy Nzazi Barbosa Zizo, foi lido no momento em que foi dada a palavra para o público presente no auditório. Trata-se, segundo as palavras de Laurie, de “um presente” entregue a ela e também a todes nós pois nos conclama a pensar uma psicanálise das travessias e a construirmos juntes uma instituição em que corpos trans possam cada vez mais adentrar. Ele se encontra publicado com destaque na seção escritos deste boletim online.
Boas leituras!
O título do livro de Laurie Laufer, Rumo a uma psicanálise emancipada: reatar com a subversão, de certa forma ressoa a proposta da criação do Grupo Generidades: identidades, gêneros e desejo em 2016. Três psicanalistas — Kika Melhem, Maya Foigel e Danielle Brülhart — que atuavam no ambulatório transdisciplinar no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (USP), juntaram-se a Daniela Danesi, do Departamento de Psicanálise do Sedes, para fundar esse espaço de trabalho e pesquisa com o objetivo não só de construir uma escuta clínica que pudesse fugir aos enquadramentos médico-psicológicos de corpos e desejos dissidentes, como questionar certos cânones da teoria psicanalítica.
Com o intuito de criar um espaço para a produção de conhecimento e reflexão com pessoas LGBTQIAPN+, e não sobre elas, promoveu-se diálogos e reflexões teóricas entre a psicanálise e outros campos de saber que se debruçam sobre as questões de gênero, leituras de textos e discussões de casos clínicos que permitissem contextualizar as formas de sofrimento das transidentidades. Desde seu início, o grupo priorizou convites a pessoas LGBTQIAPN+ que pudessem falar sobre si e sobre os seus respectivos campos de pesquisa e/ou contextos de militância.
Ao inaugurar um grupo com esta temática no Departamento de Psicanálise, para além das questões teórico-clínicas, tivemos que nos haver com questões ético-políticas, e pensar maneiras que deslocassem o pensamento conceitual sobre as sexualidades e gêneros plurais, mas sobretudo buscar caminhos que abrissem espaço, na instituição, para a diversidade.
Neste sentido, dois anos antes, em 2014, o documentário De gravata e unhas vermelhas, de Miriam Chnaiderman, marcava um ponto de partida crucial no Departamento de Psicanálise do Sedes, ao inaugurar o debate sobre a intersecção entre gênero, psicanálise e cinema de forma pioneira. Assim, o grupo Generidades deu continuidade ao tema, introduzindo novos rumos a esse caminho aberto pelo filme.
A composição inicial de nosso grupo com maioria de mulheres, cisgêneras, brancas e hétero refletia — e ainda reflete — como a falta de diversidade nos espaços de formação contribuía para um empobrecimento das possibilidades de pensar e provocar a teoria a explorar novas trilhas conceituais. Nesse sentido, apostamos na presença de diferentes corporalidades que pudessem nos convidar ao deslocamento do conforto de certas certezas, ou verdades universais da condição humana.
Também visando a ampliar nosso escopo para este tema tão complexo e importante, realizamos dois eventos:
- O evento Generidades: sexo, gênero, psicanálise (2019), que propôs a construção de diálogos (im)pertinentes entre psicanálise, teorias queer e transgeneridades e abriu espaço para se falar sobre as transidentidades, transcidadania e as interseccionalidades que apontam os múltiplos marcadores sociais de exclusão e de resistência. O encontro explorou a intersecção dessas áreas, a partir de férteis trocas transdisciplinares que questionaram os modelos tradicionais de pensamento sobre os caminhos da sexuação apoiados na bipartição, herdeira do sistema sexo-gênero constituído na modernidade, em direção ao pensamento da multiplicidade. Também abriu espaço para uma dimensão clínica que se descola de qualquer aprisionamento psicopatologizador ao escutar sujeitos cujos corpos e desejos não se espelham na cisheteronormatividade. Compuseram as mesas as psicanalistas Miriam Chnaiderman, Jô Gondar e Mara Caffé, a psicóloga Salete Amador, o psicanalista Rafael Kalafi Cossi, as antropólogas Regina Facchini (Unicamp) e “Tita” Letizia Patriarca (USP), Beatriz Pagliarini Bagagli (Unicamp) e Gabriel Lodi, ator, dublador, transativista. Nosso objetivo foi o de compor falas a partir de uma diversidade de pensamentos e experiências elaboradas tanto por sujeitos cis quanto por sujeitos trans de diferentes áreas do conhecimento.
- O evento Experiências transidentitárias: ressonâncias no campo clínico-político, familiar e social (2021), propôs um bate-papo online com Eduardo Leal Cunha, psicanalista, autor de O que aprender com as transidentidades; Luca Scarpelli, publicitário, criador de conteúdo e homem trans, e Coraci Ruiz, cineasta que apresentou seu documentário Limiar como pano de fundo disparador do evento.
A presença nos eventos de vozes cis e trans foi fundamental, principalmente por sabermos que a população trans e travesti segue enfrentando inúmeros desafios nos ambientes institucionais de formação. Embora haja uma recente política de cotas para negros e indígenas que pode mudar esse cenário em nosso Departamento, está em curso ainda o debate sobre a extensão destas cotas à comunidade trans, especificamente. Entendemos que há ainda trabalho a ser feito para tornar este espaço um espaço onde pessoas trans e travestis possam de fato ser e estar.
Com o intuito de manter o diálogo e o pensamento crítico, como em um mosaico, foram eventos em que conectamos diferentes campos do conhecimento visando a abalar as estruturas de pensamento que se impõem como verdades absolutas sobre a sexualidade humana.
Desse modo, no decorrer dos anos, referendamos a importância de pensar o sujeito político, o direito ao reconhecimento, a construção de subjetividades e principalmente a desconstrução de identidades que se pretendem fixas e imutáveis, utilizando-se de parâmetros de um sujeito pretensamente universal. Ao contrário, o mundo atual impõe a desmontagem de identidades de gênero que excluam as singularidades que não se encaixam no cenário binário. Impõe, portanto, o respeito aos corpos e a urgência de uma revisão dos discursos que os constituem: médico/jurídico/social e psicanalítico.
Lembremos que novas formas de ordenamento são sempre produzidas pela articulação entre as contingências das histórias individuais de vida e as ferramentas simbólicas da cultura a cada tempo da história.
Neste sentido, vale destacar a tese defendida no Instituto de Psicologia da USP O enigma plural do gênero de Ivy Semiguem Freitas de Souza Carvalho, colega deste grupo. Ao aceitar o convite proposto por Laplanche de que psicanalistas investigassem as formações e roteiros que encarnam a função mito-simbólica atualmente no Ocidente, Ivy analisou os conteúdos produzidos por youtubers e influencers digitais brasileiros que abordam a temática LGBTQIAPN+, onde encontrou certas narrativas contemporâneas que “parecem endossar um movimento de abertura dos códigos de simbolização cultural das diferenças/diversidades de gênero”.
Reiteramos nossa aposta em uma psicanálise sempre em movimento e aberta às transformações, que inclua ainda o pensamento e a produção intelectual travesti, como nos fala a antropóloga travesti Ava Cruz – que esteve conosco como uma de nossas convidadas – em seu texto “Pensamento travesti brasileiro: de objeto à insurgência epistêmica. Ava nos conta de um pensamento travesti brasileiro que não nasce na universidade e sim na pista, ainda que tenha sido sistematizado e nomeado enquanto tal com a entrada de travestis nesse universo. Pensamento que não necessariamente assume uma forma de pensamento filosófico ou teórico. A intelectualidade travesti pode ser contatada a partir de relatos orais, textos literários, diálogos na pista, entrevistas e produções artísticas.
Assim, seguimos pensando os impasses em torno das diferenças sexuais como uma afirmação da condição de radical indeterminação no campo da sexualidade, reconhecendo nossa resistência a essa indeterminação, que é a própria marca do encontro do sujeito consigo mesmo, mediado e confrontado com um corpo desejante do outro.
Seguindo a tradição freudiana de atravessar fronteiras em direção a outros campos do saber e em concordância com Thamy Ayouch (2019) sobre a importância de mantermos viva uma hibridização da psicanálise, nosso próximo desafio, com o intuito de ampliar nosso escopo de pesquisas, será a leitura do livro do antropólogo e cientista social Estevão Fernandes Existe índio gay? A colonização das sexualidades indígenas no Brasil.
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[1] Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, professora no Curso de Psicanálise.
[2] Integrantes: André Bizzi, Cassandra França, Christiana Freire, Cristina Herrera, Daniela Danesi, Fernanda Galvão Amaral, Gisela Haddad, Isadora Barreto, Ivy Semiguem Freitas de Souza de Carvalho, Lucila de Jesus Mello Gonçalves, Luísa Godoy, Margarida (Kika) Soibelmann Melhem (interlocutora), Maria Aparecida Miranda, Maya Foigel, Mira Wantjal, Noemi (Noni) Moritz Kon e Oggy Nzazi Barbosa Zizo.