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Cartas ao mar ou resposta ao Leo[1] 

por Ana Suçuarana[2]

 

Fazer arte é jogar cartas engarrafadas ao mar
Fica a esperança de alguém as encontrar
Abrir a garrafa
E a expressão ressoar

Nesse mundo que os vivos parecem mortos
São as pessoas que já não têm corpos que nos fazem pulsar
Somos arquipélago, eu sei
Mas sinto falta de poder tocar

Embora sinta seus afagos no rosto
Como a brisa que vem do mar
Nas melodias, metáforas, movimentos, formas, cores…
Que suas obras puderam plasmar

Por vezes, penso a eles me juntar
É que quando encontro suas cartas
Nesses momentos, tenho um lugar
Sinto vontade de responder

Lançar também minhas cartas ao mar
Para que elas possam encontrar
Noutro tempo
Noutro lugar

Quem assim como eu estar
No vazio desse mundo
Prestes a se afogar

São Paulo, 26.10.2024

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[1] José Leonilson (1957-1993), artista brasileiro.

[2] Ana Suçuarana é a persona poética de Maiâna Maia, psicanalista em formação, aluna bolsista de cota racial do Curso de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

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