A crônica do bosque
“(…) Seja tão verde e incansável como estas folhas.
Uma vida inteira não é suficiente para a beleza deste mundo
e para as responsabilidades de estar vivo” [1]
por Déborah de Paula Souza[2]
Mataram o bosque perto da minha casa no dia 4 de novembro de 2025. Quem executou o crime foram homens contratados pela construtora Tegra e a prefeitura de São Paulo, que deu o aval para a obra. Tudo aconteceu sob as bênçãos da igreja católica, que vendeu o Bosque dos Salesianos por 95 milhões de reais. Cito esses nomes porque eles já foram revelados em muitas reportagens e documentos. Não tenho receio, embora saiba que alguns vizinhos foram acionados judicialmente pela Tegra, após darem entrevistas sobre o assunto. Eu tive medo que destruíssem o bosque, agora o mal já está feito, não tenho medo de mais nada. Reluto em chamá-lo Bosque dos Salesianos, como ele é conhecido e registrado, no Alto da Lapa, em São Paulo. Com esse nome, o bosque permanece ligado a uma instituição religiosa que se revelou insensível à sua destruição (até uma carta ao Papa foi enviada para tentar evitar o desastre que afinal aconteceu). Ocorre que o sagrado de um bosque está nele mesmo, em sua exuberância, em suas raízes fundas, árvores antigas e vidas esvoaçantes, cantantes, secretas, que fazem dele morada.
Há tempos queria escrever sobre o que aconteceu. Não consegui enquanto achei que eu deveria contar tudo, falar do absurdo tim-tim por tim-tim, bem louca mesmo, mas nem sempre foi assim. Em relação aos bosques sempre fui calma e agradecida. Este era meu vizinho de quarto: eu abria as persianas pela manhã e lá estava ele, do outro lado da rua. Um amigo, uma janela de contemplação. Todos os amores que tenho na vida já senti algum medo de perder, nada muito grave, só aquela sensação de que o que é importante precisa ser protegido. Com o bosque não senti posse nem medo da perda, ele era frondoso, perfumado e musical. Uma caixa de ressonância de pássaros e insetos. Parecia eterno. Era fechado ao público e, que eu saiba, ninguém reclamava disso. Para aqueles que o amaram, sua existência bastava. Às vezes, seus portões eram abertos para uma escola próxima. Depois da pandemia, enternecia ver a fila das crianças pequenas, organizada pelas professoras, passando pela calçada, cada uma com sua mochilinha e lancheira, para passear no bosque.
Quando foi ameaçado de morte pela especulação imobiliária, favorecida por prefeitura e, neste caso, pela igreja, a vizinhança se mobilizou e me juntei ao levante. Passamos juntos por vários momentos intensos, inclusive algumas desconfianças, pois criamos um grupo de zap e logo surgiu o boato de que havia “olheiros” ali. Estava conflagrada a guerra. Participo desde então do movimento Salve o Bosque. De início, na urgência, alguém contratou uma advogada para entrar na Justiça, mas nas reuniões que se seguiram, entendemos (com discussões e conflitos) que o caminho teria que ser diferente, coletivo, sem dinheiro pra ninguém, cada um doando seu tempo e seu trabalho. Assim foi criado um mural no Instagram para divulgar um abaixo-assinado e os nossos atos. Artistas gráficos da região criaram matrizes para produção de folhetos, adesivos e cartazes, a missão era espalhar a notícia. Tivemos mais de 25 mil assinaturas apoiando o bosque; muitos de nós conseguiram o aval dos síndicos para fixar cartazes e subgrupos foram criados nos prédios, ao redor da nossa mini-floresta.
A lei e as brechas da lei
Diferentemente de muitas tragédias que a especulação imobiliária encena na cidade, e que põe em discussão a lei das “compensações” (mata-se árvores antigas e planta-se mudas em locais distantes, mudas que não são cuidadas, é só pra dizer que está tudo legalizado), e o Plano Diretor, que estabelece regras para a ocupação urbana, no caso do Bosque temos lei ambiental a nosso favor. Tanto a legislação municipal quanto um decreto estadual de 1989 consideram o território zona de proteção ambiental, imune a corte. Por isso, e também com o respaldo da opinião pública, conseguimos embargar o projeto das obras, duas torres, sei lá quantas suítes e vagas de estacionamento. Um detalhe arruinou minha alma: a Tegra construiu na frente do bosque, num velho galpão onde antes funcionava a escola infantil, um estande para alavancar as vendas dos apartamentos de luxo. O nome do estande era Oásis, a fachada enfeitada com vasos de folhagens tropicais. Essas pessoas da Tegra, conhecida na Lapa como Desintegra, recorreram na justiça contra o embargo e, antes que a Justiça se pronunciasse, naquela fatídica manhã de novembro passado, derrubaram mais de 120 árvores, cerca de 90% do bosque. Só restaram algumas para funcionar de paisagismo. Os adversários derrubam árvores e se denominam Oásis. A degradação das palavras e discursos acompanha a degradação da cidade. Esse nome – oásis – me remeteu à época em que atuei como jornalista. Fiz uma viagem de trabalho para a Tunísia, visitei o deserto e lá conheci o verdadeiro oásis. Foi uma emoção muito grande, aquele berço de vida fértil em meio ao areal no norte do Saara, com regato, pedrinhas, árvores, sombra. Um único homem trabalhava ali: era o guardião das nascentes, contratado para isso, e sentia-se orgulhoso de seu ofício. Foi nessa viagem linda, minha primeira vez no mundo árabe, que encontrei, em banheiros de hotéis, placas com alerta para a economia de água e a resolução da ECO-92, quem se lembrará dela, a conferência internacional coordenada pela ONU e realizada no Rio de Janeiro, que reuniu representantes de mais de 179 países, ativistas e cientistas. Era o início dos pactos para cuidar dos problemas ambientais. Os pactos se renovam mas não são cumpridos. Estamos vendo os efeitos do descaso em nível local e planetário.
Eu não estava em casa no dia da devastação, estava numa fila do plano de saúde da Prevent Senior, quando o grupo do Zap explodiu de mensagens. Todo mundo correndo para o bosque, gritando, chorando, eu via nos vídeos uma jovem fotógrafa chutando os tapumes para tentar parar as máquinas, eu queria abraçá-la, as pessoas tiveram que contê-la para que não se machucasse, eu marcando exame de sangue pro meu pai, sentia meu coração quebrar e a pressão cair. O bosque estava morto.
Os enlutados da cidade
Estas palavras estão fora da ordem dos acontecimentos, eu sei, mas peço paciência aos leitores, aquela paciência que se tem com os que estão de luto e recontam muitas vezes sua história, que não é minha, passa por mim, mas é da cidade. Quem mora em São Paulo sabe do que estou falando, haverá de reconhecer estas palavras porque elas podem servir para o Butantã, Vila Mariana, o caso da Sena Madureira, Vila São Francisco, Mooca, Pinheiros. Estamos sob ataque. Mas antes do bosque cair, fizemos encontros na pracinha Virgem da Lapa, bem na frente dele, reunindo de início poucas pessoas, depois foi aumentando: mulheres, homens, casais jovens com carrinho de bebê, gente passeando com cachorro. Um bairro. Limpamos a praça, divulgamos a luta, marcamos abraços em torno do parque, convidamos ativistas e vereadores, vieram pessoalmente Nabil Bonduki, Marina Bragante, Renata Falzoni, Eliseu Gabriel (criador de um projeto de parque para a área do bosque que ainda está pra ser votado na Câmara de Vereadores), o Eduardo Suplicy cantou Blowin‘ In The Wind. As árvores ainda estavam lá. São as legítimas representantes do povo Yanomami na cidade grande, segurando as pontas, o oxigênio, o ciclo das chuvas, segurando o céu. Naquele ano de 2024, quando as ameaças começaram, um pico de calor colocara a capital paulistana no topo do ranking mundial de pior qualidade de ar. O ranking é realizado pelo site suíço IQAir. Na revista da Fapesp, a manchete foi a seguinte: “São Paulo teve o pior ar do mundo por cinco dias”. O céu ficou amarelo, empalideceu. Ninguém podia dizer que estava desavisado do desastre (resultado de fumaça proveniente de queimadas na Amazônia, Pantanal e no interior do estado), mas a dissociação cognitiva produzida pelos interesses neoliberais impede as associações básicas. Aquela lógica bolsonarista de “vamos passar a boiada” continua vigorando em São Paulo. Onde passa boi, passa betoneira.
Certa vez, numa manifestação em torno do bosque, uma arquiteta urbanista pegou o megafone e resumiu: “Cada centímetro desta cidade está em disputa”. Revelou também que, se o bosque caísse, o baixo Lapa sofreria inundações porque na conhecida rua Pio XI, uma das esquinas do bosque, sob o asfalto, vive um córrego, suas nascentes estão nas imediações da Av. Cerro Corá. O bosque trabalhava como uma imensa esponja e, com outras praças ao redor, absorvia o excesso de água. Sem a absorção, haverá inundação. Muita gente nem imagina quantos rios (cerca de 800) estão asfixiados sob nossas ruas. Qualquer desatenção pode ser a gota d’água. Pode ser a avalanche do El Niño, os hospitais lotados com idosos e crianças, as primeiras vítimas da falta de ar. A morte da cidadã e do cidadão vem com a morte da cidadania. Mesmo quem permanece vivo sente o amortecimento urbano, feito de barulho, poeira, escavadeiras e tapumes, prédios com mais de 30 andares, onde antes havia casinhas, sapateiro e padaria. Estamos ali (estamos aqui), mas a vida diminui de graça e intensidade.
Rota de ventos e pássaros
Uma mulher bonita, que muito fez pelo movimento, nos contou das correntes de vento e da intensa comunicação entre os pássaros do Alto da Lapa e do maciço do Jaraguá, a noroeste da cidade. Eu amava o bosque sem saber de seus segredos e quando soube de tanta conexão com vento, córrego, chuva, animais, ele se tornou meu avô e minha avó. O bosque está para nós como o cajueiro estava para a infância do escritor Rubem Braga[3]. O velho cajueiro atrás de sua casa era apresentado aos amigos visitantes como um parente. Até que o escritor, já idoso e morando no Rio, recebeu uma carta de sua irmã, dizendo que o cajueiro caiu numa tarde de ventania, rolou pela lateral da ribanceira, como se quisesse proteger o telhado da casa da família. “Estava carregado de flores”.
Moramos dentro de fábulas, a percepção do maravilhoso é algo que costuma acontecer quando viajamos, mas se o maravilhoso está na sua janela, na sua cidade, e testemunha-se um ataque, isso afeta a vida de modo direto. Não consta das estatísticas, mas, além da criminalidade e insegurança pública, o barulho de britadeiras e caminhões, a sujeira, os detritos na calçada roubam nosso espírito. Com a fuga dos espíritos, resta a casca vazia do cidadão aviltado.
Naquela manhã em que o bosque caiu e eu estava na fila do exame, à tarde fui encontrar a mulher bonita, essa que falou das correntes de vento em acordo com passarinhos, ela me disse que eu fui protegida por estar longe de casa na hora da morte, pois a dor dos que assistiram o massacre foi muito grande. Durante esse breve encontro na calçada, estacionou um carro no meio-fio e a motorista quis entender o que tinha acontecido ali. Era uma veterinária que, ao ser informada, começou a telefonar para a Polícia Ambiental (coisa que fizemos mil vezes e foi inútil). Mesmo que a derrubada fosse permitida por lei (nunca foi!), o correto seria fazer o manejo dos animais residentes. Segundo a veterinária, naquela época, os ninhos dos pássaros estavam cheios de ovos. E nas noites seguintes, os saruês e seus filhotes começaram a aparecer nos jardins dos prédios, um gambá foi atropelado, um macaco pequeno foi fotografado andando pelos fios. Os bichos perderam sua casa. Alguns foram recolhidos por moradores que chamaram entidades de proteção aos animais silvestres, outros morreram, outros se dispersaram. Quem morava lá? O Ministério Público, acionado pelo nosso Movimento, já tinha produzido um relatório oficial: “um grande número de exuberantes exemplares arbóreos de grande porte, vegetação considerada imune a corte (…), sabiás-laranjeira, maritacas, papagaios, gaviões-carcarás, sanhaços, pica-pau e entre outras espécies”. Numa visita de fiscalização, não tinham visto os saruês e o macaco, eles apareceram depois, desnorteados.
Algum tempo depois que mataram o bosque, saiu o despacho de uma juíza, dizendo que ali não se podia cortar árvore alguma. Mas cortaram, o crime ambiental foi feito debaixo do nosso nariz, apesar da longa e trabalhosa resistência que contou também com depoimentos de muitos artistas. A cantora paulista Ná Ozzetti e sua irmã flautista Marta Ozzetti apoiaram a luta desde o início, quando a ameaça aumentou, até a atriz Lucélia Santos enviou do Rio de Janeiro um vídeo intercedendo pelo bosque. E o craque Raí, antigo morador do bairro, apareceu em outro vídeo, com milhares de visualizações, que potencializava a simpatia da população pela causa. Saiu uma leva de reportagens de novo, pois não é a primeira vez que derrubam áreas verdes que não poderiam ser derrubadas e depois tudo é embargado, pois o que foi feito não poderia ter sido feito. Kafka na veia. O processo que não consigo processar. No meio disso tudo, o secretário municipal do meio ambiente tinha sido procurado em seu gabinete pelo pessoal do movimento, mas não disse nada relevante, pelo contrário, suas palavras eram escorregadias. E o prefeito, com séquito e o tal secretário, resolveu marcar um ato de marketing bem na praça John Lennon na Lapa. A autoridade municipal estava lá para divulgar suas incríveis ações ecológicas, tais como caminhões de lixo movidos a biometano. E tinha meia dúzia de engravatados batendo palmas frente ao palanque, quando pessoas do Movimento surgiram com uma faixa do “Salve o Bosque” e o questionaram sobre a situação. Ele começou a vociferar em público, chamou todo mundo de baderneiro, disse que não éramos civilizados, alguém filmou, sua cara autoritária e cheia de ódio, pois tinha sido desmascarado, foi parar na mídia.
Com o aval da juíza, que reafirmava a lei de proteção ambiental, tínhamos dois documentos importantes a favor do bosque. A obra foi embargada novamente e assim permanece. Em setembro/26 foi marcada a primeira audiência no Tribunal de Justiça, um relator deu voto a favor do bosque, o outro pediu vistas. Nova audiência foi marcada e depois cancelada. A próxima está prevista para outubro.
Enquanto isso, o que era um bosque virou uma grande cratera após o desmatamento. Qual será o destino desse terreno? Não se sabe ainda. O movimento Salve o Bosque deu sinal de desalento no dia da matança e no dia seguinte, para surpresa de muitos, decidiu continuar a luta, pede reparação e replantio. Nesse plano B está o projeto de um parque correndo na Câmara. Moradores do bairro trabalham de graça há dois anos em prol da causa verde, incluindo advogados que se sensibilizaram. Temos mais de 25 mil pessoas apoiando essa causa que pode contribuir, ao lado de outras lutas urbanas, para dar visibilidade à angústia da população, aos anseios por uma cidade mais arborizada, mais respeitosa com pessoas, árvores, ninhos e nascentes, animais. Uma composição com outras vidas para, literalmente, amenizar o clima.
Do seu lado, a construtora, por ora proprietária de um cemitério de árvores e uma grande cratera, contratou um famoso escritório de advocacia para defender os interesses da empresa. Ainda no início da briga, e diante das várias reportagens que anunciaram a revolta da vizinhança contra a destruição do verde, esse pessoal publicou um artigo na Folha de São Paulo, dizendo que os moradores estavam reclamando apenas porque não queriam perder a vista. Muitos moradores ficaram indignados, um ou outro escreveu para o jornal dando a real complexidade da situação. Por mim, luto também pela “vista” sim, pela contemplação. Por que uma cidadã não poderia reivindicar a beleza? Para a população, qualquer bosque é um bem comum. Para seus destruidores, uma fonte de lucro. Para mim e a vizinhança o bosque é família e não somos os únicos. É bom lembrar da luta demorada pelo Parque Augusta. Somos órfãos brigando pra recuperar a casa com quintal.
Devaneios e deslocamentos
Nos dias que antecederam a produção deste texto, me lembrei dos meus deslocamentos na cidade de São Paulo. Me mudei para a Lapa com minha filha há 24 anos, ainda era um bairro sossegado. Eu vinha exilada da Pompeia, onde morei numa rua de um quarteirão. Uma incorporadora tentou comprar minha casa, eu e meu ex-marido nos reunimos com os vizinhos, que viviam lá há muito mais tempo que nós, quando uma senhora idosa nos contou que estava sendo ameaçada diariamente. Telefonavam para ela dizendo que todo mundo já estava fazendo negócio e que a casa dela ia virar quintal do prédio. Depois de algumas reuniões, regadas a café com bolo, a decisão foi que ninguém venderia. E do nosso lado ninguém vendeu. Mas, do outro lado da rua, a resistência caiu e foram construídas duas torres. Vendi minha casa (não para a incorporadora) a fim de fugir do caos e da minha própria raiva. Saí da rua Icoarana para a rua Acopiara. Antes, já tinha morado na Cotoxó e na Tucambira. Eu moro nos nomes das aldeias e hoje meu consultório fica na rua Cayowaá, em Perdizes. Já tive que fugir da rua Harmonia porque a clínica que eu dividia com amigas analistas, e que tinha pitanga e lagartixa no jardim, foi derrubada para construir prédios que copiam a paisagem de Nova York, um café com pão de queijo por ali custa cada vez mais caro. Sei lá, eu votei no Boulos e na Erundina, mas os paulistanos preferem Nunes e Tarcísio. O mais louco é que quando se fala de política no zap do bosque, tanta gente reclama, afirmando que não é “nem de direita nem de esquerda”, que alguns de nós resolvemos criar um grupo à parte de política, para reunir informações sobre candidatos que tenham algum espaço para as questões ambientais em suas plataformas. Recentemente saiu uma pesquisa mostrando que muitos dos candidatos ao congresso (a maioria de partidos de direita e extrema-direita) já foram multados por graves danos ambientais.
Na minha perspectiva, os danos causados à Terra são outra espécie de feminicídio, a questão da terra está no eixo do feminino, da fertilidade e das curas (e isso sem entrar no tema da reforma agrária e das demarcações de territórios indígenas e quilombolas, que também referem-se às curas e reparações). Quem pisa no chão, quem come, respira, toma água e entra na água, se estiver presente em cada um desses gestos, algo acontece. Algo que está na ordem do maravilhoso e também do sofrimento, ao testemunhar o ferimento no tecido. Assim como no romance intitulado Bruxas, da escritora mexicana Brenda Lozano, que diz: “Embora você veja uma árvore e eu veja outra, isso está ligado às suas águas profundas, e isso é A linguagem.” Nas palavras da protagonista Feliciana, que utiliza cogumelos, ervas, cantigas e enunciações para curar, não há maior poder do que o poder da Linguagem (sempre grafada em maiúscula no livro) e ele está costurado à capacidade de contemplação. Espero, com minhas palavras, ter honrado o bosque. Ele me faz falta.
Acervo do Movimento Salve o Bosque (registros do grupo)
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[1] Epígrafe: Mary Oliver, no livro Pequenas Glórias, ed. Círculo de Poemas.
[2] Déborah de Paula Souza é poeta e psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, colaboradora deste Boletim online.
[3] Rubem Braga:em O lavrador de Ipanema, ed. Record.


