A Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae vem manifestar indignação e repúdio às últimas intervenções realizadas pelo Estado e Prefeitura de São Paulo, na região da Cracolândia. A truculência e o desrespeito empregados, como mais uma forma de repressão, são métodos que vão na direção contrária às ações necessárias ao tratamento da complexa questão da adicção. Impedem o acolhimento, a inclusão e a possibilidade da construção da cidadania.

Nesse sentido, esta Clínica vem também manifestar o apoio a todas as iniciativas de preservação da subjetividade através da arte, dos cuidados médicos, psicológicos e de assistência social e da ocupação criativa dos espaços públicos por esta população.

São Paulo, 26 de maio de 2017


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A Clínica Psicológica é um dos setores de atividades do Instituto Sedes Sapientiae.

Nascida em 1940 junto à Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Sedes Sapientiae, a Clínica veio a se constituir em pólo originário do que, em 1977, se configurou como o atual Instituto Sedes Sapientiae. Vem se afirmando, desde então, como referência no campo da formação de profissionais em saúde mental e no campo da atenção à população, através de uma práxis singular, implicada eticamente com as questões de seu tempo.

Dentre seus principais objetivos, destaca-se a construção permanente de um modo de fazer clínica que valorize e potencialize a singularidade e a diferença frente à lógica dominante do individualismo, da massificação e da desigualdade. Tal objetivo se faz consonante aos princípios do Instituto Sedes Sapientiae, pautados nos direitos e na dignidade humanos, nos valores democráticos e na justiça social.

Sua história vem se construindo, no cotidiano das práticas, pelo investimento constante de profissionais comprometidos com a produção de práticas clínicas consistentes em seu rigor, e eficazes na interrogação e na intervenção na realidade social em que elas estão inseridas.

Marco importante nessa história, o início da década de 90 foi um tempo de grande mobilização no Instituto Sedes em torno da problemática das práticas clínicas “psi”, e sobre os efeitos que uma Clínica organizada nos moldes de uma Clínica-Escola têm sobre estas.

Desse movimento, movimento coletivo que envolveu toda a comunidade Sedes, resultou a construção de um Projeto Clínico-ético-político para a Clínica do Sedes, aprovado em assembléia do Instituto em 1996. Criou-se então condições institucionais para o questionamento e a investigação sistemáticos de conceitos e práticas relativos à subjetividade e ao sofrimento psíquico. Reorientada em suas diretrizes ético-políticas, a Clínica reorganizou-se como um equipamento de serviços, reinventando suas práticas nos marcos da Clínica ampliada e inserindo-se mais claramente no campo da Saúde Mental, em sintonia com os vigorosos movimentos sociais pela Reforma Psiquiátrica no Brasil e com o movimento da luta anti-manicomial. Configurou-se assim uma Clínica que trabalha na invenção de dispositivos de ação e de intervenção para além das atividades psicoterapêuticas stricto sensu: uma clínica de atenção a sujeitos em sofrimento psíquico, atenta aos diversos componentes desse sofrimento, com ações intersetoriais, mas também uma clínica de ações junto a grupos, setores da coletividade, movimentos sociais, e de intervenções institucionais. Simultaneamente, as práticas de formação de terapeutas ganharam novo sentido e vigor com a criação das equipes clínicas – dispositivo de referência para o trabalho clínico na Clínica e dispositivo de inserção dos terapeutas aprimorandos. Inaugurou-se também, com o Projeto Clínico-Ético-Político, a contratação de equipe multiprofissional composta por psicólogos (de diferentes orientações teórico-clínicas), psicanalistas, psiquiatras, assistentes sociais, cujas funções clínico-institucionais reafirmam uma das diretrizes do Projeto, alinhado com as diretrizes do SUS e da PNH (Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde): a inseparabilidade entre a atenção e a gestão. Suas múltiplas funções – atendimento direto, coordenação de equipes clínicas em sua dupla face de atenção e formação; discussão, avaliação permanente e invenção de outros desenhos institucionais para o serviço, quando necessário – configuram para esta equipe sua função de gestora da Clínica.

Atenção, Intervenção Institucional, Intercessão com Movimentos Sociais, Formação e Pesquisa vêm sendo desde então reafirmados como as principais funções da Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae.

A partir do ano 2000, as práticas psicoterápicas grupais ganharam força e vigor na Clínica, sendo que o dispositivo grupo reafirmou-se teórica e clinicamente, desde então, como um potente dispositivo clínico de desprivatização do sofrimento e de afirmação do movimento de produção de desejo.

Em 2003, novo desenho institucional e de gestão vem fortalecer as diretrizes clínico-ético-políticas do Projeto de 1996, ampliando a destinação de horas dos profissionais contratados para o atendimento grupal, sistematizando e regularizando as recepções de novos pacientes – também realizadas em grupo – e possibilitando que a equipe de contratados se dedique, no campo da atenção, ao atendimento de grupos populacionais de sua escolha, reafirmando assim a importância fundamental do desejo do terapeuta em sua ação clínica, em consonância com as problemáticas das subjetividades contemporâneas.

Em relação ao trabalho nas equipes clínicas, estas se ampliaram em dispositivos de acompanhamento do trabalho clínico por elas realizado, produzindo efeitos importantes tanto no processo de formação como na própria prática clínica e na articulação Cursos-Clínica. Esta articulação vem adquirindo novas consistências com o compartilhamento de questões do processo de aprimoramento com representantes dos cursos de referência dos terapeutas aprimorandos no dispositivo chamado Fórum Aprimoramento.

O ano de 2010 é o tempo de ampliação da função de formação da Clínica, formação esta sempre entendida como um dos efeitos das práticas clínicas – e não o seu contrário. Inaugura-se assim um aprimoramento profissional para médicos, psicólogos e assistentes sociais – Práxis – Aprimoramento em Clínica Institucional – dirigido a profissionais não necessariamente oriundos da comunidade Sedes. No formato em que se iniciou, o Práxis suspendeu sua oferta, temporariamente, no ano de 2015.

Nos últimos anos, constata-se um aumento considerável de projetos na Clínica (oriundos de cursos e/ou departamentos do Sedes) e da Clínica (decorrentes das necessidades do Serviço). Os profissionais e/ou equipes que encaminham projetos para a Clínica, em geral, têm um triplo interesse: a pesquisa, a atenção e a publicação. A Clínica do Sedes, segundo suas diretrizes clínico-ético-políticas, opta por configurar-se como uma clínica não aprisionada na lógica medicalizante dos “transtornos” ou psicopatologias. Sendo assim, os projetos são feitos muito mais a partir de uma problemática contemporânea ou por especificidades de recortes populacionais do que por uma equívoca triagem psicopatológica. Atualmente a Clínica dispõe de 2 projetos da Clínica – NURAAJ (Núcleo de Atenção à Adolescência e à Juventude) e Projeto de Atenção à Infância  e 10 projetos na Clínica: Projeto de Atenção às Anorexias/ Bulimias; Presto; NAPC (Núcleo de Atenção a problemas da conjugalidade) ; Grupo Acesso;  Projeto de atenção em Psicossomática; Ponte; Projeto Compor; Cuide-se; Projeto de Acompanhamento Terapêutico (AT); Projeto Psicanálise e Trabalho (Laborar). Uma síntese das propostas destes projetos pode ser encontrada nas páginas da Clínica no site do Instituto.

A partir do 2º. Semestre de 2012, com a saída da 2ª. Diretora Adjunta nomeada pela diretoria do Instituto, a gestão da Clínica passa a ser feita mais diretamente por uma Equipe Gestora, composta por três profissionais, a serem rodiziados, oriundos da equipe multiprofissional, contratada, eleitos por esta, atualizando assim as diretrizes da inseparabilidade entre gestão e atenção e da gestão compartilhada.

No ano de 2015 foi reaberto o cadastramento de terapeutas como mais um recurso da Clínica, cadastramento feito a partir de um processo de seleção que privilegiou tanto a afinidade com as diretrizes clínico-ético-políticas da Clínica como a experiência clínico-institucional dos candidatos.


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