quinta-feira, 24 de setembro de 2020 - 12h01

Homenagem a Andressa Kelly Bardella Monteiro
24 set 2020

Homenagem a Andressa Kelly Bardella Monteiro

Querida amiga Andressa,

A notícia era tão dolorida que achamos que era mais uma de suas piadas, não é, Andressa? De piada em piada, zoeira em zoeira, sabedoria em sabedoria, fomos gostosamente nos apegando a você. Apego de amigo, de irmão, de quem gostamos de estar perto.

Nossa classe é muito especial, sabe? Acho que todos, de alguma forma, tocam uns aos outros. Juntos, formamos uma teia de amor, de empatia, de união. Precisamos uns dos outros e isso nos uniu. Professores, alunos, amigos.

É com esse espírito que você representava tão bem que escrevemos essas palavras a você e talvez a cada um de nós dessa turma tão especial. Você nos ensinou muito, desde o primeiro dia. A rir, a ler, a ter profundidade, a amar Jung como talvez nem sabíamos ser possível.

Você era nossa biblioteca, sabia as citações, páginas e volumes. Bastava alguém trazer um tema, que você já sabia onde iríamos encontra-lo em algum livro. Feiras de livro então, era a rata. Levava mala de rodinha e saía carregada. Dividiu conosco todas as datas, feira da USP, da UNESP, da Martins Fontes. Livros não eram para enfeitar sua estante, como sabemos que muitos fazem, era sim para ler com paixão e devolver a nós com toda sua sabedoria.

Você era muito gentil e nunca fez de seu conhecimento uma superioridade diante de nós. Ao contrário, dividia tudo sem soberba.

Ano passado foi valente, teve dores, sofreu e ao final venceu. A cirurgia foi uma boa desculpa para você ter mais tempo para ler. Nenhum sacrifício para você, certo? Voltou ainda mais afiada, se é que isso era possível para quem já sabe tudo.

Também no ano passado lembramos da tristeza que você ficou ao perder sua gatinha, sentiu-se culpada em não ter chegado a tempo para salva-la. Você era bondade pura também com os animais. Mesmo não sendo mãe, embora tenha dito a alguma de nós que sonhava em ser, foi a mãezona de toda a nossa classe. Cuidava, ensinava, estimulava. E até nos convidava para um boteco. Fazia-nos crescer, como mães devem fazer.

Ironicamente foi junto de sua mãe que você se despediu. Espero que ainda possam dar muitas risadas juntas.

Caixa de areia, junto com a Irene, era também mestra. Foi nossa professora, mesmo sem perceber. Suave como sempre, risonha como poucas, sabia encantar. O astral da classe era leve com você, chegando logo cedo às aulas online, abrindo as sessões do Zoom, junto com a turma dos mais “velhos” da classe.

Ensinou-nos não só o amor a Jung, nos ensinou a sorrir, a celebrar, a viver. A ter uma tirada de humor a todo momento. A buscar leveza mesmo em nossos tempos sombrios. Espero que possamos ter sido bons alunos e que consigamos seguir espelhando sua espontaneidade, sua leveza gostosa.

Sugerimos assim batizar nossa turma de Espaço Self. Aquela sua janelinha do Zoom que exibia a imagem de Jung quando você saia. Para que em nenhum momento você deixe de estar ao nosso lado.

Em nome de todos nós, muito obrigada, Andressa. Fique na paz.

E nós ficaremos com todas as suas maravilhosas lembranças.

Um beijo nosso a você e até breve.

Turma do 2º ano Jung & Corpo

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