Muito se diz, na presente edição do boletim online, do que temos feito. Como quem diz Faz verão, dizemos assim: Faz tempo.
São hoje tempos. Tempos de aturdimento. E há sempre uma palavra dolorosa de Rubia Delorenzo a sonhar por nós. Há sempre uma palavra guardada por Ana Suçuarana com a qual podemos contar em novembro. Há ainda os convites lançados por Ester Alves e por Rivaldo Lima, a olhar e sermos vistos, a sair e a deixar sair da linha e das atordoantes telas.
São tempos de luta. A Articulação das Entidades Psicanalíticas Brasileiras movimenta audiência pública na Câmara dos Deputados, de novo e de novo a dizer Não aos controles de Estado e de Mercado sobre a psicanálise que praticamos. Laura Souza e Fernanda Almeida tanto chamam quanto oferecem companhias aprazíveis aos gestos rigorosos de leitura decolonial e à multiplicação pulsante de cenas de vida e arte. Mara Caffé resenha o risco Rumo a uma psicanálise emancipada e, do grupo Generidades, Luísa Godoy e Oggy Nzazi Barbosa Zizo sustentam o elogio às travessias, em conversa-presente com Laurie Laufer. Enquanto isso, em torno do identitarismo, Famílias no século XXI entrevista Douglas Barros, presença motivante de nossa interlocução com o Núcleo Psicanálise na encruzilhada.
São tempos de colheita. Na cálida despedida escrita de Nanci de Oliveira Lima, especial para este boletim. Na nova seção O que resta. O que resta de processo analítico no trabalho coletivo segundo a experiência singular de Cleide Monteiro. O que resta mais além das imagens da infâmia e da violência social, na persistência dos enlaces invocados por Psicanálise e contemporaneidade. O que resta resfolegante nas partituras feitas de gente musical – na rua, na cultura, na cidadania.
São tempos de muda. FLAPPSIP 2027, no Departamento de Psicanálise, Sedes, Brasil latino-americano, já começou. Assista ao nosso vídeo, por Miriam Chnaiderman. Que sejamos estrangeiros em nossa própria casa, posição de onde a hospitalidade vem. E está lançado o convite aos colegas do quarto ano de Psicanálise à efetiva participação em nossos dispositivos de formação continuada.
São tempos de assombro. Na maneira de escutar mundos das nossas crônicas do Congresso FLAPPSIP 2025 no Peru – nas tramas de cor, corpo, território e memória urdidas por Julia Louzada, Elaine Souza, Fabiana Gomes e Daniela Athuil – e no elogio de Cristiane Abud ao feminino. Nas pontes móveis com Liliana Emparan, nas espirais do desejo com Marília Telles, no desapagado teatro poético de Lou Salomé.
São tempos de compromisso: mudanças da vida, promessas nos corações. Faz bom tempo? Que o final do ano seja festa. Unidos do inconsciente dá a letra.
Boas leituras! Aquele abraço da
Equipe editorial
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